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quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Retrospectiva 2019: As Melhores Atrizes

Qual a sua atriz favorita de 2019? Selecionei os filmes lançados aqui no Brasil durante janeiro e dezembro do ano passado e destaco, aqui, as melhores atuações femininas. Tive o prazer de ver muita coisa boa ano passado, então espero ter feito uma seleção justa. Infelizmente acabei deixando alguns nomes de fora para deixar apenas 15, mas se sentir falta de algum, deixe nos comentários. 

Seja na comédia, no drama, no terror, essas mulheres deram um verdadeiro show! Com vocês, as melhores atrizes de 2019…


por Fernando Labanca



15. Elsie Fisher (Oitava Série)
É sempre uma grata surpresa quando surgem novos atores e entregam, mesmo com a inexperiência, um trabalho extremamente notável. Elsie é uma dessas revelações, que explora as possibilidades de sua protagonista e nos oferece algo novo, de forma brilhante. Na pele de Kayla, uma garota de 13 anos, a atriz nos convence de toda sua timidez e transmite toda a insegurança que se tem na idade. Ela acaba sendo o reflexo de muitos adolescentes engolidos pela própria solidão e que incrível poder existir uma atriz como ela, que mais do que passar uma mensagem, consegue criar este laço com o público, um ser possível, com que possamos nos identificar. 




14. Ana de Armas (Entre Facas e Segredos)
Não é fácil ser a mocinha da história. Longe de qualquer caricatura ou previsibilidade, Ana de Armas consegue construir uma protagonista muito única, complexa, divertida e ao mesmo tempo, graciosa, comovente. Criamos uma relação forte com ela e isso se deve, não apenas ao enorme carisma da atriz, mas a habilidade que ela tem de nos comprar, de nos convencer e nos fazer torcer por ela. É uma personagem cheia de camadas e a atriz navega por elas com naturalidade. Ana tem crescido muito no cinema e é lindo poder ver essa evolução dela de um filme para o outro. 




13. Alicia Vikander (Pássaro do Oriente)
Um filme e uma atuação que passou em branco em 2019, mas faço questão de trazer aqui porque me surpreendeu bastante. Alicia nos faz lembrar que o Oscar que tem em sua prateleira não foi em vão e ela possui uma forma muito única de traduzir sentimentos, às vezes, indecifráveis. Lucy Fly é uma personagem difícil, misteriosa, que carrega um trauma do passado consigo e vive um romance obsessivo com seu novo parceiro. É brilhante como Alicia consegue transitar tão bem por suas nuances, nos mantendo vidrados por suas ações. Na reta final, a atriz ainda entrega um potente monólogo em japonês e choca pela naturalidade e comoção que entrega ali. 




12. Saoirse Ronan (Duas Rainhas)
Lista dos melhores do ano sem Saoirse Ronan não vale. Há uns bons anos a atriz tem sido uma figura presente em premiações e listas e ela não poderia faltar aqui. Ela surge quase que irreconhecível na pele da Rainha Mary, com trejeitos e postura distantes do que já havíamos visto dela. Ainda que o filme não seja incrível, a performance da atriz é poderosa, segura e prova não apenas sua surpreendente versatilidade como a reafirma como a atriz mais completa de sua geração. 




11. Emma Thompson (Late Night)
Ver Emma aqui é como um grande presente. É daqueles personagens que não sabíamos que precisávamos tanto. Ao interpretar Katherine Newbury, uma famosa âncora de um programa de TV, Emma dá um belo e surpreendente show. Com um divertido e bastante crítico texto de Mindy Kaling, as duas conseguem fazer uma bem-vinda provocação à Hollywood e sobre como é envelhecer sendo mulher no ramo do entretenimento. Os monólogos de Thompson são hipnotizantes, tamanha a força dela como atriz, que dá voz a um belo roteiro, se mostrando a vontade nos momentos cômicos sem deixar de trazer garra nos instantes mais dramáticos. 




