segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Crítica: Carros 2 (Cars 2, 2011)

Indicado ao Globo de Ouro 2012 como Melhor Animação e continuação do sucesso da Disney Pixar "Carros" de 2006, o longa ainda conta mais uma vez com a direção de John Lasseter. Visualmente impecável, o filme trás muito mais ação que o primeiro, por outro lado, uma trama bem mais fraca. 

por Fernando Labanca

Nesta sequência, Relâmpago McQueen, após vencer quatro Copa Pistão, retorna a Radiator Springs onde reencontra com sua grande equipe e seu 'mior' amigo, Mate. Lá, ele fica sabendo sobre uma nova competição, o Grand Prix Mundial, no qual os competidores usariam pela primeira vez um combustível renovável, o Alinol. Refletindo sobre nunca levar seu amigo ao seu lado nas competições, McQueen decide levar Mate, mesmo conhecendo seu dom em arranjar encrenca. A primeira parada é Tóquio, e é onde Mate é confundido com um espião americano, que tem como principal função descobrir o paradeiro e os verdadeiros planos do terrível ciêntista Professor Zündapp. Quem está a frente desta missão é o famosos espião Finn McMíssil e Holley, uma sedutora máquina que faz com que Mate acredite estar tendo um caso e é por ela que ele vai se infiltrar nesta busca, sem ter a mínima noção aonde exatamente está enfiando seu guincho.

Até hoje me lembro quando assisti "Carros", o primeiro, nos cinemas. Foi uma experiência ótima. Um filme inteligente, sensível, bem realizado, divertido e com grandes lições de moral. Ainda o vejo como uma das melhores animações já feitas. Entretanto, nada justifica sua continuação, além do fato do primeiro não deixar pontas soltas para uma sequência, este segundo filme não prova em nenhum momento o porquê de ter sido feito. Nada que fez o original ser tão bom, desde sua história, suas personagens tão carismáticas retornam aqui. Tentaram fazer um filme de animação baseada no gênero ação, com explosões, fugas e espionagem, que tenho que admitir tem muito a ver com este universo criado, a dos carros, no entanto, nada disso se relaciona com o que havia sido feito no primeiro, não há nenhuma ligação, toda aquela idéia maravilhosa que inseriram no original aqui se perde. O que antes era uma comédia bem humorada mesclada com um drama que conseguia sem grandes esforços emocionar o público, agora, é um filme vazio de ação. 

Nesta sequência o protagonista é Mate, o que de início parece uma ótima jogada, logo que no primeiro, o coadjuvante roubava as cenas, logo vemos que foi uma grande roubada. Resumindo, Mate em pequena dose é incrível, em exagero, cança e se torna chato, irritante. Acabamos que sentindo falta do todas as outras personagens, de McQueen até os moradores de Radiator Springs que aqui fazem ponta, e em seus lugares são colocadas personagens que não possuem o mesmo carisma e por isso não empolgam. 


Quanto a técnica de animação, "Carros 2", mais uma vez, está impecável. Não há como não se deslumbrar com os cenários, todas as viagens feitas, de Tóquio a Londres, é tudo extremamente bem cuidado, quase que real. Há muita criatividade em cena, o roteiro consegue criar uma nova cultura, a cultura dos carros, a maneira como agem em diversas situações, onde cada pequeno detalhe parece fazer toda a diferença. E por este belíssimo visual, acaba que valendo a pena assistí-lo. O filme ainda conta com a boa trilha sonora de Michael Giacchino.

Um filme criativo, não há como negar. Entretanto muito fraco perto da grandiosidade do original. Acho interessante o fato de criarem algo completamente novo, é muito fácil fazer uma sequência repetindo a mesma fórmula, isso, aqui, não acontece. Porém, neste início de uma nova trama, "Carros" acaba que perdendo a identidade, aquelas belas lições de moral, da simplicidade, de dar valor as pequenas coisas da vida, enfim, são completamente ignoradas, toda aquela sensibilidade e maturidade, se perdem também, dando espaço para uma história cansativa, imatura e confusa. Ainda há boas mensagens como "a mudança não deve ser de você para ser aceito e sim do olhar daqueles que te julgam", mas a impressão que se dá é que a colocaram para dar algum sentido a sua trama fraca. Acaba que não indo muito além de uma aventura sem graça, onde a ação exagerada que não empolga é bastante explorada enquanto a inteligência que vimos até hoje em todos os filmes da Pixar é deixada de lado, em prol de um entretenimento barato. Enfim, há seus pontos positivos, mas não há dúvidas de que este foi o mais fraco desempenho da grandiosa Pixar. Para fechar com chave de ouro, o longa de John Lasseter ainda coloca em seus diálogos finais um polêmico discurso sobre "gasolina hoje, gasolina sempre, nada de combustível renovável". Imperdoável para um filme que tem as crianças como público alvo.

NOTA: 5



quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Crítica: As Aventuras de Tintim - O Segredo do Licorne (The Adventures of Tintin - The Secret of the Unicorn, 2012)

Baseado na obra de Hergé, "As Aventuras de Tintim" surgiu em 1929, em forma de história em quadrinhos, que posteriormente ganhou uma série animada. Série, aliás, que foi o meio pelo qual muitos brasileiros se tornaram admiradores. Com textos cheios de aventuras e perseguições, não haveria diretor melhor para transpor a história para os cinemas que Steven Spielberg, que faz deste filme muito mais do que uma simples animação, constrói um filme capaz de deixar muitos outros do gênero aventura e ação humilhados.O longa venceu recentemente o Globo de Ouro de Melhor Animação, além de Melhor Animação pelo Sindicato Dos Produtores (PGA).

por Fernando Labanca

Tintim é um jovem repórter que para escrever uma grande matéria se infiltra em grandes aventuras, para isso ele sempre conta com a ajuda de seu fiel cachorro Milu e de sua inteligência que sempre consegue perceber onde encontrar uma grande história. Isso ocorre quando em uma feira, ele compra uma miniatura de um antigo navio, o Licorne e logo após descobre que aquele objeto guardava um grande segredo, pois alguns homens passam a perseguí-lo, entre eles, o misterioso Sakharin. Por meio de suas investigações, descobre que havia três miniaturas de navios, deixados pelo falecido Capitão Francis Haddock para seus filhos, onde guardava o segredo de um gigantesco tesouro. Ao ser raptado pelo próprio Sakharin por ter atrapalhado seus planos, Tintim acaba conhecendo uma outra vítima, o Capitão Haddock, bêbado e sem noção alguma dos acontecimentos, é a grande chave para a resolução do segredo, pois é quem detém os direitos da herança de seu falecido pai e assim como Tintim está sendo perseguido. É então que o jovem repórter, Haddock e Milu embarcam numa aventura cheia de improvisos e surpresas para recuperar o outro Licorne e descobrir de vez o segredo que ele esconde.


