O reencontro entre Jason Reitman e Diablo Cody, que vieram dessa vez falar sobre depressão pós-parto, é tão bom que nem sabíamos que precisávamos.
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quarta-feira, 30 de maio de 2018
Crítica: Tully
O reencontro entre Jason Reitman e Diablo Cody, que vieram dessa vez falar sobre depressão pós-parto, é tão bom que nem sabíamos que precisávamos.
sexta-feira, 16 de janeiro de 2015
Crítica: Homens, Mulheres e Filhos (Men, Women & Children, 2014)
por Fernando Labanca
Tendo sua estreia oficial no último Festival de Toronto, "Homens, Mulheres e Filhos" conta com a direção do ótimo Jason Reitman, responsável por obras como "Juno" e "Jovens Adultos". O longa, baseado no livro de Chad Kultgen, faz um relato bastante intimista sobre como a internet modificou as relações familiares, sobre como os relacionamentos se tornaram tão vazios e tão distantes quando todos decidiram depositar suas frustrações e seus anseios no mundo virtual, o único local onde qualquer interação social se tornou possível.
O longa inicia com um discurso, narrado pelo britânico pomposo de Emma Thompson, sobre a sonda Voyager, que lançada em 1977, transmite, em um disco, diversas gravações, como mensagens, sons e imagens, vestígios da raça humana. E assim, traça seu paralelo, chegando à Terra, revelando, de forma melancólica, que esses vestígios de nossa civilização, também se foram por aqui. A partir de então, conhecemos diversos personagens, homens, mulheres e seus filhos. Casamentos despedaçados, pais superprotetores, adolescentes e adultos que se relacionam através de redes sociais, que encaram uma outra noção de contato, jovens que se sentem reais num mundo inexistente, que criam avatares ou personagens em sites ou videogames para suprir o vazio que a realidade deixou.
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sexta-feira, 6 de junho de 2014
Crítica: Refém da Paixão (Labor Day, 2013)
Sinto que atualmente no cinema, requer muita coragem para se fazer um filme de romance, falar sobre o amor sem parecer piegas, sem cair no clichê, sem fugir daquilo que já foi tão explorado. Como é maravilhoso, então, quando nos deparamos com obras como "Labor Day", que em pleno 2014 encontrou um jeito novo de ser romântico e o brilhante roteiro parece ter encontrado as palavras certas para decifrar este sentimento, que é ao mesmo tempo, honesto, inteligente e tocante. O filme também marca mais um bom momento na carreira deste grande diretor, Jason Reitman e da atriz Kate Winslet, indicada ao Globo de Ouro por sua atuação.
por Fernando Labanca
Baseado no livro "Fim de Verão" de Joyce Maynard, o filme narra um inusitado final de semana de uma família. Henry (Gattlin Griffith) é um jovem que passa por uma fase de descobertas, sente atração pelas garotas da escola e pelas belas mulheres que estampam as capas de revista, e dentro de casa se esforça para ser um homem modelo, se esforça em salvar sua mãe, Adele (Kate Winslet), da solidão, que mesmo anos depois, não conseguiu se recuperar do término de seu casamento, além de um segredo do passado que a impede de ser feliz. Até que num fatídico feriado, o Dia do Trabalho, os dois resolvem fazer algumas compras, é lá que se deparam com Frank (Josh Brolin), um homem misterioso e intimidador, que pede por ajuda e os convence a levá-lo para casa, é lá que ele se revela um criminoso foragido. E aos poucos, Frank vai conquistando a confiança de ambos, vai preenchendo o vazio daquela casa, daquelas vidas.
segunda-feira, 30 de abril de 2012
Crítica: Jovens Adultos (Young Adult, 2011)
Em 2007, o cinema independente norte-americano conheceu uma tal de Diablo Cody, uma ex-stripper que acabou vencendo o Oscar de Melhor Roteiro pela comédia "Juno", sucesso de público e crítica. Ela, escreveu outros roteiros, mas acabou se perdendo em filmes como "Garota Infernal" e "Burlesque". O diretor de "Juno", Jason Reitman, que já havia sido consagrado pela comédia "Obrigado por Fumar" de 2005, conquistou o estrelato e diferente de Cody, realizou um outro grande trabalho, "Amor Sem Escalas", em 2009.
