segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Crítica: Um Dia (One Day, 2011)

Baseado no Best Seller de David Nicholls, que aqui assina como roteirista, o filme tem a direção da dinamarquesa Lone Scherfig (Educação) e conta com as atuações de Anne Hathaway e Jim Sturgess como o casal que enfrenta o pior de todos os vilões, o tempo. 

por Fernando Labanca

15 de julho, a data que marcaria a história de duas pessoas pelo decorrer de suas vidas. Ano de 1988, Emma (Hathaway) e Dexter (Sturgess) enfim trocam palavras no dia da formatura, mesmo eles tendo estudado por anos juntos, para a felicidade da garota azarada e tímida em finalmente conhecer o típico popular do colégio. Eles ficam aquela noite, dia de São Swithin, e como tradição do dia, qualquer acontecimento estaria fadado a se repetir, permanecer nos próximos anos. O que de fato, acontece.

1989, passando pela década de 90, anos 2000. E durante 20 anos, Emma e Dexter vão se reencontrando, e sempre no dia 15 de julho, algo de importante ocorre em suas vidas, estando eles juntos ou não. Ele, metido, arrogante, com excesso de auto-estima, conhece a fama e o poder, e o tempo lhe mostra que nem tudo é para sempre, também conhece a perda, o fracasso. Já Emma, não acredita em si mesma, no seu potencial, se torna professora mas pouco se depara com o sucesso. E nesses anos, se tornam amigos, confidentes, aquele pilar que suporta os erros e ajuda a encarar os medos. O amor estava ali, era nítido, mas achavam que tudo era para sempre, que teriam tempo. Mas o tempo voa, e ele não perdoa, é ele quem nos dá a felicidade, o sucesso, mas também é ele que nos trás as verdades, e que nos tira as chances de algo que não aproveitamos no passado. 



Não, não é um simples filme de romance. É muito mais do que isso. "Um Dia" é basicamente sobre o tempo, o que ganhamos, o que perdemos, o que ele nos dá, o que ele nos tira. E em menos de duas horas de filme, vemos uma vida inteira, ou melhor, duas vidas. Acompanhamos o decorrer dos anos de Emma e Dex, do sucesso ao fracasso, da tristeza ao auge da felicidade, vemos o tempo moldando a personalidade deste casal, e neste quesito, é muito interessante analizar o filme, ver as mudanças deles, o quanto as experiências da vida de cada um vai os alternando e alterando a vida do outro. Sim, também há romance, e do melhor. O casal mostrado emociona e encanta, acredito pelo fato do roteiro nos fazer indentificar com eles, simplesmente por serem humanos, não serem os típicos casais de filmes de romance, eles que erram, acertam, erram de novo e no mesmo erro, por serem idiotas, por vezes, irritantes. Dexter é o famoso anti-herói que não inspira ninguém e Emma é aquela que demora a acordar pra vida, e juntos, com seus encontros e desencontros, nos fazem emocionar, torcer, e se envolver, pelo menos, foi assim que me senti durante toda a história. 

Lone Scherfig com sua experiência nos prova mais uma vez seu talento por trás das câmeras, depois do adorável "Educação" de 2009. "Um Dia" não é diferente, também é um filme adorável, daqueles pra se guardar na memória e rever milhões de vezes. Ela trás estilo ao longa, um charme que poucos filmes este ano conseguiram, ajudada pela incrível fotografia e trilha sonora, na maioria da vezes, instrumental. Outro ponto extremamente positivo foi o roteiro, contar uma história de 20 anos em 108 minutos não é para qualquer um, e o resultado foi positivo. O filme soube transitar facilmente a cada ano mostrado, e em apenas um diálogo, conseguimos compreender o que ocorrera nos meses anteriores sem a necessidade de mostrá-los. E em cortes, vemos toda a mudança na vida das personagens, sem parecer corrido ou artificial. O interessante também, é que os anos não são identificados apenas com as informações na tela, mas também são traduzidos com o olhar da diretora para cada época, cada ano parece ter uma cor diferente, um estilo diferente, se destacando também os figurinos, muito bem inseridos, além da maquiagem, fazendo Anne Hathaway e Jim Sturgess convencerem tanto quanto jovens no colegial quanto adultos. 

Por falar nos atores, Hathaway e Sturgess dão um belo show na tela. Anne que foi criticada por alguns por seu sotaque britânico, logo que ela é norte-americana, pode sim ter sido um problema para os ingleses, mas ao meu ver, pouco interferiu no resultado final. Sua atuação é bela, convincente, se em algumas cenas o filme perdia um pouco de ritmo, lá estava ela com seu brilho, elevando todas as cenas em que esteve presente, soube trasmitir toda a inocência da joventude até a maturidade alcançada ao decorrer dos anos. Sturgess por sua vez, falhou em algumas sequências, principalmente na primeira metade, foi estranho vê-lo como apresentador de TV, sua arrogância nem sempre convenceu, mas vai melhorando e no final, emociona com sua performance sensível. E os dois juntos, possuim uma adorável química, talvez um dos casais mais interessantes visto este ano no cinema. 

"Um Dia" me surpreendeu, esperava ver um filme bom simplesmente pelo seu elenco que ainda conta com a ótima performance de Patricia Clarkson e a belíssima Romola Garai. Mas também esperava ver um romance meloso, bonito, mas meloso. Não foi o que vi, vi um filme maduro, inteligente, com ótimos diálogos, atuações convincentes, e uma história incrível sobre o tempo e amizade. E para melhorar, um final marcante, emocionante, que fez toda a história fazer sentido. Vale muito a pena arriscar nesta obra. Recomendo. 

NOTA: 9




sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Crítica: Happy Feet 2 - O Pinguim (Happy Feet Two, 2011)

Continuação do vencedor do Oscar, "Happy Feet" de 2006, o filme australiano, dirigido novamente por George Miller, vem para mostrar o alto nível que as animações chegaram, com perfeição nos detalhes que alcançam a perfeição, por outro lado, também vem para provar a carência que o gênero vem sofrendo em relação aos roteiros.

por Fernando Labanca

Na sequência, vemos Mano (Elijah Wood) e Gloria (P!nk) já bem crescidos, vivendo felizes na comunidade dos Pinguins Imperadores, ao lado do amigo Ramon (Robin Williams) e agora, cuidando do filho Erik. Erik, porém, possui uma característica muito forte de Mano, a de sempre questionar a vida, e desde pequeno começa a se perguntar o porquê dele ter que cantar e dançar como todos os outros, eis que influenciado por Ramon, que também não se sente parte dos Imperadores, vai conhecer um outro grupo de pinguins, é onde conhece Sven (Hank Azaria), um pinguim idolatrado por todos e que voa e que ensina uma lição valiosa para Erik, a de sempre acreditar nos seus desejos para que eles possam acontecer.

Até que um acidente natural acontece, e todos os "imperadores" ficam presos, e por serem os únicos do lado de fora, Mano e Erik, passam a procurar ajuda de outros grupos, procurando por solidariedade. É neste momento, também, em que os valiosos ensinamentos e os talentos de Sven são colocados em teste. 