10. Cate Blanchett (Cadê Você, Bernadette?)
Bernadette é uma personagem, no mínimo, bastante intrigante. Que bom que existe uma atriz tão completa como Cate Blanchett para torná-la possível. Arrogante, desprezível e um tanto quanto misteriosa. Existe humor, mas existe um boa dose de drama também. Cate consegue navegar por essas oscilações e entrega uma performance bastante interessante, nos convidando à sua jornada, nos fazendo querer entendê-la e tornando possível essa identificação por ela ao fim. Sua presença é mágica, encantadora. 




09. Carey Mulligan (Vida Selvagem)
Carey Mulligan é, sem dúvidas, uma das atrizes mais subestimadas do cinema atual. Em “Vida Selvagem”, ela surge com uma força admirável, protagonizando com garra este drama familiar. Na pele de uma mãe que se desestrutura com a partida do marido nos anos 60, a atriz entrega mais um belo papel em sua carreira. É comovente esta luta diária de sua personagem, de precisar lidar com tantas responsabilidades e ainda se mostrar firme para o pequeno filho. É lindo, então, a forma que Carey encontra para traduzir tantos sentimentos. Sua presença é forte, grandiosa e merecia muito mais prestígio.  




08. Maggie Gyllenhaal (A Professora no Jardim de Infância)
Lisa Spinelli é uma das personagens mais intrigantes do ano. Professora, ela cria uma obsessão por seu aluno prodígio que possui um milagroso dom com poemas. A relação entre os dois é bem complexa e Maggie Gyllenhaal deixa tudo ainda mais fascinante de acompanhar. É simplesmente hipnotizante sua presença e tudo o que ela faz com a personagem. Sua evolução em cena, a maneira tão sublime com que ela se transforma diante dos eventos da trama, a loucura, o desespero, a paixão. Ela consegue a proeza de ser assustadora ao mesmo tempo em que consegue ser dócil, terna. Um trabalho admirável. 




07. Jessie Buckley (As Loucuras de Rose)
Rose é uma jovem mãe solteira, que acabou de sair da prisão e sonha em ser uma cantora country. Ainda que seja uma grande personagem, ela definitivamente não teria o mesmo brilho se não fosse o talento de Jessie Buckley. É surpreendente porque ela é uma atriz de pouca experiência e veio e simplesmente entregou algo digno de uma veterana. É potente, é poderoso e enche a tela com sua energia e carisma. Emociona nesses dilemas de Rose e a garra com que ela enfrenta a vida, emociona toda vez que divide a cena com sua família e quando canta. Quando Jessie sobre ao palco, algo mágico acontece. É quando ela revela seu outro belíssimo dom enquanto artista. Ela canta muito e me faltam palavras para descrever o quão poderosa é sua presença ali, dando alma para cada verso. 




06. Melissa McCarthy (Poderia Me Perdoar?)
Existe sempre aquele momento na carreira de um ator, acostumado na comédia, querer a se aventurar em papéis mais dramáticos. Essa transição nem sempre funciona, o que não é o caso de Melissa McCarthy. Quase nunca essa mudança de gênero para uma atriz fluiu tão bem quanto aqui. Ao interpretar a escritora decadente Lee Israel, Melissa deu um belo show. É divertida sim e a comicidade vem natural para ela, mas é nos momentos dramáticos que a atriz revela seu enorme talento. Nos emociona até mesmo quando sua personagem perde seu gato. A cena do tribunal? Irretocável. É um grande prazer vê-la em cena, não apenas porque o texto que recebeu é muito bom, mas principalmente porque ela constrói uma personagem adorável, talvez uma das mais fascinantes deste ano. 




05. Lupita Nyong'o (Nós)
O terror é um gênero que tem crescido bastante nos últimos anos e tem dado chance para grandes atores se destacarem. Lupita Nyong'o tem a oportunidade aqui de interpretar duas personagens e é simplesmente fantástico o que ela realiza em cena. É uma performance agressiva, assustadora, inventiva e ela domina cada sequência. O momento em que sua “vilã” é apresentada, nos deixa em choque, não apenas porque conseguimos ver ali duas versões tão distintas mostradas por ela mas principalmente porque a atriz consegue construir uma figura tão emblemática. 