Quatro anos após o sucesso de "Juno", Diablo Cody e Jason Reitman retornaram com mais um novo projeto, "Jovens Adultos". Entretanto, o filme não alcançou as expectativas de todos, aqui no Brasil, fora simplesmente ignorado. Acontece que se em 2007, a dupla revitalizou o cinema independente, em 2011, eles destroem tudo o que este subgênero conquistou. Não chamo isso de burrice. Chamo isso de ousadia. De originalidade.
por Fernando Labanca
O filme começa nos mostrando o monótono cotidiano de Mavis Gary (Charlize Theron), divorciada, vive num apartamento na cidade grande ao lado de sua cachorra. É escritora de uma coleção de livros destinados ao público jovem e adulto que já não faz mais sucesso. Até que vasculhando seus e-mails, vê que fora convidada por seu ex-namorado Buddy Slade (Patrick Wilson) para uma festa de comemoração do batismo de sua filha. Os dois namoraram na época do colégio. Época em que Mavis era a rainha, todos a admiravam e conseguia tudo o que queria.
Convicta de que Buddy, na verdade está pedindo socorro por estar casado e com uma filha, Mavis viaja até sua pequena cidade natal, Minessota, para salvar a vida dele e reconquistá-lo, recuperando os anos de glória do colégio. O problema é que ninguém na cidade a vê como vencedora, assim como ela imaginava, muito pelo contrário, a recebem com um certo desprezo, e o único que a respeita acaba sendo Matt (Patton Oswalt), que estudaram juntos, mas era um nerd fracassado e assim como ela, se prende no passado, sempre com receio de encarar a triste realidade, a de que eles cresceram e já não são mais adolescentes. "Jovens Adultos", sem querer, acabou sendo vendido como comédia. Comédia dramática com o selo do Festival de Sundance. Isso porque tem em seus créditos, Diablo Cody e Jason Reitman. Acontece que o filme é bem diferente de tudo isso. Não é mais um filminho norte americano independente. Não é uma comédia. É na verdade um drama intenso, com uma trama melancólica. É um estudo profundo na mente desta incrível personagem chamada Mavis Gary, complexa, onde o roteiro arma situações inusitadas afim de justamente estudar esta mente com personalidade desprezível e com sérios problemas psicológicos. Ainda há humor, com referências a cultura nerd, cheia de boas sacadas e muito sarcasmo e cinismo, mas diferente dos outros trabalhos da dupla, aqui o alvo não é a excentricidade de uma sociedade, o alvo é sua protagonista, nos revela de forma assustadora suas manias, suas falhas, seus medos, mesmo que nem ela seja capaz de enxergá-los.
O roteiro de Diablo Cody beira a genialidade. Quando escrevi que ela havia destruído o que "Juno" havia construído, era justamente por conseguir quebrar os estereótipos das comédias independentes. Em "Juno" e em todos os outros filmes do gênero, todos os problemas eram resolvidos, tudo acontecia de forma agradável e com uma música indie alegre no fundo. E este universo, Cody e Reitman ajudaram a consolidar e para minha surpresa são os mesmos que resolveram quebrar com tudo isso. Em "Jovens Adultos", a dupla mostra uma outra faceta do cinema independente, com uma história dramática, com grande carga psicológica, sem músicas alegres, sem final feliz, sem lições de moral e protagonistas vencendo os próprios medos e aprendendo com seus erros. Mavis Gary é uma revolução. É a anti-heroína. E Jason Reitman soube mais uma vez traduzir as idéias de Diablo para as telas, em cenas frias, monótonas, tão amargas quanto a mente de Gary.