Como disse anteriormente, "Happy Feet 2" peca justamente em seu roteiro, e infelizmente, peca feio. Nem mesmo o alto nível da animação consegue disfarçar o erro. O longa não trás absolutamente nada de novo, muito do que ocorreu no primeiro retorna, mas sem a mesma força, os conflitos pessoais de Mano agora são os mesmos só que de seu filho, Erik, além das mensagens que vemos em todos os outros filmes de animação, como solidariedade, a união de raças diferentes, a luta pelos sonhos, além é claro, da importância das diferenças. O que vemos na história, é uma tentativa um tanto quanto insistente dessas mensagens, que surgem do nada, tentando tapar o buraco deixado pela inexistência de um bom roteiro, uma boa idéia. A verdade é que nada acontece no filme, é uma sequência de belas imagens mas sem nenhuma boa história sendo contada, e as poucas coisas boas que surgem, como por exemplo a dupla de "camarões" Bill e Will the Krill (Brad Pitt e Matt Damon), que me pareceram uma alusão à homossexualidade, trazem pensamentos existencialistas bastante complexos, mas que não são tão bem explorados. Aliás, há muito existencialismo em "Happy Feet 2", mas os roteiristas infelizmente não exploraram este potêncial, ou seja, temos a certeza de que há pessoas inteligentes por trás do projeto, mas que por algum motivo resolveram ir pelo caminho mais fácil e entregaram um trabalho preguiçoso, nada inovador.

O lado positivo são as técnicas avançadas de animação, a riqueza de detalhes, a textura dos animais, as cenas na água chegam à perfeição, o que é quase impossível, os detalhes da neve, enfim, é de deixar qualquer um que goste do assunto de boca aberta, o filme chega ao ápice da perfeição, o que espanta, pois o filme é da Warner, distribuidora que pouco aposta no gênero. O filme é salvo também por alguns diálogos inspiradores, por vezes, clichê, mas boas intenções são sempre válidas, como "Ás vezes é preciso regredir para seguir em frente", entre outras, como também as discussões de Bill e Will que surpreendem pelos pensamentos um tanto quanto complexos. Além, das cenas musicais que são sempre bem-vindas, mas que infelizmente não aparecem tanto, destaque principalmente para a cena final ao som de "Under Pressure" do Queen, simplesmente fantástica.

Em suma, faltou muita coisa em "Happy Feet 2", está muito longe de ser como o primeiro, que é muito superior. Não há nada que vemos na tela que justifique sua realização, um filme preguiçoso, sem idéias, por muitaz vezes cansativo simplesmente por não apresentar nenhuma história. Bela imagens, efeitos incríveis, animação rica que alcança a perfeição, personagens carismáticos mas que perdem o brilho pela ausência de uma boa trama, além de possuir uma ótima trilha sonora assinada por John Powel, destaque também pelos efeitos sonoros, muito bem realizados. 


NOTA: 5


Globo de Ouro 2012 - Os Indicados




Nesta última quinta-feira, dia 15, foram liberadas as indicações ao Globo de Ouro 2012, em Los Angeles, com a presença dos atores Woody Harrelson, Sofia Vergara, Gerard Buttler e Rashida Jones. A Cerimônia de entrega dos prêmios ocorrerá no dia 15 de Janeiro, mais uma vez com a apresentação do polêmico Ricky Gervais.

O prêmio que é considerado a prévia do Oscar, já nos adianta o que provavelmente veremos entre os vencedores na maior premiação do cinema. Os filmes que mais se destacaram foram "Os Descendentes", comédia dramática protagonizada por George Clooney com 5 indicações, "Histórias Cruzadas", novo filme da queridinha Emma Stone, com também 5 indicações. E até mesmo o já lançado aqui no Brasil, "Meia Noite em Paris" foi lembrado com 4. Mas quem lidera a lista com 6 nomeações foi o longa metragem mudo e em preto e branco "O Artista", produção francesa que vem chamando bastante atenção é um dos possíveis vencedores.

Outros projetos foram citados como o novo filme dirigido por George Clooney "Tudo Pelo Poder", o novo de Martin Scorsese "A Invenção de Hugo Cabret" e o novo de Spielberg "Cavalo de Guerra". Que tem grandes chances simplesmente pelos nomes que os dirigiram.

Entre as surpresas, citaria apenas a presença do ótimo "Missão Madrinha de Casamento", que apesar de ser incrível não possui o padrão de filmes indicados, estou na torcida por ele! Surpresa também foi "A Pele Que Habito" ter sido indicado apenas a Filme Estrangeiro, e as poucas nomiações de projetos que pareciam fazer mais sucesso nas premiações como "Deus da Carnificina" de Roman Polanski e "Um Método Perigoso" de David Cronemberg.

Ausência maior foi de "A Árvore da Vida" de Terrence Malick e "Melancolia" de Lars Von Trier. Provando assim, como a premiação vem se desgastando ao decorrer dos anos, ignorando grandes projetos e insistindo sempre nos mesmos...Scorsese, George Clooney, Clint Eastwood, Maryl Streep, que aliás, são grandes atores e diretores, mas existe um cinema além deles que simplesmente é deixado de lado. 

Entre os mais prováveis. Melhor Filme Drama, acredito que fique entre "Os Descendentes" ou "Histórias Cruzadas". Melhor Comédia ou Musical provavelmente será "O Artista". Diretor fico entre Alexander Payne por "Os Descendentes" ou Michel Hazanavicius por "O Artista". Ator Drama, os mais prováveis são George Clooney ou Leonardo DiCaprio, enquanto Atriz Drama, mais uma vez, Maryl Streep (A Dama de Ferro). Na parte de Comédia, os atores será uma surpresa, mas arriscaria no desconhecido Jean Dujardin (O Artista), entre as atrizes, provavelmente Michelle Williams sairá como vencedora com a sua interpretação de Marilyn Moroe, em "My Week With Marilyn". Filme Estrangeiro, Almodóvar e seu "A Pele Que Habito" é bastante forte, mas há a direção de Angelina Jolie no filme "holandês" "In The Land of Blood and Honey". Em animação, to apostando em "Rango", acredito que é o mais forte entre os indicados, logo que a Pixar não foi tão elogiada assim este ano com seu "Carros 2", entretanto ainda  há o aguardado "As Aventuras de Tintim".

Vamos aos indicados...


