quarta-feira, 15 de junho de 2011

Especial: As Melhores Comédias Românticas da Década

Voltanto aqui no Blog, mais uma vez para celebrar o que houve de melhor nesta última década (2001-2010), agora o foco são as "Comédias Românticas", gênero que particularmente gosto bastante, mas não é sempre que saem coisas boas e isso todo mundo já percebeu! Raramente somos pegos de surpresa com um filme de qualidade e se não é de tanta qualidade assim, pelo menos teve atores bons em cena ou uma história interessante!

por Fernando Labanca

O básico, a garota conhece o rapaz, por algum motivo eles passam a se odiar ou simplesmente não podem ficar juntos, há conflitos o filme inteiro, mas o final é sempre o mesmo e os dois ficam juntos e blá, blá, blá! Ás vezes surgem obras como "500 Dias Com Ela" que quebram um pouco a regra, mas é muito raro. E mesmo com esses clichês, tentei mais uma vez, ser o mais justo possível, tentando analisar os filmes que souberam trabalhar melhor com essa obviedade e que no final deram bons resultados. Filmes como "Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças"(2004), "Amélie Poulain"(2001) e "Um Grande Garoto"(2002) ainda há humor e romance, mas não achei que esses longas pudessem ser taxados de 'comédias românticas', por este não ser o foco do roteiro e por abrangerem mais, como por exemplo, trabalham muito com o drama, e ainda há histórias paralelas que não focam no casal principal.

Dentre as personalidades, destacaria Drew Barrymore, Jennifer Aniston e Reese Witherspoon, mas há sem sombra de dúvidas outras que brilharam e muito. Na direção, o primeiro nome que me vem a cabeça é "Nancy Meyers" de 'Simplesmente Complicado' (2009) e por ela escrever e também produzir seus projetos, acredito que ela tenha sido o nome mais forte no gênero nesta década. Ainda há filmes adoráveis que ficaram de fora como "De Repente 30" com Jennifer Garner, "Amor à Distância"(2010) com Justin Long e até mesmo "Os Queridinhos da América"(2001) teve lá sua graça e contou com um grande elenco como Julia Roberts, Catherine Zeta-Jones e John Cusack. Outro que também achei muito interessante, mas pouco foi comentado, "Três Vezes Amor"(2008) com Ryan Reynolds, que também fugiu um pouco às regras, e teve Ashton Kutcher e Zoe Saldana em "A Família da Noiva" (2005) e não poderia deixar de citar o clássico britânico "O Diário de Bridget Jones"(2001).

vamos aos melhores...


15º Como Perder Um Homem em 10 Dias (How to Lose a Guy in 10 Days, 2003)


Dirigido por Donald Petrie (Miss Simpatia), o longa nos mostrou um dos casais mais adoráveis que surgiu no cinema nos últimos anos, Kate Hudson e Matthew McConaughey. Kate era Andie, uma jornalista que decide fazer, como forma de apoio a uma amiga traída, um artigo sobre como perder um homem em dez dias e para isso ela decide conhecer um cara qualquer e fazer de tudo para ele terminar com ela, em contra partida, conhecemos Ben (Matthew) um garanhão que quer provar para os amigos que consegue conquistar qualquer uma e em apenas dez dias essa mesma mulher estaria completamente apaixonada por ele. Os dois se encontram e o filme nos proporciona esta divertida guerra entre sexo, no cara que faz de tudo para conquistar ao mesmo tempo em que ela faz de tudo para perdê-lo, não poderia dar errado, a idéia é interessante e flui perfeitamente bem pelo roteiro que abusa no humor e nos mostra cenas divertidíssimas com este grande casal, que brilham na tela e se não fosse por eles, o filme não seria tão bom assim, fato!



14º O Amor é Cego (Shallow Hal, 2001)


Obra dos irmãos Peter e Bobby Farrelly, "O Amor é Cego" foi um dos bons trabalhos da dupla, e que de uma simples comédia romântica acabou virando num dos filmes mais bem intensionados da década, simples no formato, mas grandioso em sua idéia e em sua mensagem. Jack Black é Shallow Hal, um cara que desde criança aprendeu que aparência é tudo, até que ele é hipnotizado e passa a enxergar a beleza interior das mulheres e nisso acaba se apaixonando por uma belíssima mulher, Rosemary (Gwyneth Paltrow), educada, inteligente, enfim perfeita! O problema é que só ele era capaz de vê-la o que ela era "por dentro", para os outros, Rose era uma mulher muito acima do peso e que nunca chamaria atenção de ninguém e que por sua vez passa a achar estranho como alguém poderia ter se apaixonado por ela. Inteligente, sensível, humor afiado e cheio de boas intenções e mesmo vindo da dupla de diretores politicamente incorretos, "O Amor é Cego" nos faz refletir sobre o que é a verdadeira beleza e como o mundo seria melhor se enxergássemos o interior de cada um, e não apenas essa casca que nos cobre!



13º Como Se Fosse A Primeira Vez (50 First Dates, 2004)


Dirigido por Peter Segal (Agente 86), o filme foi uma grata surpresa e se revelando uma das melhores histórias já feitas em "comédias românticas". Henry (Adam Sandler) é um veterinário no Havaí que não se envolve com ninguém até conhecer a mulher de seus sonhos, Lucy (Drew Barrymore), se apresenta, mas logo é alertado pelos moradores do local que ela não era a pessoa certa para ele, sem entender o porquê ele volta a encontrá-la no dia seguinte, é quando descobre que Lucy sofreu um grave acidente de carro e por isso perde todas as memórias recentes e toda vez que acorda é como se vivesse no mesmo dia, esquecendo tudo o que viveu no dia anterior e devido a isto não reconhece mais Henry que para tê-la resolve conquistá-la exatamente todos os dias, com a esperança de que um dia ela se recorde. Brilhante! Uma grande e inusitada história de amor, que peca pelo humor grosseiro à la Adam Sandler, mas se salva pela criatividade e pela sensibilidade com que a trama é guiada, tirando o melhor proveito dela, chegando a ter cenas marcantes, além de tirar o melhor proveito de seus atores, Drew Barrymore está incrível e é sim um dos melhores momentos de sua carreira. Inteligente e muitas vezes complexo, mas na dose certa para encantar a grande massa!



12º Terapia do Amor (Prime, 2005)


Mais uma surpresa entre as comédias românticas, demorei muito tempo para assistí-lo por puro preconceito, realmente acreditava que um filme com este título e com aquela capa não merecia minha atenção, queimei minha língua quando me deparei com uma obra extremamente inteligente e madura. Uma Thurman interpreta Rafi uma mulher de 37 anos que acaba de se separar e toma a decisão de não se envolver com mais ninguém até conhecer o jovem pintor David (Bryan Greenberg) de apenas 23 anos. Com medo dessa nova jornada ela tem o apoio de sua psicóloga (Maryl Streep) que juntando os fatos percebe que o novo namorado de sua cliente é ninguém mais que seu filho e passa a ser obrigada a ouvir detalhes picantes da vida amorosa do casal, e percebendo o que estava em suas mãos passa a interferir indiretamente na relação deles para seu benefício. Lendo a sinopse parece até bobo, mas a verdade é que "Terapia do Amor" surpreende fácil, a maneira como a história é guiada é bastante madura para o gênero, o humor não é forçado, e as personagens muito humanas e seu final é inovador! O filme vai muito além da história manjada de duas pessoas com idades diferentes que se apaixonam, é sobre tirar o melhor proveito das situações que nos deparamos e ter a maturidade suficiente para compreender quando é seu fim.


11º Vestida Para Casar (27 Dresses, 2008)


Dirigido por Anne Fletcher, o longa marca a segunda melhor presença de Katherine Heigl nos cinemas, depois de "Ligeiramente Grávidos". Heigl interpreta Jane, trabalha na organização de casamentos e é madrinha de honra oficial de vários deles e devido a isso tem uma coleção de vestidos, cada um representando uma lembrança diferente enquanto ela está longe de presenciar seu próprio casamento. É apaixonada por seu chefe (Edward Burns) que por sua vez se encanta com sua irmã mais nova (Malin Akerman), é quando Jane passa a juntar o casal contra sua vontade e assistindo de camarote sua irmã picareta agindo de boa moça, no meio de tudo isso, acaba conhecendo Kevin (James Marsden), um jornalista que se interessa por sua vida e começa a se encontrar com ela visando uma boa reportagem. O filme não inova em muita coisa, mas consegue divertir e emocionar com sua simples história, tudo parece muito bobinho, eis que a trama vai crescendo e quando chega em sua parte final vemos que tudo teve um propósito muito maior, existem conflitos bem interessantes que acabam surgindo e Jane acaba se transformando em uma incrível personagem, dando espaço para o talento de sobra de Katherine Heigl, sem deixar de apagar o brilho de uma ótima coadjuvante, Malin Akerman.



10º Ele Não Está Tão Afim de Você (He's Just Not That Into You, 2009)


Direção de Ken Kwapis, o filme é baseado no livro de mesmo nome que serviu como psicólogo para muitos que sofriam por amor. O filme tem o mesmo propósito e consegue com perfeição fazer o papel daquele amigo chato mas sincero que diz com todas as letras "Ele/Ela não está tão afim de você", resposta dura de ouvir e difícil de compreender. A obra nos mostra várias histórias paralelas sobre a difícil arte de amar, histórias de pessoas comuns que poderiam muito bem ser nossas vizinhas ou que poderiam acontecer conosco num futuro bem próximo, situações onde indivíduos tem de encarar a triste verdade, encarar a perda de alguém que ama e compreender que poderiam existir inúmeras respostas para o abandono, mas só uma tem mais chance de ser a verdade, que tal pessoa não te ama tanto quanto você. Divertido, inteligente, sutil, uma teia de tramas muito bem escritas que surpreendem pela maturidade e humanismo de como são tratadas, chegando até serem complexas a ponto de fazerem valiosas reflexões. Além de um grandioso elenco, como Scarlett Johansson, Bradley Cooper, Ben Affleck, Jennifer Aniston, se destacando a novata Ginnifer Goodwin e a veterana Jennifer Connelly que prova que em poucos minutos em cena se pode fazer personagens memoráveis.



