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terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Retrospectiva 2016 - As Melhores Atrizes Coadjuvantes



A Retrospectiva continua essa semana aqui no blog. Nesse post falo sobre as grandes atrizes coadjuvantes que tivemos em 2016. Gosto de fazer essas listas não só por relembrar os bons momentos que vimos no cinema no ano, mas por citar nomes improváveis em premiações que acabam sendo esquecidas e até mesmo menosprezadas. Foram atuações fortes e personagens dignos de atenção e claro, como toda lista, precisei deixar algumas de fora para conseguir fechar o TOP 10. Espero que gostem das selecionadas...

por Fernando Labanca



quinta-feira, 28 de julho de 2016

Crítica: O Lagosta (The Lobster, 2015)

Vencedor do Prêmio do Júri no Festival de Cannes 2015, "The Lobster" marca o primeiro longa-metragem em língua inglesa do diretor grego Yorgos Lanthimos. Uma requintada comédia, que abusa do humor negro para uma interessante análise de nossa sociedade atual.

por Fernando Labanca

A premissa do filme é bastante curiosa, nos jogando para dentro de um universo distópico onde é inadmissível alguém permanecer solteiro. Para aqueles que não encontraram a alma gêmea, são hospedados em um luxuoso hotel, onde serão obrigados a se apaixonar dentro de 45 dias. Caso isso não aconteça, a pessoa será transformada em um animal de sua preferência e abandonada em uma floresta, local onde também se encontra um grupo de rebeldes liderados por uma rígida mulher (Léa Seydoux). Conhecemos, então, David (Colin Farrell), que se cadastra no programa assim que se separa de sua esposa, acompanhado de seu cachorro, que fora um dia seu irmão solitário. O problema começa quando ele percebe que seus dias estão acabando e ainda não conseguiu ninguém e a única certeza que o futuro lhe aguarda é ser transformado em uma lagosta.


segunda-feira, 16 de maio de 2016

Crítica: A Juventude (Youth, 2015)

Paolo Sorrentino, que venceu há dois anos atrás o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro com sua obra-prima "A Grande Beleza", retorna com mais um irretocável trabalho, ainda repleto de poderosas imagens e sensações.

por Fernando Labanca

É inevitável assistir "A Juventude" e não fazer logo esta associação com seu filme anterior. Sorrentino realiza aqui quase que uma versão americanizada de "A Grande Beleza", que aliás, o vendo dessa forma pode até soar como algo negativo, no entanto, quem ganha com este seu retorno e com esta repetição de maneirismos visuais e narrativos é o público. A trama e a composição dos personagens são completamente diferentes e por isso ver o cinema deste talentoso diretor italiano continua sendo uma experiência muito única, apesar das semelhanças, continua sendo um cinema raro, digno de admiração, de contemplação.



sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Crítica: 360 (2012)

Baseado na peça de Arthur Schnitzler, novo filme dirigido pelo brasileiro Fernando Meirelles, é uma produção requintada filmada em seis países diferentes. Com roteiro de Peter Morgan, o mesmo de "Frost/Nixon" e "A Rainha", conhecemos nove histórias envolvendo casais de diversas partes do planeta e como suas ações e escolhas interferem na vida de outros, mesmo que estes estejam à quilômetros de distância.

