quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

ESPECIAL 3 ANOS DE CINEMATECA! - As Melhores Cenas da Década



Neste ano iniciei o especial "Os Melhores da Década" analisando o que houve de melhor no cinema entre os anos 2001 e 2010, deixei 2011, aliás, para correr atrás de muitos filmes dos últimos dez anos, além do fato de muitas obras de 2010 terem sido lançados nesses doze meses que passaram. Aproveitando o especial, escolhi um que é de fato muito especial, "As Melhores Cenas da Década", para celebrar os 3 anos do blog, lançado em dezembro de 2008.

Bom, escolher as melhores cenas não é tarefa muito fácil, houve inúmeras de excelente qualidade, o que explica o fato de eu não conseguir elaborar um TOP 15, serão 25 ao todo. Analisei diversos filmes e tentei buscar nas lembranças mais distantes (uooool) as que de fato me marcaram e que mereceram listar entre as melhores. Não só cenas, este especial busca relembrar sequências memoráveis, ou seja, valendo também um conjunto de cenas que deram um bom resultado.

Já aproveitando, um breve agradecimento às pessoas que pararam para ler nossas críticas durante esses 3 anos, mesmo que não sejamos críticos oficiais de cinema, apenas temos uma grande admiração à sétima arte. Obrigado, e Feliz Ano Novo.

por Fernando Labanca


Antes de mostrar a lista, vale citar as Mensões Honrosas. Alguns filmes estiveram na "pré-seleção", e não estarão entre os 25, mas ainda assim merecem ser destacados, como "Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças", "(500) Dias com Ela", Cidade de Deus", "Homem-Aranha" e "Shrek". 

Quanto as datas de lançamento dos filmes, respeitei a estréia em seus respectivos países de origem. Vamos ao top 25...


25º. Noturno na Casa Branca (X-Men 2, 2003)
direção de Bryan Singer



O melhor de todos os "X-Men's", superando até o superestimado "Primeira Classe", o longa de Bryan Singer tem ótimas sequências de ação, mas sem sombra de dúvida, a melhor de todas foi uma das primeiras cenas, onde o até então desconhecido mutante surge, na Casa Branca, surgindo e desaparecendo em questão de segundos, numa luta pra lá de estilosa, conhecemos assim o Noturno (Alan Cumming), mutante misterioso com o poder de se teletransportar rapidamente, sendo assim, invensível. Cena muito bem arquitetada por Singer, uma das melhores de ação desta década.



24º. A Libertação do Cisne (Cisne Negro, 2010)
direção de Darren Aronofsky


Lançado este ano aqui no Brasil, "Cisne Negro" marcou a grande atuação de Natalie Portman e entre tantos momentos de destaque, cito apena sua grandiosa cena final, onde a dançarina obsessiva Nina encarna de vez o papel que tanto almejava, o Cisne Negro e também o Cisne Branco, onde em seu ápice de loucura se vê enfim libertada de tanta pressão, e ali no palco, se joga do abismo dizendo "Foi Perfeito". Darren Aronofsky abusa da ilusão, e não sabemos o que de fato foi real ou fantasia, cada um encara a cena como desejar ou como conseguir interpretar.



23º. Ataque a Pearl Harbor (Pearl Harbor, 2001)
direção de Michael Bay



Michael Bay é o diretor dos blockbusters hollywoodianos, de fato nunca se preocupou com o que é real ou possível, e nem sempre conseguiu agradar com seus exageros. Pearl Harbor de 2001 não é de todo ruim, possui inúmeros defeitos, sendo o seu maior, transformar os norte-americanos em heróis e vítimas e numa dessas tentativas de mostrar o quanto os soldados sofreram (sem se quer citar o que eles fizeram logo depois com os japoneses) Michael realiza uma das cenas mais memoráveis do cinema no quesito "guerra", por mais forçada e mentisosa que ela seja, há beleza e é de extrema qualidade, seja nos efeitos especiais, seja nos efeitos sonoros (que aliás venceu o Oscar por eles), a cena do ataque é grandiosa, com direito a explosões realistas e muito barulho, enfim, valeu pelo filme inteiro, e por isso, merece estar aqui.



22º. Máscaras (O Fantasma da Ópera, 2004)
direção de Joel Schumacher


Joel Schumacher está longe, bem longe de ser um dos bons diretores que existe, já realizou inúmeras bombas no cinema, "O Fantasma da Ópera" não é tão fantástico assim, mas se comparado com seus outros trabalhos, é um de seus melhores. Há uma cena em especial que acho incrível e memorável, no baile de máscaras, quando o Fantasma (Gerard Buttler) ainda era um mistério, e os convidados de uma festa da alta classe realizam um belo número musical, cantando "Masquerade", enfim, chega a ser genial a composição de toda a sequência, em um salão gigantesco, com arquitetura refinada e figurinos belíssimos, todos mascarados, cantando e dançando numa coreografia perfeitamente realizada.



21º. Ataque ao Carro em Movimento (Filhos da Esperança, 2006)
direção de Alfonso Cuarón



 Cuarón, provou exatamente neste filme, uma pequena obra prima do cinema, ser um dos melhores cineastas da atualidade, esta cena em questão prova justamente isso, sua competência como diretor. Ocorre aqui uma das cenas mais surpreendes que já vi, onde numa guerra entre civís num futuro não muito distante, um carro em movimento é atacado, vemos tiros, pessoas em desespero, e uma morte inesperada. Parece uma cena qualquer, mas não é, foi algo genial que Alfonso fez aqui, com uma câmera que gira do exterior para o interior do carro, misteriosamente sem corte algum, numa cena complexa, cheia de detalhes, e com muito movimento, Cuarón a realiza, não sei como o fez, mas ele conseguiu e ficou perfeito.



20º. A Batalha do Século (Star Wars: Episódio III - A Vingança dos Sith, 2005)
direção de George Lucas



O porquê do título da cena? Porque foi a batalha do século no cinema, porque inúmeras pessoas pararam para ver como nasceu um dos maiores vilões da história da sétima arte, e esta batalha em questão marca exatamente este momento, é o elo entre as duas sagas criadas por George Lucas, entre o Episódio 3 e o episódio 4 (Uma Nova Esperança). Enfim começa a tão esperada luta entre Obi-Wan Kenobi (Ewan McGregor) e seu pupilo, Anakin Skywalker (Hayden Christensen), um evento nada menos que histórico e a cena é tão perfeita, com bons diálogos e efeitos magníficos, é quando Anakin entra de vez para "o lado negro da força" e como consequência desta cena, surge então, Sir. Darth Vader.