09º A Proposta (The Proposal, 2009)


Mais um de Anne Fletcher aqui na lista, neste a diretora trabalha com grandes nomes do cinema como Sandra Bullock e Ryan Reynolds, e a química deu certo, tão certo que só devido a isso o filme não poderia ficar de fora das melhores comédias românticas, além é claro, da ótima e divertida história apresentada. Conhecemos Margaret (Sandra), uma chefe durona de uma editora que para não ser deportada de volta para o Canadá fingi que tem um relacionamento sério com seu ajudante, Andrew (Ryan) que por sua vez não suporta a chefona principalmente por ela nunca der dado espaço para ele crescer na empresa, pensando em seu benefício aceita a proposta de fingir o romance em troca de um livro publicado. E para provar ao setor de imigração, Margaret viaja com Andrew para a casa da família dele é quando ambos tem a chance de se conhecerem melhor, mesmo depois de meses "juntos" no mesmo escritório. A dupla funciona perfeitamente, a história é inusitada e dá espaço para alguns conflitos interessantes que prendem a atenção e nos fazem torcer demais pelo casal, além de cenas hilárias protagonizadas por Sandra Bullock que consegue nos fazer rir com uma simples expressão ou um simples andar de salto alto, atuação brilhante que lhe rendeu uma indicação ao Globo de Ouro.



08º P.S. Eu Te Amo (P.S. I Love You, 2007)


Richard LaGravenese já realizou grandes trabalhos como o roteiro de "O Pescador de Ilusões", "As Pontes de Madison" e o mais recente "Escritores da Liberdade", além de dirigir este último, Richard mostrou seu talento como diretor também em "P.S". No filme, conhecemos Holly (Hilary Swank) que acaba de perder o maior amor de sua vida, Gerry (Gerard Butler), e ela entra em uma profunda depressão devido sua morte, eis que ela descobre que uma série de cartas foram deixadas por ele antes de morrer, cartas que a guiam para livrar da dor e seguir sua vida adiante. Uma comédia romântica bem diferente do usual, onde o casal principal é rompido logo nas primeiras cenas e sempre fica a dúvida...por qual caminho este filme irá seguir, afinal! A resposta, é que ele segue o melhor possível, torcemos pela vida de Holly e pela sua felicidade, o roteiro é ótimo e nos apresenta várias surpresas que vão guiando o filme para caminhos inesperados, enquanto através de flash-backs vamos conhecendo o casal e porque ela sofre tanto ao perdê-lo, e esta escolha foi fantástica, a história vai se desdobrando e vamos nos emocionando fácil, mas apesar da emoção o grande triunfo da obra foi conseguir fazer tudo isto com muito humor não caindo no melodrama e assim consegue ser muito mais sensível que muitos filmes de drama.



07º O Amor Não Tira Férias (The Holiday, 2006)


Com direção de Nancy Meyers, como disse anteriormente, o nome da comédia romântica da década, aqui, ela escreve, produz e dirige e o resultado é simplesmente maravilhoso. Amanda (Cameron Diaz) acaba de descobrir que foi traída e decide tirar férias e vai atrás de casas que alugam temporariamente no lugar mais distante possível, é onde conhece Iris (Kate Winslet) que sempre sofreu por um amor não correspondido e decide fazer o mesmo que a desconhecida, é quando elas resolvem trocar de casas por um certo período, abandonando suas profissões, carro, enfim, tudo e se permiterem se perder na vida de outra pessoa, por alguns dias viver uma vida que não lhes pertencia, e nisso acabam conhecendo novas pessoas que lhes dão um novo sentido para suas respectivas jornadas. Belo, divertido, recheado de clichês, mas os melhores que existem e mostrados da melhor maneira, cheio de boas cenas e bons diálogos, o filme é um brinde a vida, que quando termina temos a simples vontade de sair de casa e viver, uma obra de boas intenções que não há como não sentir feliz depois de assistí-lo, também por ser um filme de muita qualidade. Destaque para a belíssimo trilha sonora de Hans Zimmer e pelas atuações de Kate Winslet e Cameron Diaz, que por sua vez, brilha ao lado de Jude Law formando um dos mais interessantes casais da década.



06º Simplesmente Amor (Love Actually, 2003)


Dirigido por Richard Curtis, o mesmo por trás dos clássicos "O Diário de Bridget Jones" e "Um Lugar Chamado Notting Hill", aqui ele também assina o roteiro, que nos mostra de forma eficiente histórias paralelas, histórias de amor, amores não correspondidos, jovens descobrindo o amor, traição, pessoas tentando manter o amor após anos de casamento, uma teia de belíssimas tramas que conta com grandes personagens, funcionam quase como 'curtas' que se fundem em uma coisa só. O roteiro é brilhante e não há como não se envolver com as histórias contadas, além de contar com um elenco fantástico, como Keira Knightley, Emma Thompson, Alan Rickman, Bill Nighy, Laura Linney, Colin Firth, Liam Neeson, Hugh Grant, Rodrigo Santoro, entre outros, afiadíssimos em seus respectivos papéis. O filme termina e ficamos com algumas passagens na cabeça, seja algo hilário ou emocionante, definitivamente, uma obra marcante!



05º Letra e Música (Music and Lyrics, 2007)


Drew Barrymore e Hugh Grant também marcaram presença como um dos bons casais de protagonistas, neste divertido filme dirigido por Marc Lawrence (Amor à Segunda Vista), aqui, eles vivem Sophie e Alex, ele é um cantor decadente que fez sucesso na década de 80 e tenta manter sua carreira em pequenas apresentações cantando músicas antigas, enquanto ela é uma mulher extremamente criativa e inteligente que se esconde em pequenas profissões para camuflar seu grande talento, atitude que se revela fruto de um grande trauma do passado. Eles se unem para escrever uma canção para uma jovem cantora pop que se diz fã do trabalho de Alex, e juntos reunem suas forças e criatividade para lançarem um grande sucesso, ato que os traria de volta a vida, ambas figuras presas no passado que por puro medo não conseguem seguir em frente, enquanto isso, acabam se envolvendo e descobrindo entre o lápis e o piano, uma grande paixão. Boa história, bons personagens, bons conflitos, enfim, tudo funciona perfeitamente em "Letra e Música", que foi uma grande e grata surpresa dentre as comédias românticas lançadas, não esperava nada deste filme que se revelou uma obra inteligente capaz de emocionar e divertir num produto de qualidade, que nos mostra os anos 80 de forma engraçada mas sem menosprezá-los e sem fazer piadas de mal gosto, faz rir na medida certa sem ofender e nos cativa facilmente onde nos introduz a esse universo da música de forma interessante e conta com duas grandes interpretações, Hugh Grant, ao lado de "Um Grande Garoto" de 2002, "Letra e Música" marca seu melhor desempenho como ator e como comediante também, e Drew Barrymore brilha e encanta e ambos surpreendem juntos!



04º E Se Fosse Verdade (Just Like Heaven, 2005)


Baseado no livro de Mark Levy, "E Se Fosse Verdade" tem a direção de Mark Waters (Meninas Malvadas) e conta com Reese Witherspoon e Mark Ruffalo como protagonistas. Reese interpreta Elizabeth uma médica extremamente concentrada no trabalho que não tem vida pessoal, eis que no mesmo dia em que é promovida sofre um acidente de carro, não muito longe dali, David (Ruffalo) finalmente encontra um apartamento para morar, mas logo descobre que ele está habitado por um fantasma, o fantasma de Elizabeth que acredita estar viva e que ainda é dona do local, até que depois de eventos muito inusitados e sobrenaturais, ela se dá conta de que não possui mais seu corpo e que precisa descobrir o que houve e para isso conta com a ajuda de David, logo que ele passa a ser seu grande companheiro, e vice-versa, enquanto ela se surpreende por não se lembrar de sua vida passada, é quando chega a conclusão de que nunca teve uma para se lembrar e David passa a ser a melhor coisa que lhe aconteceu. Original, criativo, inteligiente, "E Se Fosse Verdade" tem um roteiro brilhante que chama a atenção pelas situações novas e pelos bons conflitos e reflexões que vão surgindo, além de um casal muito hilário que nos encanta facilmente, e com isso, dois grandes atores se divertindo em cena e nos emocionando com seus personagens!



03º Tudo Acontece em Elizabethtown (Elizabethtown, 2005)


Cameron Crowe foi um dos grandes diretores da última década e quando resolveu embarcar neste gênero tudo poderia ter ido por água abaixo, muitos acreditam que sim, mas particularmante, "Elizabethtown" é uma das comédias românticas mais marcantes para mim. Drew Baylor (Orlando Bloom) acaba de perder um emprego dos sonhos por um erro que cometeu, com isso, também perde a namorada (Jessica Biel) e não muito tempo depois descobre que seu pai falecera. Seu pai era separada de sua mãe (Susan Sarandon) e vivia com seus parentes em Elizabethtown e devido a isso, Drew tem de embarcar na pequena cidade para celebrar a morte deste grande homem, que para homenageá-lo todos resolveram criar uma grande festa, no caminho, conhece a aeromoça Claire (Kirsten Dunst) que passa a guiá-lo, e entre a nova amizade que surge entre eles, o reencontro com seus familiares, as mais belas lembranças que tem de seu pai, Drew se afunda numa grande depressão por seu grande fiasco no seu emprego, seu erro, seu fracasso, é onde entra Clair que lhe ensina algumas lições valiosas para a vida. Belo, divertido e sensível, "Elizabethtown" me pegou de surpresa, o filme mais amplo desta lista, com um grande roteiro, a obra que pouco foi valorizada, explora muito bem a comédia, o romance e o drama de forma delicada e harmoniosa, com uma das melhores trilhas sonoras do gênero (vindo de Cameron Crowe era de se esperar), com belíssimas locações, diálogos memoráveis, atuações convincentes, cenas marcantes que me fizeram rir e me emocionar como poucos filmes, que me fizeram perder a conta de quantas vezes já parei para assistí-lo, além daquelas frases inesquecíveis de efeito como "você tem 5 minutos para mergulhar na tristeza profunda, aproveite, desfrute, descarte...e siga em frente", uma obra fantástica que nos trás lições valiosas e só por isso vale cada segundo.



02º (500) Dias Com Ela ((500) Days of Summer, 2009)


Dirigido por Marc Webb, assim como disse anteriormente, "500 Dias com Ela" quebra as regras das comédias românticas e por isso merece o segundo lugar, aliás, merece o primeiro também. Conhecemos Tom (Joseph Gordon-Levitt) que trabalha fazendo cartões comemorativos mas seu grande talento é arquitetura, sua vida muda completamente quando ele conhece a nova funcionária, Summer (Zooey Deschanel), ele tenta de várias formas conhecê-la, até que consegue, mas se espanta com seu modo de pensar, ela não se envolve com ninguém, não sabe se apaixonar como todo mundo, "ama tanto seu cabelo quanto cortá-lo fora", mas mesmo assim ela se deixa envolver com ele. 500 dias depois, tudo acaba, Tom, tentando compreender porque tudo teve fim, revira todas suas lembranças ao lado desta louca, excêntrica e adorável mulher, que mexeu com sua vida, relembra os momentos de dor, os momentos de alegria, dos dias mais chuvosos aos mais ensolarados. "500 Dias Com Ela" não só foi um dos melhores filmes lançados em 2009 como também foi uma das melhores histórias de amor já contada no cinema, repleto de referências pop, o filme nos envolve de uma forma deliciosa, nos apegamos aos personagens e nos divertimos nesta grande viagem. A utilização de flash-backs foi perfeita e a meneira como a trama vai sendo costurada chega a ser genial, é tudo muito novo e original, como torcer por um casal se já sabemos que tudo termina 500 dias depois? A verdade é que esquecemos deste pequeno detalhe, e assim como Tom, não queremos aceitar o destino e ficamos na torcida por um final feliz, mesmo sabendo que ele não existe. Brilhante, fantástico, genial!



