segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Crítica: Star Wars - O Despertar da Força (Star Wars - The Force Awakens, 2015)

O lançamento do episódio VII da saga Star Wars não é nada menos que um evento histórico para o cinema. J.J.Abrams, responsável, por revitalizar e dar continuidade ao universo criado por George Lucas, tem em maõs a difícil missão de agradar uma legião de fãs. De fato, "O Despertar da Força" é feito para os fãs e isso o torna especial e nostálgico, mas também, por outro lado, limitado e pouco criativo. 

por Fernando Labanca

Minha admiração por Star Wars não é antiga. O único que vi no cinema foi o episódio III e na época pouco compreendia a magnitude de tudo aquilo. Faz quase dois anos que resolvi fazer uma maratona com a saga completa e foi a melhor coisa que fiz. Terminei de ver extasiado, deslumbrado por todo o universo. Nunca fui fã, confesso. No entanto, me coloco como um grande admirador, principalmente da primeira trilogia. É um mundo imenso este criado por George Lucas e sempre vi o desenvolvimento do episódio VII como algo bem-vindo, quase que necessário. Estar no cinema e vê-lo, na tela grande, foi uma experiência incrível. J.J.Abrams realiza um trabalho digno de admiração ao conseguir, com maestria, se apropriar de algo que nunca foi seu, mas domina como se sempre tivesse sido. Sua opção por não apostar tanto nos efeitos especiais - Sim, eles existem, mas moderadamente - nos faz lembrar de um cinema mais antigo, onde os objetos e locais existem realmente, são táteis, longe de ser fake ou exagerado como quase tudo o que tem sido feito pelos blockbusters recentes. A trilha composta pelo Mestre John Williams nos aproxima ainda mais do que Star Wars já foi um dia. 


O roteiro original é de Michael Arndt (Pequena Miss Sunshine e Toy Story 3), mas foi reescrito pelo próprio J.J.Abrams, ao lado de Lawrence Kasdan, que já havia roteirizado "O Império Contra-Ataca" (1980) e "O Retorno de Jedi" (1983). A trama inicia quando Leia Organa (Carrie Fisher), líder da Resistência, envia o piloto Poe Dameron (Oscar Isaac) ao Planeta Jakku para obter o mapa que indica a localização de Luke Skywalker (Mark Hamill). desaparecido há anos. Impedido de terminar a missão pela Primeira Ordem, Poe esconde o mapa em seu droide, o BB-8. A aventura começa quando os destinos de BB-8, Rey (Daisy Ridley), uma jovem que sobrevive trocando lixo por alimentos e Finn (John Boyega), um Stormtrooper desertor se cruzam para dar continuidade a missão que inesperadamente lhes foi entregue, e ganham ainda mais força quando encontram Han Solo (Harrison Ford) e Chewbacca. 

Me dói, porém, não ter saído da sessão como todos que postaram nas redes sociais, maravilhados com tudo o que viram, alegando ser o melhor filme da saga. Não é. Digo que gostei muito, no entanto, foi inevitável não sentir uma leve decepção. Se a produção e elenco são irretocáveis, não consigo ver o roteiro da mesma forma. Vi uma necessidade muito grande de agradar os fãs, tanto que o aproximou mais de uma fanfic do que de uma sequência propriamente dita. Há muito da primeira trilogia em cena, principalmente de "Uma Nova Esperança", são situações, personagens, locais, onde tudo remete a outros filmes. Não há nada de muito novo em "O Despertar da Força", ainda que ele aparenta ter, e isso o torna frustrante pois tudo foi criado para não decepcionar, logo, não sai em nenhum instante da zona de conforto. É a sequência que os fãs queriam e não o que série precisava. E quando enfim, surge um evento para surpreender, é feito de forma corrida, sem a emoção que a cena requeria. Tudo é extremamente bem feito e diverte, porém, falta originalidade para este episódio VII, não tem vida própria, diferente dos outros capítulos, que se diferem muito um do outro. 

Outro grande erro do roteiro é a falta de informação na trama. Entendo que é necessário alguns mistérios para serem solucionados nas continuações, mas não vejo a necessidade de tamanha negligência. É tanta lacuna a ser preenchida que a obra vai perdendo o sentido, tornando impossível a criação de uma narrativa ali. O longa de J.J.Abrams carrega, também, aquela característica muito comum nas aventuras atuais, o de não haver nenhum grande momento, nenhuma grande sequência, aquele instante bem arquitetado, bem filmado e que se torne memorável. É tudo tão apressado, onde a ação só acontece, não há uma pausa para desenvolvê-la, uma razão mais consistente e crível para existi-la. 

Claro, preciso ressaltar o fato de que "O Despertar da Força" se destaca entre tantos blockbusters que existem por aí. É um entretenimento  bom de ver, que empolga e diverte. E dentre seus acertos, a escalação do novo elenco se mostra a melhor coisa do filme, Daisy Ridley, John Boyega e Oscar Isaac seguram bem as sequências, são carismáticos, funcionam extremamente bem juntos e prometem muito para as sequências. E tem o BB-8, a nova paixão entre os fãs. Sim, o droide é realmente adorável. Já Adam Driver ainda não conseguiu provar tudo com seu vilão Kylo Ren, mas deixamos isso para o futuro. Com certeza, vale uma ida aos cinemas, vale por reviver e sentir a nostalgia deste universo. A produção da obra é excelente, efeitos especiais e sonoros da melhor qualidade e uma trilha sonora que enaltece a grandiosidade de tudo isso. É ótimo, mas é ainda bem difícil comparar com o que George Lucas fazia anos atrás, quando Star Wars era mais cinema, sendo que agora é mais produto do que cinema. 

NOTA: 7.5





País de origem: EUA
Duração: 135 minutos
Distribuidor: Disney / Buena Vista
Diretor: J.J.Abrams
Roteiro: J.J.Abrams, Lawrence Kasdan, Michael Arndt
Elenco: Daisy Ridley, John Boyega, Harrison Ford, Adam Driver, Oscar Isaac, Carrie Fisher, Lupyta Nyong'o, Andy Serkis, Domhnall Gleeson, Mark Hamill



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