19º. A Força de uma Hattori Hanzo (Kill Bill - Volume 1)
direção de Quentin Tarantino



Kill Bill, o que seria do cinema sem você? Definitivamente, não seria a mesma coisa. Palmas para Tarantino por criar esta obra prima. Sendo um dos filmes mais memoráveis desta década, não poderia deixar de citar alguma cena, e houve uma em especial muito interessante, onde Beatrix Kiddo (Uma Thurman), em busca de sua vingança, e com sua Hattori Hanzo nas mãos vai atrás de O-Ren Ishii (Lucy Liu), entretanto para chegar até ela, Beatrix teve que lutar com todo seu exército e a cena foi épica, com movimentos ágeis e muita velocidade, Tarantino realiza aqui uma sequência deslumbrante, com muito sangue e muito estilo.



18º. Pelas Estradas desta Vida (Tudo Acontece em Elizabethtown, 2005)
direção de Cameron Crowe



No meu último post já provei toda minha admiração pelo trabalho de Cameron Crowe, o acho fantástico e todo filme dele tem uma grande cena, e Elizabethtown não poderia ser diferente. Já na parte final da trajetória de Drew Baylor (Orlando Bloom), depois de se apaixonar, conhecer toda sua família, lamentar a morte do pai e se descobrir e se aceitar com seus erros, ele, antes de partir da cidadizinha de Elizabethtown, embarca numa viagem, a pedido de Clair (Kirsten Dunst), e numa mistura de música (música boa), locações incríveis, no momento "road movie" do filme, Cameron coloca aqui toda sua identidade, e nós, como público, ganhamos um show a parte, ví na tela um momento de puro relaxamento, de reflexão, de adoração da vida.



17º. "É só um passeio, Zack" (Alpha Dog, 2007)
direção de Nick Cassavetes



[spoilers] Mesmo tendo em sua filmografia os adocicados "Diário de Uma Paixão" e "Uma Prova de Amor", Nick Cassavetes mostrou seu lado mais cruel e mais violento em "Alpha Dog", filme baseado em fatos reais, sobre um jovem que durante anos esteve entre os bandidos mais procurados. Em uma de suas ações, ele (Emile Hirsch) sequestou o irmão mais novo de seu inimigo, Zack (Anton Yelchin) como forma de chantagem, e o jovem deixa de ser apenas um refém quando conhece os amigos deste "alpha dog", conhece o submundo das drogas, da violência, mas conhece também a amizade, e é seduzido por ela. Nós, como público, também acreditamos nesta amizade, e devido a isso o final do filme é tão duro, tão forte, pois a cena em discussão, é quando Zack é traído e cai numa armadilha, e acreditando que era apenas um passeio, ele cai em sua própria sepultura. Surpreendente e emocionante, uma daquelas cenas que faz o coração parar e demorar horas para conseguirmos compreender o que ocorrera.



16º. Concurso Little Miss Sunshine (Pequena Miss Sunshine, 2006)
direção de Jonathan Dayton e Valerie Faris



A escolha desta cena é mais pelo significado dela do que pela composição em si. Até então, ao decorrer dessa deliciosa comédia independente, vemos um "road movie" sobre a busca de uma pequena garota de beleza fora dos padrões (Abigail Breslin, impecável) em ser miss, com a ajuda de sua família desajustada em uma kombi caindo aos pedaços. Eis que no final, o que Jonathan Dayton e Valerie Faris nos proporcionam é uma cena memorável, o desfile de pequenas crianças, pobres crianças, descobrindo o vazio e a inutilidade de querer ser bonita, e a futilidade da beleza, uma bela reflexão sobre o interminável desfile de moda que são nossas vidas. Não poderia deixar de citar a cena onde a família de Olive (Breslin) decide ajudá-la e vemos o espetáculo mais bizarro da década, dá um outro sentido para "vergonha alheia", pois nós, como público, temos a vontade de fazer algo estranhamente bizarro naquele palco e destruir  toda aquela estrutura mentirosa e fútil. Palmas para a família mais ousada e adorável do cinema e palmas para os atores que deram nada menos que um show, Steve Carell, Toni Collette, Greg Kinnear e Paul Dano.



15º. Evacuação no Litoral (Desejo e Reparação, 2007)
direção de Joe Wright



Poderia listar inúmeras cenas deste filme, simplesmente porque ele é fantástico e é recheado de bons momentos. Um desses momentos tão incríveis, é uma sequência extremamente bem arquitetada por Joe Wright, onde é declarada a evacuação dos soldados norte-americanos em território francês, onde ocorria uma guerra e era lá onde estava o personagem Robbie, interpretado por James McAvoy. Ao ouvir gritos de alegria, ele e seus companheiros caminham até uma praia, era onde acontecia uma espécie de celebração, o fim de uma batalha, é então que a câmera de Wright nos proporciona uma visão ampla e privilegiada de todos os acontecimentos daquele local, e com uma trilha sonora emocionante (de Dario Marianelli), é como se estivéssemos lá, a cena não possui cortes e naquela locação gigantesca, inúmeras ações acontecem ao mesmo tempo, seja no fundo, na frente, a cena é contínua e possui riquíssimos detalhes. Admirável.



14º. A Mágica do Palhaço (Batman- O Cavaleiro das Trevas, 2008)
direção de Christopher Nolan


Sim, o Coringa de Heath Ledger foi um dos melhores vilões desta década, quem sabe até, da história do cinema. Em "O Cavaleiro da Trevas" não houve sequer uma cena em que ele aparecia que não fosse fantástica, irei citar apenas uma, mas lembrando que tudo o que ele fez neste filme foi épico. Sua primeira aparição, numa reunião de mafiosos de Gothan City, ele surge, com aquela sua voz assustadora e maquiagem de palhaço, eis que ele resolve fazer uma mágica, fazer um lápis desaparecer, ele consegue, o problema é que para isso ele usa a testa de um dos capangas do local. Rápida, mas uma introdução genial.


13º. Dançando no Universo (Wall-E, 2008)
direção de Andrew Stanton



"Wall-E" sem sombra de dúvida foi uma das animações mais incríveis já feita, e com a magnífica direção de Stanton, vemos na tela algumas belíssimas sequências, uma delas, é quando o robô Wall-E, fora da nave com Eva, sua grande paixão, descobre o poder de um extintor juntamente com a ausência da gravidade, mas acaba assustando sua parceira que até então permanecia desligada, até que ele lhe mostra a tal planta (que tentaram salvar o filme inteiro) e ela enfim o reconhece, é quando lhe dá um abraço e junto com ele, um beijo. Os dois resolvem dançar e a fazer uma pequena viagem pelo universo, diante de um cenário deslumbrante, com cores vibrantes, além, é claro, da trilha sonora emocionante de Thomas Newman. Enfim, uma cena que emociona pela simplicidade e prova o quão grandiosa é esta obra.