01º Alguém Tem Que Ceder (Something's Gotta Give, 2003)


Mais um dirigido, produzido e escrito por Nancy Meyers, que mostra aqui seu auge, seu melhor. Erica (Diane Keaton) é uma escritora bem sucedida que tem a infeliz notícia que sua filha (Amanda Peet) está namorando um homem muito mais velho, Harry (Jack Nicholson), um executivo da música que tem fama de azarar as mais jovens e num fim de semana na casa de campo de Erica, todos passam juntos para se familiarizarem. Até que Harry, devido sua idade, tem um ataque cardíaco e precisa ficar para permanecer em repouso, e quando todos vão embora, a escritora é obrigada a ficar e a cuidar do estranho, nisso, acaba surgindo uma amizade, e ambos vão descobrindo que tem mais coisas em comum do que pensam, mas a relação deles cresce, se envolvem de forma mais intensa e percebem que nunca é tarde para encontrar o amor, já que ambos chegaram na idade em que acreditavam que jamais algo tão fantástico ainda pudesse acontecer com eles, até que o repouso termina, e Erica e Harry tentam seguir suas rotinas, mas não conseguem, é quando se dão conta de quanto aqueles dias juntos significaram para eles.

A melhor comédia romântica da década, a escolha não foi tão fácil, mas não precisa muito para admitir e perceber o quão bom é este filme, uma bela história guiada por uma diretora competente e dois grandes atores em cena, Diane Keaton, indicada ao Oscar por seu papel e Jack Nicholson extremamente a vontade em seu personagem. Cheio de grandes momentos, diálogos marcantes, sequências belíssimas, que diverte e emociona, e que também nos inspira, cheio de boas intenções, idéias criativas e bastante inteligentes, definitivamente, uma grande obra da sétima arte, um filme de qualidade que supera qualquer expectativa. Vale muito a pena, só por ter Keaton e Nicholson no mesmo filme e ambos juntos, dispensa comentários...

quinta-feira, 9 de junho de 2011

O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford (The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford, 2007)


Baseado no livro de mesmo nome de Ron Hansen, o filme fora dirigido por Andrew Dominik, e conta com atuações de Casey Affleck, Sam Rockwell e Brad Pitt numa interpretação que lhe rendeu o Prêmio de Melhor Ator no Festival de Veneza em 2007. O longa conta o declínio do mais famoso fora-da-lei dos Estados Unidos, Jesse James.


por Fernando Labanca


Desde quando fora lançado nos cinemas, confesso que tive um certo preconceito com este filme, passando pelo nome que já entrega o que vai acontecer na trama e pelo fato de nunca eu ter me deparado com um faroeste que me despertasse grandes emoções, nem mesmo o elogiadíssimo "Bravura Indômita" me agradou. Eis que resolvi dar uma chance e logo nos primeiros minutos tive a certeza de que não me decepcionaria com minha decisão.

Conhecemos Jesse James (Brad Pitt) em seu último grande roubo, ao lado de seus inseparáveis companheiros, Charley (Sam Rockwell), Wood (Jeremy Renner) e Dick (Paul Schneider). No meio do seu bando, também havia outros comparsas, como alguns novatos no ramo, assim como Robert Ford (Casey Affleck), um rapaz tímido e um tanto quanto fracassado, nunca conseguia o que realmente queria, chamar a atenção de seu ídolo, Jesse James, por quem mantinha uma admiração obsessiva. Neste plano, o fora-da-lei acaba descobrindo que sua cabeça está a prêmio, existem pessoas além do próprio governo atrás de sua vida em busca de recompensa. A partir de então, ele compreende que enfim suas atitudes terão uma consequência, tudo está perto do fim, e passa a fugir, parando em locais diferentes para não ser descoberto, ao mesmo tempo em que se afunda em constantes oscilações de sentimentos, como fúria, medo, cautela e emoção.


Nesta situação complicada em que o herói dos bandidos se encontra, ele se depara, enfim, com Robert Ford, aquele que sempre esteve ao seu lado mas nunca o via de verdade, acha graça da adoração do jovem em sua personalidade e passa a admirá-lo por ser sempre fiel, enquanto passa a duvidar de seus antigos comparsas, os deixando cada vez mais de lado de seus problemas pessoais, sem nem sequer imaginar que Ford já havia se oferecido para matá-lo, tudo por uma questão de fama e de enfim ter reconhecimento por algo, nem que para isso precisasse matar aquele que mais admirava. Começa então, uma sequência de jogos sujos e trapaças por trás de Jesse James, que por sua vez, passa a "dar um fim" naqueles que o traíram em sua longa jornada, sem perceber que o pior de todos os golpes viria daquele que estava exatamente ao seu lado.


A pergunta que me veio à cabeça logo no início do filme, era como manter uma história se já sabemos a resolução dos conflitos, quem morreria e quem o mataria, fato que só acontece no final do longa. E esta é a grande genialidade de "O Assassino de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford", justamente por já nos revelar o que seria o grande suspense da obra logo em seu título, e mesmo assim, conseguir construir uma trama tão intensa e tão interessante, capaz de prender o público, mesmo já sabendo o que vai acontecer. A questão, então, passa a ser os porquês e como esta morte seria executada. O filme é longo, mais de duas horas e meia de duração, e nestes minutos, conhecemos vários personagens e algumas tramas que nos levam para o fim predestinado e em nenhum momento cansa, simplesmente não há como não desgrudar os olhos e prestar atenção a cada detalhe, pois é tudo muito fascinante, dos personagens a seus belos diálogos, do visual impactante ao final, que mesmo já revelado, ainda nos oferece beleza, nos oferece um fim marcante.

Andrew Dominik constrói um belo filme, não havia visto nada anteriormente deste diretor e me surpreendeu e muito. O filme tem um ritmo lento, mas ainda assim muito interessante, há personagens muito agradáveis e são por eles e pelas situações em que eles se encontram, que nos prendemos a obra. O visual é fantástico, as cores, a fotografia, é tudo muito belo, com suas bordas embaçadas, lembrando quase que uma pintura à óleo antiga mas com cores muito vivas, e a opção desta estética reforça a beleza do longa e é um dos pontos mais positivos do filme. Vale ainda citar a delicada trilha sonora assinada por Nick Cave.

As atuações são um show à parte. Brad Pitt está incrível na pele de Jesse James, o personagem já é extremamente interessante, mas sua performance o enriquece. Não há como não se envolver com ele, dá um realismo a cada oscilação que seu personagem enfrenta, convence nos momentos mais descontraídos quanto nos momentos mais intensos, se mostra mais uma vez um ator competente. Casey Affleck, por sua vez, é um coadjuvante de ouro, marcante, fora indicado ao Oscar e ao Globo de Ouro por seu papel, é através dele que a trama segue, é através dele que conhecemos todo este universo, constrói uma performance muito original, admirável, sua sensibilidade, seu fracasso, sua luta patética pela fama que é de partir o coração ao mesmo tempo que nos faz odiá-lo. Outros coadjuvantes brilham como Sam Rockwell, um ator que respeito muito, se destaca na pele de Charlie, além de Jeremy Renner e Paul Schneider muito bem em seus respectivos papéis. Ainda há participações de Zooey Deschanel (muito diferente do costume), Sam Shepard e Mary-Louise Parker.

"O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford" é simplesmente um filme fantástico, e falo isso mesmo não gostando muito do gênero, mas a obra está longe de ser taxada, é muito mais do que só um filme de faroeste, é um drama maravilhosamente construído, com um grau de complexidade muito além de filmes do gênero, com diálogos muito ricos e personagens muito bem desenvolvidos, marcantes, onde o roteiro trabalha perfeitamente suas inúmeras faces. Nunca sabemos ao exato quem são Jesse James e Robert Ford, aonde eles querem exatamente chegar e os porquês, ora são os heróis, ora são os mocinhos e quanto mais o filme vai adiante, mais conseguimos enxergar a humanidade presente neles, por mais crua que ela seja, e vamos entrando fundo na alma destes indivíduos, tentado achar as perguntas para as respostas que já temos. A história de um homem por trás de uma máscara de herói, a verdade de um homem por trás de um ato covarde.

NOTA: 9,5


terça-feira, 7 de junho de 2011

Crítica: O Assassino em Mim (The Killer Inside Me, 2010)


Sempre achei que os psicopatas eram mostrados de uma forma muito restrita nos cinemas. Tiveram um trauma de infância, rostos desfigurados, eram rejeitados pela sociedade desde muito pequenos e passavam por cima de qualquer um para realizar suas vinganças. Muitos filmes usaram essa fórmula pré-estabelecida e se esqueceram de dar personalidade à essas personagens. Feiúra era sinônimo de psicopatia.

Sinceramente, não tenho medo de monstros mascarados, que não se cansam de morrer e ressuscitar para fazerem mais vítimas em sequências totalmente descartáveis (embora algumas sejam divertidas) e não faço a menor questão de me importar com espíritos vingativos provenientes do além. O que me intriga é o homem comum. Aparentemente comum.

Aí assisti Psicopata Americano (American Psycho, 2000) e fiquei totalmente estarrecida com uma personagem, como faço questão de ressaltar, aparentemente comum, que tem as ideias e os desejos mais perversos e maldosos que se poderia imaginar. Patrick Bateman (Christian Bale) é uma das personagens mais marcantes do cinema pra mim, simplesmente o mal escondido numa máscara de perfeição, prontinho para escapar. Patrick é fascinante por ter uma áurea de normalidade existente em qualquer ser humano, pelo menos à primeira vista. Ele poderia ser o vizinho, o colega de classe, o conhecido do trabalho, o namorado atencioso...quem sabe?

E agora, depois de assistir "O Assassino em Mim", adaptação do romance homônimo escrito por Jim Thompson em 1952 percebi que Patrick ganhou um coleguinha à altura na minha galeria de psicopatas fodões do cinema.E acreditem, comparado a ele, Patrick chega a ser um vilãozinho mequetrefe à lá "Saga Crepúsculo".