Um filme que tem tudo para agradar os fãs da série, logo que o roteiro muito bem escrito deixa espaço para inúmeras referências, seja pelas personagens que recuperam suas características, a esperteza de Tintim, o companheirismo e fidelidade de Milu, o humor do Capitão Haddock e as divertidas investigações da dupla Dupont e Dupond, ou seja, quem o escreveu respeitou e muito os admiradores, pois tudo o que fez da série um sucesso está presente aqui e com extrema qualidade. Por outro lado, quem não acompanhava os desenhos também pode gostar do filme, pois apesar das inúmeras referências, é uma história nova, que se inicia do zero, não deixando ninguém perdido, todas as informações necessárias para a compreensão da trama estão na tela e não na memória daquele que observa. E como qualquer outra animação, o longa de Spielberg deixa espaço também para uma bela reflexão, já usada, mas ainda é válida e muito bem inserida da história, a de que não faltarão pessoas nesta vida para nos dizer o quão fracassado somos, portanto, não podemos permitir que façamos isso com nós mesmos, não podemos nos convencer sobre o nosso próprio fracasso, temos que seguir em frente e acreditar no melhor, logo que já terão pessoas para nos derrubar. 

A genialidade de "As Aventuras de Tintim" se inicia logo nas primeiras cenas. Os créditos iniciais já provam que estamos diante de algo bem realizado. Spielberg com o incrível auxílio da trilha sonora de John Williams faz uma espécie de "abertura" nos remetendo à série original, já com perseguições e vários cortes, sem deixar, ao mesmo tempo, de dar a marca Spielberg de fazer cinema, nos remetendo um pouco os créditos do excelente "Prenda-me Se For Capaz", também com composição de Williams. Logo após, vejo uma cena que "genial" é pouco para descrevê-la, onde Tintim ser ter sido apresentado à câmera, aparece oficialmente em um quadro de pintura, exatamente com os traços originais do personagem 2D, logo em seguida vemos sua face já em 3D, mostrando a diferença e meio como forma de nos convidar a entrar neste novo universo. Depois, ao decorrer de todo o filme, vemos como uma direção eficiente faz diferença até mesmo em um filme de animação, Steven Spielberg explora ao máximo o que o gênero pode alcançar, o movimento da câmera, a forma como as sequências são capturadas, a ação, a aventura, tudo com um ritmo frenético, tudo perfeitamente realizado. Um trabalho de mestre. É Spielberg mais uma vez ensinando a fazer cinema.

A técnica de animação chega ao seu ápice neste filme, com o uso de motion capture, onde capta perfeitamente os movimentos reais de um ser humano, mais do que isso, foi o primeiro filme de animação a capturar o tamanho, os traços, as proporções reais de uma pessoa, alcançando assim, um nível de perfeição quase que assustadora. Sem contar os cenários, os figurinos e os efeitos especiais que de tão reais nos fazem esquecer que estamos diante de um filme de animação. Mais uma vez, Spielberg conta com John Williams para compor a trilha sonora, indicado ao Oscar este ano, o trabalho do compositor é simplesmente fantástico. 

"As Aventuras de Tintim - O Segredo do Licorne" é sem sombra de dúvida uma das grandes animações que o cinema já vez, além de ser um grande filme de aventura como há tempo não se via, com perseguições bem realizadas, tiros, investigações, explosões, mistérios, tudo com um charme retrô, nostálgico, além de ter um roteiro brilhantemente escrito e uma direção segura feita por alguém que sabe o que faz e faz isso como ninguém. 

NOTA: 9





OBS: O 3D felizmente foi bem feito, e diferente de muitos títulos, esse vale a pena conferir.

OBS 2: A dublagem brasileira é ótima e merece destaque, onde diferente das vozes originais feita por famosos, aqui, algumas das vozes da série dublada retornam em seus papéis, mostrando ainda mais respeito pelos admiradores. 





quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Oscar 2012 - Os Indicados



Nesta última terça, dia 24, foram, enfim, anunciados os indicados ao Oscar 2012. A premiação ocorrerá no dia 26 de fevereiro.

por Fernando Labanca

O Destaque dos indicados, por sua vez, acabou surpreendendo. Enquanto "O Artista" e "Os Descendentes" seguiam até agora como favoritos, surgiu Martin Scorsese com seu "A Invenção de Hugo Cabret" com 11 indicações. Em seguida temos ainda "O Artista" com 10, logo atrás o longa que tem Brad Pitt como protagonista, "O Homem Que Mudou o Jogo", com 6 indicações. E filmes que tinham tudo para serem os mais indicados, foram pouco lembrados, além de "Os Descendentes", "Histórias Cruzadas" e "O Espião Que Sabia Demais", que correm o risco de saírem sem nenhum prêmio.

Ausência. Teve alguns títulos que surpreenderam por não estar dentre os indicados. Uma das maiores faltas foi "As Aventuras de Tintim - O Segredo do Licorne" fora da categoria Animação, sendo que o longa de Spielberg chegou em um nível que acredito eu, os outros indicados não chegaram. "Tudo Pelo Poder" de George Clooney completamente ignorado, a Academia surgiu com apenas 9 indicados, este poderia muito bem caber entre eles. Até mesmo a brilhante atuação de Ryan Gosling fora ignorada, além dos incríveis coadjuvantes, Philip Seymour Hoffman e Paul Giamatti. Por falar em Gosling, o já bastante comentado "Drive", vencedor do prêmio de Melhor Diretor em Cannes, nem sequer fora citado. Tilda Swinton e seu "Precisamos Falar Sobre o Kevin" também não teve chance. Kirsten Dunst em "Melancolia" também fez falta, o longa de Lars Von Trier também poderia muito bem ganhar algumas indicações, como Fotografia e Trilha Sonora. E acredito que Steven Spielberg merecia uma indicação como Melhor Diretor, o que ele fez em "Cavalo de Guerra" e "Tintim" poucos conseguem. Faltou "Shame" e quem sabe uma indicação para Michel Fassbender e Carey Mulligan entre as melhores atuações. Um ano de indicações fracas para Melhor Ator faltou Leonardo DiCaprio por "J.Edgar" de Clint Eastwood. E "Harry Potter" que só conseguiu três indicações técnicas, merecidas, entretanto, o filme é bom demais para ter sido ignorado em outras, mas infelizmente filmes de fantasia não tem vez no Oscar, a não ser que ele seja dirigido por Martin Scorsese. 

Vamos aos indicados...


Melhor Filme

A Árvore da Vida
A Invenção de Hugo Cabret
Cavalo de Guerra
Histórias Cruzadas
Meia Noite em Paris
O Artista
Os Descendentes
O Homem Que Mudou o Jogo
Tão Forte e Tão Perto

Faltou "Tudo Pelo Poder" e o longa de Stephen Daldry "Tão Forte e Tão Perto" caiu na lista por sorte e ninguém é capaz de explicar sua presença aqui. Consideremos 8 indicados, então. "O Homem Que Mudou o Jogo" e "Histórias Cruzadas" são os típicos filmes simpáticos que provavelmente terão mais apelo popular, não acredito na vitória deles. "Cavalo de Guerra" é bom, mas não tem chance, assim como "Meia Noite em Paris". "Os Descendentes" entrou para fechar a cota de "filme indie de comédia dramática", acho bem difícil sair vencedor apesar de ser favorito. Acredito que a disputa fica mesmo entre "O Artista" e "A Invenção de Hugo Cabret". Apostaria ainda mais no francês "O Artista", me parece ser uma obra mais ousada, a Academia não perderia essa chance. Mas o outro tem o peso Martin Scorsese, isso pode fazer a diferença.