12º. O Sonho de Cobb (A Origem, 2010)
direção de Christopher Nolan



Mais uma obra prima desta década, "A Origem" é tão bom que não poderia ficar fora desta lista. A cena em questão, é quando Arthur, personagem de Joseph Gordon-Levitt, precisa dar continuidade ao impecável plano de Cobb (Leonardo DiCaprio), e enquanto todos da equipe de "invasores de sonhos" permanecem dormindo numa van em movimento, Arthur, que por sua vez, era o único que permanecia acordado em um dos estágios dos sonhos (enfim, só assistindo para entender), estava num hotel e acaba tendo alguns obstáculos, entre eles, lutar com alguns capangas, enquanto precisava retirar todos seus companheiros do local, que estavam dormindo. O problema é que os movimentos da van interferiam em suas ações, nos proporciando assim, um espetáculo visual, vemos então, uma luta épica que parece não haver gravidade, e entre socos, as personagens caminham pelas paredes e tetos. Memorável.



11º. A História dos Minutemen (Watchmen - O Filme, 2009)
direção de Zack Snyder



Zack Snyder mostra neste filme ser um dos diretores mais competentes de sua geração, prova disso é a belíssima introdução de "Watchmen". Já nos primeiros minutos nos deparamos com uma daquelas que seria, não só a melhor de todo o filme, mas uma das cenas mais fantásticas desta década. Ao som de "The Times They Are A-Changin" de Bob Dylan, vemos a história dos "Minutemen", heróis que surgiram na década de 40, e vemos em alguns minutos, enquanto corriam os créditos iniciais, toda a história, desde o começo glorioso do grupo, até o fracasso e a rejeição do mundo que eles ajudaram a salvar. O roteiro de Snyder é ótimo e em pequenas cenas e diversos cortes, conseguimos compreender toda uma trajetória, mais do que isso, vemos um cinema de extrema qualidade, visual, desde os figurinos e fotografia, até a incrível canção de Dylan, aliás, escolha perfeita.



10º. O Limite da Bondade (Dogville, 2003)
direção de Lars Von Trier


[spoilers] Alguns podem discordar, mas "Dogville", a meu ver, foi o melhor trabalho de Von Trier. A cena em questão, é a cena final, quando a personagem Grace (Nicole Kidman, magnífica) retorna a sua vila, o local onde fez o bem, onde tentou a tanto custo, plantar a honestidade e a harmonia, mas ela volta com um outro plano, com outras intenções, destruir com a vida daqueles que a fizeram mal e rejeitaram sua bondade. Só assistindo para compreender o poder que esta cena tem dentro da história, e só vendo toda a trajetória de Grace para compreender sua ação, e assim como toda obra de Lars Von Trier, aqui ele bagunça completamente nossos sentimentos e nossa mente, sentimos algo que desconhecíamos dentro de nós, a maldade, o limite da bondade de Grace passa a ser o nosso também, e por mais sádico que possa parecer, torcemos por sua vingança.



09º. A Metáfora do Milk Shake (Sangue Negro, 2007)
direção de Paul Thomas Anderson



"Sangue Negro" é um épico norte-americano, é uma daquelas obras que chegam de décadas em décadas, um filme espetacular. Parte deste espetáculo se dá pela grandiosa atuação de Daniel Day-Lewis, e graças a ele esta cena em questão é tão perfeita. Cena final, onde seu personagem, Daniel Plainview, no ápice de seu desespero e sua loucura tenta explicar seu poder para o pastor Eli Sunday (Paul Dano) e para isso resolve fazer uma metáfora utilizando o milk shake, ao invés, de seu glorioso petróleo. Mas ele vai além e resolve brincar de boliche, utilizando o próprio pastor como pino. Sádico, cruel, a cena é extremamente forte, mostra o quão monstruoso é este ser, é quando ele passa do limite, vai muito além do aceitável. A atuação de Day-Lewis é de deixar qualquer um sem palavras e por ele, uma das melhores cenas desta década. Destaque também para a cena do exorcismo, outra memorável.



08º. Não Coma! (O Labirinto do Fauno, 2006)
direção de Guillermo del Toro



Com o uso de uma maquiagem primorosa, a equipe técnica de "O Labirinto do Fauno" criaram uma das criaturas mais monstruosas e mais interessantes do cinema, o "Homem Pálido", e vai para sua presença no filme mexicano de Guillermo del Toro, uma das melhores da década. A personagem principal, seguindo às ordens de um misterioso Fauno, precisava realizar alguns testes, um deles era pegar uma chave numa sala gigantesca que era servido um delicioso banquete, era onde habitava o homem pálido, que guardava seus olhos nas mãos, e ela o acordaria se caso comesse alguma coisa da mesa, a criança curiosa resolve provar algo, é quando ele acorda, e é quando vemos uma das cenas mais apavorantes desta década, cheia de mistério e terror, sentimos uma certa curiosidade sobre aquele ser, tão interessante e tão macabro.



07º. Contato (Crash- No Limite, 2004)
direção de Paul Haggis



O vencedor do Oscar de Melhor Filme, "Crash" possui diversas cenas que poderiam ser listadas aqui, resolvi escolher uma para ilustrar a beleza deste roteiro. É quando a personagem de Thandie Newton (em uma de suas melhores performances) sofre um acidente de carro, deixando o veículo de ponta cabeça, é quando surge para salvá-la o policial (Matt Dillon), o problema é que era o mesmo policial que na mente dela, havia abusado sexualmente ao revistá-la em seu carro na noite anterior, mas havia apenas ele ali capaz de salvá-la. Nesta cena, vemos o orgulho daquela mulher ser engolhido, e que por trás daquele uniforme de policial havia um homem. A sequência é de tirar o fôlego, o desespero na face de Thandie Newton é agonizante, e toda a edição maravilhosa ajuda a dar o clima de tensão. "Crash" nos mostra com diversos personagens alguns encontros bem inusitados, quando cidadãos que vivem suas vidas isoladas enfim tem contato com outras vidas, e a maneira como este policial e esta mulher se encontraram, marca um dos melhores momentos desta obra.



06º. Fogos de Artificio (V de Vingança, 2006)
direção de James McTeigue



[spoilers] "Quem era ele? Ele era meu pai e minha mãe. Meu irmão, meus amigos. Ele era você e eu. Ele era todos nós". Este era o V de Vingança, o homem que carregava um ideal por trás de sua máscara e como seu ato final, usa um trem de Londres como sua sepultura, cercado de bombas, e ao trilhar, um grande espetáculo visual, a explosão do Big Ben, e como público, toda a população, seus seguidores, ao som de música clássica, a revolução silenciosa de V. E enquanto a personagem de Natalie Portman, Evey, assiti ao evento como despedida de seu mentor, as pessoas, nas ruas, despem suas máscaras e caminham em nome do ideal daquele herói. A cena é deslumbrante, toda a composição, a trilha sonora e todo o significado que ela representa para toda a história, um belíssimo final, uma belíssima sequência.