04. Scarlett Johansson (História de Um Casamento)
Depois de muitos anos focada nos filmes da Marvel como Viúva Negra, 2019 veio como um bom respiro para a carreira de Scarlett Johansson. Ao lado de um inspirado Adam Driver e sob comando de Noah Baumbach, a atriz retornou com uma força que não mostrava há muito tempo. Não me lembrava a última vez que a tinha visto assim, com tanta garra em cena, com tanto brilho. Redescobri Scarlett e foi um encontro adorável. A sequência em que ela se abre com a advogada e revela as razões para o seu divórcio é um dos meus momentos favoritos do ano. É um monólogo potente e ela emociona, traz verdade.  




03. Florence Pugh (Midsommar)
Florence surgiu há pouco tempo no cinema, mas a cada novo trabalho revela seu enorme potencial. Depois de “Hereditário”, Ari Aster construiu outra grande personagem feminina em um filme de terror e é incrível como ela, tão nova, conseguiu assumir essa responsabilidade e entregar uma excelente atuação. É um papel difícil, complexo e é brilhante tudo o que ela extraiu de tudo isso. Florence dá vida à Dani, uma jovem que vivenciou um evento traumático e decide se abrir para uma seita pagã bizarra. É incrível como ela consegue transmitir tanta coisa com sua personagem, indo ao auge do desespero, da dor. Ela é intensa, forte e entra facilmente para a lista das melhores atuações dentro do gênero. 




02. Glenn Close (A Esposa)
Na pele da esposa que viveu durante anos à sombra do marido, um renomado escritor, Glenn Close entregou uma das atuações mais poderosas do ano. Somente uma atriz tão completa como ela poderia realizar o que foi necessário aqui. Seus olhos dizem muito em cena. O rancor, a mágoa e tantos sentimentos não ditos. Sua presença encanta porque ela nos faz compreender o poder de uma grande atuação. É um triste retrato da história de muitas mulheres e Close vem para dar voz a todas elas. Sua performance é marcante, memorável e nos faz ter a certeza de que ela merecia mais reconhecimento. 




01. Olivia Colman (A Favorita)
Olivia Colman sempre foi uma atriz intrigante. Ainda que os holofotes só tenham a alcançado com “A Favorita”, há muitos anos ela tem demonstrado seu enorme talento e esta sua facilidade de se transformar de um papel para o outro. Somente ela poderia fazer a Rainha Anne. É fascinante o que ela faz com esta personagem. É fascinante quando ela consegue sair do comédia - gênero que a deixa mais confortável - e revela as suas outras tantas camadas escondidas. Ela é frágil, receosa, imatura ao mesmo tempo em que é cruel e fria. Olivia é carismática, divertida, mas também sabe como ser assustadora. É tanta coisa dentro de uma única personagem e nos choca quando ela consegue fazer essas tantas transições em uma única cena, ao decorrer de um único diálogo. Que Olivia tenha um futuro brilhante porque o cinema só tem a ganhar com sua existência. 


segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Retrospectiva 2019: Os Melhores Atores

Em 2019 tivemos ótimos personagens masculinos e, como consequência, grandes atores se destacam durante o ano. Foi uma lista um pouco difícil de fechar, logo, acabei deixando nomes fortes de fora. Caso sinta falta de alguém, deixe nos comentários. 

Essas são, na minha opinião, as melhores atuações masculinas de 2019. Espero que gostem dos selecionados. Sempre bom lembrar que na retrospectiva aqui no blog, os filmes possíveis de seleção são todos aqueles lançados no Brasil entre janeiro e dezembro, independente do ano em que foram lançados nos países de origem. 

por Fernando Labanca



15. Timothée Chalamet (O Rei)
É surpreendente a força de Timothée Chalamet em cena. Apesar de muito jovem, ele encara o protagonista de “O Rei” com garra e prova ser mais do que uma mera nova promessa de Hollywood. Aqui ele interpreta Henrique V, que contra sua vontade, aceita o reinado deixado por seu pai, assumindo o posto de rei da Inglaterra e liderando uma violenta guerra. Toda a construção do personagem é interessante e vê-lo crescendo na pele de Chalamet é ainda mais fascinante. 




