sexta-feira, 30 de abril de 2010

Crítica: Alice no País das Maravilhas (Alice in Wonderland, 2010)


Tanto na literatura, na televisão ou no cinema, Alice, obra de Lewis Carroll, já foi alvo de milhares de adaptações. Em 2010, o visionário diretor Tim Burton lançou nos cinemas sua visão do conto, e levou tanto seus fãs quanto os fãs da história infantil, ao delírio. Entretanto, criaram tantas expectativas em cima deste longa, que o que restou no final do filme, foram apenas decepções!

por Fernando Labanca

Lewis Carroll escreveu dois livros sobre Alice, além de "No País das Maravilhas", o autor escreveu "Alice Através do Espelho", o que Tim Burton fez, foi uma mescla dessas duas obras, além do fato de renovar a história colocando Alice em seu mundo imaginário muitos anos depois. Foi algo como: "O que aconteceria se Alice voltasse ao país das maravilhas?", e Burton fez sua visão, contando um pouco do mesmo, além de criar muitos outros elementos, é mais do que apenas uma outra adaptação, é como se fosse uma nova sequência.

No filme, Alice, aos 17 anos, quase entrando na fase adulta nunca deixou seu lado infantil totalmente de lado, desde sempre teve uma visão um tanto quanto imatura sobre sua vida e quando estava prestes a se casar forçadamente com um estranho, ela encontra uma maneira de fugir, indo atrás de um coelho em plena festa de noivado. Um coelho misterioso e muito apressado, e a jovem, em sua busca acaba caindo em um buraco que a leva em um mundo cheio de maravilhas e encantos. 

Chegando no País das Maravilhas, Alice se depara com várias criaturas, animais que falam, gêmeos que vivem brigando e uma lagarta que sabe sobre tudo, e todos dizem uma única coisa: "Ela não é Alice". Confusa e completamente perdida, ela chega a conclusão de que há muitos anos atrás uma garota chamada Alice esteve por ali e desde então todas as criaturas esperavam seu retorno, mas acabaram pegando a jovem errada. A bela moça sempre se defende dizendo que não é o que eles procuram, principalmente quando lhe mostram um calendário que mostra o que vai acontecer nos próximos dias, e no último deles, há o "Gloria Day", onde Alice mataria uma criatura monstruosa que atormenta a todos. Esta criatura é comandado pela poderosa Rainha Vermelha, que o usou para tirar a coroa da Rainha Branca, o matando, o reino voltaria a ser de Rainha Branca e todos voltariam a ser felizes. Mas Alice nunca mataria alguém. Não era uma questão de destino, e sim, uma questão de escolha.

Até que ela conhece o Chapeleiro, uma criatura estranha e maluca e junto com ele, Alice vai descobrir o porquê de todos serem tão infelizes sob o governo de Rainha Vermelha e por que ela é tão importante naquele lugar, e sim, ela era a Alice que todos esperavam. A partir de então, surge uma aventura que salvaria a vida de todos, os libertariam, e quanto mais tempo a jovem passa naquele lugar, mas ela tem certeza de que tudo não passa de um sonho, o pior ou o melhor deles, e fica cada vez mais difícil se apegar aos novos amigos sabendo que uma hora iria acordar e se esqueceria de tudo.














Por mais que o cinema esteja avançando tanto devido a tantas tecnologias, a mente das pessoas também evolui e hoje, aqueles que assistem a um filme, esperam mais dele. Não adiante colocar batalhas diante de nossos olhos, queremos um bom motivo para estarmos vendo aquilo. Não adiante colocar tantos personagens na tela, esperamos ver histórias, conflitos interessantes para nos prender nela e mais do que isso, queremos o mais real possível, temos que sentir que aquelas personagens são reais mesmo que numa história de fantasia, queremos sentir que são seres que tem alma e sentem algo, que sejam humanos. E infelizmente, a tecnologia 3D faz com que inúmeros filmes sejam projetados para ficaram bonitos de se verem e assim ganharem público, mas aqueles que os fazem, simplesmente esquecem, que por trás de uma bela capa tem que haver uma bela história.