Melhor Diretor

Alexander Payne (Os Descendentes)
Martin Scorsese (A Invenção de Hugo Cabret)
Michel Hazanavicius (O Artista)
Terrence Malick (A Árvore da Vida)
Woody Allen (Meia Noite em Paris)

Assim como na categoria Melhor Filme, a disputa aqui fica entre "A Invenção de Hugo Cabret" e "O Artista". Acredito na possibilidade de o filme vencedor não levar o de Melhor Diretor, assim como no Globo de Ouro. Martin Scorsese pode até perder como Melhor Filme, mas Diretor acredito que saia vencedor. Por outro lado, o desconhecido Michel Hazanavicius pode surpreender. 


Melhor Atriz

Gleen Close (Albert Nobbs)
Meryl Streep (Dama de Ferro)
Michelle Williams (Sete Dias Com Marilyn)
Rooney Mara (Os Homens Que Não Amavam as Mulheres)
Viola Davis (Histórias Cruzadas)

Apesar de já ter sido premiada com o Oscar em 1983 por "A Escolha de Sofia", acredito que a Academia não deixará passar em branco sua presença, depois de tantas outras indicações. Aposto em Meryl Streep.


Melhor Ator

Brad Pitt (O Homem Que Mudou o Jogo)
Demian Bichir (A Better Life)
Gary Oldman (O Espião Que Sabia Demais)
George Clooney (Os Descendentes)
Juan Dujandin (O Artista)

Ano fraco entre os indicados de Melhor Ator. Nenhum me parece chegar perto do vencedor do ano passado Colin Firth. Brad Pitt sem chance alguma, assim como o desconhecido Demian Bichir. Gary Oldman me parece bom em seu papel, mas acho difícil sair vencedor. A disputa fica entre o francês Juan Dujardin e George Clooney, a fama de Clooney pode pesar além do fato de parecer que a Academia há anos está esperando o momento de premiar o ator, só estava esperando o momento certo, e parece que este é o momento. Política pura.


Melhor Atriz Coadjuvante

Bérénice Bejo (O Artista)
Janet McTeer (Albert Nobbs)
Jessica Chastain (Histórias Cruzadas)
Melissa McCarthy (Missão Madrinha de Casamento)
Octavia Spencer (Histórias Cruzadas)

A divertida Melisse McCarthy é ótima, mas não merecia estar entre as indicadas, Bérénice Bejo e Janet McTeer podem surpreender, mas acredito que o filme "Histórias Cruzadas" acabe levando o prêmio, Chastain é ótima, mas levando em consideração o Globo de Ouro, acredito que Octavia Spencer saia vencedora. 


Melhor Ator Coadjuvante

Christopher Plummer (Toda Forma de Amor)
Kenneth Branagh (Sete Dias Com Marilyn)
Jonah Hill (O Homem Que Mudou o Jogo)
Max Von Sydon (Tão Longe e Tão Perto)
Nick Nolte (Warrior)

Assim como Melhor Ator, a lista dos Coadjuvantes não me pareceu muito interessante. Acho bem difícil Christopher Plummer não levar o prêmio, simplesmente pelo fato de sua atuação ter sido mais elogiada entre os outros indicados, além de ter levado o Globo de Ouro por esta mesma interpretação.


Melhor Roteiro Original

A Separação
Margin Call
Meia Noite em Paris
Missão Madrinha de Casamento
O Artista

Acredito que "O Artista" leve outros prêmios, como o de Melhor Filme. A Academia para não deixar Woody Allen de mãos abanando, logo que há anos o diretor não estampa entre os indicados, e há anos não fazia um filme tão bom quanto "Meia Noite em Paris", acredito que lhe dará este prêmio. Mais do que merecidamente, aliás. 


Melhor Roteiro Adaptado

A Invenção de Hugo Cabret
O Espião Que Sabia Demais
O Homem Que Mudou o Jogo
Os Descendentes
Tudo Pelo Poder


Esta categoria está mais concorrida. Apesar do favoritismo para "Os Descendentes" e "A Invenção de Hugo Cabret", os outros indicados merecem e podem surpreender. Por outro lado, para o favorito "Os Descendentes" não sair sem prêmios, a Academia pode lhe dar este.





Melhor Filme Estrangeiro

A Seperação (Irã)
Bullhead (Bélgica)
Footnote (Israel)
In Darkness (Polônia)
Monsieur Lazhar (Canadá)

"A Separação", fato. Os outros indicados foram para preencher a categoria. Faltou "A Pele Que Habito".



Melhor Animação 

A Cat in Paris
Chico e Rita
Gato de Botas
Kung Fu Panda 2
Rango

Mais uma vez, a grande ausência de "As Aventuras de Tintim" que sem sombra de dúvida merecia não só a indicação, mas como também o prêmio. E depois de anos, a Disney Pixar não estampa um título entre os indicados, dando espaço para sua maior concorrente Dreamworks com "Kung Fu Panda 2". Mas ainda acredito na premiação de "Rango".


Melhor Trilha Sonora

Alberto Iglesias (O Espião Que Sabia Demais)
Howard Shore (A Invenção de Hugo Cabret)
John Williams (As Aventuras de Tintim - O Segredo do Licorne)
John Williams (Cavalo de Guerra)
Ludovic Bource (O Artista)

A dupla indicação de John Williams é forte, tanto em "Cavalo de Guerra" quanto em "Tintim", o trabalho do compositor foi excepcional, é provável que a Academia premie "Tintim", até pela ausência na categoria Animação. Entretanto, um dos pontos altos de "O Espião Que Sabia Demais" é sua trilha sonora que pode ser o único Oscar para o filme, mas não podemos negar o favoritismo de "O Artista". Ou seja, de qualquer forma será uma surpresa esta categoria. Todos os concorrentes são fortes.


Melhor Canção Original

Man or Muppet (Os Muppets - Bret McKenzie)
Real in Rio (Rio - Carlinhos Brown e Sergio Mendes)



Melhor Efeitos Visuais

A Invenção de Hugo Cabret
Gigantes de Ferro
Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2
O Planeta dos Macacos - A Origem
Transformers - O Lado Oculto da Lua

Aposto no favorito "A Invenção de Hugo Cabret" que tem tudo para levar grande parte das premiações técnicas. Apesar de minha torcida por "Harry Potter" e por acreditar que "O Planeta dos Macacos" mereça. Então, podem haver surpresas. 


Melhor Efeitos Sonoros

A Invenção de Hugo Cabret
Cavalo de Guerra
Drive
Os Homens Que Não Amavam as Mulheres
Transformers - O Lado Oculto da Lua


Melhor Maquiagem

A Dama de Ferro
Albert Nobbs
Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2


Acredito que "A Dama de Ferro" leve o prêmio. Porém, a Academia ignorou o excelente "Harry Potter" em outras categorias, é capaz de premiá-lo aqui, até porque o filme merece esta estatueta.


Melhor Fotografia

A Árvore da Vida
A Invenção de Hugo Cabret
Cavalo de Guerra
O Artista
Os Homens Que Não Amavam as Mulheres

Categoria difícil. Todos os indicados merecem. No entanto, acho justo o prêmio para "A Árvore da Vida", logo que provavelmente o filme de Terrence Malick não levará nada de tão importante, acredito que tenha sido um grande exemplar de como usar a fotografia para o bem visual de um filme.