14. Eddie Murphy (Meu Nome é Dolemite)
“Meu Nome é Dolemite” marca uma volta triunfal do veterano Eddie Murphy, que depois de anos longe do cinema retorna em um papel que lhe cai como uma luva. É a sua cara. É o seu momento. Na pele de Rudy Ray Moore, um homem que na década de 70 fez absolutamente de tudo para conseguir emplacar uma carreira artística, o ator encontra espaço para explorar todo o seu talento, fazendo stand up, cantando e provando que é capaz de ir muito além da comédia. 




13. Daniel Craig (Entre Facas e Segredos)
No início de “Entre Facas e Segredos” há um certo mistério diante do famoso detetive que entre em cena para solucionar um crime. Quando, enfim, o rosto de Daniel Craig é revelado e seu personagem ganha destaque na trama, o filme ganha uma nova vida, um novo brilho. Depois de tanto tempo se dedicando ao James Bond, acabamos que esquecendo do quão bom ator ele é. Benoit Blanc é um personagem pomposo, inteligente, cômico e parece ter sido tirado de um filme antigo. Craig, por sua vez, é este ator intrigante, que diante desta baixa expectativa que existe sobre sua presença, vem e nos entrega uma grande atuação. Ele tem carisma e um charme que é difícil de tirar os olhos quando está frente à câmera. 




12. Zain Al Rafeea (Cafarnaum)
Me emociona e me faz pensar no quão milagroso o cinema consegue ser. Zain, o ator, é um refugiado sírio e quando filmou “Cafarnaum”, não sabia ler. É brilhante, então, a veracidade e intensidade que ele traz ao personagem Zain, o garoto pobre libanês, que processa os pais por tê-lo colocado no mundo. É muito forte toda a trajetória do garoto e nos choca como ele, que não é um ator profissional, conseguiu trazer tanta honestidade e tanta comoção em cena. Zain é um desses milagres e que lindo foi poder vê-lo aqui. 




11. Taron Egerton (Rocketman)
Taron Egerton tem construído uma carreira interessante em Hollywood. Rosto bonito, ele é o típico jovem padrão que tem tudo para ser um galã de sucesso. É curioso, então, perceber o quanto ele se recusa a isso e consegue, através de projetos tão arriscados, apagar essa imagem fútil e provar o quão talentoso é. Em “Rocketman”, nada é capaz de apagar o brilho que ele tem. Taron canta, dança e entrega uma atuação digna de prêmios. Na pele do astro Elton John, o ator foge da caricatura ou imitação e faz sua própria versão daquilo que acredita ser Elton. E traz verdade, traz intensidade e nos convida a enfrentar sua mágica e dolorosa jornada ao seu lado. 




10. Brad Pitt (Ad Astra)
Brad Pitt é um grande ator, mas por alguma razão, sempre esquecemos disso. “Ad Astra” veio para nos lembrar do quão competente ele é capaz de ser quando recebe um bom filme e um bom personagem em mãos. Ao interpretar o engenheiro espacial Roy, que viaja ao espaço a procura de seu pai, o vemos quase que o tempo inteiro sozinho em cena. É preciso ser um grande ator para segurar a público diante deste isolamento e, apesar de extremamente sutil, ele nos hipnotiza e nos emociona. Brad é bastante honesto ao revelar os dramas de seu personagem e entrega uma atuação, surpreendentemente, sensível e delicada, muito distante de tudo o que ele realizou anteriormente. 