05º. Vida de Casado (Up- Altas Aventuras, 2009)
direção de Pete Docter


O grande erro da animação "Up" foi ter feito uma introdução tão perfeita, não havia como todo o resto do filme acompanhar o nível de excelência que a introdução alcançou. O início da obra é prova de um trabalho primoroso, onde conhecemos a vida de um rabugento senhor, Carl, desde sua infância quando forjava grandes aventuras, quando conhece sua grande amiga, Ellie, quando crescem e se apaixonam, quando começam a fazer planos juntos, quando se casam, quando descobrem a felicidade de estar com alguém que se ama, até a morte dela, e assim, também, o fim de sua felicidade. Ao som da maravilhosa trilha sonora de Michael Giacchino, a canção é incrível e eleva ainda mais o nível daquela sequência, vemos ainda uma animação riquíssima, mas o que acaba chamando tanto a atenção, é o roteiro, tão inteligente, tão bem elaborado, que em pequenas cenas consegue nos encantar como poucos filmes inteiros conseguiram e nos emociona pela sensibilidade e delicadeza com que trata a infância daquele senhor e de sua dolorosa perda.



04º. Pela Última Vez (Toy Story 3, 2010)
direção de Lee Unkrich


[spoilers] A saudade é um sentimento difícil de definir, de explicar, é tão complexa que nem mesmo no vocabulário norte-americano existe. Eis que uma cena surgiu e conseguiu através de imagens definir exatamente o que é saudade. No final de "Toy Story 3" o personagem Andy aos 17 anos de idade resolve brincar pela última vez com seus brinquedos, para a felicidade de Woody e sua turma. Durante os três filmes de Toy Story vemos este mesmo Andy crescer, e sofremos quando na última parte, ele tão interessado na faculdade e nas responsabilidades chatas da vida adulta esquece de sua infância, assim, esquecendo de seus brinquedos que passam o filme inteiro querendo apenas uma coisa, chamar sua atenção, eis que no final (e que final!!) Andy resolve dar uma chance a si mesmo, sem medo de parecer ridículo, reviver aqueles anos dourados, reviver um tempo que ficou para trás e por nada poderá retornar. A cena é de uma beleza rara nos cinemas, não há como não se emocionar com ela.



03º. O Final do Sonho Lúdico (Vanilla Sky, 2001)
direção de Cameron Crowe


[spoilers] Outra cena memorável de Cameron Crowe, que constrói um belíssimo final na adaptação do longa espanhol "Abre Los Ojos", conseguindo superá-lo principalmente pela sua parte final, onde o personagem de Tom Cruise, David, chama o suporte técnico para dar um filme em seu sonho lúdico, onde durante um bom tempo viveu uma vida perfeita, entretanto para acordar deste sonho, David teria que enfrentar seu maior medo, ou seja, a altura, e para isso ele é levado para o terraço de um gigantesco edifício. É neste cenário, sob o céu de baunilha, que David descobre toda a verdade, é onde também que se despede de sua grande paixão (Penélope Cruz). Toda a revelação e as despedidas, juntamente com o belíssimo pano de fundo e uma canção emocionante de Sigur Rós, Crowe constrói o ambiente perfeito para um final perfeito, com belíssimos diálogos, toda a cena tem um clima de adeus, e encanta. É como um sonho inesquecível.



02º. "Quando foi a última vez que você viu Dave?" (Sobre Meninos e Lobos, 2003)
direção de Clint Eastwood


[spoilers] Umas das melhores obras de Eastwood, sem sombra de dúvida. Um filme marcante e tocante, com direito a um final surpreendente. A cena escolhida foi exatamente a última do longa, onde as personagens de Kevin Bacon e Sean Penn discutem sobre os últimos acontecimentos, sentados na calçada, eis que surge a pergunta "Quando foi a última vez que você viu Dave?". Parece uma simples pergunta, mas para quem viu o filme sabe a importância dela e a dor e o peso que ela implica, mais forte ainda é sua resposta, dada por Jimmy (Penn), quando aponta seu dedo para frente e diz que a última vez que o viu fora na infância. Neste momento, Jimmy deixa de revelar algo muito importante, muito mais do que isso, ele diz uma triste verdade, a de que Dave (Tim Robbins) nunca mais conseguira ser o mesmo desde que fora sequestrado pelos "lobos". Enfim, só assistindo para compreender o peso que este simples diálogo trás.



01º. A Última História (Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas, 2003)
direção de Tim Burton



Decidir a melhor cena da década não é uma tarefa fácil e também está longe de ser uma verdade absoluta. Todas as cenas citadas possuem sua importância. Esta, do filme "Big Fish", que considero o melhor trabalho de Tim Burton, acredito que é uma das que mais me emocionou nesta década, principalmente pelo significado que ela tem perante toda a história. Neste momento, Will Bloom (Billy Crudup), que depois de ter renegado sua vida inteira as histórias "mentirosas" de seu pai (Albert Finney), ao vê-lo em seu leito de morte, decide entrar na brincadeira, e enfim contar sua história. A história de que salvaria seu pai, de que eles correriam de carro pela cidade e que ele o carregaria até um lago, cercado por uma floresta, é neste momento em que entramos na imaginação de Will que estivera fechada o filme inteiro, é neste momento em que vemos todas aquelas personagens, criação ou não de Edward Bloom (Ewan McGregor), vemos o gigante, as gêmeas siamesas, o dono do circo, a bruxa, e toda a estranha população de Espectro, enfim, todas as história de Bloom, ali reunidas, ao som da belíssima trilha sonora de Danny Elfman. Esta cena é tão grandiosa, tão bela, tão tocante, jamais consegui esquecer, e por isso, o primeiro lugar.


quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Crítica: Compramos um Zoológico (We Bought a Zoo, 2011)

Cameron Crowe. Nome por trás de grandes obras do cinema como "Quase Famosos" e "Vanilla Sky", retorna depois de seis anos sem lançar um filme, com a história real de Benjamin Mee, um jornalista que resolveu comprar um zoológico, em formato típico "filme para toda a família", o diretor realiza aqui seu trabalho menos autoral, mas ainda assim, emocionante. 

por Fernando Labanca

Antes de mais nada, sou um admirador do trabalho de Cameron Crowe, aliás, foi o elemento que convenceu a assistir este longa, o vejo como um dos melhores diretores de cinema e seus filmes listam entre os melhores que já vi, fato. Então, sou bastante suspeito para analisar sua obra. Mais uma vez ele trabalha com a comédia dramática se destacando, como sempre, a belíssima trilha sonora, marca registrada em sua filmografia. 

Baseado numa inusitada história real, conhecemos o jornalista Benjamin Mee (Matt Damon), que escreve artigos sobre grandes aventuras, mas passa por um momento delicado em sua vida pessoal, perdeu sua esposa e tem de lidar com o luto e ainda dar força para seus filhos, a pequena e doce Rosie (Maggie Elizabeth Jones) e o adolescente revoltado Dylan (Colin Ford), com quem tem uma relação bastante conturbada. Decidido a ter uma vida nova, recomeçar e tentar encontrar a felicidade em outro lugar, já que tudo a seu redor o lembra sua esposa, enfim encontra um local, a casa perfeita, longe de tudo, o problema é que ela já estava habitada, por animais.

