domingo, 26 de fevereiro de 2012

Crítica: O Artista (The Artist, 2011)

Lançado no último Festival de Cannes no qual venceu o prêmio de Melhor Ator para Jean Dujardin, "O Artista" recupera características do cinema antigo para fazer uma deliciosa e divertida homenagem à sétima arte, mudo e em preto e branco, o filme virou sensação em Hollywood, mesmo que poucos acreditassem que em pleno século XXI ainda haveria público para um projeto como este. Vencedor de prêmios importantes como Melhor Filme-Comédia ou Musical no Globo de Ouro 2011, Filme e Diretor no último BAFTA, César e Independent Spirit Awards, e ainda é o favorito ao Oscar. Além de algumas outras premiações pelas partes técnicas e pelas grandes atuações de Jean Dujardin e Bérénice Bejo.

por Fernando Labanca

Dirigido por Marcus Hazanavicius e indicado à 10 Oscars, "O Artista" nos mostra uma história ocorrida nos bastidores de Hollywood entre os anos de 1927 e 1932, transição do cinema mudo para o cinema falado. É neste cenário que conhecemos George Valentin (Juan Dujardin), um ator querido por todos, famoso e desejado pelas mulheres, fazia cinema mudo como ninguém. Certo dia conhece uma linda mulher, Peppy Miller (Bérénice Bejo), que sonhava em ser atriz e com a ajuda de Valentin, consegue. É então que surge uma novidade, o som, os atores poderiam se expressar através de suas vozes e Peppy passa ser a nova sensação deste cinema falado, enquanto que seu amigo, George vai perdendo cada vez mais espaço e por não conseguir se adaptar se joga numa depressão profunda. A decadência versus a ascensão.

"O Artista" de Hazanavicius merece todo o respeito e admiração, o que vemos na tela é simplesmente genial. Temos a oportunidade, em pleno ano de 2012 de entrar numa sala de cinema e sentir como se voltássemos no tempo, ter a sensação de como era ir no cinema naquela época. E a brincadeira funciona, justamente pelo fato do diretor ter conseguido reunir todas as características fundamentais do cinema antigo numa trama original, com a fotografia em preto e branco, formato quadrado, trilha sonora constante, entregando grande parte das emoções ao público, neste quesito, as composições de Ludovic Bource, que venceu o Globo de Ouro e o BAFTA, cumpre perfeitamente sua função e são ótimas. Ainda vemos as atuações exageradas para suprir a falta do som, as expressões e os trejeitos forçados e para isso Hazanavicius conta com um excelente elenco. O longa ganha força ao encontrar diversas outras formas de se expressar, de passar uma idéia, sem a necessidade da fala. E tudo o que era necessário para o público conseguir acreditar estar diante de um filme daquela época estão em cena e com grande qualidade.


A história do ator em declínio e a mocinha em ascensão não é tão novidade assim, mas o filme ainda consegue nos proporcionar tendo como base essa pequena premissa momentos de grande genialidade. Já na primeira cena vemos George Valentin dentre de um outro filme (metafilmagens não faltarão) gritando, desesperado: "Não falarei uma só palavra" e este era seu ideal ao decorrer da história, não se renderia ao que o cinema precisava, mas sim aquilo que o faria feliz. É interessante como o longa consegue nos convencer de que o som é estranho, naqueles instantes, o som passa a ser novidade para gente, como quando o ator começa a ter sensações terríveis e passa a ouvir as coisas ao seu redor. Não poderia deixar de citar a tal cena do sapateado, onde os atores tiverem que treinar por cinco meses, que foi uma das coisas mais adoráveis que vi no cinema este ano, quando nos apresenta um outro gênero, o musical, ficou realmente incrível, fora gravada no mesmo estúdio do clássico "Cantando na Chuva", filme, aliás, que serviu de grandes inspirações.

Um dos grandes pontos positivos de "O Artista" são as atuações. Destaque para os dois protagonistas, indicados ao Oscar por suas interpretações, Jean Dujardin e Bérénice Bejo. Jean é divertidíssimo, esbanja um carisma como há muito não se via numa performance masculina, além de dançar incrivelmente bem, o ator surpreende por sua grande atuação, realiza momentos memoráveis até mesmo nas cenas mais dramáticas, merece vencer o Oscar este ano. Para azar de Bérénice que este ano tivemos ótimas atrizes coadjuvantes que provavelmente levarão o prêmio, mas isso não tira seu brilho, seu talento está ali, comprovado, a atriz se entrega de uma forma deliciosa, leve, consegue divertir e nos emocionar, é bastante expressiva e extremamente carismática. Dentre os coadjuvantes, outros atores expressivos que divertem e convencem em cena como John Goodman e Missy Pyle, além do cachorro que mandou muito bem em diversas sequências. 

"O Artista" perde um pouco o ritmo ao dramatizar a situação de George Valentin, seus momentos de depressão o faz cair na mesmice, provando que o forte do filme foram os momentos cômicos, mas para minha felicidade, ele se recupera na parte final e termina de forma brilhante. Vale pela experiência, ver um filme mudo em preto e branco e ainda se deparar com algo novo, algo que emociona e diverte em grande estilo, que me fez ficar com um sorriso no rosto toda sua duração. Vale por estes dois grandes atores, Jean Dujardin e Bérénice Bejo, que juntos realizam cenas que ficarão na mente. O filme acaba e fica um gosto de "quero mais". Se este está entre os favoritos ao Oscar, declaro aqui minha grande torcida por ele, o único favorito que realmente merece este prêmio. 


NOTA: 9


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