Por Bárbara




Lou Ford (Casey Affleck) é assistente do xerife Bob Maples (Tom Bower), na pequena Central City, Texas. Bonito, educado e culto, Lou é respeitado por todos na cidade, serve de exemplo para os mais jovens e namora Amy Stanton (Kate Hudson), uma moça de família. Sempre solícito, faz favores para todo mundo. Um dia, Chester Conway (Ned Beatty), um poderoso empresário local, pede a Lou que expulse a prostituta Joyce Lakeland (Jessica Alba) da cidade, pois ela se envolveu Elmer Conway (Jay R. Ferguson), filho de Chester.

Chegando na casa de Joyce, depois de um breve desentendimento, Lou se encanta por ela e os dois começam um tórrido caso. Porém, depois de saber de Joe Rothman (Elias Koteas), um sindicalista, que de alguma forma os Conway seriam responsáveis pela morte de seu irmão adotivo, ele planeja sua vingança. Mas um crime gera outro, e para apagar seus vestígios, Ford comete mais assassinatos, despertando a atenção do promotor público Howard Hendricks (Simon Baker), o único que acredita que Ford não é o santinho que aparenta.

Em uma interpretação fantástica de Casey Affleck (muito mais talentoso que seu irmão Ben, pelo menos na atuação), Lou não é um mero serial killer que mata desembestado por aí. Apesar de tudo parecer aleatório e sem sentido, eu pelo menos enxerguei uma cadeia lógica de eventos que levaram Lou a agir e pensar daquela forma, mas creio eu que isso depende muito da interpretação pessoal do filme. Em poucas palavras, Ford é inteligente, frio e calculista.
Infelizmente, ainda permanece o clichê dos "traumas de infância", mas nada que estrague o resultado final. Pelo contrário: revelando o passado de Lou em doses esporádicas só faz aumentar a curiosidade do espectador e permite que um leque de interpretações se abra ao final do filme.

O destaque do elenco é com certeza Casey Affleck. Apesar de não ter a mínima possibilidade de o espectador se simpatizar com Lou Ford, a interpretação de Casey faz com que ele não se torne um vilão estereotipado, somente mau. Ele é um cara que come, dorme, trabalha normalmente, mas que tem esse "lado negro da força" dentro dele, e que por não saber conviver com isso de uma forma que não machuque os outros, tem o sexo sadomasoquista como uma parcial válvula de escape.Lou poderia ser nosso vizinho ou colega de trabalho. Sua personalidade não fica apenas restrita na ficção. Kate Hudson também fez um excelente trabalho, principalmente numa cena crucial que emociona até o espectador mais resistente. Ned Beatty, Tom Bower, Jay R. Ferguson e Elias Koteas fizeram o trivial. Simon Baker infelizmente interpretou Patrick Jane, da série The Mentalist, só que com mais seriedade e menos cinismo.Bill Pullman faz uma pontinha de luxo no final do filme, como um advogado charlatão. Jessica Alba só embelezou o filme e nada mais. Justamente na cena em que é exigida uma maior carga dramática, ela decepciona. Havia mais opções de atrizes lindas e talentosas para o papel.

Enfim, para quem como eu acha que os ditos homens comuns são mais fascinantes do que monstros ressuscitados á seu bel-prazer, assistam "O Assassino em Mim", eu super recomendo!

Nota: 9

sábado, 4 de junho de 2011

As Melhores Comédias da Década (2001-2010)


Começando aqui a reprise do que houve de melhor na década, especificamente, neste post, sobre os melhores filmes de comédia entre os anos de 2001 e 2010. Entre este período surgiram milhões de longas-metragens dentro deste estilo, gênero que até hoje é bem lucrativo, usando bons atores e diretores competentes, por mais que seje difícil nos últimos anos, ainda é possível se criar ótimos filmes de comédia, uma hora ou outra, a gente sempre acaba achando uma pérola, e são estas pequenas pérolas que surgiram que aqui irei comentar.

por Fernando Labanca

Antes do TOP 15, vale ressaltar o que houve de bom além dos filmes em si. Não há como não citar, se falando desta década, sobre Judd Apatow, o nome da comédia dos últimos anos. Escreve e produz longas desde a década de 90, mas foi a partir de 2001, que ele "revolucionou" o que hoje conhecemos por comédia. Seu jeito típico de se fazer rir, com um toque de genialidade e sempre bons atores a frente das câmeras. "O Virgem de 40 Anos"(2005) e "Tá Rindo do Quê?"(2009) são grandes exemplos da genialidade de Apatow. Através dele tivemos o prazer de conhecer Seth Rogen do também ótimo "Pagando Bem, Que Mal Tem?" (2008), hoje, um dos nomes mais importantes no gênero, conhecemos um lado incrível de Leslie Mann que não conhecíamos na década de 90, duas figuras marcantes em sua obra. E não podia faltar, Steve Carell, marcou presença na série "The Office" (para mim, uma das melhores séries cômicas já feitas!) e no cinema também. Além de Paul Rudd dos ótimos "O Âncora"(2004) e "Eu Te Amo, Cara"(2009) e o jovem Jonah Hill de "Superbad"(2007). Fora desse círculo, outra novidade foi Sacha Baron Cohen e seus falsos documentários, como "Borat"(2006) e "Brüno"(2009).

Vale citar os casos mais clássicos da comédia, Jim Carrey e "As Loucura de Dick e Jane"(2005), Will Ferrell e "Dias Íncríveis"(2003) com quem também contracenou com Vince Vaughn que mostrou uma habilidade fantástica na comédia como em "Separados Pelo Casamento"(2006). E Claro, Adam Sandler de "Eu os Declaro Marido e...Larry"(2007), Ben Stiller e o hilário "Antes Só do Que Mal Casado"(2007) e Owen Wilson de "Penetras Bons de Bico"(2005) e "Meu nome é Taylor, Drillbit Taylor"(2008).

As mulheres se destacaram mais nas comédias românticas, como Jennifer Aniston, Drew Barrymore e Cameron Diaz. Em comédia mesmo, destacaria, como coadjuvantes, Anne Hathaway, Emma Stone, Katherine Heigl e a brasileira Fernanda Torres do ótimo "Saneamento Básico, O Filme"(2007) dirigido por Jorge Furtado que também fez bonito em "Meu Tio Matou um Cara"( 2004). Dentre os diretores, além de Apatow, foram poucos se firmaram mesmo no gênero durante a década, mas vale citar Bobby e Peter Farrelly e Todd Phillips. Vamos então ao TOP Comédias da Década, que não foi fácil chegar em 15 filmes, pensei e repensei muitas vezes, tentando ser o mais justo possível, analisando não só aqueles que me fizeram rir, mas pensando no filme como um todo, seje pelas atuações e principalmente pela idéia, pelo propósito do filme e como este foi desenvolvido no roteiro.



15º- Uma Noite no Museu (Night at the Museum, 2006)


Para muitos, apenas um filme de sessão da tarde, mas desde a primeira vez que vi, percebi que havia muito mais neste pequeno projeto de Shawn Levy. Com Ben Stiller como protagonista, o filme mostra a vida de Larry que para provar para o próprio filho de que ele podia ser um homem de verdade, consegue um emprego como guarda noturno em um Museu, o problema que a noite, as peças empalhadas ganhavam vida. Mistura de Aventura com aspectos fantasiosos, o filme agrada fácil, principalmente pelo humor que ele apresenta e como esta inusitada trama vai sendo guiada. Stiller bem a vontade e coadjuvantes interessantes como Robin Williams, Owen Wilson e Carla Gugino.



14º- Todo Mundo Quase Morto (Shaun of the Dead, 2004)


Comédia britânica que satiriza os inúmeros filmes de zumbís. A brincadeira deu muito certo, tão certo que se transformou em um dos bons filmes de zumbís já feitos. Com Simon Pegg e Nick Frost nos papéis principais, a trama nos mostra com muito humor o dia numa cidade em que do nada as pessoas se transformaram em zumbís e passararam a aterrorizar os sobreviventes e um grupo de amigos tentam se livrar destas 'pragas', utilizando métodos nada convencionais. A história, os efeitos, o humor, atuações convincentes e a direção segura de Edgar Wright, tudo funciona aqui e por isso merece estar entre as melhores comédias da década.



13º- Escola de Idiotas (School for Scoundrels, 2006)


O filme é a prova de que um nome e uma capa ruim pode afastar muito público. Dirigido por Todd Phillips, o longa mal fora notado e até hoje me pergunto porque diabos eu aluguei este filme! A questão é que fora uma ótima escolha, arriscada, mas que jamais me arrependi, "Escola de Idiotas" é surpreendentemente bom, daqueles que não se espera absolutamente nada, mas te pega de surpresa, nos mostra uma história um tanto quanto boba, mas excelentemente desenvolvida. Conhecemos Roger (Jon Heder), aquele típico 'loser' norte-americano, que para 'aprender a ser um ser humano como os outros' entra numa escola para idiotas e ao lado de outros losers vai se revelar, jogar seus 'monstros' e angústias para fora, eis que percebe que seu professor (Billy Bob Thornton) é um grande picareta e tem planos muito maiores por trás de suas aulas. Uma bela crítica ao modo como as pessoas julgam e taxam as outras, além de um filme inteligente, utilizando ótimos atores e um humor afiado, a trama nos guia para um final um tanto quanto surpreendente também. Infelizmente pouco divulgado, definitivamente, uma pérola entre as comédias.



12º- Todo Poderoso (Bruce Almighty, 2003)


Aqui, Jim Carrey provou de vez sua veia cômica e ganhou milhões de fãs, inclusive eu. Conhecemos Bruce, aquele cara azarado que acha sua vida um mar de desgraça e injustiça, eis que se depara com um milagre, e durante um dia, Deus (Morgan Freeman) lhe concede seus poderes. Acompanhamos essas horas com este cara normal e seus poderes, descobrindo que a vida Dele não era nada fácil, ao mesmo tempo em que percebe que milagre não é necessariamente ter poderes. Engraçadíssimo, Jim Carrey em um de seus melhores momentos no cinema, uma obra cheia de boas intenções e uma história interessante, possibilitando ótimas sacadas de humor. Daqueles filmes para se ver inúmeras vezes. Destaque para Steve Carell e sua memorável cena produzindo sons estranhos ao tentar pronunciar os letreiros do telejornal o qual apresentava como âncora, perfeito.