Melhor Filme -Drama

Os Descendentes  (estréia 27/01/12)
Histórias Cruzadas  (estréia 03/02/12)
A Invenção de Cabret  (estréia 17/02/12)
Tudo Pelo Poder  (estréia hoje, 16/12/11)
O Homem Que Mudou o Jogo  (estréia 03/02/12)
Cavalo de Guerra  (06/01/12)



Melhor Filme -Comédia ou Musical

50/50  (direto para locadora 18/01/2012)
O Artista  (estréia 02/02/2012)
Missão Madrinha de Casamento  (estreiou 23/09/11)
Meia Noite em Paris  (locadoras)
My Week With Merilyn  (estréia 24/02/12)


Melhor Diretor

Alexander Payne (Os Descendentes)
George Clooney (Tudo Pelo Poder)
Martin Scorsese (A Invenção de Hugo Cabret)
Michel Hazanavicius (O Artista)
Woody Allen (Meia Noite em Paris)


Melhor Ator -Drama

Brad Pitt (O Homem Que Mudou o Jogo)
George Clooney (Os Descendentes)
Leonardo DiCaprio (J.Edgar)
Michael Fassbender (Shame)
Ryan Gosling (Tudo Pelo Poder)



Melhor Atriz -Drama

Gleen Close (Albert Nobbs)
Meryl Streep (A Dama de Ferro)
Rooney Mara (Os Homens que Não Amavam as Mulheres)
Tilda Swinton (We Need to Talk About Kevin)
Viola Davis (Histórias Cruzadas)



Melhor Ator -Comédia ou Musical

Brendan Gleeson (O Guarda)
Jean Dujardin (O Artista)
Joseph Gordon-Levitt (50/50)
Owen Wilson (Meia Noite em Paris)
Ryan Gosling (Amor a Toda Prova)


Melhor Atriz -Comédia ou Musical

Charlize Theron (Jovens Adultos)
Jodie Foster (Deus da Carnificina)
Kate Winslet (Deus da Carnificina)
Kristen Wiig (Missão Madrinha de Casamento)
Michelle Williams (My Week With Marilyn)


Melhor Ator Coadjuvante

Albert Brooks (Drive)
Christopher Plummer (Toda Forma de Amor)
Jonah Hill (O Homem Que Mudou o Jogo)
Kenneth Branagh (My Week With Marilyn)
Viggo Mortensen (Um Método Perigoso)


Melhor Atriz Coadjuvante

Bérénice Bejo (O Artista)
Jessica Chastain (Histórias Cruzadas)
Janet McTeer (Albert Nobbs)
Octavia Spencer (Histórias Cruzadas)
Shailene Woodley (Os Descendentes)


Melhor Animação

As Aventuras de Tintim
Carros 2
Gato de Botas
Operação Presente
Rango





Melhor Filme Estrangeiro

A Pele Que Habito (Espanha)
A Separation (Irã)
In The Land of Blood and Honey (EUA, Holanda)
O Garoto da Bicicleta (Bélgica)
The Flowers of War (China)


Melhor Roteiro

Meia Noite em Paris
O Artista
O Homem Que Mudou o Jogo
Os Descendentes
Tudo Pelo Poder



Melhor Trilha Sonora

Abel Korzeniowski (W.E)
Ludovic Bource (O Artista)
Howard Shore (A Invenção de Hugo Cabret)
John Williams (Cavalo de Guerra)
Trent Reznor e Atticus Ross (Os Homens Que Não Amavam as Mulheres)



Melhor Canção Original

Hello, Hello (Gnomeu e Julieta)
Lay Your Head Down (Albert Nobbs)
Masterpiece (W.E.)
The Living Proof (Histórias Cruzadas)
The Keeper (Redenção)


quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Os Melhores da Década - Romance



Continuando o especial que comecei este ano sobre o que houve de melhor no cinema nesta última década. Ainda há outros posts, logo, este especial se prolongará por 2012. O alvo da vez são os filmes de Romance.

por Fernando Labanca

Sou bastante suspeito por avaliar filmes deste gênero, pois não são meus favoritos, é preciso ter uma boa história, um bom elenco ou um grande diretor para chamar minha atenção. Mas tenho que admitir que no decorrer desses anos, surgiram algumas obras bem interessantes e por elas, este post vale a pena.

Olhando para trás, vejo que o que mais teve destaque nesta década, foi ninguém mais que Nicholas Sparks, sinônimo de "autor de livro que vai virar filme", o norte-americano teve grande parte de sua obra adaptada para as telas grandes e fez sucesso por elas, entre elas, "Um Amor Para Recordar", "Noites de Tormenta" e "Querido John". Outro nome forte no gênero, para o bem ou para o mal, a saga Crepúsculo, baseada na obra de Stephenie Meyer, sem sombra de dúvida, foi a que mais lucrou, a história dos vampiros apaixonados fez muita gente torcer o nariz, mas ainda possui um grande público, diretores um tanto quanto consagrados estiveram por trás do projeto, como Catherine Hardwicke e Chris Weitz. Outros destaques (mais positivos) estão na lista...

Menções honrosas: "Noites de Tormenta" (2008), "Te Amarei Para Sempre" (2009) e "Um Beijo Roubado" (2007).

Vamos ao TOP 15...


15º. Diário de Uma Paixão (The Notebook, 2004)
de Nick Cassavetes / EUA


Um senhor visita uma senhora todos os dias para contar uma bela história de amor. A história de Noah (Ryan Gosling) e Allie (Rachel McAdams), dois jovens que se apaixonam repentinamente na década de 40, mas que passam por problemas quando a família rica da moça rejeita sua relação com o cara simples e "sem futuro", tudo piora com o início da Segunda Guerra Mundial, que leva Noah como soldado e os separa de vez, ao seu término, se veem como pessoas completamente diferentes, que seguiram outros rumos e possuem outros sonhos, mas mesmo assim tentam redescobrir aquele amor do passado. Baseado na obra de Nicholas Spaks, o longa possui a bela direção de Cassavetes que nos mostra um romance bastante delicado acompanhado pelo charme da década de 40, com bons figurinos e trilha sonora retrô, dois atores jovens mas que na época já mostravam talento, Gosling e McAdams, que possuem uma deliciosa química e juntos deram um dos beijos mais marcantes desta década, sob a cair da chuva, após uma discussão. Possui clichês e nem sempre emociona como deveria, mas ainda assim é um bom exemplo do gênero.



14º. Antes Que Termine o Dia (If Only, 2004)
de Gil Junger / EUA, Inglaterra


O longa possui uma das histórias mais interessantes no gênero romance, que geralmente trás muito do que já se viu, mas aqui, o roteiro viaja mais e nos proporciona grandes momentos. Conhecemos Ian (Paul Nichols), um cara que só pensa na carreira e mal percebe a presença de sua namorada Samantha (Jennifer Love Hewitt), eis que depois de um terrível acidente, tudo muda. Isso porque, Ian acorda em sua cama, no dia anterior ao acidente e percebe que o destino lhe reservou uma segunda chance e passa a agir da maneira como deveria ter agido, fazendo Sam feliz, estando ao lado dela, e passa a fazer de tudo para impedir que o acidente ocorra novamente e continuar tendo a chance de estar com ela. Boa atuação de Love Hewitt, belas locações dignas de um belo filme de romance, história interessante, que nos prende, e que para minha grande surpresa, um final bem surpreendente e bem diferente do usual.