Se em "Juno" foi seu grande roteiro que ganhou destaque, em "Jovens Adultos" é sua protagonista que ganha maior notoriedade. A verdade é que Charlize Theron consegue ser maior que tudo isso. Maior que o roteiro. Maior que as belas sacadas. Maior que a direção de Reitman. "Jovens Adultos" poderia muito bem ser resumido em duas palavras: Charlize Theron. Ela é o filme. Consegue com perfeição nos mostrar esta personagem de ouro, a sua imaturidade, sua falta de senso, de noção, seu jeito de adolescente bagaceira, de adulta que se recusa a crescer. Uma atriz talentosa que prova em cada diálogo ser uma das melhores da atualidade, é simplesmente fantástico o que ela realiza aqui, além de "Monster" e "Terra Fria", este filme marca um grande momento de Theron nas telas. Ainda temos um grande coadjuvante, o desconhecido Patton Oswalt, que também surpreende. No elenco, ainda nomes como Patrick Wilson e Elizabeth Reaser, corretos.
Um filme ousado, que foge do convencional, que foge daquilo que esperamos dele. O problema é que ele foge para um lugar não tão agradável assim. Ás vezes é difícil acompanhar a trama, tudo é muito melancólico, lento, monótono, o que faz com a grande idéia de Cody perca a força. E os conflitos nem sempre são resolvidos da melhor maneira e há cenas que se não fossem o poder de Theron poderiam ter sido descartadas. Faltou ritmo e uma intenção de transformar o longa em algo mais memorável. É um projeto ousado por suas inovações, mas infelizmente parece pequeno, onde a protagonista é muito maior que a própria história. Ainda assim, vale a pena, aliás, não é sempre que temos a chance de conferir um filme como este, que vai além do que já foi feito. NOTA: 8
domingo, 24 de janeiro de 2010
Crítica: Amor Sem Escalas (Up in The Air, 2009)
Esqueça esse título, pois ele nada tem a ver com o ótimo drama de Jason Reitman, um filme inteligente e maduro que retrata com fidelidade o mundo atual.por Fernando Labanca
Ganhador do Globo Ouro, recentemente, por Melhor Roteiro, é uma das grandes apostas para o Oscar. Jason Reitman também é um grande nome para o Melhor Diretor, pelo menos uma indicação é bem provável. Reitman, depois de dirigir os ótimos Obrigado por Fumar e Juno, volta seguindo mais a linha do primeiro, deixando a "ingenuidade" do mundo jovem para os problemas mais complexos da idade adulta.
George Clooney interpreta Ryan Bingham, um homem compromissado com uma profissão muito inusitada. Ele ganha para demitir pessoas. Na atual crise mundial, onde várias empresas estão prestes a falir, começam a demitir milhares de empregados e pagam pessoas como Ryan para esse serviço nada agradável. Ele, viaja para várias partes do mundo, simplesmente entra nas empresas e faz seu trabalho, demite! Para infelicidade de todos, mas felicidade de sua companhia que basicamente lucra com o fracasso alheio. Ryan ainda faz palestras motivacionais, onde até mesmo na hora das demissões, tenta mostrar a luz no fim do túnel, mostra que nem tudo está perdido, estar desempregado pode não ser o fim de tudo, muito pelo contrário, pode ser o ínicio de uma grande conquista.

Bingham praticamente não tem moradia, vive sua vida nos ares, viajando para todos os cantos e por isso se esqueceu completamente do termo "lar", logo que nem ao menos mantém uma relação com suas duas irmãs. Não é casaso, não tem filhos e é feliz dessa maneira. Até que um dia conhece uma mulher incrível, Alex (Vera Farmiga), sua versão feminina, vive da mesma forma que ele e juntos descobrem muitas coisas em comum e com isso a relação entre eles flui facilmente, nada muito sério, sem compromissos, só diversão. Mas seu mundo se abala completamente, quando seu chefe (Jason Bateman) anuncia a chegada de Natalie (Anna Kendrick), uma jovem executiva, extremamente inteligente e dedicada ao trabalho que trás uma grande novidade que suspenderá todas as viagens e assim diminuir os custos da empresa, ela cria um sistema onde as demissões são feitas via internet. A vida de Ryan é viajar, e vendo que seu emprego está sendo ameaçado tenta provar a ineficência desse sistema e a inexpreiência de Natalie. Para fazer esse projeto decolar, o chefe coloca Natalie e Ryan lado a lado, para que a moça acompanhasse suas próximas demissões para que ela conhecesse os dois lados da moeda.