11º- Os Normais (Os Normais, 2003)


O único nacional presente na lista, o longa de José Alvarenga Jr. nos mostra o que aconteceu com o casal Rui e Vani, interpretados por Luiz Fernando Guimarães e Fernanda Torres, antes da série de TV. Descobrimos como eles se conheceram, numa noite cheia de imprevistos, dois casamentos, dois loucos casais, uma só igreja e dois apartamentos um de frente para o outro, somados a situações inusitadas e bizarras. Idéia simples, mas o resultado final foi simplesmente incrível, muito mais do que um episódio estendido, "Os Normais" consegue fazer piada de tudo, atores brilhantes agindo com naturalidade em situações absurdas. Um dos poucos filmes de comédia que ri do começo ao fim, mas falo daquela risada gostosa, não forçada, e um dos poucos que riu mesmo tendo visto inúmeras outras vezes.



10º- Zumbilândia (Zombieland, 2009)


"Zumbilândia" seria algo como "Todo Mundo Quase Morto" dos Estados Unidos, mas a única coisa que se assemelha entre as obras é a sátira dos zumbís, mas o resultado final é ainda melhor. O longa nos mostra a trajetória de Columbus (Jesse Eisenberg) que se depara com todas as pessoas se tranformando em zumbís, devido a isso, se torna um expert em fugir deles, ao mesmo tempo em que procura outros sobreviventes, anos fechado em seu quarto, vai em busca daquilo que ele sempre ignorou, a vida. No meio do caminho acaba conhecendo outras três pessoas (Woody Harrelson, Emma Stone e Abigail Breslin) e juntos tentam encontrar um lugar seguro. Brilhante. Engraçado, ágil, inteligente, um filme em perfeito estado, que funciona não só como sátira, mas como uma obra original de comédia, mesclando com perfeita harmonia, drama, romance, terror e aventura.



09º- Zoolander (Zoolander, 2001)


Protagonizado, escrito, produzido e dirigido por Ben Stiller, "Zoolander" é uma sátira impagável do mundo da moda. Stiller é Zoolander, um famoso modelo de uma única expressão facial, tem como principal concorrente Hansel (Owen Wilson) que passa a ser o modelo número 1. Desesperado por ter perdido seu posto vai atrás de um expert empresário da moda, Mugatu (Will Ferrell), entretanto, ele mal desconfia que Mugatu tem planos muito maiores, faz uma lavagem cerebral em Zoolander, a fim de que ele possa ser seu escravo burro e sem atitude, para que ele mate pessoas que estão de certa forma, atrapalhando seu sucesso. Humor escrachado, Stiller, Wilson e Ferrell em um grande momento na comédia, três interessantes, bizarras e impagáveis performances. Simplesmente hilário, recheado de situações absurdas, humor na medida certa. Além de possuir uma história bastante criativa que nos desperta uma certa curiosidade.



08º- Click (Click, 2006)


De fato, uma das histórias mais interessantes e originais que passaram pelo gênero nesta década, digna de ficção ciêntífica cult, "Click" é muito mais do que só mais uma comédia, ou só mais um filme de Adam Sandler, é um filme que possui uma idéia fantástica, tira o melhor proveito dela, explora ao máximo suas possiblidades e o resultado é brilhante. Sandler é Michael, um cara sempre cansado da vida, se preocupa muito mais com o trabalho do que com sua família, até que certo dia, em busca de um controle universal para uso doméstico, acaba se deparando com um controle mágico capaz de alterar o curso de sua vida, voltando, reprisando ou acelerando fatos de seu cotidiano, até que passa a utilizá-lo para acelerar momentos em que ele julgava desnecessários, como aqueles difíceis de sua rotina, até que o "controle perde o controle" e Michael vê sua vida passando com um clipe acelerado, perdendo de vista todos as cenas importantes ao lado de sua família. Dirigido por Frank Coraci, "Click" não é comédia para se rir muito, seu humor está longe de ser uma das coisas boas do filme, admito. O melhor mesmo é sua idéia, o humor ainda assim funciona, deixa tudo mais leve, fazendo com que quando chegue as partes mais dramáticas, nos sentimos realmente emocionados. Quem não derramou pelo menos uma lágrima ao ver Adam Sandler correndo na chuva para dar seu último adeus? Recheado de bons momentos e boas idéias, "Click" é definitivamente uma obra rara.



07º- Trovão Tropical (Tropic Thunder, 2008)



Ás vezes, Ben Stiller tem uns 'insight's' e resolve fazer filmes e quando isso ocorre, o resultado é sempre ótimo, prova disso é ter dois de seus trabalhos entre os melhores. Mais uma vez protagonizando, produzindo, escrevendo e dirigindo, "Trovão Tropical" é uma sátira aos filmes de guerra e o cinemão hollywoodiano, a sátira funciona brilhantemente e o humor é fantástico, daqueles filmes que ficamos reprisando cenas hilárias na nossa mente tentando lembrar as melhores falas. Uma produtora de cinema coloca alguns atores no meio de uma floresta afim de que eles possam dar mais realismo a um filme de guerra que estava sendo feito, sem saber dos acontecimentos, os atores sem saírem de seus respectivos personagens tentam agir com naturalidade aos imprevistos, enquanto discutem sobre suas vidas, seus segredos mais íntimos e quem ali poderia ou não ganhar o Oscar de Melhor Ator. Só de escrever este parágrafo já me deu vontade de rir, é tão patético as situações que é impossível não dar risadas. Com formato blockbuster, cheio de efeitos, visuais e sonoros, o filme não alcançou o número de público desejado, mas quem viu, entendeu e entrou na vibe da brincadeira, provavelmente gostou, mas não é comédia para todos, não é convencional, além do fato de estar recheado de referências que nem todos entendem. Ainda há atuações surpreendentes de Robert Downey Jr. e Tom Cruise. Enfim, curti a zoação de Ben Stiller, ação e comédia de qualidade.



06º- Agente 86 (Get Smart, 2008)


Baseado na série de TV da década de 60, "Agente 86" consagrou de vez Steve Carell como comediante. Dirigido por Peter Segal, o longa faz uma 'refilmagem' pra lá de estilosa, trazendo este agente para os dias atuais, se aderindo às novas tecnologias, numa história interessante e cenas de ação de qualidade, de deixar 007 no chinelo. Carell é o Agente 86, tem métodos bem inusitados para resolver seus planos e ao lado da Agente 99 (Anne Hathaway) terá de descobrir os planos malígnos de um terrorista em solo norte-americano. Surpreendentemente bom, "Agente 86" é realmente engraçado, humor na dose certa, cativa facilmente aqueles que nunca ouviram falar da série, assim como eu. Um filme agradável, com boas cenas de ação, trama bem arquitetada, bons personagens e boas atuações. Steve Carell desenvolve um personagem incrível, não faz o agente burro que se dá bem por cagádas, e este é o maior mérito do filme, por não cair na armadilha do óbvio e do clichê, o agente de Carell é inteligente, o humor vem de outras situações e o ator é tão bom que sabe trabalhar em cima deste humor sem ser patético. Destaque para Anne Hathaway, muito mais do que só um rostinho bonito na tela.



05º- Sim Senhor (Yes Man, 2008)


Dirigido por Peyton Reed, vejo "Sim Senhor" como o melhor filme de comédia de Jim Carrey, tenho certeza absoluta que muitos discordam desta afirmação, mas este filme significa muito para mim, talvez o filme que eu mais tenha visto dentre todos que estão na lista, é um dos meus favoritos, tenho ele na minha coleção, vi duas vezes no cinema e já vi milhões de outras vezes em casa. Confesso que quando vi pela primeira vez não gostei tanto, mas a cada vez que assisto vejo algo novo, quanto mais eu vejo, mais eu gosto. O filme nos apresenta Carl Allen (Carrey), um empreendedor desmotivado, nada mais na vida lhe agrada ou te surpreende, por isso deixou de fazer tudo, até que por insistência de um amigo, ele acaba parando em uma palestra motivacional onde a palavra "Sim" daria um outro sentido na vida das pessoas, a partir de então, se arriscando nesta filosofia de vida, ele passa a dizer 'sim' para tudo, participando de cursos de aviação, coreano, violão, ajudando pessoas que antes não ajudaria, até que este 'sim' lhe dá um grande presente, Alison (Zooey Deschanel), com quem acaba se apaixonando. A prova de que é possível fazer grandes filmes com pequenas idéias, uma obra despretenciosa, cativante e cheia de boas intenções, é impossível não se sentir bem depois de vê-lo. Um filme fantástico, Jim Carrey incrível, Zooey belíssima e interessante. Uma obra para se ver, refletir e admirar.



04º- Ligeiramente Grávidos (Knocked Up, 2007)


Este, garanto, pegou todos de surpresa. Ninguém esperava nada deste filme, foi lançado e ninguém percebeu, e no boca-a-boca se tornou famoso e admirado por cinéfilos, firmando Judd Apatow como um dos melhores realizadores de comédia dos últimos anos. O único da lista a ser protagonizado por uma atriz, esta é Katherine Heigl (A eterna Izzie de Grey's Anatomy) que faz Alison, uma promissora repórter em início de carreira, que para comemorar uma promoção, sai para beber na noite ao lado de sua irmã (Leslie Mann) que mantém um relacionamento cheio de oscilações com Pete (Paul Rudd). Nesta mesma noite, Alison conhece Ben (Seth Rogen), os dois bebem, transam e no dia seguinte seguem suas vidas. Eis que ela engravida e vai atrás do desconhecido, e acaba se deparando com um homem que parece não ter crescido mentalmente, não tem emprego fixo nem uma condição financeira estável. O filme nos mostra esses dois estranhos se adaptando a nova realidade e o que vemos por fim, é uma obra fantástica, um roteiro surpreendentemente original e de qualidade, cheio de bons momentos, bons diálogos, personagens bem desenvolvidos e um humor que virou referência. Destaque para a belíssima Katherine Heigl, que foi muito mais além do que todos esperavam dela.



03º- Se Beber, Não Case! (The Hangover, 2009)


Dirigido por Todd Phillips que lançou sua sequência recentemente, o filme acompanha a badalada despedida de solteiro de Doug (Justin Bartha) ao lado de seus amigos, Stu (Ed Helms) e Phil (Bradley Cooper) e seu carente cunhado Alan (Zack Galifianakis). Em Las Vegas, o lugar onte tudo acontece, os amigos perdem o controle da bebida logo na primeira noite, e quando acordam no dia seguinte percebem que o noivo sumiu, há um tigre no banheiro, um bebê na porta do apartamento e um dente a menos na boca de Stu, levando o trio ao desespero e curiosidade para compreender o que realmente aconteceu a noite, juntos, eles tentar voltar seus passos para descobrir o paradeiro de Doug, antes que chegue o casamento. E se isso não bastasse, eles percebem que estão sendo perseguidos pela máfia. Uma história cheia de imprevistos e situações surpreendentes, um filme criativo, que abusa do bom humor para nos guiar a trajetória destes três interessantes personagens, interpretados por três grandes atores. O filme termina e chegamos a conclusão que ele não tem muito propósito, sua função é fazer rir do absurdo, e consegue isso com tanta, mas tanta competência, que não há como resistir e não se deixar levar por essa divertida e inusitada viagem e não há como não admitir que "Se Beber, Não Case" foi uma das melhores comédias feitas nesta década!