Tim Burton, diretor tão renomado se entregou a isso, fez um filme para ser bonito de se ver, para ser exibido em 3D e pronto, nada a mais. Um filme que é pura estética, e seu roteiro é falho. Um longa fraco, chato e muitas vezes entediante. Como eu disse anteriormente, hoje, esperamos muito mais de um filme, e Alice não surpreende em nenhum aspecto. Sou um admirador assumido dos filmes de Tim Burton, e digo com toda a certeza, é decepcionante saber que este longa agora faz parte de sua "brilhante" trajetória.

O filme começa, se desenvolve fracamente e termina...e pensamos: "Só isso??". Um filme sem pé nem cabeça, onde as atitudes das personagens são forçadas e completamente toscas. A história poderia até ser interessante se desenvolvida melhor, mas infelizmente, o diretor, se priva disso, e se esforça somente nos efeitos e na imagem do filme. Da metade para o final, o famoso conto de Alice some e o filme se transforma em um épico juvenil patético, deixando As Cronicas de Nárnia parecer genial.

A protagonista é ruim, Mia Wasikowska é completamente sem graça, não consegue expressar nenhum tipo de sentimento, deixando o filme mais vazio do que realmente é, a Alice de Tim Burton é chata e sua imaturidade é irritante. Johnny Depp mais uma vez fazendo o de sempre, o cara estranho e engraçadinho, é um ótimo ator e isso é inegável, mas chega uma hora que precisamos ver algo diferente, fez um mero coadjuvante que nada ajuda na trama. Anne Hathaway, simpática, como sempre, mas muito caricata, e sua personagem também é fraca. A salvação, não só das personagens, mas também de todo filme, foi colocar Helena Bonham Carter, a esposa de Burton, como a Rainha Vermelha, a única que se salva, uma vilã divertida e a única com alma no filme, vem dela os melhores diálogos e as melhores sequências, a atriz é incrível e impecável. Vale destacar as personagens secundárias, como o gato risonho, os gêmeos Tweedledee e Tweedledum e a lagarta, todos muito carismáticos e que ajudam em algumas cenas.


Vale a pena ver simplesmente pelas imagens, uma fotografia deslumbrante, cenários encantadores e tudo no mais perfeito estado, o figurino também chama a atenção. Os efeitos são maravilhosos, é de ficar de boca aberta com tudo o que vemos, na mais simples cena, a equipe parece acertar em tudo, um filme, esteticamente falando, irretocável. Além da trilha sonora de ninguém mais que Danny Elfman.


Não espere nada de Alice no País das Maravilhas, pois como eu disse o resultado será decepcionante. Um filme que vai encher o bolso de Tim Burton mais que nada irá acrescentar em sua carreira. Sinceramente sinto falta do diretor de A Noiva-Cádaver e Peixe Grande, pois desse grande diretor nada apareceu em Alice. Um filme que me assusta, pois me faz refletir sobre até que ponto a tecnologia pode estragar a sétima arte, ou o que um diretor capaz de fazer tantas coisas boas é capaz de fazer por dinheiro.

NOTA: 5









sexta-feira, 23 de abril de 2010

Crítica: Como Treinar o Seu Dragão (How to Train Your Dragon, 2010)


A mais recente animação da DreamWorks, surgiu nos cinemas aparentando ser mais um filminho do gênero, levando em consideração a grande quantidade de animações que andam chegando nas telas, entretanto, se difere, pela trama nada infantil, numa história envolvente e extremamente carismática!


por Fernando Labanca

Escrito e dirigido por Chris Sanders, que veio da Disney, para acrescentar a lista dos ótimos filmes que a DreamWorks vem realizando. Ele, tem um currículo de dar inveja, diretor de Lilo e Stitch, e roteirista de clássicos como Mulan, Aladin, O Rei Leão e o indicado ao Oscar, A Bela e a Fera.

Em Como Treinar o Seu Dragão, vemos a difícil rotina dos vikings na ilha de Berk. Assim como em muitos lugares que existem pragas, em Berk, são os perigosos dragões que amedrontam a vida dos moradores. Eles, desde jovens são treinados para matar dragões (não treinar, assimo como sugere o título!), vikings crescidos, homens de honra, musculosos e que nada temem. Neste local, vive Soluço, um jovem que não se parece com um viking, magricela e atrapalhado, e devido a isso, uma vergonha para seu pai, o mais honrado dos homens, Stoico, que sempre sonhou em ver seu filho na arena, matando os monstros.