Melhor Figurino 

A Invenção de Hugo Cabret
Anonymous
Jane Eyre
O Artista
W.E

Aposto em "A Invenção de Hugo Cabret", porém a figurinista Sandy Powell já venceu recentemente por "A Jovem Rainha Vitória", talvez isso pese na escolha, mas pode acontecer. Mas pode ser a chance da Academia premiar outro nome.


Melhor Direção de Arte

A Invenção de Hugo Cabret
Cavalo de Guerra
Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2
Meia Noite em Paris
O Artista

Outra categoria que pode premiar o ignorado "Harry Potter", quase que como um prêmio de consolação. Além dele, "O Artista" e "Hugo Cabret" podem sair vencedores.


 

 Melhor Edição

A Invenção de Hugo Cabret
O Artista
O Homem Que Mudou o Jogo
Os Homens Que Não Amavam as Mulheres
Os Descendentes

Para não sair sem premiação alguma, o longa de David Fincher pode conquistar o prêmio de Edição com seu "Os Homens Que Não Amavam as Mulheres", também como prêmio de consolação.





Melhor Mixagem de Som

A Invenção de Hugo Cabret
Cavalo de Guerra
O Homem Que Mudou o Jogo
Os Homens Que Não Amavam as Mulheres
Transformers - O Lado Oculto da Lua



Melhor Documentário (longa-metragem)

Hell and Back Again
If a Tree Fals: A Story of the Earth Liberation Front
Paradise Lost  3: Purgatory
Pina
Undefeated



Melhor Documentário (curta-metragem)

The Barber of Birmingham: Foot Soldier of the Civil Rights Movement
God is The Bigger Elvis
Incident in New Baghdad
Saving Face
The Tsunami and the Cherry Blossom



Melhor Curta

Pentecost
Raju
The Shore
Time Freak
Tuba Atlantic


Melhor Curta - Animação

Diamanche
The Fantastic Flying Books of Mister Morris Lessmore
La Luna
A Morning Stroll
Wild Life

A disputa aqui, acredito que fique entre "La Luna" e "Wild Life", por terem sido indicados ao Annie Awards, o Oscar da Animação, que acontece também em fevereiro.


terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Crítica: Cavalo de Guerra (War Horse, 2011)

Ano passado assistimos ao retorno de grandes diretores como Terrence Malick (A Árvore da Vida), Pedro Almodóvar (A Pele Que Habito) e Lars Von Trier (Melancolia). 2012 começou e o que o cinema ganha é a volta dupla de Steven Spielberg, com a animação "As Aventuras de Tintim" que estréia nesta sexta e o drama épico "Cavalo de Guerra". Spielberg, um dos grandes nomes da indústria cinematográfica, não dirige um projeto desde 2008 com o último "Indiana Jones", mas pode-se dizer que não apresenta um trabalho notável desde 2005 com o excelente "Munique". E neste drama temos a prova de que o bom e velho Spielberg está de volta.

por Fernando Labanca

"Cavalo de Guerra" nos mostra a trajetória do cavalo Joey, tendo como cenário a Primeira Guerra Mundial. Sua jornada inicia-se ao lado da família Narracot, na Inglaterra, início do século XX, que moram e desenvolvem seu próprio sustento em uma fazenda alugada, propriedade de um homem sem escrúpulos (David Thewlis). Ted (Peter Mullan), o pai, que tem problemas com bebidas, decide enfrentar seu proprietário em um leilão de cavalos, oferencendo mais do que podia em um cavalo fora dos padrões e que em nada poderia ajudar na fazenda. É quando seu filho, Albert (Jeremy Irvine) tão encantado pelo animal resolve treiná-lo e ensiná-lo a arar as terras do terreno, criando, então, um laço muito forte com ele. 

Até que os ensinos ao cavalo não são capazes para pagar as dívidas da família, é então que Ted decide vendê-lo para o exérito britânico quando a Guerra é enfim anunciada. Para a infelicidade de Albert que vê seu amigo sendo vendido, servindo como transporte para os soldados. Vemos a partir de então, a trajetória de Joey por esta batalha, sua ida para França, até quando é capturado pelo exército alemão, e sem querer, acaba que inspirando cada um que encontra, e ele se torna um ser privilegiado, único capaz de enxergar a bondade que aflora em cada pessoa neste cenário tão frio e violento. 


"Cavalo de Guerra" funciona quase como um conjunto de crônicas sobre a Primeira Guerra Mundial, tendo um único protagonista, o cavalo Joey. E tendo os olhos do animal como o olho do público, vemos várias histórias que vão se costurando e formando toda a trajetória do cavalo. Seja seu primeiro dono e amigo fiel, Albert, até as próximas pessoas que decidem no meio do caos da guerra protegê-lo de alguma forma, o soldado valente (Tom Hiddleston), o jovem inocente que não divide os mesmos ideais que seu exército (David Kross), a menina órfã que perdera tudo e encontra em Joey uma nova esperança, entre outros que veem no cavalo o nascer de um novo sentimento, a beleza que não se enxerga numa guerra sem fundamento, o amor inocente de uma amizade que se perde no meio de tanto sangue. É isso que o roteiro bem desenvolvido de "Cavalo de Guerra" explora, refletindo a idéia de que o meio em que o homem se situa não revela seu verdadeiro caráter, e naquele cenário caótico, descobrimos através de um animal a essência de cada ser humano que cruza seu caminho, onde os ideais daquela guerra não eram os mesmos de todos aqueles que lutavam por ela. 

Para nos mostrar a história, Spielberg optou por um elenco desconhecido do grande público, dentre os mais conhecidos vemos Emily Watson, com seu olhar intenso, ótima em cena, e David Thewlis, bem, apesar de estar em uma personagem um pouco caricata. O jovem Jeremy Irvine com mais destaque na trama, tem espaço para brilhar, e consegue, e convence em sua performance. Ainda vemos no elenco nomes como David Kross (O Leitor) e Tom Hiddleston (Thor), bons em cena. Por outro lado, vemos personagens que às vezes soam forçadas por algumas atitudes, como o pai Ted (Peter Mullan) que nunca sabemos ao certo o que se passa em sua mente, ora quer o cavalo, ora não quer mais, ou a relação entre Joey e Albert que parece não haver um processo, o jovem se apaixona pelo animal desde o primeiro olhar, e apesar da atuação convincente Jeremy Irvine, esse amor parece forçado, consegue emocionar, mas é tão intenso que foge da realidade. Ou o sargento "malvado" que se derrete do nada ao ver o animal e seu dono no meio da guerra. Enfim, o que me pareceu em algumas passagens foi a necessidade de tentar emocionar o público sem pensar na necessidade de ser coerente.