02º- Borat- O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja à América (Borat: Cultural Learnings of America for Make Benefit Glorious Nation of Kazakhstan, 2006)


Dirigido por Larry Charles, "Borat" é um falso documentário baseado no personagem criado pelo humorista britânico Sacha Baron Cohen, que também protagoniza do longa. Assim como já diz o próprio título, o filme acompanha em forma de documentário a viagem de Borat, o repórter do Cazaquistão à América, em busca de conhecimento cultural. No novo país, porém, ele se depara com costumes extremamente diferentes do seu, chocando a todos ao seu redor com suas atitudes pelo qual ele julga normal, como se banhar num lago, não reconhecer um elevador, uma escada-rolante, como levar em sua mala uma galinha e beijar homens como um simples cumprimento. Eis que ele conhece pela TV uma tal de Pamela Anderson e se apaixona por ela, é quando o encontro com a artista passa a ser seu principal objetivo na país. Um completo absurdo, o ápice no politicamente incorreto, "Borat", além de ser muito bem feito é um filme muito inteligente, que choca os mais conservadores, que aliás foi alvo de inúmeros processos, que sabe ser engraçado tão facilmente que quando menos percebemos já estamos chorando de tanto rir, parece forçado este comentário, mas "Borat" foi um dos poucos filmes que me fizeram rir até chorar, rir a ponto de ter que pausar o filme para não perder alguma parte, é tão, mas tão engraçado que não conseguimos acreditar que isto seria possível, rir tanto em um só filme e do começo ao fim. Até hoje me pego rindo com algumas situações do longa. Enfim, uma obra genial, que só não está em primeiro lugar devido a uma cena completamente desnecessária e apelativa de uma luta entre Borat e seu cinegrafista, completamente pelados, é uma pena, mas ainda assim conseguiu meu respeito e por isso conquistou o segundo lugar.



1º- Superbad - É Hoje (Superbad, 2007)


Enfim, a melhor comédia da década! "Superbad" me pegou de surpresa, realmente não esperava muita coisa deste filme, esperava uma obra que explorasse aquele típico 'american pie way of life', jovens atrás de sexo afim de perder suas virgindades antes de entrarem para faculdade. Sim, basicamente é isso, mas bem basicamente mesmo, o filme vai muito mais além disso, para minha surpresa e felicidade. Conhecemos dois inseparáveis amigos Seth (Jonah Hill) e Evan (Michael Cera), prestes a terminarem o colégio, onde não realizaram muitas coisas interessantes, decidem como última esperança de entrar na faculdade já tendo a experiência do sexo, ir para uma badalada festa, porém o único jeito de conseguirem ter moral o suficiente para entrarem na festa, Seth promete para Jules (Emma Stone), a garota que era apaixonado, que levaria as bebidas. Para isso, Seth junta seu melhor amigo e Fogell, um loser que sempre se infiltra na dupla, para conseguirem essas tais bebidas. Entretanto, eles perdem completamente o controle do plano, quando Fogell ao comprá-las num supermercado é assaltado e vai parar no carro da polícia para resolver o caso na delegacia, fazendo os amigos acreditarem que ele fora pego por ser menor de idade, confusão a parte, Evan e Seth partem em uma inusitada jornada para conseguirem de outras maneiras essas tais bebidas, se infiltrando em festas, enquanto Fogell, ou melhor, McLovin (como dizia sua carteirinha falsa) conhece o dia-a-dia de dois loucos policiais (Seth Rogen e Bill Hader).

"Superbad" vai além desta simples sinopse que fiz acima, o roteiro que é de Seth Rogen, nos mostra nas entrelinhas, uma trama sensível e delicada, uma trama sobre amizade, onde no meio desta louca confusão destes jovens, eles acabam trocando algumas confidências, falando um pouco de seus medos e inseguranças, pequenas mágoas do passado, nada forçado, muito típico de qualquer outro adolescente. O triunfo do filme é justamente no desenvolver destes personagens, que vão se fragmentando no decorrer da história e vamos conseguindo enxergar suas fragilidades, e com isso, a humanidade que eles carregam em si. O filme acima de tudo, preserva a naturalidade dos acontecimentos, há humanidade, há verdade nas situações, por mais exageradas e bizarras que elas sejam. O humor também funciona, graçás ao elenco jovem, iniciantes, mas que surpreenderam ao protagonizar e não falhar em nenhum momento, transmitindo uma maturidade e profissionalismo digna de palmas. Destaque para Jonah Hill, e para os coadjuvantes também novos, mas ainda assim, coadjuvantes de peso, como Christopher Mintz-Plasse e seu eterno "McLovin" e a interessantíssima Emma Stone, uma revelação. Um filme único, engraçado, inteligente e comovente, que nos faz rir com sua naturalidade e nos emociona com sua verdade.



quinta-feira, 2 de junho de 2011

Especial - Os Melhores da Última Década

Estou dando início aqui, a uma série de postagens especiais sobre a última década, ou seja, dos anos que seguiram entre 2001 e 2010. Reprisando o que houve de melhor nestes anos, entre gêneros, atuações e personagens, tentando ser o mais justo possível, mas é sempre bom deixar claro que cada um tem seu gosto e opinião, postarei aqui nada mais que minha perspectiva sobre o que aconteceu nestes anos que passaram. Há um bom tempo, e isso eu digo, desde o ano passado, venho anotando, recordando, buscando em anotações antigas e revirando minha memória, para escolher, e isto não é nada fácil, logo que teve muita coisa boa no cinema nesses últimos anos, os melhores da década. Portanto, sintam-se livres para descordar, criticar e fazer suas próprias listas, antes de mais nada sou um mero estudante de design que desde muito tempo admiro a sétima arte, não sou um crítico de cinema.

Ah! E não fiz estes posts logo no final do ano passado, por saber que alguns filmes de 2010 ainda estavam por estrear aqui no Brasil, portanto, os filmes citados daqui para frente são referentes ao ano de lançamento em seus respectivos países.

Fernando Labanca

quarta-feira, 1 de junho de 2011

2 em 1: Comédia

Antes de fazer um post especial sobre o gênero comédia na última década, resolvi comentar aqui duas comédias que assisti recentemente, aquelas que faltavam na lista das que eu mais queria ver. "Napoleão Dinamite" e "O Âncora - A Lenda de Ron Burgundy", ambos de 2004.

por Fernando Labanca


Napoleão Dinamite (Napoleon Dynamite, 2004)

Vencedor do MTV Movie Awards de Melhor Filme em 2005, o filme só chegou aqui no Brasil em 2006 e diretamente nas locadoras, e devido a isso, pouco se ouviu falar nesta obra. Dirigido por Jared Hess e tem Jon Heder como protagonista, no papel que marcou sua carreira. O longa foi baseado num curta-metragem do mesmo diretor "Peluca".

o filme acompanha o triste (e cômico) cotidiano de Napoleon Dynamite (Heder), um jovem que provavelmente sofre de 'asperger', que não consegue interagir com outras pessoas, tem dificuldade na fala, começa a falar com estranhos com xingamentos (you guys are idiot!). Vive com a avó e seu irmão mais velho, que não perde a chance de irritá-lo e humilhá-lo, mesmo sendo tão idiota quanto ele. Até que sua avó sofre um acidente e para ter um responsável na casa dos irmãos, chega o tio Rico, um metido a machão desempregado.

A vida começa a ter outro sentido pra Napoleon com a chegada de Pedro, um mexicano novo na escola que passa a ser seu único amigo no local. Até que Pedro se candidata à Presidente na Associação de Estudantes, e Napoleon passa a auxiliá-lo com divulgações mesmo não tendo nenhuma moral. Enquanto isso, tem que se preocupar em quem levar para o baile, logo que nunca percebe que Deb (Tina Majorino) sempre teve um certo interesse nele, mas que também nunca conseguiu tomar uma atitude.


Houve muita badalação quando estreiou nos EUA que logo pegou fama de 'cult' entre as comédias, venceu alguns prêmios, participou de importantes festivais, como o de 'Sundance', aquele para filmes independentes. Mas aqui no Brasil simplesmente fora ignorado. Depois de vê-lo entendi o porquê de ter sido deixado de lado, não é uma comédia convencional, segue uma linha muito diferente do que estamos acostumados a ver, não tem ritmo, nem uma trilha sonora muito interessante, tem um tom melancólico e devido a isso poucas vezes damos risadas, mas também esteve muito longe de conseguir emocionar, além das personagens e histórias estranhas, que aliás, tentam a todo tempo ser excêntricas, tendo assim como referência nítida as obras de Wes Anderson, o gênio por trás de "O Fantástico Sr. Raposo" de 2009 e o cult "Os Excêntricos Tenembaums" de 2001. Porque ser excêntrico é quase sinônimo de originalidade no cinema, mas poucos diretores conseguem ser assim como Anderson, e Jared Hess tenta, mas falha, e no resultado final, o que vimos é uma tentativa frustrada de querer ser algo novo se baseando na excentricidade, mas que só consegue ser algo estranho, sem criatividade e sem emoção.

As personagens aparecem na tela e pronunciam suas falas sem expressar algum tipo de sentimento, personagens que agem estranhamente e se vestem de maneira diferente, mais uma vez, querendo ser algo novo e despojado e até conseguiu ser visto por muitos dessa maneira, mas sinceramente, não me convenceu. Jon Heder está ótimo, ele é hilário e cria um personagem quase histórico, e somente por ele vale a pena ver o filme, é brilhante sua transformação em Napoleon Dynamite, encarna com convicção, não tenta ser idiota, age naturalmente com sua idiotice e por isso, merece e muito destaque. O restante do elenco é dispensável. O restanto de todo filme é. Pretencioso demais, querendo ser cult, mas não é, querendo ser excêntrico e original, mas só repete a fórmula de outras obras e constrói uma história vazia, sem graça, que vale somente pelo personagem título. O filme chega ao fim e percebemos que ele não foi a lugar algum, termina da mesma maneira que começou. Ah! E vale pelos créditos iniciais feito com comida e música de White Stripes.