por Fernando Labanca

A vida de um indivíduo é como um ciclo, mas que depende, indiretamente, das ação de outros para seu movimento. A premissa de "360" é justamente essa, vidas que são alteradas pela escolha de terceiros. Mirka (Lucia Siposová) é uma jovem tcheca que passa a se prostituir por dinheiro numa agência de "luxo" e um de seus primeiros clientes é o empresário Michael (Jude Law), que por sua vez é casado com Rose (Rachel Weisz), que o aguarda em casa, em Londres, enquanto isso mantém uma relação com o jovem fotógrafo Rui (Juliano Cazarré) lhe prometendo uma carreira de sucesso, este que saiu do Brasil ao lado de sua namorada Laura (Maria Flor). Laura, que ao descobrir a traição de Rui, decide voltar para casa, mas no caminho se depara com um senhor (Anthony Hopkins) que ainda sofre pela perda da filha e um misterioso rapaz (Ben Foster), recém liberado da prisão. Um dentista muçulmano (Jamel Debbouze) perdidamente apaixonado por sua assistente (Dinara Drukarova), mas que é casada com o motorista Sergei (Vladimir Vdovichenkov), mas são infelizes juntos e ele toma uma grande decisão em sua última viagem, quando sua vida se cruza com a de Mirka, a prostituta.


"360" é uma interessante mistura de Alejandro González Iñárritu/ Guillermo Arriaga e suas histórias entrelaçadas como em "Babel" com o romance "Closer- Perto Demais" de Mike Nichols. Se para Arriaga, que apostava nas coincidências do destino e construía suas tramas com um fundo político, Fernando Meirelles foca em outro aspecto, o dos relacionamentos amorosos, ainda nos fazendo refletir sobre o quão a nossa trajetória pode ser irônica. O filme vai costurando tramas que envolvem traição, novas descobertas, desilusões amorosas, pessoas que amam quem não podem, pessoas que abandonam quem amam, que retornam a quem um dia amou mas acabou esquecendo. Muitos acusaram o roteiro de não se aprofundar nas histórias contadas, essa sensação não me ocorreu, achei extremamente competente a maneira com que Peter Morgan guiou as tramas, todas possuem seus espaços, não havendo protagonistas, cada um se destaca a sua maneira, o bom roteiro consegue ainda colocar profundidade a cada personagem, onde cada indivíduo mostrado, tem sua importância, nenhuma história está ali a toa, tem sua função no conjunto e contribui para o resultado final.

O filme se inicia com uma narração em off, uma voz nos dizendo sobre bifurcações. A vida é como uma estrada de duas vias, onde a cada instante precisamos decidir sobre qual caminho queremos seguir, o problema que cada escolha implica numa consequência e não temos controle sobre ela, podendo afetar alguém que não conhecemos, construindo nossa vida, estamos, indiretamente, alterando a de outra pessoa. É interessante como o roteiro consegue traduzir esta idéia simples de forma tão agradável e inteligente, como aquela brasileira, interpretada por Maria Flor altera a vida de tanta gente sem ter a intenção e como para chegar aonde chegou precisou ser traída, precisou daquela esposa abandonada e infeliz em Londres. A vida é realmente muito irônica, complexa, onde cada vírgula tem sua razão de existir, nada é por acaso, tudo nos leva para um plano maior. O interessante também é que o roteiro desenvolve histórias simples, sem grandes revelações, sem muitos obstáculos, um momento do cotidiano de cada ser, exemplificando o fato de como as mais simples escolhas de nossa rotina podem alterar tanta coisa. A trajetória de várias pessoas, em diversos cantos do planeta, no momento da vida em que decidem fazer algo a mais por elas mesmas, é quando o filme questiona, temos escolhas a cada instante, mas vivemos apenas uma vez, quando é que teremos a oportunidade de escolher aquele caminho novamente?

