domingo, 27 de fevereiro de 2011

Oscar 2011 - Os Vencedores


por Fernando Labanca

Ontem, dia 27 de fevereiro, foram anunciados num glamuroso evento, os vencedores do Oscar. Sem nenhuma surpresa e com premiações muito óbvias, a festa termina sem nenhuma grande novidade, talvez o que muitos não esperavam era o fato de "A Rede Social", tido como um dos favoritos sair do evento com premiações apenas técnicas e que por sua vez, na partes técnicas acabou perdendo para "A Origem" de Christopher Nolan, o segundo grande vencedor da noite, com 4 Oscars. O grande vencedor, também com 4 Oscars, "O Discurso do Rei" que venceu nas principais categorias, como Diretor para Tom Hooper, Ator para Colin Firth, Roteiro Original e o tão almejado, o Oscar de Melhor Filme. "Bravura Indômita" dos Irmãos Coen também estava entre os favoritos e o segundo com o maior número de indicações e saiu com as mãos vazias.

Pode se dizer também, que foi uma premiação correta, os prêmios foram bem divididos, em boa parte, foi também muito justo. "O Discurso do Rei" mereceu tanto como Melhor Filme como Melhor Diretor, entretanto havia melhores entre os indicados, mas qualquer um que saísse vencedor, seria justo. Como Steven Spielberg mesmo disse na hora de anunciar o grande vencedor, que aqueles que perderem entrarão para um grupo especial ao lado de filmes como "A Primeira Noite de um Homem" e "Cidadão Kane", longas que perderam o Oscar mas nem por isso deixaram de ser clássicos.

A apresentação foi fraca, Anne Hathaway e James Franco completamente perdidos no palco, a queridinha de Hollywood até que se esforçou mais, seu carisma é inegável e como sempre muito simpática e procurou fazer o melhor, o problema mesmo era o texto. Por outro lado, James Franco, insosso, com cara de quem tava com vontade de ir embora logo e que não dava a mínima importância para o que estava acontecendo ali, faltou um Hugh Jackman...

No palco também subiram Reese Witherspoon, Kirk Douglas, Jake Gyllenhaal, Amy Adams, Scarlett Johansson, Robert Downey Jr., Jude Law, entre outros. Teve as quatro interpretações das canções indicadas, Randy Newman foi o primeiro e ao lado de um piano, cantou a bela canção e vencedora "We Belong Together" de Toy Story 3. Depois vieram Mandy Moore numa apresentação sem-graça com a canção "I See the Light" por Enrolados, mas fiasco mesmo foi Gwyneth Paltrow cantando "Coming Home", música de seu mais recente filme Country Strong. O bom momento foi ver A.R.Rahman ao lado de Florence Welch, a vocalista da banda indicada ao Grammy este ano, Florence and The Machines, com sua bela voz cantando "If I Rise", canção de 127 Horas. Tambem teve Celine Dion cantando em homenagem aqueles que se foram, homenagem que sempre ocorre no Oscar, marcando um bom momento da premiação. Ainda teve um divertido clip feito por mixagem das vozes de alguns personagens marcantes do ano, finalizando com uma "quase-sátira" ao descamisado Taylor Lautner em Eclipse.

"and the Oscar goes to..."

Melhor Filme

O Discurso do Rei

Merecido prêmio, porém havia melhores entre os indicados. "A Origem" é uma inovação cinematográfica, um roteiro que beira a perfeição e chega ao ápice da inteligência, Christopher Nolan não estava como Melhor Diretor, mas o de Melhor Filme merecia mais que o longa de Tom Hooper. "Cisne Negro" também era superior, um filme mais ousado que foge do óbvio, bem diferente de "O Discurso do Rei", feito com padrões acadêmicos e extermamente correto, em nenhum momento nos mostra algo novo, apesar da bela história. "A Origem" e "Cisne Negro" serão filmes que sobreviverão ao tempo, diferente de "O Discurso do Rei".


Melhor Diretor

Tom Hooper (O Discurso do Rei)

Ótima direção, isso é inegável. Tom Hooper se mostrou da primeira a última cena ser um diretor competente, a maneira como conduziu a história foi de uma qualidade primorosa. Mas acredito que Darren Aronofsky, por "Cisne Negro" foi mais corajoso, filmou o impossível, fugiu completamente da linha de conforto, daquilo que já foi mostrado antes, evoluiu como diretor e nos mostrou um trabalho único, dentre os indicados, eis o melhor.


Melhor Ator

Colin Firth (O Discurso do Rei)

Anunciado por Sandra Bullock, a vencedora do ano passado, Colin Firth com certeza já esperava ser o vencedor, todos já esperavam. Isto é fato, Colin era o melhor, não podia ser outro, seu George VI foi fantástico, um prêmio mais do que merecido.