13º. A Casa do Lago (The Lake House, 2006)
de Alejandro Agresti / EUA


Alejandro Agresti é um diretor argentino que depois de uma carreira já consolidada em seu país resolveu se arriscar em Hollywood, e se deu muito bem, pelo menos ao meu ver. O longa conta a inusitada história de Kate (Sandra Bullock) que ao se despedir de sua adorada casa do lago no ano de 2006, deixa um bilhete para o próximo morador, eis que para sua surpresa, recebe uma resposta, vinda de Alex (Keanu Reeves) do ano 2004, o primeiro morador do local. Surpreendidos pela inusitada situação, eles acabam se tornando grandes confidentes através de cartas, suprindo a solidão que ambos sentiam em suas vidas e tentando encontrar maneiras de se encontrarem, atravessando a distância, o tempo e toda a lógica do universo. Roteiro brilhante, criativo, que faz o público refletir, pensar, diferente de quase todas as obras de romance. Filme inteligente, que conta com a boa química de Bullock e Reeves, vale a pena.



12º. Cartas Para Julieta (Letters to Juliet, 2010)
de Gary Winick / EUA

Último trabalho do diretor Gary Winick que faleceu este ano, trás uma bela história de amor que superou um longo período de tempo, repleto de clichês, o longa é a prova de que clichês podem ser positivos. Sophie (Amanda Seyfried) é uma escritora que numa viagem à Itália, descobre as "cartas para julieta" deixadas no suposto muro da Julieta de Shakespeare, cartas de mulheres que viajam até o local falando de suas desilusões amorosas, é onde que ela descobre por acaso a história de Claire (Vanessa Redgrave) que abandonou o amor de sua vida, mas que depois de décadas resolve ir em busca dele, para isso conta com a ajuda da escritora e de seu neto, Charlie, que acaba tendo uma relação com Sophie, apesar das diferenças. História simples, mas bela, que sabe emocionar, encantar, sem fazer muito, que abusa dos clichês do gênero para nos mostrar a trama, mas são muito bem utilizados, resultando numa obra cheia de charme. Conta com as ótimas atuações de Amanda Seyfried e todo seu carisma como protagonista e Vanessa Redgrave.



11º. Antes do Pôr-do-Sol (Before Sunset, 2004)
de Richard Linklater / EUA


Indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Adaptado e continuação do grandioso filme de 1995, "Antes do Amanhecer", o longa conta mais uma vez com as belas atuações de Julie Delpy e Ethan Hawke, 9 anos após o encontro de dois estranhos numa viagem à Europa. O longa nos mostra o reencontro dos dois depois de tantos anos sem se ver, e durante um breve tuor por Paris, eles contam um para o outro os rumos de suas vidas e como se tornaram pessoas tão diferentes quanto sonhavam na juventude e como o primeiro encontro significou tanto para eles. Atuações impecáveis de Delpy e Hawke, direção admirável de Linklater que nos mostra a história como se fosse tempo real. As discussões entre os dois, mais uma vez, é bastante filosófica, e através dos belíssimos diálogos sob o fundo de belas locações, refletimos sobre nossas próprias vidas. Altamente recomendável. [notícias recentes apontam uma nova sequência!!]



10º. Um Amor Para Recordar (A Walk to Remember, 2002)
de Adam Shankman / EUA


Mais uma adaptação de Nicholas Sparks, que se tornou famoso por meio de boca a boca, chegou sem ninguém notar nas prateleiras das locadoras, e hoje é visto como um dos melhores exemplos do gênero para o grande público. Demorei para vê-lo, não acreditava em seu potêncial e achava que seria só mais um filminho de romance, possui lá seus clichês, mas não é só mais um filminho. Conhecemos London (Shane West) um jovem metido a valentão que devido sua má conduta no colégio passa a frequentar um grupo de estudos para crianças carentes, além de participar de um grupo de teatro, é onde conhece Jamie Sullivan (Mandy Moore), uma garota que usa um velho suéter e sempre fora alvo de chacota entre seus amigos, mas aos poucos vai se surpreendendo com a maneira como ela vê o mundo, logo, acaba se apaixando por ela, sem saber que ela tinha uma doença terminal. Daqueles filmes que parecem bobos, mas vão nos surpreendendo ao seu decorrer, emociona com sua delicadeza, cheio de diálogos e cenas memoráveis, conta com atuações seguras de West e Moore, que também solta sua voz na bela trilha sonora, que ainda possui ótimas canções de Switchfoot e New Radicals.



09º. Um Beijo a Mais (The Last Kiss, 2006)
de Tony Goldwyn / EUA


Refilmagem do italiano "O Último Beijo", o longa norte-americano é bastante cool, com uma pegada indie e um elenco admirável, tem uma história interessante onde nos apresenta os complicados relacionamentos de algumas pessoas em uma emocionante trama entrelaçada. Vemos Michael (Zack Braff), noivo de Jenna (Jacinta Barrett), uma mulher perfeita ao mesmo tempo em que trabalha no emprego perfeito, até que conhece uma jovem bem mais nova que ele (Rachel Bilson), é então que passa a refletir sobre os rumos que tomou e se toda essa perfeição é exatamente o que ele espera de sua vida. Enquanto isso, conhecemos a vida amorosa de seus amigos, um casado mas que não consegue paz com sua esposa, um que persegue feito louco a mulher que ama mas que o rejeita, entre outros casos. Boas histórias, muito bem entrelaçadas pelo roteiro esperto e muito bem amarrado. Conta com algumas performances bem memoráveis, destaque para Jacinta Barrett, Casey Affleck, Michael Weston, Blythe Danner e do sempre ótimo Tom Wilkinson. Vale ainda citar a incrível trilha sonora que possui ótimas canções de Snow Patrol, Coldplay, Imogen Heap e Remy Zero.



08º. O Despertar de Uma Paixão (The Painted Viel, 2006)
de John Curran / EUA, China


Belíssimo filme de época que contém belas paisagens e fotografia impecável. A história ocorre na década de 40, onde vive Kitty (Naomi Watts) que não vê sentido nos casamentos em geral, mas se vê obrigada a se casar quando as pessoas ao seu redor passam a cobrar. Se casa sem estar apaixonada com um ótimo partido, o médico Walter Fane (Edward Norton), eles se mudam para Xangai, é onde que ele descobre que ela o trai, como forma de vingança, a obriga viajar com ele para uma pequena vila na China que sofre de uma epidemia forte, mas é lá que Kitty descobre realmente com quem está casada e passa a ver as qualidades deste homem, bondoso, capaz de fazer de tudo para salvar um povo de uma terrível doença. Um filme belo, no visual, mas principalmente em sua história e a maneira como ela é contada, delicado, emocionante, a forma como o casal vai se unindo é inspiradora, daqueles que faz o público torcer por eles. Ótimas atuações de Naomi Watts e Edward Norton e ainda o filme nos proporciona uma incrível trilha sonora vencedora do Globo de Ouro, composta por Alexander Desplat.