Até que um dia, Soluço encontra um dragão ferido e começa a ajudá-lo a se recuperar, bolando planos e desenvolvendo asas falsas para que ele pudesse voar novamente. Neste incidente, nasce uma amizade. Soluço que sempre evitou os treinos, muda de idéia, e junto com outros jovens vikings, ele passa a descobrir todas as táticas para se defender e matar um dragão, entretanto, ele, passa usar seu novo amigo para descobrir o que amedronta esses bichos, e usando isto nos treinos, Soluço passa a ser um jovem notável, e todos os anos que foi símbolo de fracasso desaparecem, e todo o seu mundo muda, consegue mostrar seu valor a seu pai e ainda conhecer a garota de seus sonhos, a valente Astrid. E mais do que isso, ele tenta levar uma mensagem para todo aquele povoado, que talvez os dragões só atacam por uma simples defesa, pois antes, estão sendo atacados.


Animação deixou de ser apenas para crianças, hoje, o gênero agrada tanto os jovens quanto os adultos, e Como Treinar o Seu Dragão marca bem este fato, não tem uma temática tão adulta quanto Wall-e ou Happy Feet, mas se parece mais com Ratatouille, numa história que agrada qualquer idade, mas a maneira como a trama é conduzida é extremamente madura. Personagens agradáveis, mas não tão caricatos, cenas de ação de primeira qualidade, um filme na Idade Média, de deixar qualquer filme sobre o mesmo período, simplesmente, humilhado.


A trilha sonora é fantástica, as canções se encaixam perfeitamente nos momentos em que são introduzidas, praticamente toda instrumental e de muito bom gosto. Parabéns mais uma vez, para as boas cenas de ação, dinâmicas e hipnotizantes. Efeitos de ótima qualidade, fiquei impressionado com o nível que essa animação chegou, as texturas das personagens alcançam perfeição, não esqueceram nem dos (mínimos) pêlos nos braços. Interessante também é a forma como a câmera captura as cenas, em determinados momentos, nos sentimos dentro da ação, principalmente nos momentos de vôos em que literalmente entramos no filme. Literalmente, pois o longa tem opção 3D, que aliás, é muito bem aplicado.


Dinâmico, divertido, engraçado, e porque não, inteligente. Como Treinar o Seu Dragão não chega a ser a melhor das animações, mas sem sombra de dúvida, chegou muito perto, e desde a primeira cena vemos que é um filme diferenciado e a experiência de vê-lo vale muito e pena.


NOTA: 9.5

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Crítica : Jogo de Cena

Atendendo a um anúncio de jornal, 83 mulheres contaram sua história de vida em um estúdio.
23 delas foram selecionadas, em junho de 2006, sendo filmadas no teatro Glauce Rocha.
Em setembro do mesmo ano, várias atrizes interpretaram, a seu modo, as histórias contadas por essas mulheres.



Por Bárbara




Um documentário com pitadas de "atuação", Jogo de Cena, é uma ótima produção do cinema brasileiro recente, tão envolto em projetos com o padrão Globo Filmes de ( duvidosa ) qualidade. Depois de selecionar 23 mulheres e de tê-las ouvido narrar acontecimentos importantes de suas vidas, Eduardo Coutinho, um renomado documentarista brasileiro, passou a bola para um time de grandes atrizes, tais como Marília Pêra, Fernanda Torres e Andréa Beltrão, para interpretar essas histórias.
Realmente a produção revela um interessante jogo de cena, tal qual o nome dado a ela, pois há momentos em que não se sabe o que é real ou o que é meramente interpretação das atrizes, principalmente quando entra em cena as atrizes menos ( ou não ) conhecidas do grande público.
Além disso, houve relatos muitos interessantes feitos por Fernanda Torres e Andréa Beltrão, que ainda não sei se fazem parte dos relatos ou se foram experiências de vida das atrizes.

Mas o que toma conta mesmo é a emoção.Muitos dos relatos são de fazer até os mais insensíveis se emocionarem..como por exemplo a história de uma jovem que perdeu o seu segundo filho pouco depois do nascimento, e por ser espírita, acredita que ele virou um anjo que lhe protege.Ela sente a presença do filho e isso a reconfortou e a fez se conformar e até achar melhor tê-lo perdido, do que criá-lo com limitações e dificuldades financeiras, já que o pai da criança terminou o relacionamento com ela pouco depois do ocorrido, poupando-o do sofrimento que isto causaria, tanto a ela quanto ao filho.O mais impressionanete é que ela fala com uma calma e com uma serenidade, mas nota-se o quanto ela sofre por reviver essa dor.
Andréa Beltrão foi a atriz que interpretou essa história.Foi muito difícil ( mas eu consegui - hehehe ) conter as lágrimas quando ela começou a falar,pois até ela não conteve o choro.Bastante emocionada, Andréa, que é atéia, fala que se emocionou com a história justamente por que a jovem tem a fé de que o filho ainda está com ela, mas para Andréa, morreu acabou...
Outra história comovente foi a de uma senhora, muito extrovertida e engraçada, mas que chora toda vez que assiste Procurando Nemo.O quê??Como assim??