A trilha sonora de John Williams, mais uma vez trabalhando em um projeto de Spielberg, é soberba. É realmente bela e tem papel fundamental na trama. No entanto, com o auxílio desta mesma trilha sonora, o diretor tenta com todas as suas forças emocionar o público. De fato, "Cavalo de Guerra" é um filme emocionante, simplesmente por sua história e sua bela conclusão, porém Spielberg parece não apostar tanto no potêncial do roteiro e força na trilha de Williams o nascimento de um drama que muitas vezes não existe. Nisso, é onde tembém surgem os já citados personagens que forçam este drama, sem precisar, a trama por si só já era interessante e comovente. Mas no geral, a fórmula acaba funcionando, mais uma vez, porque a idéia do projeto é boa. Confesso que tive um certo receio por se tratar da história de um cavalo, o cinema já fez isso antes e admito não ter gostado muito dos resultados. Para minha surpresa, "Cavalo de Guerra" é bem mais que a história de um cavalo, tem uma história bem desenvolvida capaz de prender a atenção do público mesmo se tratando de 146 minutos, minutos, aliás, muito bem preenchidos. 

Com sua bela fotografia e um certo amadurecimento de Steven Spielberg (se é que isso era possível), o diretor prova aqui ser um dos melhores, e consegue, na tela, fazer uma espécie de homenagem ao cinema. Ele vê nesta trama o momento perfeito para mostrar ao público sua admiração e seu conhecimento sobre a sétima arte. Seja pela inocência da história, a maneira como ele captura cada cena, nos remetendo sempre a um cinema antigo, é tudo muito nostálgico e consegue trazer beleza nisso. Ainda vemos a fotografia, com suas cores fortes e exageradas, aquele céu alaranjado que me lembrou e muito o fundo de "E o Vento Levou..." e todo aquele cinema daquela época que acabara de descobrir a cor. Com esta bagagem em mente, inspirado como nunca, Steven Spielberg consegue construir cenas, diria até, antológicas, como quando os soldados em território francês fixados em suas trincheiras se lançam ao ataque, ao som de uma gaita de fole, enfim, não há palavras para descrever a beleza desta sequência, ou quando o cavalo Joey, já na parte final, corre em meio a ataques e explosões, e se prende em arames farpados, é onde dois soldados inimigos se unem para salvá-lo, sem contar todas a cenas de batalha, perfeitas!. Em suma, "Cavalo de Guerra" é admirável, seja pela incrível direção de Spielberg, seja pela construção de cenas memoráveis ou pela simples comoção que a trama nos proporciona. 

NOTA: 8,5




segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Globo de Ouro 2012 - Os Vencedores


Na noite deste último domingo (15/01), a Associação de Imprensa Estrangeira em Hollywood realizou a entrega dos prêmios do Globo de Ouro 2012. Mais uma vez apresentada pelo britânico Ricky Gervais, a premiação dá a largada oficial às apostas do Oscar que acontece em fevereiro.

por Fernando Labanca

Como era de se esperar, poucas surpresas aconteceram. "O Artista" foi o grande vencedor com três estatuetas, em seguida, a comédia dramática de Alexander Payne, "Os Descendentes", com dois prêmios. Algumas premiações foram bem óbvias: Maryl Streep para Melhor Atriz-Drama (A Dama de Ferro), George Clooney para Melhor Ator-Drama (Os Descendentes) e Michelle Williams com o prêmio de Melhor Atriz-Comédia (Sete Dias com Marilyn). 

A grande surpresa da noite, a meu ver, foi o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante para Octavia Spencer por sua atuação do drama "Histórias Cruzadas". Christopher Plummer também surpreendeu e saiu com o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante por "Toda Forma de Amor". E quanto ao prêmio de Melhor Diretor, sinceramente, não esperava por essa. Martin Scorsese, de novo! É algo que já virou clichê e que de tão óbvio não esperava que a premiação se permitisse a isso. Não que ele não mereça, é um gênio, mas poderia ser uma chance de premiar outro nome. E diferente de alguns anos anteriores, o diretor vencedor não venceu por Melhor Filme. E para minha felicidade...Woody Allen e seu adorável "Meia Noite em Paris" com o prêmio de Melhor Roteiro.

Resumindo, Martin Scorsese, Maryl Streep e George Clooney. Sentiu que já viu esta premiação antes? Não. Não foi "deja vu", foi só a prova de que o Globo de Ouro não se renova e parece temer ser mais ousado. 

[veja a lista dos indicados]


MELHOR FILME - DRAMA
Os Descendentes ( de Alexander Payne)

MELHOR FILME - COMÉDIA OU MUSICAL
O Artista (de Michel Hazanavicius)

MELHOR DIRETOR
Martin Scorsese (A Invenção de Hugo Cabret)


MELHOR ATOR - DRAMA
George Clooney (Os Descendentes)

MELHOR ATRIZ - DRAMA
Maryl Streep (A Dama de Ferro)

MELHOR ATOR - COMÉDIA OU MUSICAL
Jean Dujardin (O Artista)

MELHOR ATRIZ - COMÉDIA OU MUSICAL
Michelle Williams (Sete Dias Com Marilyn)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Christopher Plummer (Toda Forma de Amor)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Octavia Spencer (Histórias Cruzadas)

MELHOR ROTEIRO
Woody Allen (Meia Noite em Paris)


MELHOR FILME ESTRANGEIRO
A Separação (Irã)

MELHOR ANIMAÇÃO
As Aventuras de Tintim - O Segredo do Licorne (Steven Spielberg)

MELHOR TRILHA SONORA
Ludovic Bource (O Artista)

CANÇÃO ORIGINAL
Masterpiece (Madonna - W.E.)


terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Crítica: O Palhaço (2011)

Existem filmes que assistimos e logo nos esquecemos. Existem filmes tão ruins que fazemos questão de esquecer. E existem aqueles filmes que de tão incríveis sentimos que jamais esqueceremos. "O Palhaço", novo longa-metragem de Selton Mello, o segundo de sua carreira como diretor, se encaixa perfeitamente neste último grupo. Com suas cores saturadas, a vida circense nunca fora mostrada com tanto brilho e tanta alma quanto aqui. Não só o melhor filme nacional de 2011, mas também um dos melhores lançados no ano dentre todos, disputando com grandes produções estrangeiras, que de longe não alcançaram a perfeição deste.

por Fernando Labanca

O Circo Esperança viaja pelo Brasil afim de levar a alegria para seu respeitável público, liderado por Benjamin (Selton Mello) e seu pai, Valdemar (Paulo José), que juntos fazem a atração especial do evento como os palhaços Pangaré e Puro Sangue. Além deles, pessoas que se despoem a fazer de suas vidas a felicidade das outras, uma trupe que é quase como uma família, cada um com suas estranhezas. Entretanto, nada vai tão bem para Benjamin, que passa a não ver mais graça no que faz, começa, enfim, se questionar sobre sua vida, quem ele era verdade e se aquele era mesmo o local em que deveria estar. E pequenos problemas de sua rotina, como a falta de um ventilador, a falta de um sutiã grande para uma das apresentações e as burocracias chatas que tem que enfrentar por não ter um documento de identidade, ajudam ele a ver a tristeza da vida. Mais do que tudo isso, Benjamin se questiona sobre quem será a pessoa que o fará rir, logo que é só isso o que ele faz.

