sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Crítica: À Procura do Amor (Enough Said, 2013)

É sempre bom nos deparar com aquele tipo de filme que foge a regra, e "À procura do Amor", ao contrário do que o título em português denuncia, é uma comédia romântica que vai em direção oposta às muitas que são produzidas. A diretora e roteirista Nicole Holofcener traz maturidade ao seu roteiro, conduz sua trama de forma bastante verossímil e que acaba ganhando ainda mais destaque por ter como protagonistas dois excelentes atores, Julia Louis-Dreyfus e James Gandolfini.

por Fernando Labanca

Conhecemos Eva (Dreyfus), uma mulher que se sustenta trabalhando como massagista, é divorciada e vive com sua única filha, que está prestes a partir por causa da faculdade. Certa noite, ela decide acompanhar seus dois grandes amigos, Sarah (Toni Collette) e Will (Ben Falcone) a uma festa, é onde conhece Marianne (Catherine Kenner), uma autora de livros que ao descobrir a profissão de Eva, decide ser sua cliente. Nesta mesma festa, porém, é onde Eva conhece Albert (Gandolfini), um homem que passa por uma experiência parecida com a sua, é divorciado e sua filha também está partindo. Deste encontro, Eva e Albert passam a se ver com frequência, se dão extremamente bem, entretanto, o que ela não imaginava e só percebe um bom tempo depois, é que Marianne, sua mais nova amiga e confidente é a ex de Albert e seu passatempo predileto é dizer o quanto ele a irritava. Sem revelar a verdade, Eva a usa para conhecer melhor o homem com quem está saindo, uma maneira incomum de prever um desastre ou de simplesmente destruir a imagem perfeita que tem dele, justamente para não se machucar depois.


terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Crítica: Ferrugem e Osso (De Rouille et d'Os, 2012)

Um dos indicados à Palma de Ouro no Festival de Cannes de 2012, “Ferrugem e Osso” conta com uma delicada atuação de Marion Cotillard e narra de forma impactante o encontro de dois personagens, que vivem em pontas opostas, vivendo no limite de uma situação, ambos tentando se adaptar a um mundo que desconhecem. Extremamente ousado e original, um filme que surpreende ao não apelar para o romantismo, conseguindo ainda despertar sensações em seu público, sendo assim, mesmo com sua frieza, uma obra difícil de ser esquecida.

por Fernando Labanca

Alain é um bruto homem que viaja com seu pequeno filho para viver na casa de sua irmã e conseguir assim uma vida melhor, já que pouco tem para sustenta-lo. Não demora muito, ele consegue um emprego como segurança de uma boate, é lá que conhece Stéphanie (Marion Cotillard). Ela é uma treinadora de baleias e em uma de suas apresentações acaba sofrendo um acidente, perdendo suas duas pernas. Transtornada e sem saber muito o que fazer, Stéphanie decide entrar em contato com Alain, a partir deste momento, ele será o elemento que a fará aceitar sua nova vida, aceitar suas limitações, enquanto que ela lhe dará confiança para seguir um novo rumo em sua vida, ser um lutador de rua, usando toda sua força para sustentar seu filho.


sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Crítica: Blue Jasmine (2013)

Woody Allen tem sua carreira marcada por altos e baixos, não é de se esperar que tudo produzido por ele seja perfeito, até porque o diretor tem praticamente um longa lançado a cada ano, no entanto, ainda assim, é de se espantar a qualidade de suas obras e mesmo em seus "filmes menores" há sempre algo a ser admirado. "Blue Jasmine" parecia, de longe, um trabalho qualquer, um intervalo para um próximo grande filme, estava enganado, Woody surge, surpreendentemente renovado, construindo uma de seus obras mais corajosas. Pode até não se enquadrar no grupo de seus "filmes maiores" como "Annie Hall", "Match Point" ou "Meia-Noite em Paris", mas se enquadra, com toda certeza, no grupo dos melhores que ele já realizou.