09. Christian Bale (Ford vs Ferrari)
Não fechei esta lista até assistir “Ford vs Ferrari” pois sabia da possibilidade que havia de Christian Bale entregar uma atuação digna de ser lembrada como “uma das melhores”. Afinal, quando foi que ele errou? Bale é unânime e segue construindo uma carreira de acertos. Muito a vontade na pele do piloto Ken Miles, o ator entrega mais uma grande interpretação. É um cara grosseiro, meio truculento e no meio de sua comicidade, o ator encontra sua humanidade. Ao fim, criamos um laço forte com aquele personagem, uma afeição que nos faz torcer fortemente por suas vitórias e isso se deve a Bale e a capacidade dele de nos convencer. De acreditar no quão humano, quão real e verdadeiro ele é.  




08. Jonathan Pryce (Dois Papas)
Eu não consigo imaginar outro ator sendo o Papa além de Jonathan Pryce. Mais do que uma questão de fisionomia, ele nos prova, cena após cena, que ninguém poderia incorporar aquele personagem além dele. Há algo de muito especial em sua composição, que nos transmite verdade, que nos transmite paz. A naturalidade com que ele fala outros idiomas também impressiona e revela o quão preparado ele estava para viver aquilo. Os diálogos são ótimos e são como presentes dados ao veterano que poucas vezes, nos últimos anos, recebeu um material tão completo como este. 




07. Marcello Fonte (Dogman)
Marcello venceu, ano passado, o prêmio de Melhor Ator em Cannes e não só por isso merece estar aqui. Estrela do elogiado filme do italiano Matteo Garrone, Marcello surpreende por não ser um ator profissional e ter se entregado com tanta garra. Ele foi achado ao acaso pelo diretor para dar vida ao protagonista Marcelo, um humilde funcionário de uma pet shop. Seu carisma enche a tela e sua presença nos impacta, tamanha força. Ele traz honestidade em cada diálogo e em cada situação vivida pelo personagem e nos envolve facilmente em sua jornada. 




06. Ethan Hawke (Fé Corrompida)
Foi uma grande surpresa ver Ethan Hawke na pele do reverendo Toller no drama “Fé Corrompida”. Ele sempre foi um ator muito correto, no entanto, confesso que nunca o tinha visto desta forma, tão entregue a seu personagem. Pela primeira vez me fez esquecer seus outros papéis e encará-lo como um ator realmente competente, capaz de sair de sua zona de conforto e viver por completo uma outra realidade. 




05. Leonardo DiCaprio (Era Uma Vez em Hollywood)
Leonardo DiCaprio é um desses grandes atores que nunca erram. Pelo menos nesta última década, não me vem à cabeça um projeto que ele tenha se envolvido e dado errado. Na pele do ator Rick Dalton, ele entrega mais uma irretocável atuação. Aqui ele é um astro da comédia, do drama, da ação e trilha com perfeição por todos os gêneros, explorando ao máximo todas as possibilidades de seu personagem. DiCaprio nos mantém atentos e é ele a grande razão do novo filme de Tarantino valer a pena.  




04. Adam Driver (História de Um Casamento)
Queridinho do cineasta Noah Baumbach, os dois tem construído uma bela parceria nos últimos anos. É nítido o quão pessoal e intimista é o texto de “História de Um Casamento” e Driver serve quase como um alter ego do roteirista aqui. É nítido, também, o quanto o ator se doou aqui, mergulhando de cabeça nos dramas de seu personagem e entregando umas das interpretações mais viscerais do ano. Ao viver o marido que está se divorciando, Driver se mostra intenso e muito honesto em cada diálogo. É seu melhor momento, com certeza. 




03. Willem Dafoe (No Portal da Eternidade)
Não que Willem Dafoe seja a escolha mais óbvia para dar vida a Van Gogh no cinema, mas quando “No Portal da Eternidade” começou, ficou claro que não poderia haver outro ator para interpretá-lo. Ela abraça o personagem, vive com intensidade aquela verdade e durante aqueles minutos nos juntamos a ele em sua jornada e acreditamos em seus dramas e relatos. É linda e irretocável sua presença em cena, emociona e nos faz ter a certeza do quão completo ele é como profissional.   




