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quarta-feira, 9 de outubro de 2019
Crítica: Ad Astra - Rumo às Estrelas
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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
Crítica: Lincoln (Lincoln, 2012)
O filme com maior número de indicações ao Oscar este ano, totalizando 12, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor, "Lincoln" é um drama político dirigido por Steven Spielberg, que tem como foco os últimos atos de Abraham Lincoln como presidente, onde suas conquistas mudaram o rumo das gerações futuras. Lento e extremamente didático, este é, com certeza, um dos filmes menos audaciosos de Spielberg, que chega aos cinemas apenas para provar seu patriotismo.
por Fernando Labanca
Para quem espera se deparar com a biografia do ex-presidente Abraham Lincoln, este não é o lugar certo. O roteiro assinado por Tony Kushner, com quem Spielberg trabalhou em Munique (2005), relata em suas duas horas e meia os últimos meses de Lincoln, tanto no comando dos Estados Unidos, como os de sua vida. Mais precisamente em 1865, quando o país se dividia na violenta Guerra Civil, o presidente além de se preocupar com estes acontecimentos tinha um plano muito maior em mente, levar adiante uma emenda que proclamava a libertação dos escravos, nem que para isso, ele precisasse adiar o fim das batalhas. Tentando convencer os homens de seu próprio partido, Lincoln ainda teve que correr atrás do maior número de aliados possível, os do partido Democrata, se utilizando de alguns "favores políticos" além de seus longos discursos revolucionários, para que tivesse mais votos no Congresso.
Por mais que os bastidores da política sejam o grande alvo desta nova produção de Steven Spielberg, o longa acaba ganhando força ao tentar humanizar o ex-presidente, seja como pai ausente de seu filho mais velho, interpretado com competência por Joseph Gordon-Levitt, seja como fiel parceiro de sua esposa (Sally Field), que após perder um filho, enfrenta uma grande instabilidade emocional. Por trás desta figura icônica, há um homem, um ser capaz de cometer erros, e em suas expressões vemos a dor de quem viu, enfrentou e lutou por muita coisa. No entanto, é na política que o filme acaba focando mais e assim, digamos, se torna um filme nem tão interessante de se ver, há diálogos intermináveis, discussões, debates, mostradas, às vezes, em cenários claustrofóbicos, fechados e com pouca luz, bem distante do cinema que conhecemos de Spielberg, aquele diretor grandioso que sempre evitou trabalhos menores, é um filme mais intimista, menos exagerado e infelizmente, com menos impacto e menos emoção. Parece não haver intenção alguma de se fazer uma obra para o público, para ser admirada, comentada, como disse anteriormente, é sem sombra de dúvida, o filme mais ordinário do diretor, menos audacioso, tradicional e quadrado, parece ter sido feito para a TV ou para alguma aula de história, não que fosse agradar aos alunos.
Há, porém, todo um cuidado com a produção, cenários, figurinos e trilha sonora, assinado pelo compositor John Williams, não há nenhuma canção tema marcante, e apesar de tímida, funciona bem durante todo o filme. Antes mesmo de se ver "Lincoln", é nítido que o grande destaque é seu ator principal, Daniel Day-Lewis, pronto e na medida para seu próximo Oscar, ele é, com certeza, a melhor coisa de toda a obra. É simplesmente inacreditável seu talento em se transformar em cada filme que faz, não há nada na composição de seu personagem que me lembrasse de alguma outra atuação em sua carreira, faz de Lincoln um grande protagonista, um personagem forte, talvez mais forte do que o roteiro pretendia. Os coadjuvantes são bons, nomes como Joseph Gordon-Levitt, David Strathairn, John Hawkes, Jackie Earle Haley, Hal Holbrook e Lee Pace, todos ótimos. Os indicados ao Oscar, Sally Field e Tommy Lee Jones, ao meu ver, não são tão merecedores do prêmio. Ela, surge teatralmente forçada, uma característica que Field não tem é naturalidade e isso prejudica suas cenas. Já Tommy Lee Jones é ótimo, admito, mas o papel do velho extremamente sério e rabugento e de opinião forte não é novidade para o ator, faz isso quase sempre, na verdade. No entanto, com tantos atores bons no elenco, ninguém, além de Day-Lewis, tem espaço para desenvolver bem um personagem, são meros obstáculos ou simplesmente pessoas com quem ele convive, sem mais profundidades.