NOTA: 3

OBS: O filme possui cenas depois dos créditos finais, mas foi só por curiosidade mesmo, não perca tempo assistindo, uma das cenas finais mais inúteis que vi na vida!

OBS 2: Em 2010, a Fox deu carta branca para o início de uma série animada, nos mesmos moldes de "Os Simpsons" e "Family Guy", se baseando neste mesmo filme. A série tem estréia marcada para início de 2012.




O Âncora - A Lenda de Ron Burgundy (Anchorman: The Legend of Ron Burgundy, 2004)

Dirigido por Adam McKey, o longa de comédia pastelão tem em seu elenco grandes astros do cinema que se manteram na tela e até hoje fazem sucesso, Will Ferrell, Christina Applegate, Paul Rudd e Steve Carell em começo de carreira. Ainda participações de Vince Vaughn, Ben Stiller, Jack Black, Tim Robbins, Luke Wilson e Seth Rogen.

O filme nos mostra a cidade de San Diego na década de 70, invadida por um telejornal, que os acorda todas as manhãs. Como âncora, está ele, o melhor de todos, o mais simpático e com o melhor corte de cabelo, Ron Burgundy (Ferrell). Com ele, está seus seguidores que também trabalham em outras matérias dentro do jornal, Brian Santana (Rudd), Champ Kind (David Koechner) e o homem do tempo Brick Tamland (Carell), juntos, levam as melhores notícias para a cidade e a noite festejam como amigos inseparáveis, e em uma dessas festas, Ron conhece Veronica (Applegate) e fica encantado, mas age como um idiota.

No dia seguinte, Veronica aparece na emissora como uma nova jornalista, fazendo matérias sobre cozinha e outras coisas nada importantes. Decidida a ser vista como uma profissional que pode ir muito mais além, que tem potencial para ocupar um lugar de destaque na TV. E devido a uma falta de Ron, ela comanda como âncora o programa, dando início a uma guerra entre sexos, onde ele irá provar para todos que só ele pode ocupar este lugar, enquanto ela tenta provar que San Diego precisa de uma nova cara para representá-los.


"O Âncora" tem passagens hilárias, de dar risada mesmo, é realmente divertido a guerra dos sexos apresentada, com boas sacadas, além de cenas que beiram o ridículo, mas que divertem pelo nonsense, como a cena em que os âncoras dos telejornais entram numa batalha à la "Gangues de Nova York". Enfim, humor escrachado, pastelão, mas que não é apelativo como muitas comédias de hoje, que apostam em coisas nojentas ou nudez para provocar risos, humor a base de constrangimento. Aqui, o humor surge fácil e com boas intenções.

Will Ferrell em um dos seus melhores momentos no cinema, fato. Ron Burgundy é hilário e um personagem muito interessante. Christina Applegate, a queridinha do começo da década de 90, onde o tempo ainda não apagou sua beleza, e como atriz de comédia, ela se sai muito bem, muito carismática, é ela quem vai guiando os acontecimentos do filme. Os coadjuvantes feitos por um elenco grandioso, alguns até fazendo ponta, mas se destacam, confesso que ria a cada fala de Steve Carell, já provando ali sua incrível veia cômica. O filme só não é tão incível assim, por ser uma história muito limitada, não tira o melhor proveito das situações ali apresentadas, poderia ser um filme que abordasse temas interessantes, mas chega ao fim e percebemos que seu propósito era só fazer comédia, e infelizmente, devido a isso, o filme não cresce como deveria, tinha atores competentes para fazer algo maior e uma base no roteiro para explorar situações mais interessantes. Mas não ocorreu. Entretanto, pelo elenco, pelo delicioso humor e por algumas cenas memoráveis, vale muito a pena. Se procura conteúdo, passe longe, se o que deseja é simplesmente rir de uma obra despretenciosa, o lugar é esse.

NOTA: 7,5

sexta-feira, 27 de maio de 2011

2 em 1: Tron












Quando "Tron - O Legado" chegou nos cinemas ano passado, fiquei realmente interessado logo pelos trailers que nos mostrava aquele visual novo e impactante. Decidido a assistí-lo, fiz o que sempre faço, pesquiso antes na internet para ver exatamente do que se trata a obra e para minha surpresa, descubro que o filme na verdade era uma continuação de uma ficção ciêntifíca dos anos 80. E antes de assistir "O Legado" fiz questão de ver o primeiro, o que ocorreu há poucas semanas atrás e logo após fui atrás da continuação, não só para fazer uma comparação, mas seguir uma linha cronológica e não correr o risco de ficar perdido na segunda trama. Aqui, então, eu vos escrevo o que achei sobre ambos projetos, que são separados por um período de quase 30 anos.

por Fernando Labanca



Tron - Uma Odisséia Eletrônica (Tron, 1982)

Um dos primeiros filmes da história a usar os efeitos da computação gráfica de forma tão ampla, é quase o filme inteiro de efeitos especiais, que pouco se conhecia na época, entretanto, "Tron" não foi um marco, produzido pela Disney e com Jeff Bridges como protagonista, o filme fora esquecido pelo tempo.

Na trama, conhecemos a "ENCON", uma grande companhia que trabalha no desenvolvimento de programas de computador de extrema inteligência. Não muito longe dali, Kevin Flynn (Bridges) é um ex-funcionário da empresa, um expert em criações de video-games, mas fora demitido e obrigado a trabalhar em uma Arcade por conta própria, tudo isso pois Ed Dillinger (David Warner) rouba suas idéias e é promovido a Vice-Presidente.

Alan Bradley (Bruce Boxleitner), amigo de Flynn e ainda funcionário da Encon, acaba de desenvolver TRON capaz de monitorar O Programa de Controle Mestre (MCP) criado por Dillinger. O MCP por sua vez, controla tudos os programas e é capaz de detectar invasores, o que ocorre quando Flynn cria CLU, um programa invasor da Encon para descobrir e revelar a todos a grande farsa de Ed. É então que Bradley e sua namorada Lora (Cindy Morgan) vão atrás de Kevin avisar que CLU fora detectado e seu plano fora por aguá a abaixo.

Até que Flynn resolve fazer o impossível, através do computador de Lora, dentro da Encon, invadir o próprio sistema, o que ele não esperava é que Lora desenvolvera uma máquina capaz de digitalizar objetos do mundo real para o mundo digital e por um incidente, Flynn se depara com um mundo novo, cibernético, o mundo dos programas, manipulados por MCP que captura novos programas e faz suas análises, se fosse inútil seria descartado, caso contrário o testariam em jogos de gladiadores. Entretanto, Kevin não passava de um Usuário, e lá acaba encontrando Tron e junto com ele, tenta vencer esses jogos e conquistar seus objetivos.


Um grande achado, admito. Um filme perdido no tempo mas que tem lá seu valor. Valor principalmente histórico, apesar de não ter tido reconhecimento, até por ser um filme fraco comparado com outras ficções ciêntíficas, mas por ser um dos primeiros a ser quase que inteiramente feito em computação gráfica. É interessantíssimo assistí-lo e analisar como o cinema evoluiu e o que a tecnologia era capaz de fazer naquela época e o que ela é capaz de fazer hoje. Foi muito arriscado fazê-lo, mas para a idéia de "Tron" não haveria outra forma para fazê-lo senão se arriscar numa tecnologia que ainda não sustentava essa grandeza de efeitos. Hoje quando vemos, parece tudo muito estranho, chega a dar dor de cabeça, mas é preciso analisá-lo como um filme de 82, e por isso, merece destaque, está longe de ser comparado a outros filmes da época como Blade Runner que fora lançado no mesmo ano, mas como havia dito, tem seu valor.

Mas o defeito mesmo da obra foi na hora de construir seu roteiro. A história é nova e bem criativa, aliás, com ela seria possível fazer um grandioso filme, mas isso não ocorreu. "Tron" não tem ritmo, é cansativo, nem mesmo os efeitos nos prende e a trama não é bem desenvolvida. Parece uma sequência de imagens que estão ali acontecendo, mas em nenhum momento nos sentimos interagidos com ela, não há como torcer por nenhum personagem, o filme acontece sózinho e não nos convense. Não há uma grande surpresa nem uma grande cena e ainda há diálogos vazios que nada expressam.

Vale conferir pela tecnologia usada, como forma de análise e perceber como os recursos de hoje permitem um resultado muito mais avançado e muito mais belo, visualmente falando. A história é bem original que nos desperta uma certa curiosidade por conhecer este mundo, que para nossa geração faz tudo muito sentido, mas acredito que naquela época, "usuário" e "bits", entre outras palavras desse universo fizeram muita gente desistir de compreendê-lo. Mas faltou desenvolver melhor a história e os personagens e nos levar para dentro deste mundo, poderia muito bem dizer que, se este filme fosse feito nos dias de hoje e com a tecnologia que temos daria um grande filme, mas isto ocorreu, ano passado e vejo que faz muito sentido resgatar "Tron" para os dias atuais e construir novamente este mundo mas com os recursos avançados.

NOTA: 5



Tron - O Legado (Tron Legacy, 2010)

Não como refilmagem, mas sim uma continuação, a idéia de trazer "Tron" da década de 80 para a nova geração foi certamente uma grande sacada, não só porque hoje há tecnologia para sustentar este universo, mas porque mesmo depois de 28 anos, a linguagem desta obra é muito atual, provando o quão avançado estava "tron" de sua época quando fora lançado. Desta vez, dirigido por Joseph Kosinski, enquando o diretor do anterior Steven Lisberger volta como produtor, e ainda contando com Jeff Bridges no mesmo papel.

Assim como na vida real, muitos anos se passaram desde o término dos últimos acontecimentos. Flynn se tornou presidente da Encon e ainda tem Bradley como seu braço direito. Teve um filho, Sam, mas sempre foi muito ausente. Enquanto isso, no mundo digital, são criados ISO's, programas inteligentes que não foram desenvolvidos por Usuários, CLU, o programa de Flynn os vê como vírus e decide exterminá-los, mas o próprio Fynn e Tron o impedem, nascendo ali uma inimizade que custaria a liberdade de Kevin, que fica preso novamente no mundo cibernético, não deixando rastros no mundo real. Muitos outros anos se passam, CLU passa a seguir um caminho inesperado perdendo o controle de si mesmo, quer invadir a Terra a continuar sua destruição para fora daquele mundo, entretanto, para isso, precisava de um programa criado por Kevin, capaz de materializar coisas digitais, que se encontrava exatamente no "disco" de Flynn, disco que todos possuem onde contém todas as informações e memórias de um "programa".