07º. Doce Novembro (Sweet November, 2001)
de Pat O'Connor / EUA


Filme que se tornou clássico no gênero romance, não poderia ficar de fora dessa lista. A estranha história de Sara (Charlize Theron) que vive a vida como ninguém, e a cada mês escolhe um estranho para morar com ela, o ajudandando de alguma forma. O escolhido do mês de novembro, acaba sendo Nelson (Keanu Reeves), um publicitário em decadência que aceita o convite e neste mês, finalmente enxerga a vida, todas as coisas boas que estavam ao se redor, mas não via, descobre finalmente o amor, e tenta prolongar este tempo, o problema é que Sara já não tinha mais tempo para ser prolongado, e que havia um motivo para ela viver tão intensamente, pois estes, eram seus últimos dias. História bem simples, mas que consegue envolver o público e emocionar, há belíssimas cenas de romance, daquelas de descongelar os corações mais duros, e um final, digamos, bem triste. Charlize Theron já provando seu enorme talento e surpreendendo em várias cenas, por ela, já vale a pena, e ainda possui boa química com seu parceiro, Reeves.



06º. Apenas Uma Vez (Once, 2006)
de John Carney / Irlanda


Não é bem uma história de amor, há um certo clima de romance, há uma paixão não revelada oficialmente, mas há, e emociona tanto ou até mais que filmes melosos. É na verdade, um musical muito estiloso e de pouco orçamento, que nos mostra a dura rotina de dois moradores de Dublin, um músico de rua (Glen Hansard) e uma vendedora de flores (Markéta Inglová), que acabam se conhecendo, quando ela ao passar pelo local onde ele cantava pede uma música, nisso se revelam gostos em comum. Até que nasce uma grande amizade e ele a chama para gravar um disco, a moça aceita, e em apenas alguns dias, os dois passam a viver apenas de música, além do forte envolvimento entre eles, aproveirando ao máximo a oportunidade, pois depois, cada um seguiria seu rumo, aquilo iria ocorrer apenas uma vez. Um filme pequeno no formato, mas que acaba tendo proporções gigantescas, a cada vez que assisto gosto mais, há na tela, uma belíssima história, a relação dos dois é bonita de se ver e...ouvir. As músicas são fantásticas, que ficam na cabeça, da vencedora do Oscar "Falling Slowly", às ótimas canções "When Your Mind's Made Up", "Lies" e "Trying To Pull Myself Away", entre outras que passaram a fazer parte da minha playlist e de muitas outras pessoas.



05º. O Clã das Adagas Voadoras (Shi Mian Mai Fu, 2004)
de Zhang Yimou / China



Também há ação, um pouco de aventura, com direito a alguns efeitos especiais, mas é o romance que prevalece e é por ele que o filme se tornou tão bom, um romance tão sensível, envolvente, numa trama cheia de reviravoltas surpreendentes. Século IV, onde a Dinastia Tung na China entra em decadência devido a atos rebeldes como os do Clã das Adagas Voadoras, eis que conseguem uma isca para chegarem até este clã, a bela dançarina cega, Mei (a belíssima Zhang Ziyi), e para isso usam um valente soldado que finge salvá-la, aproximando os dois, numa fuga cheia de imprevistos, o que ninguém esperava, é que o soldado acaba se apaixonando pela isca, e por este amor, ele se coloca contra sua própria dinastia. Bom, não darei mais spoillers, mas quem viu sabe que a história vai muito além disso e há inúmeras surpresas durante toda a trama. O amor mostrado na tela é de uma beleza rara, ajudado pela magestral trilha sonora e visual impactante capturados pela direção impecável de Zhang Yimou, simplesmente arrebatador este romance, de grande força, extremamente sensível e inteligente.



04º. Orgulho e Preconceito (Pride & Prejudice, 2005)
de Joe Wright / Inglaterra, França, EUA


Baseado na obra clássica de Jane Austen, o longa conta a história de uma família britânica no século XVIII, onde as 5 irmãs Bennet foram criadas pela fixação da mãe em casamentos, a vida para elas se resumia em encontrar um bom partido e se casarem, diferente apenas para Elizabeth (Keira Knightley) que sonhava um pouca mais alto e via que a vida era muito mais do que ter um marido, eis que conhece o orgulhoso Sr. Darcy (Matthew MacFadyen), com quem passa a troca insultos, mas é nele que descobre uma forte paixão escondida em seus preconceitos. Um ótimo filme de época, direção admirável de Joe Wright, grande revelação no ano em que foi lançado, captura bela imagens em cenas adoráveis, cheia de bons diálogos e boas intenções. Figurinos, cenários, trilha sonora, tudo em perfeito estado, e ainda presenciamos a incrível performance de Keira Knightley que parece ter nascido para o papel.



03º. Johnny & June (Walk The Line, 2005)
de James Malgold / EUA


A cinebiografia do cantor Johnny Cash, talvez, umas das cinebiografias mais incríveis já feita, mas a questão da vez não é essa, além de mostrar o nascimento e os conflitos do cantor no auge do sucesso até sua decadência, o longa nos mostra uma das mais sinceras histórias de amor, a história dele com a mulher que esteve ao seu lado o tempo todo, June Carter, que suportou todos os seus erros, seus defeitos e permaneceu com Cash durante toda sua vida. Aqui, Johnny é interpretado por Joaquin Phoenix, numa performance irretocável, fantástica, e Reese Witherspoon na atuação de sua carreira como June Carter, vencendo o Oscar por ela. É tudo muito incrível ver a história de Johhny, ver por tudo o que ele passou e ver aquela bela moça ao seu lado, suportando tudo, e a maneira como o longa de James Malgold nos mostra esta relação é muito interessante, torcemos por eles, sofremos com eles, e para ajudar ainda temos como pano de fundo as belas canções de Cash.



02º. Closer - Perto Demais (Closer, 2004)
de Mike Nichols / EUA


Difícil escolher entre o primeiro e o segundo, mas isso é besteira, "Closer" poderia muito bem estar em primeiro, está aqui só por uma questão de organização. Sim, é um dos meus filmes prediletos!

Na trama, conhecemos quatro adultos, o escritor Dan (Jude Law), a fotógrafa Anna (Julia Roberts), o médico Larry (Clive Owen) e a stripper Alice Ayres (Natalie Portman). Ao som de "Blower's Daughter" de Damien Rice, vemos Alice caminhando, pronta para mudar vidas, é quando conhece Dan, com que se apaixona loucamente, e durante quatro anos de relação, ele escreve uma história sobre os dois, ao publicar seu livro, conhece a fotógrafa, com quem flerta, mas falha, e como vingança, lhe apresenta um médico idiota, o que falha mais uma vez, pois Larry e Anna acabam ficando juntos. Por outro lado, Anna passa a ser amante de Dan. E no meio desses encontros e desencontros, estava aquela que mais amara, que mais sofrera, que dera início a tudo, que veio do nada, Alice Ayres, sem identidade, sem passado, sem futuro.

