terça-feira, 1 de março de 2016

Crítica: Carol (2015)

Baseado no livro "O Preço do Sal" de Patricia Highsmith e vencedor do Prêmio de Melhor Atriz para Rooney Mara no último Festival de Cannes, além de suas 5 indicações ao Oscar, "Carol" é a volta do diretor Todd Haynes aos dramas de época, onde entrega um filme tão belo quanto esquecível. 

por Fernando Labanca

A trama acontece em Nova York, na década de 50. Therese (Rooney Mara), em época de Natal, trabalha em uma loja de departamento e não tem muitas perspectivas quanto ao seu futuro, eis que seus olhos cruzam com os de uma cliente. Carol (Cate Blanchett) é uma mulher mais velha, sedutora e presa em um casamento fracassado e quando procurava um brinquedo para sua filha, conhece Therese. Sem ânimo para continuar a farsa que é sua união com Harge (Kyle Chandler), Carol decide ter outros planos para o Natal e convida sua nova amiga para uma viagem, dando voz para seus desejos e suas reais intenções. 

Este novo trabalho de Todd Haynes muito remete seu outro drama de sucesso, "Longe do Paraíso" (2002). Com seu clima açucarado, lá também existia personagens que buscavam uma certa liberdade dentro de uma sociedade conservadora. Identidade, gênero e aceitação são outros temas que retornam e que sempre estiveram presentes em sua filmografia. "Carol", porém, é uma de suas obras mais desinteressantes, onde tudo é muito belo, suave, aconchegante, mas inofensivo demais, lhe falta personalidade e ousadia, onde acaba por oferecer um romance morno, insosso até, sem química. A trama também carece de consequências, onde nenhuma ação parece surtir algum efeito muito drástico, suas resoluções são fáceis e acabam por diminuir a força de seus supostos conflitos.



Por outro lado, "Carol" oferece uma produção caprichada, os figurinos assinados por Sandy Powell são belíssimos, assim como os cenários e a fotografia. Todd Haynes também acerta na direção e com toda sua sutileza entrega boas sequências como sua incrível introdução e seu belo final, entretanto, falha na condução de suas atrizes principais. Cate Blanchett está ótima como sempre, mas me pareceu uma atuação mais contida em sua carreira. Já Rooney Mara, apesar de não decepcionar, não consegui entender suas indicações e premiações, um papel normal e uma interpretação pouco inspirada. Aliás, o lance do amor à primeira vista é bonito, mas não há química entre as duas atrizes, soa como algo automático, sem força. Faltou paixão, faltou entrega. 

Por fim, "Carol" que caminhava como um dos possíveis favoritos ao Oscar 2016, foi ignorado nas principais categorias. E assim como a Academia, a história também não lembrará muito da obra, que apesar de ser tecnicamente primorosa, é também fácil de ser esquecida. Mas claro, que como todo produto bem realizado, o longa de Todd Haynes ainda assim merece uma visita, mesmo que para as tradicionais "maratonas da premiação". 

NOTA: 6,5







País de origem: EUA, Reino Unido
Duração: 118 minutos
Distribuidor: Mares Filmes
Diretor: Todd Haynes
Roteiro: Phyllis Nagy
Elenco: Cate Blanchett, Rooney Mara, Sarah Paulson, Kyle Chandler, Jake Lacy

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