A partir de então, Bingham mostra a bela jovem seu agitado mundo e a triste realidade do mundo contemporâneo, e mesmo que num trabalho difícil, ele tenta fazê-lo com toda a dignidade, sem misturar sentimentos e tentar ser o mais profissional possível. Natalie, por sua vez, tem algumas dificuldades em ser tão forte, mesmo quando as pessoas estão "caindo" ao seu redor, e ainda mais quando seu namorado termina com ela via torpedo, seus sentimentos vão a flor da pele e passa junto com Ryan e mais para frente com Alex, refletir sobre a vida, carreira, o que quer fazer com sua vida, pensa o que vai ser quando chegar na idade adulta e o casal começa a refletir se são exatemente o que queriam ser quando eram mais jovens. E essas duas mulheres, juntamente com suas irmãs, logo que uma delas está prestes a se casar, começam a abalar as estruturas desse mundinho fechado a que ele vive, em seu "casulo de autoexílio", fazendo ele por os pés e a mente, finalmente no chão.Um filme belo, divertido com piadas leves, que nos leva a grandes reflexões sobre a atual vida da sociedade, sobre casamento, família e outros desastres. O maior triunfo de Amor Sem Escalas é o roteiro, principalmente no desenvolvimento das personagens, elas são reais, suas atitudes são compreensíveis de acordo com as características que são impostas a elas, e graçás a isso, o final, não é dos mais felizes, logo que o roteiro se aproxima muito da realidade, e para muitos, isso pode ser decepcionante. Os diálogos também são ótimos, em conversas rápidas e francas, e o que em "Obrigado por Fumar" a persuasão era referente à "comprem cigarro", agora é sobre "é possível ser feliz sózinho, sem casa fixa, casamento e família". E por mais egoísta que essa reflexão pareça ser, não deixa de ser um modo de vida, e isto é interessante neste filme, pois em outros longas essa idéia seria desmanchada no final e o protagonista passaria a dar valor a coisas em que mal enchergava, neste, ainda há reflexões valiosas, mas não há uma auto punição em cenas dramáticas, cada personagem segue fielmente seu ponto de vista, portanto, o filme não nos apresenta uma verdade absoluta, uma única ideologia de vida.
As atuações também são um ponto alto neste longa, vale lembrar que as principais foram indicadas ao Globo de Ouro, Bafta e outros prêmios importantes. George Clooney, depois de tantos anos tentando, acredito que essa seja sua melhor performance como ator, não que ele seje ruim, mas desta vez, ele está muito melhor. Seu jeitão sedutor, canalha e sarcástico, mesmo que já usado por ele em outros filmes, neste é encaixado com mais conveniência, portanto, com mais perfeição. Está incrível, transmite segurança no que faz, assim como sua personagem. Vera Farmiga, mais uma vez, muito agradável, depois de ser a delicadeza e sensibilidade em pessoa diante de tanta testosterona em Infiltrados de Martin Scorcese, ela brilha mais uma vez, sua Alex é simplesmente adorável, divertida e encantadora e há uma boa química entre ela e Clooney, sendo as cenas em que contracenam juntos de extremo bom gosto. Anna Kendrick está muito bem, diverte facilmente com sua Natalie e consegue transmitir com fidelidade as angústias e os medos de qualquer iniciante na fase adulta.A trilha sonora é perfeita. Ótimas canções no mesmo estilo de Juno. As músicas utilizadas facilitam a identificação do público para com o que acontece na tela. A edição também acrescenta o filme, rápida e conveniente em ótimas sequências. A direção de Jason Reitman, mais uma vez, brilhante, e se consagra como um dos melhores diretores da atualidade.
Não há como rotular, ora comédia romântica, ora comédia dramática, seja o que for, vale a pena assistí-lo. E mesmo que esteje presente aqueles momentos básicos sobre a importância da família, Amor Sem Escalas foge dos clichês, nos apresentando uma história madura com personagens maduros. Quando o filme termina, sinti a mesma sensação que senti quando vi Obrigado por Fumar e Juno, que ainda é possível fazer filmes inteligentes, filmes que não nos subestimam. Brilhante, sensível, 2010 começando com o pé direito!NOTA: 9
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