segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Crítica: Carros 2 (Cars 2, 2011)

Indicado ao Globo de Ouro 2012 como Melhor Animação e continuação do sucesso da Disney Pixar "Carros" de 2006, o longa ainda conta mais uma vez com a direção de John Lasseter. Visualmente impecável, o filme trás muito mais ação que o primeiro, por outro lado, uma trama bem mais fraca. 

por Fernando Labanca

Nesta sequência, Relâmpago McQueen, após vencer quatro Copa Pistão, retorna a Radiator Springs onde reencontra com sua grande equipe e seu 'mior' amigo, Mate. Lá, ele fica sabendo sobre uma nova competição, o Grand Prix Mundial, no qual os competidores usariam pela primeira vez um combustível renovável, o Alinol. Refletindo sobre nunca levar seu amigo ao seu lado nas competições, McQueen decide levar Mate, mesmo conhecendo seu dom em arranjar encrenca. A primeira parada é Tóquio, e é onde Mate é confundido com um espião americano, que tem como principal função descobrir o paradeiro e os verdadeiros planos do terrível ciêntista Professor Zündapp. Quem está a frente desta missão é o famosos espião Finn McMíssil e Holley, uma sedutora máquina que faz com que Mate acredite estar tendo um caso e é por ela que ele vai se infiltrar nesta busca, sem ter a mínima noção aonde exatamente está enfiando seu guincho.

Até hoje me lembro quando assisti "Carros", o primeiro, nos cinemas. Foi uma experiência ótima. Um filme inteligente, sensível, bem realizado, divertido e com grandes lições de moral. Ainda o vejo como uma das melhores animações já feitas. Entretanto, nada justifica sua continuação, além do fato do primeiro não deixar pontas soltas para uma sequência, este segundo filme não prova em nenhum momento o porquê de ter sido feito. Nada que fez o original ser tão bom, desde sua história, suas personagens tão carismáticas retornam aqui. Tentaram fazer um filme de animação baseada no gênero ação, com explosões, fugas e espionagem, que tenho que admitir tem muito a ver com este universo criado, a dos carros, no entanto, nada disso se relaciona com o que havia sido feito no primeiro, não há nenhuma ligação, toda aquela idéia maravilhosa que inseriram no original aqui se perde. O que antes era uma comédia bem humorada mesclada com um drama que conseguia sem grandes esforços emocionar o público, agora, é um filme vazio de ação. 

Nesta sequência o protagonista é Mate, o que de início parece uma ótima jogada, logo que no primeiro, o coadjuvante roubava as cenas, logo vemos que foi uma grande roubada. Resumindo, Mate em pequena dose é incrível, em exagero, cança e se torna chato, irritante. Acabamos que sentindo falta do todas as outras personagens, de McQueen até os moradores de Radiator Springs que aqui fazem ponta, e em seus lugares são colocadas personagens que não possuem o mesmo carisma e por isso não empolgam. 


Quanto a técnica de animação, "Carros 2", mais uma vez, está impecável. Não há como não se deslumbrar com os cenários, todas as viagens feitas, de Tóquio a Londres, é tudo extremamente bem cuidado, quase que real. Há muita criatividade em cena, o roteiro consegue criar uma nova cultura, a cultura dos carros, a maneira como agem em diversas situações, onde cada pequeno detalhe parece fazer toda a diferença. E por este belíssimo visual, acaba que valendo a pena assistí-lo. O filme ainda conta com a boa trilha sonora de Michael Giacchino.

Um filme criativo, não há como negar. Entretanto muito fraco perto da grandiosidade do original. Acho interessante o fato de criarem algo completamente novo, é muito fácil fazer uma sequência repetindo a mesma fórmula, isso, aqui, não acontece. Porém, neste início de uma nova trama, "Carros" acaba que perdendo a identidade, aquelas belas lições de moral, da simplicidade, de dar valor as pequenas coisas da vida, enfim, são completamente ignoradas, toda aquela sensibilidade e maturidade, se perdem também, dando espaço para uma história cansativa, imatura e confusa. Ainda há boas mensagens como "a mudança não deve ser de você para ser aceito e sim do olhar daqueles que te julgam", mas a impressão que se dá é que a colocaram para dar algum sentido a sua trama fraca. Acaba que não indo muito além de uma aventura sem graça, onde a ação exagerada que não empolga é bastante explorada enquanto a inteligência que vimos até hoje em todos os filmes da Pixar é deixada de lado, em prol de um entretenimento barato. Enfim, há seus pontos positivos, mas não há dúvidas de que este foi o mais fraco desempenho da grandiosa Pixar. Para fechar com chave de ouro, o longa de John Lasseter ainda coloca em seus diálogos finais um polêmico discurso sobre "gasolina hoje, gasolina sempre, nada de combustível renovável". Imperdoável para um filme que tem as crianças como público alvo.

NOTA: 5



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