É difícil comentar sobre este filme, sou suspeito para isso, o acho perfeito, simplesmente. Uma história de amor jamais contada, de uma maneira jamais feita, tudo ocorre de forma extremamente sincera, direta, objetiva, o amor da forma mais crua possível, sem rodeios, sem clichês, diálogos memoráveis em cenas memoráveis, há uma maturidade que poucos filmes alcançaram, há verdade, e há tanto humanismo presente nas personagens tão bem escritas e tão bem interpretadas por quatro atores fantásticos. Destaque para Natalie Portman, pra mim, por mais que todos discordem, no papel de sua carreira. Imperdível.



01º. Moulin Rouge - Amor em Vermelho (Moulin Rouge, 2001)
de Bazz Luhrmann / EUA


Bom, para começar, o melhor musical que já vi na vida, nenhum outro conseguiu superá-lo. Faz 10 anos desde seu lançamento e ainda parece atual, um filme marcante que marcou época, o vejo, hoje, como uma obra-prima.

Vemos ao som de músicas modernas, uma Paris da Belle Époque, rodeada de boemios e revolucionários, é onde se instala o jovem sonhador Christian (Ewan McGregor), que acaba se envolvendo numa companhia de Teatro financiada por Ziddler (Jim Broadbent) que também é dono do Moulin Rouge, uma boate onde circula as mais belas cortesãs, além das drogas, sexo, muita cor e can-can. É onde Christian conhece Satine (Nicole Kidman), a mais bonita e mais encantadora cortesã do local, e acaba se apaixonando por ela, mesmo ela avisando sobre as limitações de sua "profissão", e ao som de músicas como "Your Song", "One Day I'll Fly Away" e "Elephant Love Medley", nos apaixonamos pelo romance dos dois, que passam por inúmeros conflitos, mas ficamos na torcida, nos envolvemos, e somos tocados pela magia de Moulin Rouge.

Bazz Luhrmann nos mostra um cinema inventivo, experimental, que mistura fantasia e realidade, nos mostra um cinema poucas vezes visto, um cinema de extrema qualidade, daqueles que esquecemos completamente nossa vida e quando termina é simplesmente difícil voltar para a realidade. Um romance marcante e muito bem realizado.

Especial - Os Melhores da Década
[Comédia]
[Comédia Romântica]
[Terror/ Suspense]

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Crítica: Namorados Para Sempre (Blue Valentine, 2010)

Indicado ao Grande Prêmio do Juri no último Festival de Sundance e também indicado ao prêmio de Melhor Atriz para Michelle Williams no Oscar e Globo de Ouro 2011, "Namorados Para Sempre" trás uma trama forte sobre um intenso relacionamento, mas sem as mentiras de um filme de romance qualquer e com as dolorosas verdades da vida real.

por Fernando Labanca

Dirigido por Derek Cianfrance, o longa conta com as atuações de dois grandes atores em ascensão, Ryan Gosling e Michelle Williams. Na trama, conhecemos Dean e Cindy, casados, com uma pequena filha, que passam por alguns problemas pessoais e tentam encarar a triste rotina de um casal, enfrentando suas diferenças e incertezas. Para tentarem se livrar um pouco da dor da vida real, alugam um hotel "beira de estrada", visando salvar o casamento desgastado, é neste mesmo hotel, que o passado volta às suas mentes e passam a refletir sobre onde foi parar aquele amor de juventude. 

Dois jovens, que acabam se encontrando por acaso. Dean se apaixona loucamente, vê em Cindy seu futuro e promete a si mesmo que reencontraria com ela e se casaria com ela. O destino os coloca novamente juntos, passam a se conhecer, vem a paixão, a felicidade, uma gravidez não planejada, começam a vir as incertezas, começam a descobrir os defeitos de cada um, um rumo sem volta que os guiou até aquele hotel. E no presente, tentam encontrar naquele amor do passado forças para seguirem em frente.

 

"Você machuca aquele que ama, aqueles que não deveria machucar". Assim canta Dean em determinada cena ao lado de Cindy, sem se darem conta de que estavam fadados a cometerem tal erro, erro que muitos casais cometem. "Blue Valentine" (no original) nos mostra essa triste verdade, não vemos na tela aquele casal apaixonado e momentos de extrema felicidade, nem promessas falsas de amor eterno, vemos Dean e Cindy, um casal como outro qualquer, que erra, que sofre, que machuca. Aliás, são poucas as cenas que vemos um casal feliz, trata-se de um filme melancólico, doloroso, não chega a ser triste, mas incomoda, dói, nos faz refletir sobre os relacionamentos, e como o amor, a paixão, nem sempre são sentimentos eternos.

É muito interessante o desenvolver deste roteiro, sem uma ordem cronológica, dando muito mais charme, o tornando ainda mais impactante, vemos o passado e presente, conseguimos analisar como eram e como ficaram, como começou o amor ao mesmo tempo em que vemos ele sendo desgastado, e por muitas vezes é assim que funcionam os casais, parece que esquecem o que foram no passado, perdem a essência daquela paixão, e no filme, vemos em pequenos detalhes, pequenos diálogos, exatamente, aonde este amor ia se perdendo.

As atuações são fantásticas. Ryan Gosling provando ser um dos grandes atores de sua geração, mas é Michelle Williams quem acaba brilhando mais, é uma performance admirável, soube passar os estranhos sentimentos dessa personagem um tanto quanto complexa, além de mostrar apenas através de seu olhar e de suas expressões, o passar dos anos, há uma diferença em sua postura, vemos um olhar muito mais cansado no presente, é realmente belo o que a atriz nos proporciona, muito merecido sua indicação ao Oscar. 

"Namorados Para Sempre" peca nos momentos de conflitos, onde o roteiro parece se limitar um pouco a frases como "não aguento mais" "vai embora", não há uma discussão de verdade, onde os dois colocam os verdadeiros sentimentos para fora, senti um falta disso, acho que a trama merecia este momento. Mas no geral, o casal de protagonista convence, é um filme difícil, tenso, pesado, foge e muito dos clichês de romance, é uma ótima alternativa para quem espera por uma história de amor real. Também vemos em cena, uma boa trilha sonora e uma ótima direção Cianfrance, que nos mostra este relacionamento de forma crua, claustrofóbica. Recomendo. 

NOTA: 8,5




quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Crítica: Amores Imaginários (Les Amours Imaginaires, 2010)

Destaque na Mostra de Cinema de São Paulo e Rio de Janeiro em 2010, mas que estreiou recentemente em circuito aberto, "Amores Imaginários" é o segundo filme do jovem diretor Xavier Dolan, de apenas 21 anos, que também atua como protagonista desta obra canadense, que satiriza as relações modernas atravéz de imagens marcantes e uma plasticidade admirável.

por Fernando Labanca

A trama é bem simples. Conhecemos Francis (Xavier Dolan), homossexual assumido e melhor amigo de Marie (Monia Chokri), ambos são amigos inseparáveis e vivem na burguesia canadense, onde as preocupações da vida se limitam a qual roupa usar na próxima festa. Eis que em uma dessas festas, eles conhecem Nicolas (Niels Schneider), um rapaz do interior que passa a morar na cidade deles, devido seus estudos. Francis e Marie, logo se interessam pelo jovem e passam a fazer ele a se sentir "enturmado". O problema é que nenhum dos dois admite gostar dele, e cada um a seu modo, individualmente, passam a tentar conquistá-lo, até porque não sabem exatamente qual é a opção sexual de Nicolas, e assim, os dois acreditam ter uma chance, mas sem deixar na cara, tudo de forma sutil, mas ao mesmo tempo, de forma obsessiva, esquecendo da amizade entre eles, e sacrificando anos de relação pelo novo objeto de desejo.