Um zoológico abandonado com mais de 200 espécies selvagens e que só se reergueria com um novo dono, e essa era a condição do local, e sem experiência alguma, Benjamin se torna o dono do zoológico e vendo toda aquela nova situação o ambiente perfeito para se reerguer como pessoa e como pai. Junto com a casa e os animais, havia também um pequeno grupo de trabalhadores, como a zeladora Kelly Foster (Scarlett Johansson) que passa a guiá-lo e a jovem Lily (Elle Fanning), a "menina boba da roça" que se apaixona rapidamente por Dylan, sem saber que a grande vontade dele é dar o fora do lugar. 


Há frases que definem todo um filme, neste caso, uma dita por Benjamin "Tudo o que você precisa é vinte segundos de coragem insana, literalmente vinte segundos, e eu prometo que resultará em algo grandioso". É exatamente sobre isso que Cameron Crowe coloca em discussão, a coragem de se arriscar, seja em algo patético, algo em que todos irão dizer milhões de razões para não fazê-lo, mas faça, se arrisque, uma simples ação corajosa pode dar grandes resultados, gerar muitos frutos, pode salvar toda uma vida. Comprar um zoológico é exatamente o que ninguém sonha em fazer e foi exatamente o que ele fez e foi exatamente o elemento que salvou sua vida. E assim como todos os filmes de Crowe, as lições são valiosas, e você terá vontade de estar com um caderno para anotar os belos diálogos. Além, é claro, de falar sobre a dor da perda e nos mostra com bastante delicadeza esta trajetória de luto das personagens, e emociona sem ser melodramático e sem forçar o público a cair em lágrimas, emociona na dose certa e diferente de filmes como "Reencontrando a Felicidade", aqui, aqueles que perderam quem amava tentam de fato reencontrar a felicidade.

Chegou ao cinema há uma semana e já é conhecido como "filme de férias", aquele filme que agradará toda a família e que daqui alguns anos estará na "Sessão da Tarde". Sim, o que de fato é. No entanto, consegue como poucos filmes ser infantil na medida certa para agradar os mais pequenos, mas ao mesmo tempo sabe ser filosófico e inteligente capaz de agradar os mais adultos, tarefa difícil. Admiro a forma como Cameron guiou o longa, sua infantilidade não incomoda, é um ótimo filme para as férias e quando estiver na sessão da tarde, sem sombra de dúvida, será o melhor da programação. Os animais mostrados provavelmente encantarão os menores, e para minha felicidade não surgem na tela fazendo caras e bocas e agindo de forma humana forçando o humor, surgem de forma natural. Há toda uma atmosfera criada, a vida com animais, a relação homem-natureza, enfim, há todo um belo clima que convence e não soa forçado.

Matt Damon me surpreendeu, construiu um ótimo protagonista, realiza grandes cenas, convence desde sua relação com o irmão, interpretado por Thomas Haden Church, com quem tem boa química, até com os mais pequenos, convenceu como pai, e convenceu como o homem completamente perdido neste cenário. Destaque para uma grande cena, onde ele tem uma dura discussão com seu filho, interpretado por Colin Ford, que também surpreende, cheguei a arrepiar. A pequena Maggie Elizabeth Jones é incrivelmente doce e meiga, tem uma atuação notável, não faz a tipica criança-adulta, e por isso chama mais a atenção. Ainda temos Patrick Fugit, um dos trabalhadores e que fez o alter ego de Cameron Crowe em "Quase Famosos", o que explica sua presença aqui, logo que não faz muita coisa em cena, e a bela Elle Fanning, numa personagem bem diferente do usual, eu diria, gostei da forma como ela fez sua personagem e mesmo não tendo tanto espaço, se destaca (que aliás, provou este ano ter guiado sua carreira bem melhor que sua irmã, Dakota, cada vez mais perdida). E Scarlett Johansson, deixando de lado seu lado mais sexy e praticamente sem maquiagem, aparece mais masculinizada, mas ainda assim, bela, e se sai bem. 

Destaque para a trilha sonora de Jónsi, vocalista da banda islandesa Sigur Rós, elevando e muito o nível do filme, graças a ela, algumas sequências são um verdadeiro espetáculo, vale citar a belíssima canção "Hoppípolla", tocada na cena final. Boa trilha sonora, muito filmes possuem, a diferença é que Cameron Crowe sabe como pouquíssimos cineastas manuseá-las de forma tão competente. O longa peca pela falta de conflitos durante a projeção, há sequências que parecem que nada está realmente acontecendo e também por forçar um relacionamento entre as personagens de Damon e Johansson, o que de fato não há química nenhuma entre eles, teria terminado melhor se terminassem como amigos, teria sido mais maduro e surpreenderia por isso, mas infelizmente se rende ao óbvio, além de tentar ser engraçado em algumas passagens, mas falha, as partes mais dramáticas se destacam. Mas no geral, um filme adorável, bem família, que sabe emocionar e encantar facilmente, devido a trilha sonora e a direção impecável de Cameron Crowe que tem o dom de transformar um simples ato do cotidiano numa cena grandiosa. Há boas intenções, boas frases de efeito e idéias nada inovadoras, entretanto, tão bem realizadas que vale a pena ser admirada. Não é tão bom quanto os outros trabalhos do diretor, mas ainda assim, um trabalho notável. Recomendo.

NOTA: 8





terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Crítica: Os Agentes do Destino (The Adjustment Bureau, 2011)


Philip K.Dick é um nome forte por trás das grandes ficções ciêntíficas do cinema, veio de seus livros grandes obras como "Minority Report - A Nova Lei" e o clássico "Blade Runner - O Caçador de Andróides". A adaptação da vez foi "Os Agentes do Destino", com direção e roteiro de George Nolfi, que por sua vez, escreveu "O Ultimato Bourne" e trás deste seu último projeto, a agilidade e inteligência capaz de prender o público numa história um tanto quanto inovadora.

por Fernando Labanca

Philip Dick durante sua vida nunca teve seu devido reconhecimento, somente após sua morte suas obras passaram a ser adaptadas para o cinema e hoje é visto como fonte de boas idéias, em "Os Agentes do Destino", isso não é diferente, George Nolfi encontrou a trama certa para realizar uma ótima ficção ciêntífica mesclada com romance. 