Cada pessoa tem sua função aqui nesta vida, algunas nasceram para estar dentro de um escritório, algumas para ensinarem outras pessoas e algumas para fazerem outras rirem. Entretanto, esta descoberta não é uma jornada tão fácil. "O Palhaço" nos mostra este momento na vida deste indivíduo, quando os questionamentos existencialistas o cercam. Nunca saberemos se estamos ou não no lugar certo, não há ninguém que nos avise ou nos guie, é uma descoberta que vamos fazendo sozinhos, alguns nem ao menos tem esta verdade revelada. E o quão difícil é aceitar esta vida, os problemas, os conflitos, os obstáculos que nos fazem questionar sobre tudo, questionar até mesmo se onde estamos é exatamente onde deveríamos estar. E esta jornada de Benjamin é mostrada com tanto sentimento, com simplicidade, sutileza, mas ao mesmo tempo, capaz de nos fazer refletir, capaz de nos fazer emocionar. Um filme que consegue mexer com seu público, sem precisar ser melodramático, nada menos que uma das obras mais tocantes que vi neste último ano. 


Por trás deste belíssimo drama existencialista, Selton Mello abre espaço para uma homenagem ao humor brasileiro. Não consegui ver de outra forma. Uma deliciosa homenagem. Onde os atores tão a vontade em seus respectivos personagens dão vida a um humor perdido, um humor que o cinema norte-americano jamais será capaz de fazer e um humor que os brasileiros vem perdendo. Aquela piada fácil, que vem sem a necessidade de ser vulgar ou obscena, um humor inocente, como os antigos "trapalhões". Para ilustrar isso, o filme coloca em cena grandes humoristas deste tempo, que hoje são ignorados pela mídia, como Moacyr Franco, José Loredo (o Zé Bonitinho) e o Ferrugem, que quando surgem, trazem o riso fácil do público, em interpretações que surpreenderão a todos que os subestimem, em interpretações dignas de muita admiração. Como quando José Loredo conta uma piada em uma das cenas finais. Que cena brilhante! A piada é fraca, mas o segredo é como ele a conta, fiquei até emocionado. Ainda temos Fabiana Karla, que tira os trejeitos de uma atriz Zorra Total, e faz uma pequena sequência, que chega a ser tocante mesmo sendo tão simples. E o que falar da única cena do ator Emilio Orciollo Netto? Hilária. Enfim, "O Palhaço" além das lágrimas, tem o milagre de nos fazer rir sem apelar e por isso é mais do que um grande drama, é uma grande comédia.

Um outro ponto positivo e que tem muito destaque na trama é sua trilha sonora. Reponsabilidade do músico Plínio Profeta, o que ouvimos durante o filme é algo surreal de tão belo, com referências minimalistas e um ritmo delicioso de acordeão, que me lembrou a belíssima trilha de "Pequena Miss Sunshine", é inspirador e que colabora muito para o resultado final. A parte técnica de "O Palhaço" é de um primor que já faz o ingresso valer a pena, desde os figurinos de Kika Lopes, a fotografia que faz cada cena parecer um belíssimo quadro de pintura com suas cores saturadas em composições perfeitas, até as locações, os cenários que nos fazem presenciar aquela vida circense e nos faz sentir parte daquilo e durante os minutos de filme, nos sentimos felizes por presenciar todo este espetáculo visual. Provando assim, a brilhante direção de Selton Mello.

Selton Mello como diretor acerta em cheio e como ator, não faz mais do que um trabalho incrível. O ator encarna perfeitamente um palhaço, sua entonação em suas apresentações e o modo como ele age perante o público, além de nos divertir facilmente com sua excêntrica personalidade, com inspirações nítidas a Chaplin. Paulo José acabou me surpreendendo, sempre tive problemas com sua dicção, mas isso acaba que não sendo um problema quando sua interpretação é tão rica. A trupe do circo é composta por atores desconhecidos mas que dão um toque especial, ajudam a compor o humor e acabam sendo coadjuvantes de grande peso, figuras como os atores Álamo Facó e Eron Cordeiro estão entre eles, além da pequena Larissa Manoela que encanta com seu sorriso e talento.

"O Palhaço" me surpreendeu, esperava ver um filme bom por suas críticas positivas, mas não esperava ver uma obra tão completa assim, que me prendesse tanto, que me emocionasse dessa forma, que fosse tão tocante e inspirador. E que me fizesse rir como poucos filmes conseguiram, sem malícia, sem apelação, o humor como deve ser. Direção impecável, me lembrando até a excentricidade de Wes Anderson (Os Excêntricos Tenenbaums, Viagem a Darjeeling). Uma obra extremamente bem realizada, com roteiro bem escrito que não dá abertura para diálogos desnecessários para plantar o drama, são pelos olhares que muitos conflitos aqui são resolvidos, ganhando força dessa forma, conseguindo emocionar mesmo com tanta simplicidade, e para isso ser feito com competência, atores brilhantes em cena que dão um outro grande espetáculo. Um filme para se ver, refletir, sentir. Rir e se emocionar, milagrosamente, na mesma cena. Na verdade, é exatamente o que "O Palhaço" é, um filme milagroso. 


NOTA: 10



sábado, 7 de janeiro de 2012

Crítica: Tudo Pelo Poder (The Ides oh March, 2011)

George Clooney, mais conhecido por sua carreira de ator, durante os últimos anos tem se dedicado também a sua carreira de diretor."Tudo Pelo Poder" é seu quarto filme atrás das câmeras e prova aqui seu grande talento nesta função, construindo um filme polêmico, mais uma vez, mostrando seu conhecimento sobre política. Brilhantemente filmado, o longa ainda possui atores veteranos dando um show de interpretação. 

por Fernando Labanca

Assim como seu filme anterior "Boa Noite e Boa Sorte" (2005), Clooney nos mostra os bastidores da política, o que há por trás dela que a mídia não mostra, a sujeira, as chantagens, sorrisos mascarados que escondem um jogo sem ética. E assim como "Tropa de Elite" escandalizou o Brasil por um assunto que conhecemos mas temos a dificuldade em admitir, "Tudo Pelo Poder" tem esta função para os norte-americanos, escandalizar de forma sutil, mostrar uma verdade de conhecimento de toda a nação, uma verdade difícil de encarar, a base da política. Expor a sujeira que permanece debaixo do tapete.

Neste cenário, conhecemos o jovem Stephen Myers (Ryan Gosling), cheio de idealogias, admirador da política que trabalha ao lado do candidato a presidente Mike Morris (Clooney), no partido democrata, como assessor de imprensa, tendo como chefe o experiente Paul (Philip Seymour Hoffman). Carismatico e inteligente, ele tem que lidar com a pressão da eleição e com os adversários republicanos, que tem como assessor, o valente Tom Duffy (Paul Giamatti). Depois de diversas votações em cada Estado norte-americano, o Estado de Ohio, porém, definiria o vencedor, é então, que a disputa fica mais acirrada, o único modo, no entanto, de Morris garantir sua vitória, seria se vendendo para o senador (Jeffrey Wright), o que não aceita, provando para Stephen sua teoria, a de que Morris era um homem correto, o único que poderia ser líder do país.