Apesar de história simples, "Amores Imaginários" tem uma premissa interessante. Esse mistério ao redor de Nicolas, que nunca sabemos exatamente quem ele é, e essa dúvida que ronda a mente das personagens passa a ser a nossa também. A idéia de amor imaginário funciona bem na tela e é bem explorada pelo roteiro, onde nos mostra esse amor que de fato, nunca acontece, o romance, a paixão, a obsessão, se limita a mente de Francis e Marie, e assim como eles viam em Nicolas a personificação de um Deus Grego, muitas pessoas sofrem por idealizar um herói aquelas que amam, sendo que na verdade, aqueles que amamos são meros mortais e que podem nos decepcionar. 


"Amores Imaginários" é uma comédia romântica bem fora do comum, é até estranho taxá-lo neste gênero, simplesmente pela forma como a trama é mostrada, com poucos diálogos, e muitas imagens, de closes, câmera lenta, com fotografia impecável e perfeccionista. É comédia por fazer uma sátira sobre as relações amorosas da vida atual, sobre essa obsessão pela paixão, ironiza essa idealização que fazemos sobre outras pessoas e como o amor nos transforma em seres patéticos. E para mostrar isso, Xavier Dolan optou por explorar o exagero, excesso, os figurinos, os cenarios, as cores, tudo em excesso. Destaque extremamente positivo pela trilha sonora, com uma pegada indie, mesclando com uma batida mais eletrônica, passando pela repetição de "Bang Bang" de Dalida, Sting e a balada de The Knife, aparecem sempre de forma exagerada, mas que sem sombra de dúvida, transformam o filme num programa ainda mais interessante. 

Entretanto, o exagero nem sempre funciona tão bem. O excesso de câmera lenta e closes nos rostos das personagens, por muitas vezes, de forma desnecessária, cansam. Há inúmeras cenas que certamente poderiam ter sido cortadas, onde não há falas, somente assistimos as personagens pensando sobre a vida. Senti um certo egocentrismo de Xavier Dolan, não por protagonizar seu próprio filme, mas por se colocar em destaque na trama, mesmo quando não havia necessidade, excesso de closes em sua face, ele sempre fazendo caras e bocas, enfim, não gostei. Acho também um pouco pretencioso de sua parte encher o filme de referências cinematográficas ou referências artísticas, parece que tentando mostrar que seu filme é um filme de "arte", o que de fato, não é, como por exemplo colocar um livro da Bauhaus em destaque em uma determinada cena, sem motivo algum. Acredito também que por ter estado em Mostras de Cinema aqui no Brasil, acabou se criando uma imagem de filme artístico, não, não é, tem formato de um, mas não é.

As atuações são razoáveis, destaque somente para Monia Chokri, pela interpretação de Marie, consegiu mostrar de forma eficiente e convincente a obsessão e a loucura de sua personagem. Trilha sonora fantástica, talvez uma das melhores deste ano, e fotografia impecável, marcando um dos visuais mais fascinantes que vi nos últimos meses. Faltou um pouco mais de história, desenvolver melhor as personagens, principalmente Nicolas, onde tudo gira em torno dele, mas ele mesmo é fraco. É uma versão bem menos interessante de "Os Sonhadores" de Bertolucci, que não chega a ter sua complexidade e intensidade. "Amores Imaginários" só não é uma obra esquecível pela sua bela plasticidade.

NOTA: 6




sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Crítica: A Pele Que Habito (La Piel Que Habito)

No início do ano, quando começaram a disponibilizar notícias sobre o novo e tão esperado projeto de Pedro Almodóvar, admito que fiquei muito com o pé atrás, principalmente por ter uma história e ter um estilo, o suspense, muito diferente do que o diretor fez em toda sua brilhante carreira. Quando vi o trailer, fiquei assustado e já comecei a sentir um cheiro de fracasso e decepção, seria aquele momento "Almodóvar enfim perdeu o jeito de fazer bons filmes". Ou seja, fui ver com uma péssima expectativa, e ao final do longa, só pude pensar duas coisas: o quão errado eu estava e que definitivamente estava diante de um dos melhores filmes deste ano!

por Fernando Labanca


Bom, para começar, preciso admitir, é muito complicado contar a história do filme, só assistindo mesmo para se ter noção da grandiosidade do projeto. É difícil contar sem spoilers, então comentarei bem por cima, por que há muitos outros detalhes na trama. "A Pele Que Habito" é baseado no livro "Tarântula" de Thierry Jónquet, e nos mostra Roberto Ledgard (Antonio Banderas), um renomado cirurgião plástico, que vive em sua bela casa tranquilo, porém logo presenciamos algo de incomum, há uma mulher, Vera (Elena Anaya) presa em um quarto, ela tenta de diversas formas fugir ou provar a Roberto que está pronta para ir embora, mas ele a mantém em cativeiro. Aos poucos vamos descobrindo um pouco mais deste homem misterioso, perdeu a esposa depois que ela se queimou inteira e se suicidou após se ver refletida no espelho, sua filha, atordoada, passa a frequentar uma clínica psiquiátrica. E no trabalho, Roberto passa a fazer uma pesquisa intensa sobre a criação de uma pele, que envolve a mutação de células, tudo isso por culpa, por querer encontrar a cura para casos como o de sua esposa, o problema é que ele resolve testar essa nova pele em humanos, neste caso, em sua paciente, Vera. 

Mas a vida deste cirurgião é muito mais complexa do que se parece, e aos poucos vamos descobrindo o porquê de ser Vera sua paciente, porque ele a mantém daquela forma, e isso envolve um passado sombrio e cheio de segredos. É então que surge o suspense, sobre quem realmente são essas pessoas e como elas chegaram até ali.


Não, Pedro Almodóvar não perdeu a mão, a boa forma, muito pelo contrário, mantém a qualidade. Apesar de se tratar de um gênero novo para o diretor, há muito de Almodóvar na tela, o exagero, as personalidades caricatas, as cores fortes, sensualismo, sem deixar de ser polêmico e tratar de temas extremamente delicados, como a mudança de sexo, além daquela normalidade com que ele nos mostra situações bizarras. A história é fantástica, ele escolheu o projeto certo, o admiro por se arriscar, mesmo depois de anos de carreira e de seguidores, não temeu trilhar por caminhos desconhecidos, e felizmente, ele acertou. 