Para isso, CLU envia uma mensagem para Bradley para que ele retormasse e se tornasse seu refém, mas quem retorna é Sam (Garrett Hedlund), a anos tentando encontrar respostas do desaparecimento de seu pai, e sem compreender o que realmente significava tudo aquilo, se depara com um mundo novo, Sam é detectado como um programa e não como um Usuário, passando assim, pelo mesmo processo que Flynn passara anos atrás. Até que é salvo por Quorra (Olivia Wilde), uma ISO que o leva finalmente até seu pai. A partir de então, Sam, Quorra e Kevin tentam chegar a um portal que seria aberto para o mundo real, mas até lá, teriam que enfrentar programas terríveis que querem a todo custo as informações de Flynn.


Assistindo a "Tron-O Legado" dá para entender o porque da Disney resgatar este universo, ainda há muito o que contar, um mundo muito amplo e cheio de novas possibilidades, mas agora com a vantagem de se ter recursos para se produzir longas-metragens desse porte. A história desta sequência ainda é bem criativa, aproveita bem os termos tecnológicos e dialoga com a nova geração, mas ainda comete os mesmos erros do anterior, que é ainda não conseguir envolver o público por inteiro, falta criar um interesse maior, a trama mais uma vez acontece sem nos convenser tanto, e que apesar da originalidade do projeto, falta uma mão mais segura para comandar tudo isso, de um roteiro que consiga desenvolver as tramas (e sub-tramas) e um diretor que dê mais ritmo, pois ainda há passagens cansativas e que não despertam nenhum interesse. Mas vale lembrar que Joseph Kosinski é iniciante, então, digamos, foi um bom começo.

Não há como ver a este filme e não se encantar com o visual. Estéticamente falando, o filme é fantástico. As luzes de néon, a iluminação, o design futurístico, figurinos interessantes, enfim, toda a direção de arte se empenha para fazer algo de qualidade e conseguem. Mas o melhor de tudo isso, é que conseguiram não só fazer algo belíssimo, mas também conseguiram reconstruir aquele universo de 82, houve muito respeito da equipe técnica por justamente respeitar aquilo que havia sido criado e melhorá-lo, tudo o que vimos no primeiro aqui retorna, mas muito melhor, visualmente. Portanto, quem admira o original, dificilmente se decepcionará com a segunda parte, há todo um cuidado para manter a idéia do primeiro, e por isso, tem seu valor. Outro ponto muito positivo é sua trilha sonora, composta por Daft Punk e suas batidas eletrônicas que se encaixam perfeitamente nas cenas, incrível!

Garrett Hedlund já não é mais novato no cinema, por mais que ainda seje um rosto desconhecido por muitos, o ator cresceu como profissional e se dá bem como protagonista, convense, e seu personagem é melhor desenvolvido do que Jeff Bridges no original. Este, que retorna ainda como Flynn, que deve ter se divertido, reprisando quase 30 anos depois, o mesmo papel, e se sai melhor também, óbvio, anos de experiência e um Oscar nas costas, e ainda há toda uma história interessante para seu personagem, seu envolvimento com o filho, é tudo muito bobo, para falar a verdade, mas ainda assim, faz com que o filme flua melhor que o primeiro, não deixando de ser algo vazio só para mostrar um mundo diferente, onde os personagens são meras peças de tabuleiro, aqui eles existem e tem sentimentos, um ponto positivo para "O Legado". Ainda há Olivia Wilde, sempre bela e isso é o suficiente para Quorra, e o versátil Michael Sheen, caricato ao extremo como vilão secundário, mas interessante.

Visualmente, muito melhor, é claro. Aliás, pelo visual já vale muito a pena conferir "Tron-O Legado", que aliás, seje até um filme feito para mostrar uma nova tecnologia e um visual impactante, onde a história é um mero pano de fundo, mas também este não foi o primeiro e nem será o último longa a fazer isto, mas que consegue divertir e entreter, consegue, ainda não por completo devido aos defeitos como falta de ritmo e um fraco desenvolvimento das tramas, e os inúmeros clichês, enfim, inovação aqui é só no visual. Vale ainda citar, que recomendo ainda ver o primeiro antes de chegar no segundo, facilita e muito a compreensão de alguns detalhes. O filme termina e não nos esquecemos dele alguns segundos depois, assim como ocorreu em "Uma Odisséia Eletrônica", mas também está longe de ser uma obra memorável, ainda há muito o que melhorar, logo que em breve veremos "Tron 3" e não me surpreenderia em ver muitos outros vindo por aí...! Dá para arriscar, mas ainda não espere muita coisa.

NOTA: 6.5

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Scott Pilgrim Contra o Mundo (Scott Pilgrim vs. The World, 2010)

Baseado na HQ de Bryan Lee O'Malley, o filme dirigido por Edgar Wright, o mesmo de "Todo Mundo Quase Morto", trás as aventuras de Scott Pilgrim que para ter a garota de seus sonhos teve que lutar por ela, literalmente!

por Fernando Labanca

Scott Pilgrim, aqui interpretado por Michael Cera (de Juno e Superbad), é um jovem nerd, que divide seu quarto com seu amigo homossexual (Kieran Culkin) e tem uma banda de rock, a "Sex-Bob-OMB!" com outros colegas. Vive em Toronto, Canadá e acaba de conhecer uma garota, bem mais nova que ele, Knives Chau (Ellen Wong), completamente apaixonada por Scott e amiradora fiel de tudo que ele faz e diz.

Eis que sua vida muda completamente, quando vê Ramona Flowers (Mary Elizabeth Winstead), a tal garota de seus sonhos, fica loucamente interessado por ela e toda sua estranhesa, por seu olhar vazio e por toda emoção que ele não transmite e seus cabelos que sempre estão de cores diferentes. Começa então, a meio que persegui-la para ter uma chance de ao menos ter alguma conversa com ela. Até que isso acontece, Scott conhece Ramona, mas o que não imaginava é que para tê-la ele precisaria lutar, isso mesmo, lutar com todos os ex-namorados dela (um mais bizarro que o outro), que possuem poderes especiais e surgem sempre quando ele menos espera. A partir de então, Scott Pilgrim entra numa batalha inusitada e cheia de surpresas, tudo para ter Ramona Flowers!


"Scott Pilgrim Contra o Mundo" chamou a atenção dos cinéfilos por sua inovação estética, insere toda essa trama no universo nerd, com referências à HQ's e principalmente Video-Games, suas batalhas, realmente parecem ter sido tiradas de um jogo, desde sua trilha sonora, ao visual, passando por pequenos detalhes, como "ganhar vida extra" entre outras coisas. Edgar Wright faz com seu filme, o que Robert Rodriguez fez com "Sin City", até hoje a obra mais inovadora no quesito HQ, com aquele visual que conseguia transmitir com precisão suas referências. "Scott Pilgrim" foi a obra que mais chegou perto do universo dos "Video-Games" e conseguiu, com muita competência e com muita qualidade passar essa idéia.

Edgar Wright é um dos bons diretores da atualidade e com este filme consegue provar isto. O longa tem um bom ritmo, seja na comédia, que aliás tem ótimas sacadas e um humor afiado ou nas cenas de ação, com direito a câmera lenta e ainda estilosas onomatopéias. Soube trabalhar muito bem com os efeitos visuais, e toda a estética do filme é interessante, a fotografia é incrível. Destaque para a equipe que conseguiu fazer uma incrível e muito detalhada transição da HQ de Lee O'Malley para o cinema. Uma obra cheia de detalhes e curiosidades que nos prende a atenção, é tudo muito novo e original.

O problema de "Scott Pilgrim Contra o Mundo", não é exatemente o roteiro, mas sim a idéia, o propósito. Quanto a idéia de transmitir o universo dos 'video-games', nota 10, entretanto, no quesito história fica devendo e muito. Não colou a história de um jovem que precisa lutar com os ex-namorados de uma garota para poder ficar com ela (WTF?), para mim, não fez o menor sentido, mesmo entrando na vibe do filme e em todo seu clima nostálgico, a história não convense. Chega ao ponto de ser boba, isso mesmo, a trama é boba, tudo ocorre maravilhosamante bem até que do nada aquele jovem normal e nerd começa a dar uns mortais e consegue manusear espadas (???) e todo mundo lida normalmente com tudo isso acontecendo, como se fosse muito natural no meio de um show, surgir alguém dando início a uma batalha com direito a poderes especiais e dizendo que você é obrigado a participar dela para ter a garota que ama, fala sério!!! Não faz sentido, é uma idéia muito pequena e completamente sem lógica. E o pior é que em nenhum momento sentimos que Ramona faria o mesmo por ele, em nenhum momento sentimos que ela realmente o ama, então...qual o sentido de passar por isso?? Nenhum.

A escolha no ator principal também me incomoda. Michael Cera insiste em fazer o mesmo, a mesma face, a mesma expressão, o mesmo tom de voz, a única sorte que ele teve é que Scott Pilgrim é o mesmo personagem que ele havia feito em todos seus outros filmes. Quando vi "SuperBad" até achei engraçado, mas depois descobri que ele só conseguia fazer isso, perdeu a graça e aqui é complicado vê-lo em cena e assistir sua performance nada inovadora. O resto do elenco convense e são eles que dão o ritmo ao filme, Mary Elizabeth Winstead consegue provar talento mesmo quando sua personagem não transmite emoção, mas tem carisma e Ramona é bem cool e chama a atenção. Destaque para Kieran Culkin que há anos não aparecia num filme, rouba diversas cenas como o amigo gay de Scott, sem trejeitos e com naturalidade. Ainda tem a doce e carismática Anna Kendrick como irmã de Pilgrim e o sempre interessante Jason Schwartzman, estranho como sempre.

Enfim, vale a pena, principalmente pelo visual inovador e todas suas referências, mesmo quando a história fica devendo. A originalidade de "Scott Pilgrim Contra o Mundo" se limita a sua estética e a pequenos detalhes de cada cena que nos remetem a elementos do universo nerd, e por essa experiência, vale a pena. Destaque para a ótima direção de Edgar Wright e ao jovem elenco de atores promissores (exceto de Michael Cera). É algo novo e por mais que a história seja simplória, não a vimos em nenhum outro lugar (felizmente), portanto é uma obra acima de tudo, original, tem seus pontos altos e baixos, as qualidades superam, mas é inevitável não ver seus defeitos e com tantos elogios que ouvi e li sobre este filme, não pude deixar de sentir, por mais que eu tenha lutado para que isso não acontecesse, decepção, admito que vi para gostar e dar nota 10, mas não foi dessa vez...Recomendo, mas ficou abaixo de minhas expectativas!

NOTA: 6.5


Obs: Quem tiver a oportunidade de ver em "DVD" vale mais a pena ainda, os 'extras' são ótimos e o final alternativo é melhor.





GAME OVER

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