Além de tanta pressão, Stephen tem que aguentar a jornalista Ida (Marisa Tomei) que tenta de diversas formas conseguir informações sobre as eleições, até que ela descobre algo de extrema importância capaz de chantageá-lo. O jovem comete o erro de se encontrar com seu adversário, Tom Duffy, e sem saber como, a informação é vazada, colocando sua credibilidade em risco. O quadro muda completamente, porém, quando Stephen começa a se relacionar com uma de suas estagiárias, a bela Molly (Evan Rachel Wood), e através dela, descobre a grande verdade, que nem mesmo ele que estava tão perto da política conseguia enxergar, é neste momento em que começa a refletir sobre seu idealismo, a questionar tudo o que acreditava ser verdade. 


Antes de verificar a obra, confesso que estava com um pé atrás. O via como "filme político" e isso pouco me agradava. Entretanto, ao seu término, vi que "Tudo Pelo Poder" é muito mais do que um filme político, é muito mais do que George Clooney colocando em cena sua opinão, que aliás, respeito e admiro a forma como ele fez isso. É sobre a poítica que vemos lá fora, é sobre a política que temos aqui no Brasil. Em nenhum momento o roteiro aponta as falhas como uma verdade absoluta, pelo contrário, é do tipo "faça suas próprias conclusões", o que conhecemos na tela são argumentos, argumentos fortes, reais que dificilmente deixará o público indiferente. Mais do que falar sobre política, "Tudo Pelo Poder" é sobre o fim de nossos idealismos, sobre como é difícil acreditar no tal "mundo melhor", como é difícil lutar por isto, como é duro ser ético e correto num mundo que vai provar que quem tem os valores invertidos podem sair vencendo, que quem mente, joga sujo, também pode chegar ao topo, aliás, é lá onde eles estão. Como acreditar num mundo ideal? Como lutar pela decência? Ter bom caráter? O personagem Stephen Myers ilustra perfeitamente essa frustração, este descontentamento de um cidadão, que cego, acreditava na descência. 

George Clooney usa a ferramenta que mais conhece para expor o que sabe, o cinema, e o usa da melhor maneira possível. De uma direção segura, que consegue criar o ambiente perfeito para contar sua história, como os bastidores da política, que por vezes me lembrou "Frost/Nixon" de Ron Howard, tudo com bastante seriedade, logo, captando com mais competência seu realismo. O roteiro, também assinado por Clooney e Grant Heslov, baseado numa peça de teatro de autoria de Beau Willimon, é extremamente bem cuidado, que não subestima seu público, não nos entrega uma história mastigada, nem todos os diálogos necessários para a compreensão da trama estão ali, há muita coisa subentendida, criando assim, uma obra inteligente e bastante madura, original até, eu diria, onde os acontecimentos não são previsíveis, e cada ato de cada personagem surpreende a cada cena, e quando achamos que compreendemos todas as jogadas, o roteiro vem e nos surpreende mais uma vez. Um thriller político, com sequências que pendem a atenção, tudo brilhantemente armado por Clooney. É válido citar também a trilha sonora de Alexander Desplat, que se destaca principalmente na cena final.

O roteiro também explora o melhor de seus atores. "Tudo Pelo Poder" é quase que uma aula de atuação. Os veteranos Paul Giamatti e Philip Seymour Hoffman dão um show de interpretação, mesmo que seus personagens não sejam de tanto destaque, possuem grande importância na trama,e suas cenas são dignas de palmas. George Clooney também colabora, num personagem que soa como uma alusão a Barack Obama, desde seu sorriso persuasivo e cativante, até os posteres e seus slogans. Sua atuação é ótima, ou seja, é um grande momento de sua carrreira, logo que conseguiu dirigir, escrever e atuar sem desapontar em nenhum lado. Marisa Tomei, incrível também. E a belíssima Evan Rachel Wood que tem apostado em grandes papéis, surpreende mais uma vez, é jovem mas já possui grande experiência e mesmo tendo de dividir espaço na trama com atores de peso, consegue brilhar, diria até, que faz deste filme algo melhor, em uma só cena, a atriz vai de ninfeta sedutora para um arrebatador olhar dramático, enfim, magnífica. E Ryan Gosling mais uma vez no papel certo, e aqui tem a chance de mostrar todo seu talento, não deixando mais dúvidas, é um grande ator.

Já com importantes indicações ao Globo de Ouro 2012, é uma das apostas a estar na lista de Melhor Filme no próximo Oscar. Em suma, uma obra para se ver. Mais do que uma recomendação, é uma obrigação ver este filme!


NOTA: 9,5


quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Crítica: Gato de Botas (Puss in Boots, 2011)

A franquia "Shrek", sucesso nesta última década trouxe não só uma trama inteligente como também nos apresentou personagens fantásticos, e com eles, coadjuvantes de peso. Gato de Botas foi um deles, ganhou vida no segundo filme e fez tanto sucesso que ganhou sua própria aventura. Chris Miller que dirigiu a terceira parte, comanda a direção deste, que ainda conta com a ilustre participação de Guillermo Del Toro como produtor executivo. "Gato de Botas" possui personagens bem escritos...história, porém, nem tanto!

por Fernando Labanca


Com fama de fora-da-lei, na pequena cidade de San Ricardo, o Gato de Botas decide encontrar os feijões mágicos, pois acredita que estes trariam sua boa reputação de volta e reconquistaria sua honra. Porém, em sua busca, ele percebe que há mais gente atrás deles, Kitty Pata-Mansa, uma gata muito sensual e misteriosa é uma delas, mas logo descobre que ela está a mando de Humpy Dumpty, o ovo, que por sua vez, fora um grande amigo de infãncia de Gato, quando ainda vivia num orfanato, local onde Humpty lhe revelou seu maior desejo, encontrar os feijões mágicos e convense seu amigo a tentar encontrar também. Mas depois de algumas traições, cada um seguiu seu lado, é quando depois de muitos anos, Humpty retorna e tenta convenser mais uma vez, Gato de Botas a seguir seus planos. 

A partir de então, Humpty, Kitty e o Gato de Botas embarcam numa aventura em busca dos tais feijões, mas para isso precisam enfrentar a fúrias de dois vilões, Jack e Jill, aqueles que os possuem. E nesta jornada por sua honra, Gato acaba sendo seduzido por Kitty, no mesmo instante em que tenta recuparar a confiança que tinha em seu melhor amigo, esquecendo os erros do passado, lhe dando uma segunda chance. 

"O Gato de Botas" segue seu próprio caminho. Apesar de ter nomes na produção do filme grande parte da equipe que esteve em Shrek, o longa de Chris Miller cria uma aventura completamente nova, repaginada. Desde a direção, a ambientação da história, até seu humor, pouco se lembra da saga do ogro. Por um lado isto é bom, vemos algo novo na tela, personagens, tramas, conflitos, até mesmo o olhar grande e dócio do animal é pouco explorado (o que é uma pena), a intenção aqui é deixar que o personagem crie sua própria jornada, o que de fato, conseguiram. O lado ruim de pouco se parecer com "Shrek", é que existe uma chance do público que o aprovou pode não aprovar a aventura solo do Gato, o que, digamos aconteceu comigo. Muito se perde, a qualidade dos filmes do ogro não são aproveitadas, e o que se cria aqui de novo, não é nada tão criativo assim, pelo contrário, colocar a velha história dos feijões mágicos como centro da história não me pareceu uma boa idéia, soa repetitivo, como a árvore gigante que cresce do nada e os leva para um reino além do céu, nos mostra algo que já vimos antes e já perdeu a graça, ou seja, eles se afastam de "Shrek", mas também perdem a chance de criarem algo completamente novo, traçando, assim, uma trama já trilhada, desde os feijões, ovos de ouro, vilões caricatos e por aí vai.