Pois é, eu também me fiz essa pergunta..por que ela chora assistindo um filme tão 'pra cima' quanto Procurando Nemo???Depois ela acaba revelando que por causa da relação pai-filho abordada pela animação através do peixinho Nemo e seu pai Marlin, ela lembra de sua filha, e de sua pouca relação com ela, já que as duas moram muito longe uma da outra e o passado delas não é dos melhores.Marília Pêra interpreta essa história, mas não chega a ser tão comovente quanto a senhora, porém revela um dos métodos usados pelos atores para que consigam chorar em abundância: cristal japonês.

Mas o relato que quebrou as pernas mesmo, tanto na ficção quanto na realidae, foi de uma senhora que perdeu o filho, que reagiu a um assalto.Enquanto ela falava que, depois de 20 e tantos anos de casamento simplesmente foi abandonada pelo marido ( que queria curtir a vida ) e ficou só com os dois filhos, nada demais.Entretanto, quando ela começa a contar da felicidade que sentia quando estava com eles, que até esqueceu o ex-marido e que depois o filho acaba morrendo depois que reage a um assalto, ela não consegue se conter ( tanto a atriz quanto a senhora 'real').
Até hoje nunca vi uma frase tão marcante quanto a que ela falou no fim do depoimento, enquanto contava sobre o sonho que teve com o filho depois da morte dele,e quando pedia para Deus ressuscitá-lo.
"Deus foi injusto comigo, ele tirou o meu filho de mim.Tá me recompensando agora com a minha filha , mas ele foi injusto comigo", alguma coisa assim...ultimamente a minha memória não está lá essas coisas...então não me lembro beeemm como era, mas quebrou as minhas pernas...
Porém, nem tudo são lágrimas.Como citei anteriormente, Andréa e Fernanda relataram histórias comoventes, mas também engraçadas e o clima ficou mais alegre.O bacana disso tudo é que não se sabe se essas histórias faziam parte do conjunto ou se são experiências de vida delas próprias.

Fernanda contou uma ida a um terreiro de candomblé, de uma forma bem divertida e Andréa, de uma babá muito querida por toda a família.Outra história divertida é de uma mineira que veio morar em São Paulo em busca de uma vida melhor e acaba , logo nos primeiros dias morando em São Paulo, se envolvendo com um funcionário do terminal de ônibus e ainda po cima, ficando grávida dele e nunca mais o viu.Super legal também....

Bom, o que eu escreveria para encerrar esse post é que vão atrás dessa obra linda ( e rara ) no cinema nacional e se surpreendam...eu não vou comentar mais nada senão acaba com a graça de se assistir esse filme.No mais, digo: eu recomendo!
Nota:10

sábado, 17 de abril de 2010

Crítica: O Mensageiro (The Messenger, 2009)


Indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Original e Ator Coadjuvante para Woody Harrelson, que fora também indicado no Globo de Ouro e vencera na mesma categoria no Independent Spirit Award, o Oscar dos filmes independentes. Com tantos prêmios na estante, o filme passa a impressão de ser maravilhoso e acaba criando expectativas exageradas nos cinéfilos como eu...mas no final, é pura decepção.


por Fernando Labanca

Na história, o sargento Will Montgomery (Ben Foster) acaba de ser nomeado para uma inusitada missão, fazer parte de um setor do exército norte-americano chamado "Mensageiro". Ele passa a trabalhar ao lado do veterano na missão, o capitão Tony Stone (Woody Harrelson), e sua função é simplesmente ir na casa das pessoas e avisar que um dos integrantes da família está morto. Uma terefa difícil, mas necessária.