Os personagens são realmente interessantes, mérito do grandioso roteiro e do elenco, estrelado por nomes conhecidos do público e por atores de outros países, que parecem enriquecer ainda mais o projeto. Jude Law e Rachel Weisz estão lá entre os conhecidos, corretos, mas não surpreendem, mas são personagens interessantes. Entre as histórias mais bem desenvolvidas está a do ator russo Vladimir Vdovichenkov, que se destaca, assim como o francês Jamel Debbouze, numa trama que emociona pela simplicidade. O brasileiro Juliano Cazarré aparece bem pouco, mas não decepciona. Mas quem rouba a cena mesmo é o trio Maria Flor, Ben Foster e o veterano Anthony Hopkins. O personagem de Foster é com certeza, o mais intrigante de todo o filme, se entrega e realiza alguns dos melhores momentos, assim como a bela e brasileira Maria Flor, que de todas as histórias contadas, é a dela a mais marcante. E Hopkins que surge renovado, parecia que ao longo dos anos ele havia elaborado uma fórmula para atuar, seu "método Hannibal", é então, que em pouco mais de três cenas na tela, ele fez muito mais que atores fazem num longa inteiro, é belo, humano, muito convincente seu olhar triste e vazio, ao mesmo tempo esperançoso. É realmente complicado desenvolver uma história com tantas tramas, tantos personagens, ainda mais envolvendo países diferentes, idiomas diferentes, culturas diferentes, é admirável o que Meirelles e Morgan realizam aqui, o resultado é bastante positivo, pois tudo de fato, agrada e consegue se manter no bom nível suas duas horas de duração, são história simples, fáceis até de compreender, no entanto, é tudo tão bem feito, tão bem construído, que tudo passa a ser mais grandioso do que realmente é, histórias que cativam e nos prendem até seu final. 

Trilha sonora conveniente, buscando em diversos idiomas ilustrar os diversos cenários e situações. Destaque também para a fotografia de Adriano Goldman e a excelente edição realizada por Daniel Rezende. Fernando Meirelles é um excelente diretor, podem dizer que se vendeu para Hollywood, o que for, mas é inegável seu talento, depois de grandes obras que realizou lá fora como "O Jardineiro Fiel" e "Ensaio Sobre a Cegueira", "360" entra para a lista, um filme incrível, grandioso, repleto de bons momentos, bons diálogos e atuações marcantes de um elenco competente. Um roteiro bem pensado, inteligente, que por mais simples que seja, não deixa de ser envolvente, emocionante e não deixa de trazer boas reflexões ao seu final. Recomendo. 

NOTA: 9,5



quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Crítica: Um Olhar do Paraíso (The Lovely Bones, 2009)

Filme que chegou aqui no Brasil no início do ano, e conta com a direção do aclamado Peter Jackson, trás uma história interessante, mas um resultado nem tanto assim!

por Fernando Labanca


Muito se comentou deste longa no período de suas gravações: "novo filme de Peter Jackson fala sobre uma jovem estrupada e assassinada!!!!". Dakota Fanning estava envolvida no projeto, mas foi proibida pela família pela temática muito forte. Já tinha cara de ser um dos grandes indicados ao Oscar. Enfim, na grande premiação, foi esquecido, ficando apenas com a indicação de Melhor Ator Coadjuvante para Stanley Tucci e quando chegou ao Brasil dividiu a crítica e todos viram que se tratava de uma obra muito abaixo de qualquer expectativa.


Na história, década de 70, Susie Salmon vive feliz com sua família, seu pai Jack (Mark Wahlberg), sua mãe Abigail (Rachel Weisz) e sua irmã Lindsey (Rose McIver). São da classe média e vivem no subúrbio da Filadélfia. Susie era feliz, isso era nítido, tinha a fotografia como hobbie e na escola uma paixão por um jovem de sua classe, Ray. Até que descobre que essa paixão pode ser correspondida e marca um encontro com o jovem. No mesmo dia, enquanto voltava para casa, depois da escola, se depara com seu vizinho, o solitário George Harvey (Stanley Tucci), ele a convida para conhecer uma de suas invenções, uma "casa" subterrânea. Susie aceita o convite. Ela é estrupada e assassinada.