por Fernando Labanca

Em cada novo trabalho de Woody Allen, está lá, a cidade como personagem e um protagonista intelectualizado e idolatrado pelo próprio roteiro. A revolução do diretor começa neste ponto, por retornar ao seu país, tendo a cidade de San Francisco como cenário, mas não uma cidade bela que tem vida própria, e sim, uma cidade vazia, fria, que não acolhe seus habitantes, que por sua vez, estão em total decadência. E esta é a nova protagonista escrita por ele, Jasmine, em decadência, que perdeu seu dinheiro e precisa se reerguer mesmo fazendo parte de uma classe a qual sempre rejeitou, a dos desafortunados. Ele não a idolatra, não lhe dá chances, muito pelo contrário, sua personagem é sofrida, lhe entrega a dor e rejeição, exatamente como não tivemos a oportunidade de ver em nenhum outro filme dirigido por ele.


terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Crítica: O Hobbit - A Desolação de Smaug (The Hobbit - The Desolation of Smaug, 2013)


Demorei, mas finalmente assisti a tão aguardada sequência de "O Hobbit". Ainda dirigido por Peter Jackson, o filme surpreende por seus efeitos visuais e sequências extremamente bem executadas, entretanto deixa a desejar como adaptação, abusando de escolhas desnecessárias, desconstruindo de forma épica o universo criado por Tolkien.


por Fernando Labanca

Assim como a maioria das trilogias, a segunda parte carrega em si uma responsabilidade enorme, é o meio do caminho, mais do que manter as qualidades do primeiro, necessita instigar seu público a querer continuar na jornada. Alguns filmes conseguem este feito, outros passam a ser meros "filmes ponte" aquele que apenas conecta o primeiro ao terceiro. "A Desolação de Smaug" até se esforça mas não consegue ir além do que introduzir o último capítulo. Não só é pior que seu anterior como também não é capaz de criar uma narrativa bem elaborada.

Neste segundo, Bilbo e os anões continuam suas jornadas até a Montanha Solitária, agora sem os sábios conselhos e ajuda de Gandalf, eles terão de enfrentar inúmeros obstáculos, inclusive os insistentes ataques dos orc's, liderados por Azog. Entretanto, o perigo dessa vez é bem maior, precisam recuperar o tesouro que está sob o cuidado do dragão Smaug, mais do que isso, precisam recuperar a pedra de Arken, que fará de Thorin o rei de Erebor.


sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Oscar 2014 - Os Indicados



Este é o momento do ano que muitos cinéfilos esperam, ainda que muitos critiquem a premiação mais manjada de todos os tempos, o Oscar é a premiação mais importante e mais comentada e críticas a parte, o evento acaba que revelando títulos interessantes e colocam em evidência obras que poderiam passar despercebidas.

A lista dos indicados ocorreu na manhã de quinta-feira (15/01) pelo ator Chris Hemsworth e como todo ano a Academia tem aqueles favoritos já dá para ter uma noção dos vencedores e o Cinemateca revela aqui suas apostas, levando em consideração a expectativa e a realidade. 

por Fernando Labanca

Como favoritos, "Trapaça" de David O'Russell e "Gravidade" de Alfonso Cuarón lideram nas indicações, cada um com 10, são portanto, os grandes favoritos do ano, ao lado da obra de Steve McQueen, "12 Anos de Escravidão" que foi lembrado em 9 categorias. Outros títulos tiveram destaque entre os indicados, como "Ela" de Spike Jonze, "Nebraska" de Alexander Payne e "Clube de Compras Dallas" dirigido pelo canadense Jean-Marc Vallée.



segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Globo de Ouro 2014 - Os Vencedores



por Fernando Labanca

O Globo de Ouro anunciou seus vencedores neste último domingo (12/01), em Los Angeles, com a apresentação das comediantes Tina Fey e Amy Poehler, que também apresentaram ano passado e continuaram dando um belo show, são naturalmente engraçadas e fizeram boas piadas durante a noite. Segundo elas, é isso o que Hollywood faz: "se uma coisa dá certo, eles continuam fazendo até provocar ódio nas pessoas!". No geral, não teve nenhum grande momento, mas surpreendeu em algumas categorias, principalmente a de atores. 