02. Antonio Banderas (Dor e Glória)
Acho que esquecemos do grande ator que Antonio Banderas é. Talvez por isso tenha sido tão surpreendente vê-lo em “Dor e Glória”. Ele renasce em cena para viver o alter ego do diretor Pedro Almodóvar, Salvador Mallo. É uma performance sutil, que encanta, nos envolve e nos deixa ali, hipnotizados por cada diálogo que pronuncia. Banderas nos convence e prova que por muitos anos o subestimamos. É um ator incrível, que domina a cena e que merece mais chances como esta. 




01. Joaquin Phoenix (Coringa)
Foi a atuação de 2019, fato. Me deixou sem palavras por diversos momentos e arrepiado pela entrega e transformação do ator. Joaquin Phoenix é um monstro, um camaleão e não resta dúvidas de que ele é um dos maiores atores ainda em atividade. Na pele do Coringa, Phoenix renasce e supera as altíssimas expectativas que existam em cima de sua interpretação. É brilhante sua entrega, em como ele entende o personagem e se permite crescer em cena. Cada nova sequência, um novo choque, um novo impacto. Phoenix deu um show, um show que vamos lembrar daqui há muitos e muitos anos. Foi mágico, foi memorável. 

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

Retrospectiva 2019: As Melhores Atrizes Coadjuvantes

A retrospectiva continua aqui no blog e agora vou comentar sobre as atuações femininas em papeis coadjuvantes que marcaram o ano de 2019. Algumas atrizes vieram como uma revelação, outras veteranas retornaram em grande forma. Foi um ano bom para o cinema em geral e muitas mulheres talentosas se destacam em cena.

Espero que gostem das selecionadas e se lembrarem de outros nomes, deixem nos comentários. Lembrando que cito apenas aqueles filmes lançados no Brasil em 2019, independente do ano em que foram lançados em seus países de origem.

por Fernando Labanca



10. Da'vine Joy Randolph (Meu Nome é Dolemite)
Não apenas o protagonista Eddie Murphy brilha em "Meu Nome é Dolemite". No meio de uma divertida e bem executada homenagem ao blaxploitation, Da'Vine Joy Randolph surge como uma grande revelação do cinema. Na pele da carismática Lady Reed, ela demonstra uma espontaneidade admirável na tela. É naturalmente engraçada, grosseira, e facilmente roubas as cenas em que participa, inclusive nos momentos mais dramáticos. Nunca decepciona.




09. Margot Robbie (Duas Rainhas)
Tem sido um momento muito bom para a atriz Margot Robbie, que tem provado, a cada novo trabalho, seu enorme talento. Além de ter brilhado nas poucas cenas em que aparece como Sharon Tate em "Era Uma Vez em Hollywood", Margot também teve outro grande momento neste ano ao dar vida à rainha Elizabeth I. Com maquiagem forte no rosto, ela surge irreconhecível em cena. Seus trejeitos, modo de falar, nada nos remete aos seus trabalhos anteriores.




08. Nicole Kidman (Boy Erased)
Nicole Kidman é uma daquelas atrizes que não tem mais o que provar. Só dela estar em cena, parece já ser digna de algum prêmio. Ainda assim, é incrível como ela tem se envolvido nos projetos certos e continua entregando atuações marcantes, revelando lados que ainda não tínhamos visto dela. "Boy Erased" é um filme que evita uma dramaticidade, mesmo quando sua trama é forte, ainda assim, ela consegue se sobressair, emocionante mesmo na sua sutiliza. Ao viver Nancy, a mãe de um jovem que é colocado em uma terapia de cura para sua homossexualidade, Nicole entrega momentos de pura comoção. Seu diálogo final com o filho, quando revela sua dor por nunca tê-lo apoiado, é profundo e incrivelmente lindo de se ver.