Com a trágica notícia, a família Salmon não aceita os fatos. Abigail não aguenta a pressão e vai embora de casa, por outro lado a família ganha a chegada da avó de Susie, Lynn (Susan Sarandon). Descontrolado com a situação, Jack começa uma busca interminável ao assassino de sua filha, não confiando na incompetência dos policiais. Em outra dimensão, Susie numa espécie de limbo, o paraíso, onde ainda não se desligou de seu corpo totalmente, acompanha a trajetória daqueles que ficaram, suas desilusões, seus desejos de vingança e percebe que muito do que ela era permanece, um encontro com Ray que não aconteceu, sua família que não se despediu e um assassino que continua sua vida como se nada tivesse acontecido. No fundo ela ainda deseja um fim para essa história e só assim se desligaria por completo.




"A história de uma vida e tudo que veio depois", Um Olhar do Paraíso nos mostra com bastante delicadeza essa trajetória pós-morte, não se trata de uma conversão ao espiritismo, mas sim, nos mostra a história de uma morte e tudo o que dela permanece na vida daqueles que ficam. E essa delicadeza, Peter Jackson nos mostra através de diálogos interessantes, efeitos especiais e uma fotografia que nos remete a um sonho, tudo extremamente belíssimo, usa cores leves onde em cada cena tem um significado para estar lá, através das cores, percebemos a tensão, o desespero ou a sensibilidade daquela que nos narra, Susie Salmon.



Por outro lado, essa delicadeza chega ao extremo. Como contar uma história sobre uma jovem de 14 anos, assassinada de forma tão trágica, de forma tão angelical? Não faz sentido e isso torna o filme estranho e imcompreensível. Peter Jackson optou por não levar essa história ao dramalhão, tranformando esse trágico episódio em algo poético, belo aos olhos, fantasioso. E devido a isso, foge completamente da realidade, faz tudo parecer uma mistura de comercial de sabão em pó e margarina, de tão belo que é, e essa delicadeza definitivamente não se encaixa no contexto!


Outro fato que se torna imcompreensível são as personagens. Colocar uma atriz do nível de Rachel Weisz num papel tão patético, sua participação se torna tão inutil e isso não deveria acontecer, aliás ela é a mãe daquela que morreu, mas felizmente (ou não) logo sai de cena. Mark Wahberg se esforça de uma maneira como poucas vezes se esforçou em sua carreira, compreende seu personagem e interpreta de forma convincente, entretanto, o desenvolvimento e o roteiro escrito para Jack Salmon também é fraco e todo seu esforço vai para o ralo. Susan Sarandon está ótima, a personagem mais engraçada, levanta o astral completamente, mas parece fazer parte de outro filme e sua personagem também não faz o menor sentido na trama.


Ok, esses dois merecem um parágrafo para eles: Stanley Tucci e a protagonista Saoirse Ronan. Ele, ator veterano, indicado ao Oscar esse ano por sua atuação, realmente merece destaque, constrói um personagem interessantíssimo, o que melhor foi desenvolvido na trama. Uma atuação memorável digna de elogios. Já Saoirse, jovem atriz, entra de cabeça em seus projetos, definitivamente faz desse filme ser muito melhor do que deveria ser, se ela não fosse a protagonista não sei o que seria de "Um Olhar do Paraíso", ela segura o filme nas costas e o carrega até o final, sem derrapar. Enfim, esqueça a direção imcompreensível de Jackson, efeitos especias, atrizes como Rachel Weisz e Susan Sarandon, este filme se resume a somente dois elementos: Saiorse Ronan e Stanley Tucci!



Sim, o longa está abaixo de minhas expectativas, que sinceramente era bem altas. Mas mesmo assim, recomendo e com certeza verei outras vezes. Apesar de imcompreensível e muitas vezes Peter Jackson derrapar legal em sua direção (aliás existem cenas tão mal feitas que até se esquece que é feito por ele!), o filme merece ser visto, pelo menos uma vez, nem que seja para criticar, mas não merece a indiferança. Apesar dos pezares, é bonito, emocionante em determinadas sequências, engraçado em outras, o filme ainda trás grandes cenas e um final até que interessante. Não deixe que este longa passe despercebido. Recomendo, mas não tenha tanta pressa!


NOTA: 7

Trailer Legedado

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