Assim como em "Matrix", o filme questiona a realidade, e trás como premissa a existência dos "agentes do destino", homens vestidos de preto e chapéus, que ajudam a ajustar a vida seguindo um plano. Todos nós somos predestinados a algo em nossas vidas, e o que esses homens fazem nada mais é que impedir que o acaso estrague nossos caminhos, nem que para isso, precisamos perder um ônibus, ou perder a hora de acordar para que nossas vidas acompanhem o plano maior, o nosso destino. O filme se inicia, quando o plano de vida de David Norris (Matt Damon) dá errado. 

David é um político promissor que está se candidatando a senador, mas acaba se envolvendo em alguns escândalos, é quando conhece a bela dançarina, Elise (Emily Blunt) que o inspira em seu discurso de derrota, e este grande discurso impulsiona sua carreira. David perdera sua família, vivia sózinho e via na política o desejo utópico de salvar o mundo e preencher o vazio que sentia, a política era seu destino, o mundo precisava dele. O problema é que ele se reencontra com Elise, os dois se apaixonam, e ela passa a ser aquele elemento que o faria feliz, aquele elemento que preenche o vazio de sua vida, o que foge completamente do plano. É quando entra em ação os "agentes do destino", pois David e Elise não estavam predestinados a ficarem juntos, mas eles falham mais uma vez, e David descobre a verdade sobre os agentes, é então que eles lhe revelam toda a verdade, a de que eo político não poderia ficar com a dançarina, ele precisaria seguir o destino que já estava escrito, caso contrário, todo o seu ser seria apagado, suas lembranças e tudo o que ele conhecia de si. Mas o amor fala mais alto, e David vai contra seu próprio destino, correndo risco de vida, simplesmente para estar ao lado daquela mulher que ele tanto amava.


Uma mistura interessante de ficção ciêntífica com uma história de amor, a mistura dá muito certo, e o roteiro brilhantemente escrito por George Nolfi, tanto nos empolga com as cenas de aventura e ação, além de nos encantar com a genialidade das idéias, nos encanta com o casal de protagonistas, o que mostra o quão melhor é este filme comparado com tantos outros do mesmo gênero, por conseguir se expandir, ir além do que estamos acostumados a ver e ter um texto bom capaz de convencer em todas suas vertentes. A história de amor é bela, toda aquela idéia de que o casal não poderia ficar junto trás bons conflitos para a trama, torcemos para para o casal, principalmente devido a boa atuação dos atores, Matt Damon e Emily Blunt, ambos muito carismáticos e juntos nos mostram uma deliciosa química, a atriz vai mais além por dançar na tela, mostrando seu grande empenho pela personagem. No quesito ação, "Os Agentes do Destino" não decepciona, as cenas de perseguições são incríveis, devido a ótima edição e direção ágil de Nolfi, ajudado pela genial triha sonora de Thomas Newman. Destaque para as boas sacadas, como a utilização de portas para se trasportarem de um lugar para outro em questão de segundos, entre outras boas idéias que o bom roteiro soube explorar. 

É sempre muito bom se deparar com obras como esta, diria que foi uma grata surpresa que tive este ano. "Os Agentes do Destino" sem sombra de dúvida mostrou uma das melhores idéias que passou pelo cinema, a premissa da existência desses "agentes" é genial, que interfere em nossa realidade, que durante aqueles minutos nos faz refletir sobre nossas escolhas e o quão sentido faria se eles realmente existissem. O filme fala sobre livre-arbítrio, onde somos donos do nosso próprio destino, somos donos de nossas escolhas, mesmo que alguns digam o que devemos ou não fazer, só cabe a nós decidir qual caminho seguir. Uma obra original, cheia de bons detalhes, capaz de agradar um público bem variado. Supreende por diversos elementos, gostei dos diálogos, de como toda a ação acontece, a maneira inusitada de como o casal se conhece, achei interessante também os próprios agentes do destino, que de imediato parecem vilões de desenho infantil, surpreendem pelas atitudes, mostrando a maturidade do roteiro, destacando assim, os coadjuvantes Anthony Mackie e John Slattery. Peca, assim como muitas obras vem pecando nos últimos anos, num clichê que vem se tornando moda, a de ter o protagonista como narrador de sua própria trajetória, como se o público não fosse capaz de analisar e refletir as ações tomadas por ele, dando assim, um final mastigado, com direito a narração em off da lição de moral na última cena, não fica feio, até funciona, mas os realizadores precisam saber que o público é capaz de pensar e chegar nas conclusões sózinhos.

NOTA: 9






segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Crítica: Se Beber Não Case - Parte II (The Hangover Part II)

Continuação do grande sucesso de 2009, "Se Beber Não Case", e ainda com direção, roteiro e produção de Todd Phillips, o longa trás as mesmas idéias do primeiro filme, só que tendo como cenário a Tailândia. Outro diferencial é o fato de ser muito mais nojento, grosseiro e apelativo que o original.

por Fernando Labanca

Depois das loucas aventuras em Las Vegas, o trio de amigos Stu (Ed Helms), Phil (Bradley Cooper) e Doug (Justin Bartha) estão prestes a embarcar em uma nova viagem, isso porque o dentista Stu vai se casar com Lauren (a belíssima Jamie Chung), e respeitando a idéia da família da noiva, o casamento seria na Tailândia. Tudo ocorria bem até que o noivo, que até então evitara uma despedida de solteiro para não se envolver mais em confusões, é obrigado a convidar para a viagem o cunhado de Doug, Alan (Zack Galifianakis) que sofre por não esquecer os grandes momentos que teve com seu "trio de lobos".

Mas eles encontram novas confusões quando, depois de algumas bebidas, acordam longe de tudo, num local desconhecido, com outros costumes e outras leis. O problema maior é que desta vez perdem de vista o cunhado de Stu, jovem estudioso e queridinho do pai (Mason Lee), e tudo vai caminhando para o verdadeiro caos, quando reencontram com o mafioso Chow (Ken Jeong) e descobrem que ele os meteu em uma grande enrascada, envolvendo uma dívida milionária com o chefão Kingsley (Paul Giamatti). Então Phil, Stu e Alan tentam relembrar o passado através de pequenas pistas até que conseguissem resolver os problemas, mas principalmente, reencontrar com o cunhado e voltar para o casamento a tempo...e a salvo. 


A história é basicamente a mesma do primeiro. Ás vezes parece que o roteiro fez questão de ser o mesmo, logo que já na primeira cena nos deparamos com o mesmo ocorrido, a mulher de Doug conversando com Phil pelo telefone e ele avisando que tudo ocorrera mal, é quando o filme se desenvolve até encontrar aquele ponto da conversa e descobrimos os porquês de tudo ter dado errado. Eles só trocaram o cenário, de Las Vegas para Tailândia, e a grande vítima, o que antes era Doug, interpretado por Justin Bartha, que dessa vez faz ponta em papel dispensável, aqui é o cunhado de Stu. E ainda há problemas com mafiosos, strippers e animais. O filme também finaliza exatamente da mesma forma, com os amigos revendo as fotos reveladoras. Se a intenção era fazer com o que o público que admirou o primeiro se identificasse com a sequência, acredito que isso poderia ser feito simplesmente mantendo o bom nível do humor e do roteiro, mas sem a necessidade de copiá-lo, o que de fato, há uma cópia no formato, Todd Phillips utiliza as mesmas fórmulas, ainda com elementos criativos, mas nada inovadores e longe de serem tão bons quanto o original. 