07. Natalie Portman (Vox Lux)
A personificação de uma estrela decadente. Na pele de Celeste, uma diva pop, Natalie Portman entrega um dos papeis mais improváveis de toda sua carreira. Jamais poderíamos imaginar a atriz dançando e cantando em cima de palco. Sua atuação, obviamente, vai muito além disso. É fora do palco que ela realmente brilha. Sua personagem é revigorante, cheia de trejeitos e ainda que seja sim uma caricatura, a maneira como Natalie encarna Celeste é realmente impactante de se ver. E, definitivamente, ela carrega o filme nas costas e só por isso merece estar aqui.




06. Laura Dern (História de Um Casamento)
Ainda que seja um tipo de personagem confortável para Laura Dern, ela dá um rápido show em cena. É nítido o quão a vontade ela se sente na pele da advogada Nora em "História de Um Casamento". Seu monólogo sobre o papel da mulher no casamento, inclusive, viralizou, não apenas pelo belo texto que recebeu, mas por sua entrega ao pronunciar este potente discurso. Laura acontece e não há sequer um momento seu no filme em que não esteja simplesmente radiante.




05. Julie Walters (As Loucuras de Rose)
É incrível como Julie Walters consegue dizer tanta coisa com sua personagem sem precisar dizer. Seu olhar fala tanta coisa. Ela interpreta Marion, mãe de Rose, uma jovem cantora country que acabou de sair da prisão. É muito forte a relação entre as duas personagens, ao mesmo tempo em que existe a culpa e o rancor, também existe o apoio, a proteção, o suporte incondicional. Julie me fez chorar com sua presença, tamanha a grandeza de sua atuação. É sutil, mas ainda assim ela consegue ser gigante.




04. Jennifer Lopez (As Golpistas)
Jennifer Lopez é um furacão. Na pele da stripper Ramona, a atriz renasce e prova aquilo que esquecemos ao longos dos anos: a grande atriz que ela é. Ela parece ter nascido para esse papel e se entrega como se sua carreira dependesse disso. Lopez esbanja carisma, sensualidade e garra e mostra em cena uma força que nunca havia revelado no cinema. Ficamos hipnotizados por sua presença, que rouba o filme para si e torna todos seus instante incrivelmente fascinantes de se assistir.




03. Rachel Weisz (A Favorita)
Rachel Weisz é aquela atriz que não faz muitos filmes, mas quando surge é sempre uma grata surpresa. Em "A Favorita" ela entrega uma das melhores e mais interessantes composições de toda sua belíssima carreira. Ao interpretar a audaciosa Lady Sarah, Rachel nos hipnotiza. Seus diálogos são sempre muito bons e o mistério a cerca de sua personalidade nos deixa vidrados por suas ações. É muito novo ver uma mulher em um filme de época ganhar essa caracterização, ser independente, ser dona de suas escolhas e ter a coragem e ousadia de manipular todos ao seu redor. Que bom que este papel veio para Rachel, porque ela é uma atriz completa e está altura desta grandeza.




02. Emma Stone (A Favorita)
Emma Stone parece melhorar a cada novo retorno. É lindo acompanhar esta sua evolução no cinema e como ela cresce de um papel para outro. Sua presença em "A Favorita" é fantástica. Ela é tão grande ali que passa a ser quase que uma protagonista da história. Sua Abigail é divertida, forte e bastante complexa. É ela quem nos guia pela trama e por muitas vezes, é ela quem recebe nossa grande torcida. Emma brilha ao dar vida à todas essas oscilações de sua personagem, que vai de mocinha à vilã na mesma sequência e só uma grande atriz poderia realizar isso de forma tão perfeita.




01. Fernanda Montenegro (A Vida Invisível)
Ver Fernanda Montenegro na tela grande foi um dos maiores presentes que 2019 deixou. É difícil explicar a magnitude daquele momento ou do quão grande ela consegue ser como atriz. Já na reta final do belíssimo "A Vida Invisível", Fernanda entra em cena e em poucos minutos consegue nos levar às lagrimas. Sua participação é muito rica e vem para fechar o filme da forma mais sensível possível. O que ela fez foi lindo, memorável.

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