Will vai aos poucos aprendendo a lidar com isso, ser o mais profissional possível e não se deixar se envolver com as emoções dos outros. Entretanto não se envolver com os outros é fácil para ele, logo que nunca conseguiu se prender a alguém, no entanto, mantém um caso com Kelly (Jena Malone), algo sem compromisso, sem planos, o que faz com que a moça se afaste e se envolva com outro rapaz, e ele mal se importa. Até que a forma como ele lida com seus próprios sentimentos começa a mudar quando ele avisa a morte de um soldado para sua respectiva esposa, Olivia (Samantha Morton), e ela reage de uma forma diferente de todas as outras famílias, com calma e ainda agradece a coragem e atitude dos dois em informá-la. Will fica curioso com este caso e duvida que ela já esteja em outro relacionamento e começa a "persegui-la", os dois fazem amizade fácil e ele passa a se envolver com ela. Porém, essa atitude vai contra as ideologias de trabalho de Tony, mas depois de algumas conversas sinceras, os dois acabam se entendendo, e nesta forte e intensa missão, acaba nascendo uma amizade, e um passa a apoiar o outro nos momentos mais difíceis.


Primeiro trabalho como diretor, Oren Moverman, que também assina o roteiro, que aliás, através desse roteiro um tanto quanto inteligente, acreditei que fosse possível fazer um filme interessante. Mas infelizmente O Mensageiro escorrega legal, se tornando um drama extremamente cansativo, chato, um filme monótono que nada acontece. Além de cair no clichê várias vezes com diálogos sobre guerra e perdas, nada criativo, frases que ouvimos em qualquer documentário sobre guerra. A participação do veterano Steve Buscemi marca muito bem isso, com uma boa atuação, sua personagem é uma péssima combinação de todos os clichês baratos que vimos com tanta frequência, frases como..."Está vendo aquela árvore? Ela tem a idade do meu filho, ela está viva e ele não"...falá sério!!!



Woody Harrelson é um ótimo ator, isso é inegável, mas sua indicação ao Oscar, na minha opinião, foi algo como "respeitamos sua carreira", logo que em sua personagem não vemos nada além do que ele já havia feito antes, inclusive em Zumbilândia, por incrível que pareça, as personagens são muito parecidas!! Ben Foster chamou a atenção da crítica desde sua participação em Alpha Dog (2007), e desde então eu me questiono se eu não consigo ver o que esses críticos vêem, acredito muito em seu potêncial, mas inclusive neste filme, sua atuação não me agrada nem um pouco. Jena Malone, ótima atriz, pouquíssima aproveitada no roteiro, uma pena. Samantha Morton fica com o destaque do filme, a única coisa boa que acontece nele, uma atriz surpreendente, capaz de se transformar em qualquer coisa, uma atuação simples, mas adorável.


A trilha sonora é questionável, colocam um rock pesado, talvez para dar mais intensidade na trama, mas não convence em nenhuma cena, muito pelo contrário, parece entrar sempre em hora indevida.

O Mensageiro acaba e esquecemos dele no segundo seguinte, temos a impressão de termos perdido nosso precioso tempo em algo que não disse nada, tentou dizer, mas com as palavras erradas. Um filme fraco, sem emoção, vazio, e o pior de tudo, sem um final, somos enrolados durante intermináveis duas horas e não vemos um mero final decente! Quer um filme que explore muito melhor o lado humano em plena guerra? Assista Guerra ao Terror! Conclusão: dinheiro jogado fora!

NOTA: 3

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Crítica: Preciosa - Uma História de Esperança (Precious, 2009)


Vencedor do Oscar 2010 de Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Atriz Coadjuvante para Mo'Nique. Preciosa surpreende pela ousadia numa história forte e extremamente chocante, com bom humor e atuações memoráveis.


por Fernando Labanca

Baseado na obra de Sapphire, o filme, dirigido por Lee Daniels que fora indicado a Melhor Diretor, nos mostra a trajetória de Claireece Precious Jones (Gabourey Sidibe), uma jovem que sonha em ser uma celebridade, com pessoas gritando seu nome e querendo ser como ela, em ter um namorado bonito e ser admirada por todos, porém, sua realidade é bem diferente. Preciosa tem 16 anos, negra, acima do peso, nunca namorou pois sente que ninguém é capaz de amá-la, é analfabeta, praticamente não fala, tem vergonha de si mesma, e para piorar é humilhada dentro de casa, maltratada por sua mãe e abusada sexualmente por seu pai, com quem tem uma filha com "síndrome de Down". É quando fica grávida de seu segundo filho que as coisas começam a seguir outro rumo.