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Crítica: Antes da Meia-Noite (Before Midnight, 2013)

Em 1995, o diretor Richard Linklater, ao lado dos atores Ethan Hawke e Julie Delpy, lançou um dos romances mais interessantes que o cinema já teve a oportunidade de conhecer, a jornada de Jesse e Celine em “Antes do Amanhecer”, que surpreendentemente teve sua sequência, nove anos depois (Antes do Pôr-do-Sol, 2004). Pois bem, em “Antes da Meia-Noite”, o trio retorna para fechar essa trilogia, uma longa história que durou dezoito anos a ser concluída. A ideia já é genial, pensar que nós, como público, presenciamos tão de perto a relação deste casal, enfrentamos, ao lado deles, o tempo. A verdade é que não poderiam ter terminado tudo isso de forma melhor. Confesso, eu chorei. Chorei pois vi a mais real e mais honesta história de amor já contada. 

por Fernando Labanca

Li recentemente sobre uma entrevista que o diretor Richard Linklater cedeu a um site. Ele confessa que o encontro de Jesse e Celine fora inspirado em um encontro que ele teve na vida real, com uma estranha, passaram a madrugada juntos, jogando palavras fora. Sua ideia era que ela reconhecesse a história deles em “Antes do Amanhecer” e quem sabe, eles pudessem se encontrar novamente. Entretanto, antes que o filme fosse lançado, ela falece. Logo no começo de “Antes do Pôr-do-Sol” entendemos que Jesse havia escrito um livro sobre o encontro que ele teve com Celine em uma viagem pela Europa e é através desse livro publicado, que eles se reencontram. É triste pensar, mas essa trilogia é nitidamente sobre a história de amor de Linklater nunca vivenciou. Somado a isto, os atores Ethan Hawke e Julie Delpy sempre o auxiliaram no roteiro e, também, colocaram muito de si nos diálogos, experiências próprias, como os conflitos vividos por Hawke e sua ex-esposa com quem teve um filho. Tudo isso acaba trazendo um toque de realidade absurdo, as palavras ditas pelo casal em cena são extremamente humanas, nos faz refletir sobre tantas coisas, infância, família, amor, morte, enfim, tudo dito da forma mais honesta possível. E o fato de existir três filmes, em diferentes tempos, em diferentes situações, tivemos a oportunidade de conhecê-los, tão a fundo e de forma intensa. Conhecemos Jesse e Celine, como nunca tivemos a chance de conhecer um casal de verdade nos cinemas e como consequência disso, conhecemos o grande vilão dessa história, o tempo. 



segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Crítica: A Vida Secreta de Walter Mitty (The Secret Life of Walter Mitty, 2013)

2014. Retornando as atividades aqui no blog, decidi escrever sobre o último filme que vi em 2013, diria que foi a cereja no topo do bolo, um ótimo "último filme" para se ver, ainda mais nesta época do ano em que paramos para refletir sobre tudo o que fizemos e o que não fizemos, "A Vida Secreta de Walter Mitty" parece auxiliar neste tipo de reflexão e com toda a certeza, nos faz pensar na nossa vida e nas escolhas que fizemos.

Baseado no conto de James Thurber publicado em 1939 -  e que também já teve uma versão para os cinemas em 1947, com o título "O Homem de 8 Vidas" - o longa é mais uma empreitada de Ben Stiller como diretor, e que surpreendentemente, mais uma vez, se mostra competente nesta função, realizando um filme extremamente interessante, bem feito, e mesmo com suas pieguices motivacionais, consegue emocionar.

por Fernando Labanca

Conhecemos Walter Mitty. Um homem tímido que vive sua vida limitada e sem aventuras, trabalha no setor de fotografias da revista "Life", onde sempre recebe as imagens tiradas por Sean O'Connell (Sean Penn), um radical freelancer que dedica sua vida viajando e fotografando e diante de tantas incríveis jornadas que Walter vê através das fotos só lhe resta sonhar, sonhar acordado e é justamente isso o que ele faz, mesmo enquanto conversa com os outros, sonha sobre como seria sua vida se ele tivesse coragem, ser rude com seu novo chefe (Adam Scott), que o maltrata, e dizer o quanto ama sua colega de trabalho, Cheryl (Kristen Wiig). Eis que a revista Life passa por mudanças, passará a ser "Life Online", e para a última revista impressa, Sean envia o negativo que desejaria para a capa, o problema é que Walter não o encontra, o fazendo ter a escolha mais difícil de sua vida, encarar uma jornada, viajando para outros países, encarando seus medos, tudo para ter em mãos a última foto, é quando Walter Mitty descobre o que realmente é viver.