A direção de Chris Miller, por sua vez, se mostrou muito mais madura. Cria cenas bastante inovadoras para o gênero animação, seja pelo bom uso da câmera lenta até as imagens divididas na tela, o deixando mais estiloso a ainda colaborando com algumas piadas. O diretor também consegue criar um ambiente bastante propício para trama, de referências do western até o gingado latino, tudo perfeitamente arquitetado. O roteiro se salva pela criação das personagens, que são bastante ricas, com uma certa profundidade psicológica, muitas vezes, pouco exploradas em filmes de animação. Kitty Pata Mansa é simplesmente adorável, conquista fácil, o Gato de Botas que nos apresenta aqui seu passado, sua infância, nos faz criar um elo forte com ele, nos afeiçoamos a sua trajetória e Humpty Dumpty, o melhor desenvolvido na trama, é bastante complexo e surpreende em diversas passagens, pena que...

As personagens, por mais que sejam bem escritas e bem desenvolvidas, me deixaram um tanto quanto incomodado na maior parte do tempo. Os vilões caricatos, são chatos e infelizmente possuem mais destaque do que precisavam, mas o pior de todos, foi ver um personagem de destaque sendo um ovo, foi realmente muito difícil levar sua história a sério, por mais bem escrita e desenvolvida que tenha sido, ele é um ovo. Aceitamos, ogros, burros, gatos, peixes, o que for no universo infantil, mas um ovo foi demais. Não, ele não foi criado aqui, é um personagem antigo de cantigas norte-americanas, mas vejo como um grande erro revivê-lo aqui, não consegui ver suas cenas sem ficar com a expressão "what the hell?", era um ovo com passado, pouco caráter e com problemas psicológicos, fiquei sem entender. Somado a isto, história fraca, sem grandes inovações, que não possui grandes diálogos muito menos cenas tão boas que consigam prender a atenção,  tudo me pareceu extremamente arrastado, cansativo. Salvo por alguns personagens, o carisma do Gato e de Kitty e pelo seu bom humor. 

NOTA: 6


terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Crítica: O Primeiro Que Disse (Mine Vaganti, 2011)

Primeira resenha do ano, "O Primeiro Que Disse" é uma comédia italiana dirigida por Ferzan Ozpetek, que mostra situações inusitadas de uma família conservadora e cheia de segredos, por vezes inserindo humor escrachado, o roteiro também se mostra competente no drama, e surpreende.

por Fernando Labanca

A premissa do filme já é bastante interessante e divertida. Conhecemos a estranha família Cantone, recheada de segredos, costumes bizarros e preconceitos. Donos de uma grande empresa de pastifício, o pai, Vincenzo (Ennio Fantastichini) está prestes a passar para seus herdeiros, seus dois filhos, a responsabilidade de guiar este negócio. Tomasso (Riccardo Scamarcio) saira de casa para estudar Administração justamente para seguir no ramo do pai, e no jantar em que receberia oficialmente a empresa, decide revelar seus segredos, a de que abandonou seus estudos para estudar literatura e trabalha como escritor e...que é gay. Para sua grande surpresa, porém, seu irmão mais velho, Antonio (Alessandro Preziosi), no jantar do anunciamento, interrompe deu doloroso discursso para sua revelação, a de que é homossexual e que não pretendia seguir os negócios da família.

É então que os segredos de Tomasso perdem completamente a chance de serem revelados, até porque Vincenzo tem um ataque cardiáco ao ouvir as revelações de seu filho, e tentando não piorar a saúde do pai, se esconde mais ainda, e vendo que era o único ali que poderia naquele momento tão delicado dar continuidade ao trabalho na empresa, passa a fazer justamente o que não queria. É quando que a Companhia recebe novos sócios, que Tomasso começa a refletir sobre suas escolhas, principalmente porque os novos rumos da empresa tem a liderança da bela Alba (Nicole Grimaudo) que passa a guiá-lo e também passa a ser sua grande confidente, mexendo com seus sentimentos. E no meio de tudo isso, estava a avó da família (Ilaria Occhini), uma mulher que sofrera no passado por um amor impossível e tenta, no presente, salvar os caminhos daqueles que estão perdidos.



"O Primeiro Que Disse" possui lá seus clichês, principalmente na parte final que tenta dar aquela já tão usada mensagem de efeito, a de que a aquela pessoa que arrisca tem mais chances de errar, entretanto, mais chances de encontrar a felicidade. A mensagem é batida, mas ainda é válida, o filme acaba que tendo boas intenções. Por outro lado, vejo alguns elementos bastante ousados do roteiro, como colocar um grande galã do cinema italiano como protagonista homossexual, e por debater este assunto sem querer ser moralista, de forma leve, por vezes, até caricata, mas no geral, de forma bastante inteligente. Para nós, a discussão da homossexualidade já está virando banal, mas para o conservadorismo italiano, não. E inserir isto em oposição a este conservadorismo, de forma até a satirizá-lo, é ousado.

O filme é uma deliciosa comédia, com bom humor, que sabe divertir, como disse anteriormente, utilizando em algumas passagens o humor escrachado, como a sequência onde os amigos de Tomasso o fazem uma visita, no momento "gaiola das loucas" do longa, colocando em risco a maturidade com que trilhava a trama até aquele momento, mas por sorte, o filme permanece firme e termina brilhantemente bem. O longa de Ozpetek também consegue emocionar, com a delicadeza e sensibilidade de seus diálogos, e a maneira como o filme sabe trabalhar essas diversas nuances é incrível. 

"Mine Vaganti", no original, nos faz refletir sobre como nos escondemos, como por vezes tentamos ser outra pessoa para agradar ou por medo de admitir ser quem somos, sobre como é admirável o ato de permitir que outros gostem de nossa personalidade tendo a ousadia de mostrar nossa verdadeira face. É interessante também a maneira como o roteiro explora as situações desta família, vemos pessoas que não falam, não conversam, não conseguem, por medo, por insegurança, incerteza das consequências, se abrir, deixar o coração falar, não a razão. E 'mine vaganti', a famosa bala perdida, aquele ato que não prevemos, aquele destino que aparentemente não era nosso, mas que surge de repente e salva nossas vidas, como se fugir da normalidade, escapar daquilo que parece ser predestinado, pode ser nossa salvação. 

Boas reflexões, diálogos inspiradores, atores competentes, que interpretam personagens bastante interessantes e muito bem escritos. Ainda há cenas memoráveis como quando Antonio revela ser homossexual no jantar com a família, onde o pai tem o ataque cardíaco, genial. Dentre os atores, a veterana Ilaria Ochini se sai melhor e constrói com sua grande atuação, belíssimas cenas. Boas locações, boa trilha sonora, apesar da repetição insistente de algumas canções, mas no geral, a trilha instrumental acaba tendo papel fundamental tanto nas cenas cômicas quanto nas dramáticas. "O Primeiro Que Disse" é um filme adorável, uma das boas comédias do ano passado, mostrando a força do cinema italiano. 

NOTA: 9