Preciosa é suspensa da escola por estar novamente grávida e também pelo fato de nunca ter se comprometido com seus estudos. Ela é indicada para uma escola alternativa, para jovens que não se formaram e estão correndo atrás do prejuízo. Ela, de início, não leva a sério e age como agia na outra escola. Sua mãe (Mo'Nique), passa a humilhá-la mais ainda por tanto desgosto, principalmente pelo fato de Preciosa receber uma remuneração do governo e está prestes a perdê-la e para conquistar o direito de ter essa ajuda financeira, Preciosa passa a se encontrar com uma psicóloga (Mariah Carey), para eles entenderem o que se passa na vida da jovem e a quem estão tentando ajudar, mas ela, mais uma vez, não se abre.


Até que na escola, a professora, a sra. Rain (Paula Patton), passa a dar um sentido em sua vida. E em suas aulas, por mais simples que sejam, começam a provar à Preciosa que todos tem seu valor, inclusive ela, que ela pode ter um talento, um dom, que pode amar e ser amada e começa a perceber que sua vida ainda pode ter uma chance.

Um filme poderoso. Um roteiro audacioso e chocante, preferi não comentar todos os detalhes para não estragar as surpresas que o filme reserva. Há cenas que não acreditamos no que estamos vendo, e como é difícil imaginar que toda essa história é possível e quantas "preciosas" podem existir em nossa sociedade.

Lee Daniels é fantástico, realizou um trabalho excepcional. Uma história que caíria no melodrama fácil, mas ele consegue dar outro rumo a trama, pode até ser difícil imaginar, mas Preciosa, na verdade, é uma comédia dramática, toda a tristeza do roteiro é trabalhada com bom humor, mas o drama pesado também está presente e lágrimas podem até rolar em determinadas cenas.

Entretanto, o filme não teria todo esse poder se não fosse as atuações. Gabourey Sidibe é encantadora, se encaixa perfeitamente em Preciosa, soube representar fielmente a trajetória de sua personagem. Mo'Nique é fantástica, mais que merecido seus prêmios, é incrível var sua versatilidade na trama e como ela se entrega a sua personagem. Antológica a cena em que defende seus atos cruéis contra sua filha, brilhante! Vale citar o carisma de Paula Patton e o brilho que ela traz ao filme. E ainda temos Mariah Carey na mesma posição em todas as cenas, parecendo um robô, suas expressões são mínimas, mas por incrível que pareça, não estraga nada, faz seu papel, nada além do esperado, até apaga os traços de sua beleza dando mais realidade a sua participação, e ainda temos Lenny Kravitz, nada mal.

A trilha sonora ainda é um bom complemento, assim como a edição dinâmica. O filme escorrega um pouco nas cenas que representam a imaginação de Preciosa, quase todas são chatas.

Mas no geral, um filme merecedor do destaque que teve e dos prêmios que recebeu. Com cenas comoventes e diálogos marcantes, principalmente na parte final do longa. Uma bela história sobre esperança e sobre acreditar em si mesmo.

NOTA: 9

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Crítica: Ilha do Medo (Shutter Island, 2010)


Voltando um pouco as raízes, Martin Scorsese retorna ao suspense, provando que ainda há a possibilidade de se fazer bons filmes do gênero, logo que hoje, isso é uma raridade!

por Fernando Labanca

Depois dos bem sucedidos e também elogiados O Aviador e Os Infiltrados, Scorsese resolve mudar, alternando seu estilo que foi usado há alguns anos atrás em filmes como Cabo do Medo de 1991. E o gênero suspense agradece a escolha do diretor, que revitaliza o que está quase perdido. Logo quando o filme começa percebemos que não é de um diretor qualquer, mas sim, de um diretor experiente que sabe o que faz. Entretanto, mesmo mudando um pouco de estilo, ele ainda tem um "ás" na mão, um elemento que esteve presente em seus trabalhos anteriores, Leonardo DiCaprio.