O público brasileiro tem ainda menos chance de se envolver na trama, é sobre aquele velho patriotismo norte-americano, sobre como os "bons homens brancos" lutaram bravamente pela liberdade dos negros. É também, um antigo desejo de Steven Spielberg em levar para as telas a vida de Abraham Lincoln. Ok, ele conseguiu, mas sua obra provavelmente será logo esquecida assim que a cerimônia do Oscar acabar, não há nada neste longa que permaneça na memória, um grande momento ou uma grande cena, ele simplesmente acontece, sem o envolvimento do público. A verdade é que faltou Spielberg neste filme, os seus velhos exageros parecem fazer falta aqui, é tudo tão calmo e sem sal, sequências que poderiam ser marcantes são amenizadas. Uma produção caprichada de um filme sem personalidade, sem emoção.
NOTA: 6,5
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segunda-feira, 17 de setembro de 2012
Crítica: Um Divã Para Dois (Hope Springs, 2012)
Do diretor David Frankel, o mesmo de "O Diabo Veste Prada" e "Marley e Eu", trás Meryl Streep e Tommy Lee Jones, em atuações marcantes, uma das melhores que o cinema viu este ano, na pele de um casal tentando reascender a chama depois de três décadas juntos.
por Fernando Labanca
Kay (Streep) está casada há 31 anos com Arnold (Jones), mas diferente dele, ela cansou da rotina. Enquanto o marido vive a monotonia da sua vida como se nada pudesse melhorar, assistindo programa reprisado na TV e trabalhando todas as manhãs, Kay chegou ao seu limite, já não suportando o fato de não conversar mais com ele, de dormirem em quartos separados. Para resolver seu problema, ela se inscreve num famoso programa de aconselhamento de casais com o Dr.Feld (Steve Carell), numa pequena cidade bucólica. Mesmo irritado com a situação, Arnold aceita fazer a viagem, com medo de perder sua mulher, entretanto, alcança o ápice do constrangimento quando precisa, como exercício da terapia, se reaproximar de Kay, falar sobre sexo e sobre tudo o que evitou todos esses anos.
Comédias românticas surgem e desaparecem nos cinemas, algumas merecem o simples desprezo e esquecimento, outras, merecem a atenção, que infelizmente por serem deste gênero chegam nas salas com um certo preconceito e logo são subestimadas pelo público. "Um Divã Para Dois" é dessas que merece atenção. Para começar tem dois grandes atores a frente da trama, Meryl Streep que conseguiu mais um Oscar de Melhor Atriz este ano e Tommy Lee Jones. Ver esses grandes atores dividindo a mesma cena não é para qualquer filme e a maneira como os dois se jogam em seus personagens é algo raro, ainda para Streep, que aparentemente já havia feito de tudo no cinema, ela surge novamente e ainda consegue surpreender. Ainda temos David Frankel como diretor e prova aqui sua grande habilidade, conseguiu transformar "O Diabo Veste Prada" e "Marley e Eu" em grandes obras mesmo que tendo tudo para ser mais uma para a sessão da tarde e aqui ele consegue provar ainda mais maturidade. E um roteiro bastante inteligente, que surpreende pelas situações mostradas, indo muito além que qualquer outra comédia romântica tenha ido, vai fundo na alma de seus personagens, onde poucos dramas ousaram chegar.
