sábado, 7 de janeiro de 2012

Crítica: Tudo Pelo Poder (The Ides oh March, 2011)

George Clooney, mais conhecido por sua carreira de ator, durante os últimos anos tem se dedicado também a sua carreira de diretor."Tudo Pelo Poder" é seu quarto filme atrás das câmeras e prova aqui seu grande talento nesta função, construindo um filme polêmico, mais uma vez, mostrando seu conhecimento sobre política. Brilhantemente filmado, o longa ainda possui atores veteranos dando um show de interpretação. 

por Fernando Labanca

Assim como seu filme anterior "Boa Noite e Boa Sorte" (2005), Clooney nos mostra os bastidores da política, o que há por trás dela que a mídia não mostra, a sujeira, as chantagens, sorrisos mascarados que escondem um jogo sem ética. E assim como "Tropa de Elite" escandalizou o Brasil por um assunto que conhecemos mas temos a dificuldade em admitir, "Tudo Pelo Poder" tem esta função para os norte-americanos, escandalizar de forma sutil, mostrar uma verdade de conhecimento de toda a nação, uma verdade difícil de encarar, a base da política. Expor a sujeira que permanece debaixo do tapete.

Neste cenário, conhecemos o jovem Stephen Myers (Ryan Gosling), cheio de idealogias, admirador da política que trabalha ao lado do candidato a presidente Mike Morris (Clooney), no partido democrata, como assessor de imprensa, tendo como chefe o experiente Paul (Philip Seymour Hoffman). Carismatico e inteligente, ele tem que lidar com a pressão da eleição e com os adversários republicanos, que tem como assessor, o valente Tom Duffy (Paul Giamatti). Depois de diversas votações em cada Estado norte-americano, o Estado de Ohio, porém, definiria o vencedor, é então, que a disputa fica mais acirrada, o único modo, no entanto, de Morris garantir sua vitória, seria se vendendo para o senador (Jeffrey Wright), o que não aceita, provando para Stephen sua teoria, a de que Morris era um homem correto, o único que poderia ser líder do país.

Além de tanta pressão, Stephen tem que aguentar a jornalista Ida (Marisa Tomei) que tenta de diversas formas conseguir informações sobre as eleições, até que ela descobre algo de extrema importância capaz de chantageá-lo. O jovem comete o erro de se encontrar com seu adversário, Tom Duffy, e sem saber como, a informação é vazada, colocando sua credibilidade em risco. O quadro muda completamente, porém, quando Stephen começa a se relacionar com uma de suas estagiárias, a bela Molly (Evan Rachel Wood), e através dela, descobre a grande verdade, que nem mesmo ele que estava tão perto da política conseguia enxergar, é neste momento em que começa a refletir sobre seu idealismo, a questionar tudo o que acreditava ser verdade. 


Antes de verificar a obra, confesso que estava com um pé atrás. O via como "filme político" e isso pouco me agradava. Entretanto, ao seu término, vi que "Tudo Pelo Poder" é muito mais do que um filme político, é muito mais do que George Clooney colocando em cena sua opinão, que aliás, respeito e admiro a forma como ele fez isso. É sobre a poítica que vemos lá fora, é sobre a política que temos aqui no Brasil. Em nenhum momento o roteiro aponta as falhas como uma verdade absoluta, pelo contrário, é do tipo "faça suas próprias conclusões", o que conhecemos na tela são argumentos, argumentos fortes, reais que dificilmente deixará o público indiferente. Mais do que falar sobre política, "Tudo Pelo Poder" é sobre o fim de nossos idealismos, sobre como é difícil acreditar no tal "mundo melhor", como é difícil lutar por isto, como é duro ser ético e correto num mundo que vai provar que quem tem os valores invertidos podem sair vencendo, que quem mente, joga sujo, também pode chegar ao topo, aliás, é lá onde eles estão. Como acreditar num mundo ideal? Como lutar pela decência? Ter bom caráter? O personagem Stephen Myers ilustra perfeitamente essa frustração, este descontentamento de um cidadão, que cego, acreditava na descência. 

George Clooney usa a ferramenta que mais conhece para expor o que sabe, o cinema, e o usa da melhor maneira possível. De uma direção segura, que consegue criar o ambiente perfeito para contar sua história, como os bastidores da política, que por vezes me lembrou "Frost/Nixon" de Ron Howard, tudo com bastante seriedade, logo, captando com mais competência seu realismo. O roteiro, também assinado por Clooney e Grant Heslov, baseado numa peça de teatro de autoria de Beau Willimon, é extremamente bem cuidado, que não subestima seu público, não nos entrega uma história mastigada, nem todos os diálogos necessários para a compreensão da trama estão ali, há muita coisa subentendida, criando assim, uma obra inteligente e bastante madura, original até, eu diria, onde os acontecimentos não são previsíveis, e cada ato de cada personagem surpreende a cada cena, e quando achamos que compreendemos todas as jogadas, o roteiro vem e nos surpreende mais uma vez. Um thriller político, com sequências que pendem a atenção, tudo brilhantemente armado por Clooney. É válido citar também a trilha sonora de Alexander Desplat, que se destaca principalmente na cena final.

O roteiro também explora o melhor de seus atores. "Tudo Pelo Poder" é quase que uma aula de atuação. Os veteranos Paul Giamatti e Philip Seymour Hoffman dão um show de interpretação, mesmo que seus personagens não sejam de tanto destaque, possuem grande importância na trama,e suas cenas são dignas de palmas. George Clooney também colabora, num personagem que soa como uma alusão a Barack Obama, desde seu sorriso persuasivo e cativante, até os posteres e seus slogans. Sua atuação é ótima, ou seja, é um grande momento de sua carrreira, logo que conseguiu dirigir, escrever e atuar sem desapontar em nenhum lado. Marisa Tomei, incrível também. E a belíssima Evan Rachel Wood que tem apostado em grandes papéis, surpreende mais uma vez, é jovem mas já possui grande experiência e mesmo tendo de dividir espaço na trama com atores de peso, consegue brilhar, diria até, que faz deste filme algo melhor, em uma só cena, a atriz vai de ninfeta sedutora para um arrebatador olhar dramático, enfim, magnífica. E Ryan Gosling mais uma vez no papel certo, e aqui tem a chance de mostrar todo seu talento, não deixando mais dúvidas, é um grande ator.

Já com importantes indicações ao Globo de Ouro 2012, é uma das apostas a estar na lista de Melhor Filme no próximo Oscar. Em suma, uma obra para se ver. Mais do que uma recomendação, é uma obrigação ver este filme!


NOTA: 9,5


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