No filme, dois detetives, Teddy Daniels (Leonardo DiCaprio) e Chuck Aule (Mark Ruffalo) se conhecem no mesmo dia em que estão prestes a desvendar um mistério. Ano de 1954, Shutter Island é um sanatório que abriga os piores tipos de loucos, aqueles que devido a alguma doença mental, mataram pessoas e precisam de um forte tratamento. Porém, misteriosamente, uma das pacientes some, é quando entram em cena os dois detetives. Um lugar sombrio, no meio do Oceano, os dois estão sózinhos, não podem entrar com armas e precisam respeitar as regras do local, logo são apresentados a Dr.John Crawley (Ben Kingsley), um médico que não vê as pessoas abrigadas como loucos e sim como pacientes, pessoas que necessitam de ajuda e não compreende a fuga de Rachel Solano (Emily Mortimer). Os detetives passam a entrevistar os médicos, as enfermeiras e até mesmo os "pacientes" para entender como ela fugiu, logo que se há uma maneira disso acontecer, é um caso de alerta, pois são perigosos, ela por exemplo, matou os dois filhos e o marido e age como se nada tivesse acontecido.

Conforme os dias vão passando, Teddy vai revelando suas verdadeiras intenções, que o caso não passa de um pretexto para ele infiltrar em Shutter Island. Há alguns anos atrás, Teddy perdeu a mulher que amava, Dolores (Michelle Williams), em um incêndio provocado por um homem com problemas mentais e que foi levado para o sanatório, e ele com sede de vingança, decide ir até o local se vingar do homem que lhe tirou os motivos para querer viver. E mais do que isso, Teddy Daniels sabia de algumas hipóteses de que em Shutter Island, os médicos faziam experimentos radicais, usando medicamentos ilegais nos pacientes e ele queria ir atrás de provas para poder fechar os portões do local. Mas nada seria fácil, e os detetives começam a questionar as leis, os métodos, passam a ser perseguidos, e ambos entram num terrível jogo de alucinações, onde nada é exatamente o que parece ser.

Martin Scorsese realiza um belíssmo trabalho, utilizando elementos fantásticos que fazem Ilha do Medo ser um dos melhores filmes de suspense dos últimos anos. A trilha sonora bem colocada nas cenas, hipnotizando o público mesmo quando não acontece nada, os cenários, tudo muito sombrio, o filme tem um clima pesado e interessante para o gênero. Desde O Orfanato ( de Juan Antonio Bayona, 2007) não via um filme de suspense ser tão bem realizado.

O elenco é um dos pontos mais positivos do filme. Leonardo DiCaprio há um bom tempo ele vem acertando no cinema, fazendo não só incríveis filmes, mas também acertando em sua brilhante atuação e em Ilha do Medo não é diferente, sendo essa, uma de suas melhores performances. Mark Ruffalo não alcança o nível que DiCaprio atingiu, mas fez um bom trabalho, como sempre. Ben Kingsley tem uma personagem interessante, fazia tempo que não o via tão bem, uma atuação linar, mas irretocável. Destaque também para as participações femininas, Emily Mortimer está fantástica, melhor do que nunca, assim como Michelle Williams, se despreendendo por total de Dawson's Creek e se tornando uma atriz exemplar. Palmas principalmente para a veterana Patricia Clarkson e para Jackie Earle Haley, ambos participam de apenas uma cena, mas com atuações arrebatadoras, irreconhecíveis, brilhantes.


Entretanto, encontrei um defeito que me incomodou em várias sequências, a edição. Não é possível que não repararam nos erros de sequência antes de finalizarem o filme, chega ao extremo, até eu que não sou muito de reparar nisso fiquei irritado. Sabe aquele tipo de cena, que quando o ator é filmado de frente está em uma posição, mas quando é filmado de costas está em outra, completamente diferente, pois é, isso tem de monte.

Ilha do Medo, tem sim seus defeitos, mas perante a tantos fiascos no gênero suspense, acaba sendo uma raridade. É diferente quando um diretor experiente arrisca em algo que tem tudo a perder, sabe o que faz e tudo é conduzido muito bem. Vemos ainda atores competentes dando tudo de si, o que não vemos muito isso em filmes desse tipo. Não é preciso fantasmas e nem violência gratuita, muito menos coisas nojentas ( o que se tornou hábito em filmes do gênero, para muitos, ver um corpo sendo triturado com muito sangue a mostra é o novo terror). Um filme inteligente, com um roteiro brilhante e cheio de reviravoltas, suspresas boas não faltam em Ilha do Medo, e para fechar com chave de ouro, ainda vemos um final chocante e surpreendente.


NOTA: 8.5