"Um Divã Para Dois" consegue entreter, isso porque ver o casal conservador ter que falar sobre assuntos tabus e ter que fazer alguns exercícios para não mais temerem o sexo é realmente divertido, melhor ainda é ver os dois atores passando os maiores vexames com a maior naturalidade, aliás, é este um de seus grandes méritos, encarar toda essa situação como algo naturalmente engraçado, não força em nenhum momento para arrancar risos do público e ganha pontos também por não seguir tanto para a comédia, sem temer uma edição mais lenta que filmes do gênero, onde os diálogos são extensos, deixando espaço para o roteiro mostrar quem realmente são esses personagens, deixando espaço para o público compreender a mente deles e o quão complexo a vida de casado pode ser e passa a assustar justamente quando alcança um nível de humanismo alto, nos fazendo parar para pensar sobre o quanto tudo aquilo é real e quão triste isso é. É então que o longa começa a emocionar por mostrar este lado que os filmes nunca mostram, aquele lado que nunca vimos na vida íntima daquelas pessoas que conhecemos, é engraçado como o amor morre, como a intimidade morre, é belo quando Kay passa a se questionar do porquê ser tão difícil tocar alguém que se ama, porque o sexo que deveria ser uma prova de amor passa a ser algo constrangedor, ou um simples beijo que parece ser um ato absurdo para duas pessoas mais velhas. O bom roteiro assinado por Vanessa Taylor consegue caminhar por diversos caminhos, mostrando todas as possibilidades, todos os conflitos possíveis dessa situação, consegue ser rico por tentar entender a mente humana, de forma cômica mas sem deixar de ser complexo e caminhando sempre de forma bastante madura.
Surpreendentemente bom, "Hope Springs" pode pegar muita gente de surpresa, quando se espera mais uma comédia romântica, David Frankel nos oferece uma trama completa, repleto de bons momentos e diálogos bem pensados, numa trama bastante real, sem a superficialidade hollywoodiana, que consegue tocar em assuntos pouco discutidos e assim se torna um dos poucos filmes do gênero a ser realmente eficiente. E justamente por seu realismo consegue nos fazer rir sem grandes esforços e da mesma forma, nos emociona em momentos que não esperávamos nos comover. Também não vem com moralismos baratos sobre "não deixe sua vida de casado cair na rotina", consegue ser bem mais profundo que isso. E ainda...Meryl Streep e Tommy Lee Jones, que já valem o ingresso. Recomendo.
NOTA: 9
sábado, 13 de agosto de 2011
Cinema: Capitão América- O Primeiro Vingador (Captain America: The First Avenger, 2011)
Desde o lançamento de "Homem de Ferro 2" no ano passado, a Marvel ganhou notoriedade por dar início ao projeto de "Os Vingadores", onde não só Tony Stark estaria, mas outros heróis famosos como Thor e o Capitão América. Conhecido como o pioneiro deste movimento, Capitão América enfim surge nas telas de cinema na pele de Chris Evans e com direção daquele que entende de aventura e ação como poucos, Joe Johnston.
por Fernando Labanca
A história é bem básica. Logo no início conhecemos Steve Rogers (Evans), um jovem norte-americano que sonha em se alistar no exército e fazer parte da guerra, no caso, a Segunda Guerra Mundial. Seu grande amigo, Bucky (Sebastian Stan) conseguira tal feito, o problema era que Steve era muito franzino e tinha alguns problemas de saúde e sempre fora rejeitado. Até que a presença de um ciêntista alemão (Stanley Tucci) muda seu destino, logo que este estaria dando início a um grande experimento e decide aceitá-lo como soldado e usá-lo como cobaia deste projeto. O experimento consistia em uma máquina capaz de criar o "super soldado", transformando qualquer homem numa arma humana, assim, Steve Rogers que entrara como um muleque frágil, rejeitado pelos outros, incapaz de fazer inúmeras coisas, alvo de chacota do próprio General (Tommy Lee Jones), se transforma em um homem musculoso e num soldado exemplar.