O roteiro, que também é assinado por Almodóvar, é genial, a contrução das situações, a apresentação das personagens, o mistério, o modo como tudo vai se revelando, tudo muito dierente, original e de extrema qualidade. A idéia é fora do comum, pode assustar muitas pessoas até, principalmente os mais conservadores, mas é um filme que vale cada segundo, cada cena que surge, uma grande idéia, é um filme que não deixa as grandes surpresas somente para o final, ao decorrer da trama, vamos nos deparando com situações bem surpreendentes. Destaque para a trilha sonora do compositor Alberto Iglesias, bastante delicada e que parece elevar o nível do longa, além é claro, dos cenários e figurinos muito bem planejados. 

Antonio Banderas retoma sua parceria com Almodóvar, com quem não trabalhava desde 1990 com "Atá-Me", e essa parceria funciona mais uma vez, havia muito tempo em que não via Banderas tão bem em um filme, aliás, fazia muito tempo em que o via em um filme bom, sua atuação não é nada incrível, mas soube passar os sentimentos (ou falta deles) deste incrível personagem. Ainda há a presença de Marisa Paredes, muito bem em cena e do jovem Jon Cornet, num personagem que dá arrepios só de lembrar. Destaque para a ótima atuação de Elena Anaya como Vera, uma personagem muito marcante e cheia de bons momentos, a atriz se entregou e nos mostrou uma belíssima performance.

"A Pele Que Habito" é uma obra-prima, por inúmeros motivos, direção impecável de Almodóvar, que parece ter tido cuidado com cada detelhe, logo que o resultado beira a perfeição. Pelo roteiro que nos apresenta uma das tramas mais ousadas e originais do ano, ou pelas grandes atuações representando grandes personagens. O longa discuti um pouco da falta de ética na medicina, mas de forma secundária, nos faz refletir sobre as atitudes desumanas de seres tão comuns, além de uma reflexão bem válida sobre nossa identidade, sobre o quanto nossa pele, essa casca que nos cobre, nos define, perderíamos nossa identidade se estivermos em um corpo diferente, se habitarmos outra pele? Reflexões feitas, filme tenso em processo de ser digerido, quando o filme terminou me veio um sentimento de felicidade, felicidade por estar diante de uma obra tão rica, de ver um cinema acontecer de forma tão rara, tão brihante. Magnífico. Inteligente. Ousado. Imperdível. 

NOTA: 10





terça-feira, 22 de novembro de 2011

Tarde Demais (Beautiful Boy, 2011)

Massacres em escolas vem sendo bastante discutidos nos últimos anos, infelizmente, é algo que ainda vemos nos noticiários. Do famoso e assustador caso de Columbine em 1999 ao mais recente caso de Realengo, cidade do Rio de Janeiro, onde um rapaz de 23 anos, vítima de bullying na infância, mata 12 alunos antes de se matar. O que vemos em "Tarde Demais", filme de Shawn Ku, é uma visão diferente deste tipo de caso, o lado em que a mídia não nos mostra.

por Fernando Labanca

Parecia um dia normal, um dia como qualquer outro, para o casal Bill (Michael Sheen) e Kate (Maria Bello) que moravam num subúrbio norte-americano. Até que recebem a notícia de que a escola em que o filho deles, Sammy (Kyle Gallner) estudava sofrera um terrível massacre, onde um dos alunos atirara em outros e posteriormente se suicidara. Sammy estudava e morava fora, há alguns meses tinha pouco contato com a família, o que aumentava a preocupação dos pais. Eis que policiais batem a porta de Bill e Kate para uma terrível notícia, Sammy morrera, entretanto, esta não era a única notícia, ele foi quem cometera o massacre.

A partir de então, a mídia cai em cima do casal, que passam a ser perseguidos, além de serem acusados pelos pais das vítimas. Os dois embarcam, então, numa fase complicada, entram numa profunda depressão, passam a se questionar sobre o ocorrido, teriam sido bons pais? Onde erraram? Poderiam ter revertido essa situação? Faziam de Sammy um garoto feliz? E o pior...seria o filho deles tão bom quanto eles achavam? Passam a se cobrar como pais, a tentar compreender o que ocorrera, a achar respostas. 

"Tarde Demais" é um filme pesado, denso. A todo momento, nos faz refletir, nos faz pensar de uma maneira que a mídia sensacionalista não faz. Não tem um intuito de trazer respostas, mas sim, nos fazer imaginar na pele daqueles que passam por uma situação delicada como essa. Os diálogos são bastante sinceros, quem os escreveu soube demostrar com sensibilidade e verdade os sentimentos mais dolorosos, mais intensos e por algumas vezes até cruéis deste casal. É interessante analisar os dois, e ver que mesmo antes do ocorrido, não eram felizes, e depois da tragédia, passam a se encarar, a dizer o que sentiam. Shawn Ku optou por closes das personagens, quase que o filme inteiro, captando com precisão as expressõs, os olhares, cansa, mas são primordiais para a proposta do longa, entrar na alma dessas duas pessoas, e ao decorer do filme, vemos Kate e Bill indo para o fundo do poço, passando por uma árdua jornada, de choros, de descontrole, de pura depressão. Essa proposta, "Tarde Demais" consegue com muito êxito, parece que sentimos o que o casal sentia. 

O longa é bastente original por mostrar um novo ângulo de um tema já discutido outras vezes, o massacre aqui é completamente secundário, o que vemos na tela, o filme inteiro são as discussões e questionamentos do casal e a maneira como eles tentam superar a perda do filho. Me lembou um filme recente chamado "Reencontrando a Felicidade", com Nicole Kidman e Aaron Eckhart na pele dos pais que perderam um filho, o que de certa forma, foi ruim, pois comparando os dois, o longa de Kidman é superior. "Tarde Demais" por mais que levante questionamentos interessantes e bastante inteligentes, onde o roteiro consegue muito bem explorar as situações vividas pelo casal, o filme é muito cansativo, parece nunca se desenvolver de verdade, seu clímax ocorre nas primeras cenas e depois dela, vemos uma repetição de conversas, de cenas, que são, aliás, um tanto quanto claustrofóbicas. Mais uma vez, há bons questionamentos, mas faltou história para preencher os 100 minutos de filme.

Destaque para as atuações de Michael Sheen e Maria Bello, que são dois bons atores, mas que infelizmente sempre acabam se envolvendo com os projetos errados. É muito bom vê-los num filme que os explore, que permite que ambos mostrem seus talentos, e é o que acontece aqui. As cenas são difíceis, e os dois se envolvem de maneira admirável, sem a grande atuação desta dupla, o filme perderia e muito de sua força. Vale a pena conferir, pela boa ideia, pelas performances impecáveis e por conseguir emocionar, não tanto quanto eu esperava, mas emociona. Mas não espere muito, é um projeto independente, pequeno, não possui a intensidade que parecia ter, não há grandes acontecimentos e dá uma leve impressão de não sair do lugar, de acabar da mesma forma que começou.

NOTA: 6,5








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