quarta-feira, 18 de maio de 2011

Cinema: O Noivo da Minha Melhor Amiga (Something Borrowed, 2011)

Desde quando foram lançadas as primeiras imagens e roteiro de "O Noivo da Minha Melhor Amiga", e somado a este título super criativo, pensei comigo mesmo: "mais uma comédia romântica!". Mas não se deixa enganar pela capa ou pelas sinopses, "Something Borrowed (no original)" transforma uma história batida em algo divertido, novo e original!

por Fernando Labanca

Já deu para perceber pelas minha resenhas, que ainda tenho esperança no gênero 'comédia romântica', sempre quando são lançadas fico de olho, porém, a maioria estão abaixo de minhas expectativas, e quando me deparo com pérolas como esta, tenho a certeza de que não estou errado em apostar neste estilo de filme. "O Noivo da Minha Melhor Amiga" é a prova de que é possível se fazer coisas muito decentes a partir deste gênero.

O longa é baseado no livro de mesmo nome da autora Emily Giffin, produzido pela atriz Hilary Swank e dirigido por Luke Greenfield (de "Show de Vizinha"). Na trama, conhecemos Rachel (Ginnifer Goodwin) que ao completar 30 anos, começa a refletir sobre as escolhas que fez na vida, sobre o sucesso que nunca alcançou, enfim, crise da meia idade. Em seu pleno aniversário, sua melhor amiga, Darcy (Kate Hudson) aproveitando o ar festivo da noite, conta a todos que está noiva de Dex (Colin Egglesfield), que por sua vez, foi um grande amigo de Rachel na época da faculdade, quando ambos moravam fora e que graças a ela, Darcy o conheceu. O grande problema é que a aniversariante sempre foi afim do bonitão, mas nunca teve a coragem de admitir isso e correr atrás do que desejava, pior para ela, que agora sim, acabara de perder todas as chances.

Na mesma noite, porém, quando todos já a tinham ido embora, Rachel e Dex conversam e depois de algumas bebidas, acabam transando. No dia seguinte, atordoados com o acontecimento e um tanto quanto duvidosos sobre o que realmente estavam fazendo de suas vidas, tentam ao máximo esconder de Darcy o ocorrido, enquanto esta se preocupa com os preparativos do casamento. E nestes preparativos, envolviam algumas viagens, e Rachel como madrinha, é obrigada a estar por perto do casal o tempo todo, e para não ficar sozinha, leva seu melhor amigo Ethan (John Krasinski), enquanto Darcy lhe apresenta Marcus, um verdadeiro idiota, deixando Dex sempre com ciúmes, mas também nunca conseguindo tomar uma atitude.


E o filme segue desta maneira, mostrando duas pessoas, Rachel e Dex, completamente apaixonados um pelo outro, mas que por medo de agirem com o coração, sem ligar para o que os outros iriam dizer, acabam se afastando daquilo que realmente queriam. Na idade dos 30, ambos se veem em uma grande encruzilhada, viver no conforto que a vida já lhes proporcionou, deixando tudo como está e ser aquele eterno coadjuvante, ou tomar as rédeas do jogo, tomar uma atitude, seguir o que desejam e não o que os outros esperam deles.

"O Noivo da Minha Melhor Amiga" funciona quase como uma comédia dramática, utilizando o bom humor para nos mostrar o drama e conflitos que rodeiam a mente de seus personagens, conseguindo nos emocionar tanto quanto nos faz rir. É tudo muito inteligente a maneira como esses conflitos vão sendo guiados, muito longe de ser comparado com qualquer outra comédia romântica, há extrema humanidade dentro de cada indivíduo ali mostrado na trama, é tudo muito verossímil, a luta de alguns tentando encontrar a saída para seus dramas particulares, numa atitude que só dependia de um 'sim' ou não', mas na vida nem tudo é tão fácil assim. As atitudes de Rachel e Dex são tão irritantes quando verdadeiras.