O elenco mais uma vez agrada, Bradley Cooper é carismático e bom ator, Ed Helms e Zack Galifianakis dão o tom da comédia, sabem ser engraçados, divertem facilmente e na tela, desenvolvem muito bem seus personagens. Mais uma vez, Justin Bartha, dispensável, realmente não entendi sua presença e o roteiro nem se esforça para criar um elo entre ele e todo o resto da trama. Há boas presenças de Paul Giamatti e a surpreendente aparição do diretor Nick Cassavetes. Ainda há Ken Jeong, engraçado, mas infelizmente vem dele uma das piadas mais forçadas e apelativas que vi nos últimos anos. Que aliás, este foi o grande erro de "Se Beber Não Case 2", ser apelativo, e junto com a apelação, ser grosseiro e porque não, nojento. Vai muito além de ser um filme para não se ver com a família, vi sózinho e ainda assim me senti constrangido, além da grande maioria das piadas não serem engraçadas, o roteiro se utiliza do humor de mais baixo nível possível. 

Ainda há boas cenas, se destacando a variedade de cenários, direção eficiente de Todd Phillips, bela fotografia, ainda uma trilha sonora bem realizada e que se comunica bem com as imagens e atores carismáticos e competentes nos papéis principais, entretanto, o que se destaca em "Se Beber Não Case 2" são elementos desagradáveis, de um humor fraco, apelativo, que constrange e que não trás nada de novo para o cinema assim como o primeiro filme fez. Teria sido um bom filme, mesmo que copiasse o mesmo formato do original, mas que levasse dele também, a inteligência do humor e que prendesse a atenção do público pela genialidade das idéias, pelas boas sacadas, não pelo exagero, pelo humor forçado que perde sua graça justamente por apostar na grosseria. Não Recomendo.

NOTA: 4,5

[Crítica: Se Beber Não Case]


quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Crítica: A Mentira (Easy A, 2010)

Indicado a Melhor Atriz Comédia no Globo de Ouro 2011 pela performance de Emma Stone, o longa que tem como principal referência a obra "A Letra Escarlate" de Nathaniel Howthorne, onde o roteiro a adapta para a atualidade, tendo como cenário um colégio norte-americano, com direito a jovem que se sente invisível, líderes de torcida, mascote de jogos de basquete, jovens "religiosos" e conservadores. Acha que já viu esse filme? Pois não se engane, provavelmente você nunca viu nada igual.

por Fernando Labanca

Neste colégio já citado acima, é onde estuda Olive (Emma Stone) aquela que se sente invisível, não se encaixa em nenhum grupo e tem apenas uma grande amiga, a desavergonhada Rhiannon (Aly Michalka), e para se sentir tão "importante" quanto a amiga, Olive mente sobre um encontro com um rapaz e vai além, mente que nesse mesmo encontro perdeu sua virgindade. O problema é que a metida a religiosa Marianne (Amanda Bynes) ouve a conversa e espalha que a jovem não é mais virgem, sendo assim, assunto de todo o colégio, deixando de um dia para o outro de ser a garota que ninguém vê para a garota sem pudores. 

Entretanto, se vendo finalmente como popular, Olive tenta usar este boato a seu favor, e vê a chance perfeita para isso quando seu amigo gay pede sua ajuda para forjar um encontro com ele, para que pudesse desmentir sobre sua homossexualidade e ficar com fama de garanhão. Este plano ganha fama, depois, vem os gordinhos e os caras estranhos que não conseguem ficar com ninguém, e passam a pagar para ela fingir encontros. Entretanto, tudo acaba indo longe demais, ficando cada vez mais impossível reverter a situação e salvar enfim sua reputação.



Basicamente, a história é essa, bem basicamente, logo que o roteiro bem esperto de Bert V. Royal vai muito além disso, há a inserção de inúmeras personagens que entram em cena de maneira inteligente e se desenvolvem muito bem na trama. Desde os estranhos pais de Olive, interpretados por Patricia Clarkson e Stanley Tucci, ao cara que é afim dela, Penn Badgley (o mocinho de Gossip Girl), pois é claro, não poderia faltar o romance, mas até nessa parte o filme acerta, a maneira como eles se conhecem é interessante. Ainda temos a boa presença de Thomas Haden Church como professor de Olive e sua esposa, Lisa Kudrow que surge de repente na trama, mas que eleva o nível, numa personagem crucial para o desenvolver da história e surpreende pelas suas atitudes. Enfim, um grande ponto positivo de "A Mentira" foram as personagens, que de início parecem caricatos e copias de filmes adolescentes, surpreendem ao decorrer da trama.

"Easy A" é uma comédia bastante original, que pega como cenário um colégio norte americano, insere todos os estereótipos possíveis do gênero, e os distorcem, tem como base o óbvio, mas já nas primeiras falas temos a certeza de que mostraria algo um tanto quanto inovador. O modo irônico e satírico como a protagonista enxerga as coisas, inclusive sua própria desgraça, os pais que não fazem os típicos bons exemplos e não tentam converter a filha e toda a maneira como a trama vai sendo desenvolvida, com diálogos ágeis e cheios de referências, sendo uma das melhores, a citação de John Hughes, criador de clássicos como "Curtindo a Vida Adoidado" e "O Clube dos Cinco". O diretor Will Gluck (Amizade Colorida) fez um grande trabalho, num filme dinâmico e cheio de estilo.


O longa trata se assuntos interessantes e mesmo levando tudo no [bom] humor deixa espaço para boas reflexões. A protagonista é extremamente interessante, e ver como ela não se assusta com sua má reputação nos relembra os anos de colégio e como ter má reputação é o que no fundo todos querem, o filme nos mostra isso, o como os bons valores estão revertidos neste nova sociedade, o como ser taxado de pegador é tão importante para os homens e como é importante para as mulheres provarem a todos de que não são santas. O como as pessoas se importam em encontrar uma definição para as outras, em descobrir se fulano é gay ou se fulana perdeu ou não a virgindade, o que tira completamente a liberdade de sermos quem queremos ser, pois a todo momento, é como se devêssemos uma explicação a alguém. Também vemos aquele já citado bullying que é inserido na trama mais uma vez de forma inovadora, sem querer ser moralista, simplesmente mostrando que existe e que querendo ou não, pessoas sofrem com ele. 