Até que Steve Rogers passa a ser usado como símbolo do exército, criam o "Capitão América" e vestido com uma fantasia remetendo a bandeira dos Estados Unidos, ele faz algumas apresentações como forma de incentivo para os soldados e ao patriotismo. Eis que se descobre uma grande ameaça no meio da Guerra, a HIDRA, uma organização criminosa que deseja dominar o mundo utilizando uma arma de extrema potência e tendo como líder o Caveira Vermelha (Hugo Weaving), é então que Steve compra a idéia de Capitão América e vai fazer o que sempre quis, lutar pelo seu país e para isso seleciona os melhores soldados e embarca numa jornada cheia de perigos.
Como havia dito, a história é bem básica, ainda mais a colocando de lado às recentes produções da Marvel, como "X-Men: Primeira Classe" e "Thor". No quesito história, definitivamente o filme fica devendo e muito, a trama termina nos primeiros minutos e até o final são lutas, batalhas, explosões e fugas. Enfim, quem procura blockbuster com muita ação, "Capitão América" é o endereço certo, mas não espere por um "Cavaleiro das Trevas" ou até mesmo "Homem de Ferro" que foi muito superior. Não há complexidade nos personagens, Steve Rogers não enfrenta dilemas pessoais, tudo se resume a ele no meio de uma batalha, além da construção de um herói, onde esta mesma contrução se conclui antes da primeira hora, não demora muito pra ele virar ídolo de todo o mundo, onde ele é ovacionado por todos depois de alguma luta. Para piorar, a existência do vilão não ajuda em nada, Caveira Vermelha é sem sal, e tem aquele desejo mais clichê impossível de querer dominar o mundo!
Um dos elementos que salva a falta de história é a direção de Joe Johnston que prova aqui que aprendeu bem como Steve Spielberg em Jurassic Park, onde ficou responsável pela terceira parte da aventura. Joe domina bem o filme, constrói cenas visualmente belas, é tudo muito perfeito, as cenas de ação são ótimas, desde os efeitos especiais e sonoros, tudo tem um bom ritmo. Além dos figurinos muito bem feitos e explorados pelo filme e trilha sonora bem conveniente para o estilo. Tudo bem que há algumas sequências que exageram onde coisas muito além do possível acontecem, mas é um filme de herói, é quase que aceitável.
Esperava mesmo ver um Chris Evans que me fizesse queimar a língua quando fiz uma cara de espanto ao saber que ele seria o Capitão América, mas isso não aconteceu, em nenhum momento ele estraga o filme, fez o que tinha que ser feito, mas infelizmente não fez mais nada além do esperado, fez seu papel, não surpreende. Por outro lado, os coadjuvantes elevam o nível do longa, como Tommy Lee Jones, impecável na pele do General e Stanley Tucci, sempre um coadjuvante de peso e aqui não é diferente, é uma pequena participação mas muito válida. Dominic Cooper aparece como Howard Stark (o pai do Tony) e agrada fácil com sua performance que remete e muito a já construída por Robert Downey Jr., trazendo graça para o filme. A presença feminina é marcada pela desconhecida Hayley Atwell, que tem uma atuação notável e suas cenas com Chris Evans são ótimas e não ficam na chatice de herói e mocinha. Ainda vemos Sebastian Stan, ator promissor cada vez mais visto em Hollywood e o veterano e sempre ótimo Toby Jones. Ah! E o vilão Hugo Weaving que está ótimo, mas o personagem é fraco.
O que vemos em "Capitão América" é a exaltação do herói norte-americano, de forma bastante insistente e por isso, chata. Ele é bom demais, tem o coração maior que ele, ajuda a todos a todo momento, a ainda tem a contribuição da trilha sonora que exalta ainda mais sua bravura, sua honra, seu patriotista. Irrita e infelizmente o roteiro não se esforça em nenhum momento em criar um personagem um pouco mais humano, o mesmo se diz do vilão, que é fantasioso demais, caricato demais, e nunca se mostra tão poderoso quanto se diz ser, não há como temê-lo e achar que ele poderia vencer o Capitão. Enfim, duas horas preenchidas com muita ação e muitos efeitos especiais, sem grandes diálogos e sem grandes idéias. Para quem procura somente entretenimento é uma ótima escolha.
NOTA: 6,5
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