Não é sempre que se depara com um filme como este, respeita todos os personagens, há uma ótima trama para cada um deles, nos convence em seus dramas, e ainda mais se tratando de uma comédia romântica, isto é realmente raro. Como eu já havia dito, é uma história batida, a mocinha que tem um caso com o noivo da melhor amiga, não há como esperar muita coisa, entretanto, o filme é recheado de boas surpresas, pega essa premissa já muita utilizada e coloca elementos muito originais, como os diálogos e as atitudes dos personagens, e tudo ocorre de uma maneira inteligente, sensível, realista e muito madura. Essa maturidade com que retrata a relação das pessoas me lembrou muito "Ele Não Está Tão Afim de Você" que também fora protagonizado por Ginnifer Goodwin. Os diálogos é um charme a parte, daqueles que ficamos tentando lembrar quando o filme termina. Outro detalhe que me agradou e muito, foi o cuidado do roteiro quanto as relações afetivas, há um bom destaque para todas as relações, como se cada personagem tivesse sua importância, compreendemos a amizade de Rachel e Darcy e nos afeiçoamos a elas e percebemos o quanto seria difícil Rachel magoá-la, não há como, também, não adorar os momentos de Rachel com Ethan, e o principal, a relação de Dex com a mocinha, que torcemos para que dê certo do início ao fim, e há uma ótima química entre todos os atores, facilitando essa comunicação entre o público. Além de tudo isso, o longa de Luke Greenfield faz utilização de flash-backs, muito bem inseridos na trama, e partir deles, passamos a conhecer as paixões, os erros e as angústias que ficaram no passado e que terão ou não uma segunda chance no presente.

O elenco é primoroso. Ginnifer Goodwin dá o tom certo para a composição de Rachel, temos a vontade de ir lá e chacoalhá-la e quando enfim ela toma uma atitude de verdade, ficamos emocionados, pelo menos eu fiquei e muito., além do mais, ela não é aquela atriz com o perfil 'padrão de beleza hollywoodiano', tem uma face nova, ela é linda, mas tem seu diferencial, uma atriz promissora. O galã e desconhecido Colin Egglesfield não decepciona e apesar de novato convense bastante. John Krasinski foi uma outra ótima escolha para compor Ethan, é dele que vem alguns dos melhores momentos do filme (como ele se fazendo de gay para afastar uma mulher estranha que fica o tempo todo na sua cola...hilário!), ainda há um pouco de 'Jim', seu personagem na série "The Office", mas não estraga no resultado final e brilha na tela. Mas quem brilha mesmo é a veterana Kate Hudson, não poderia ser outra atriz a não ser ela a fazer Darcy, sua composição beira a perfeição, sua chatice, suas frescuras, sua alegria de viver, somado a seu charme e extremo carisma, a atriz é um dos pontos mais positivos do longa, compõe uma coadjuvante marcante, e sua personagem é uma grata surpresa.

Enfim, daqueles filmes que vemos, não esquecemos e queremos ver milhões e milhões de outras vezes. Há sem sombra de dúvida os clichês, mas usados na hora certa e na dose certa para encantar, emocionar e divertir. Elenco afiadíssimo numa bela trama, que vai muito além do óbvio, foi além de minha expectativa, uma das melhores comédias românticas que chegou nos últimos anos, recheado de bons momentos, que nos fazem rir com seu ótimo humor e também nos emociona com seus personagens muito bem construídos, com direito a um final maduro, e portanto, surpreendente. A direção de Luke Greenfield é segura, não inova em muita coisa, mas também não erra em nada, há também belíssimas paisagens, ótimos cenários e locações, destaque para excelente trilha sonora, que tem papel fundamental da história e parece fazer toda a diferença, que vai de Natasha Bedingfield a Radiohead. Sou só elogios para este interessante, sensível e maduro projeto, que chegou sem fazer barulho e pelo jeito vai embora sem muita gente ver, o que é uma pena, um filme que merece ser visto. Uma deliciosa surpresa. Mais que recomendado!

NOTA: 9


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