Entre tantos pontos positivos, ainda há um outro grande elemento, Emma Stone. Simplesmente magnífico o que esta atriz nos proporciona, carismática, versátil, domina seu texto, sabe ser cômica, mas também manda muito bem nos momentos mais sérios, enfim, se mostra aqui, uma incrível atriz, muito merecido suas premiações pelo papel. O restante do ótimo elenco, também se destacam, para minha surpresa, até mesmo Amanda Bynes e Cam Gigandet. A trilha sonora também fora outro bom ponto da obra, chegando na tela em quase todas as cenas, dando um bom ritmo para o filme, destaque para a incrível sequência de Stone cantando "Pocketful of Sunshine" de Natasha Bedingfield e a divertida relação que a personagem tem com a canção, além das boas músicas de Death Cabe for Cutie e One Republic, entre outras.

Um filme ágil, divertido, com um incrível roteiro, cheio de boas referências e boas idéias. Original, criativo, com bons personagens e incríveis atores em cena. Infelizmente aqui no Brasil, fora lançado diretamente nas locadoras, perdendo grande público que poderia ter ganho. E mesmo se tratando de uma comédia adolescente, o londa de Will Gluck trás inteligência a poderá agradar os mais exigentes, talvez o fato de não ser uma obra muito convencional e ter inúmeras citações de nível elevado explique o fato de não ter chegado aos cinemas. Mas para aqueles que querem ver mais do mesmo, "A Mentira" também se entrega ao casal romântico, e que talvez essa tenha sido sua maior falha, ter criado todo um universo original, mas se render ao óbvio em sua finalização, dando o final feliz que o público gosta de ver. Ainda assim, recomendo.

NOTA: 8,5





quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Crítica: Contra o Tempo (Source Code, 2011)

Ano passado, chegou, diretamente nas locadoras aqui no Brasil (até hoje não entendi o porquê) uma, digamos, obra prima da ficção ciêntífica mas que pouco se teve notícias, "Lunar", com a grande atuação de Sam Rockwell e a revelação por trás das câmeras do filho de David Bowie, Duncan Jones, como diretor. Este ano, ele lança seu segundo filme, "Contra o Tempo", com Jake Gyllenhaal como protagonista, muito mais próximo de ser um blockbuster do que sua primeira obra, Jones ainda tenta, por mais difiícil que seja no cinemão de Hollywood, levar um pouco de inteligência, item bastante em desuso nos filmes do mesmo gênero. 

por Fernando Labanca

No filme, conhecemos o Capitão Colter Stevens (Gyllenhaal) que faz parte de um projeto ultra-secreto do governo norte-americano, o "Source Code", onde ele é a peça chave para tudo, somente ele trará as revelações que evitariam um atentado terrorista. Um ataque acontece perto de Chicago em um trem e todos os passageiros morrem e o autor do crime anuncia um próximo ataque dentro de seis horas, a função de Stevens é entrar no corpo de uma das vítimas, e graçás a esse programa, ele é capaz de tomar sua identidade e em apenas oito minutos viver como se estivesse naquele trem, e assim, descobrir quem cometeu tal atentado.

Colter, só conseguiria sair dessa "vida em 8 minutos" após concluir sua missão, mas ele se torna um problema para as autoridades quando começa a questionar sua função, tudo piora, quando conhece uma das passageiras, Christina (Michelle Monaghan) e se apaixona por ela. E a cada vez que retorna para este mundo, todas as ações se repetem mas de formas diferentes, é então, que ele passa a refletir se sua missão pudesse ir além do que apenas descobrir o autor do crime, e se ele fosse capaz de salvar a vida daquelas pessoas? E se aquilo fosse realmente uma realidade paralela que pudesse ter um novo fim?


A trama é simples, uma ação acontece no começo do filme e o que vemos até seu término é uma repetição de uma mesma sequência, com ações alteradas. E é exatamente nesse ponto que o roteiro, assinado por Ben Ripley, acerta, logo que mesmo se tratando de uma "mesma cena" o filme não cansa, não sentimos a repetição, muito pelo contrário, as mudanças feitas a cada novo acordar de Colter Stevens nos envolve, foi realmente complicado conseguir prender o público numa trama centrada no mesmo cenário, mas o roteiro e a direção eficiente de Duncan Jones salvam o projeto, longe de ser um fiasco, o que poderia muito bem ser nas mãos de profissionais errados. O milagre do roteiro também consegue nos aproximar das personagens, nos sentimos na pele do Capitão, sentimos a aflição que aparentemente o capitão sentia, além de nos convencer na relação que ele mantém por 8 minutos com Christina, logo que a cada vez que acordava, era como se retornasse no tempo onde somente a sua memória era intacta. 

Sem grandes efeitos especiais, essa é a ficção ciêntífica de Duncan Jones, mais uma vez nos servindo uma obra de qualidade, que não apela pelo visual, mas sim pelo seu bom conteúdo. Consegue algumas vezes ser complexo, por parecer ser uma viagem no tempo, mas não é, o que também não se trata de uma criação de uma realidade paralela, era uma viagem na memória de alguém que morreu, onde todos os acontecimentos são frutos das lembranças de uma vítima e toda aquela cena teria apenas oito minutos de vida. Entretanto, é neste mesmo momento em que o roteiro mostra sua falha, onde nos entrega um final que foge completamente de sua premissa inicial, um final bonito, que de certa forma emociona. Sim, Dunca Jones nos entrega um "final feliz", não achei ruim, até gostei das ideias mostradas, mas não há coerência com o que nos fora explicado, em outras palavras, é belo, mas foge da lógica. Por outro lado, é compreensivel esse final que "o público gosta de ver", logo que Jones não teve chances com seu complexo "Lunar", teria que vender seu produto, esse foi o sacrifício, servir a Hollywood, isso explica também o fato do filme ser tão bem explicadinho, sem lacunas para o público preencher. Porém, ainda vejo sua obra como algo que caminha paralelo ao que o cinema blockbuster hollywoodiano produz, no que diz respeito a filmes de fição ciêntífica e ação. Há inteligência e por isso, vale a pena ver. 

As atuações estão corretas, Jake Gyllenhaal agrada como protagonista, assim como Michelle Monaghan, carismática, e mesmo que sua personagem tenha poucos minutos de vida, consegue convencer. Ainda temos Jeffrey Wright como o ciêntísta criador do Source Code, mas infelizmente cria uma personagem extremamente caricata. Destaque para Vera Farmiga, que é quem conversa com Colter Stevens sobre sua missão, bela em cena e que surpreende pela delicada atuação e pela personagem muito bem escrita que vai além do óbvio. Boas cenas, algumas sequências de tirar o fôlego, boas perseguições, algumas sequências belas como aquela onde o tempo para e todos os passageiros ficam estáticos, simples, mas uma das melhores do longa. Ótimas idéias vindas de um ótimo roteiro, um alívio para quem curte filmes de ação mas ainda assim procura uma obra que exige um pouco mais do cérebro. Recomendo.

NOTA: 8,5