Melhor Atriz

Natalie Portman (Cisne Negro)

Anunciado por Jeff Bridges, Natalie Portman subiu ao palco grávida e muito emocionada. Assim como o veterano havia dito em seu discurso, a atriz criou um leque em sua carreira, composta por diversas personagens, que nos permitiu conhecer diversas faces da atriz, ou melhor, diversas faces daquilo que ela é capaz de interpretar. Natalie é uma atriz extremamente talentosa, enfim foi reconhecida por isso e Cisne Negro é seu melhor momento, se é que isso era possível depois de filmes como "V de Vingança" e "Closer", a atriz que se preparou por 2 anos para compor sua Nina, a bailarina obcecada pela carreira, se jogou de corpo e alma e nos fez assustar e nos emocionar com uma interpretação perfeita, digna de Oscar.


Melhor Ator Coadjuvante

Christian Bale (O Vencedor)

Conhecido aqui no Brasil como Batman, da obra de Christopher Nolan, Christian se mostrou um ator que muitos desconheciam, inclusive eu, numa interpretação poderosa e que com certeza surpreendeu a todos. Ele interpreta um ex-lutador de boxe no longa de David O.Russell, "O Vencedor", que enquanto treina seu irmão mais novo para se tornar um lutador no futuro tão bom quanto ele era no passado, se deixa viciar pelo crack, que vai se decompondo aos poucos como pessoa. Perdeu quilos e renasceu na pele deste grandioso personagem, uma bela interpretação, merecido o Oscar, apesar dos concorrente de peso, como Geoffrey Rush e Mark Ruffalo.


Atriz Coadjuvante

Melissa Leo (O Vencedor)

Melissa Leo subiu ao palco em choque, não acreditava no que estava acontecendo. Enfim a atriz elogiada ganhou seu tão esperado Oscar e quando estava na premiação me fez perguntar: "que mulher é essa?", uma mulher que definitivamente não é mesma que estava nos sets de "O Vencedor". Melissa Leo é aquela atriz camaleão, que se transforma naquilo que lhe é proposto e ela leva isso muito a sério, não há como comparar suas interpretações, seja pela sua excelente atuação em "Rio Congelado" ou em "21 Gramas" ou em "O Vencedor", sua transformação é absurda, não é a mesma atriz. Palmas para esta grandiosa mulher que divertiu e ao mesmo tempo encantou em sua interpretação como mãe de Christian Bale e Mark Wahlberg em "O Vencedor". Aliás, o longa em questão é o filme dos coadjuvantes, que além dela e do vencedor Christian Bale, vale citar a também indicada Amy Adams, numa atuação interessante, onde também merecia o prêmio.


Roteiro Original

O Discurso do Rei

Acredito que tenha sido uma das premiações mais injustas da noite, acredito que meu favoritismo à "A Origem" ficou bem claro, mas se tem uma categoria que o filme de Christopher Nolan deveria levar era de Roteiro Original, de longe o mais criativo dentre os indicados e o melhor conduzido por um diretor. Até mesmo a comédia "Minhas Mães e Meu Pai" conseguiu ser mais ousado que "O Discurso do Rei". O filme tem uma ótima história, mas vencer o Oscar por essa categoria já é demais.


Roteiro Adaptado

A Rede Social

Aaron Sorkin, quem adaptou o livro da criação do facebook para os cinemas e definitivamente fez um excelente trabalho, foi muito justo o longa de David Fincher receber pelo menos este prêmio, numa adaptação incrível que conseguiu ir muito além do que a criação de um site de relacionamento, o texto do longa faz uma inteligente e curiosa perseguição a um estranho acontecimento, a um jovem cheio de segredos e tenta desmembrá-lo para tentarmos entender o porquê de sua personalidade, o porquê de sua solidão. Um filme fantástico, que definitivamente não merecia como Melhor Filme, mas como Roteiro Adaptado, não poderia ser outro.


Animação

Toy Story 3

Quem não se emocionou com "Toy Story 3" que atire a primeira pedra. Um filme incrível, que vai muito além de só mais uma animação, se esteve entre os indicados de Melhor Filme não foi a toa, o longa de Lee Unrick foi uma emocionate e comovente, além de muito divertida despedida a uma das sagas mais adoradas de todos os tempos. Por outro lado, tinha dois candidatos fortes, "Como Treinar Seu Dragão" é também muito fantástico, e "O Mágico" que há 50 anos atrás poderia ter sido um grande filme, mas que com certeza chamou a atenção da Academia, mas ao meu ver sem chances de desputar com este grandioso projeto chamado Toy Story 3.


Direção de Arte

Alice no País das Maravilhas

Filmes de fantasia sempre tem mais chances de vencer nesta categoria, era quase óbvio que o longa de Tim Burton, que já havia ganho por "Sweeney Todd", ganharia mais uma vez, ainda mais pelo deslumbrante "Alice no País das Maravilhas", que apesar de ser um filme fraco como filme, como história, possui uma parte técnica de qualidade, todos os desenhos, a criação, passando pelos figurinos, pelos cenários, a plástica do desenvolvimento deste mundo foi algo primoroso, merecido prêmio.


Figurino

Alice no País das Maravilhas

Colleen Atwood é uma figurinista conhecida entre cineastas, já ganhou dois Oscars por Chicago (2002) e Memórias de Uma Gueixa (2006) e este por "Alice" é seu terceiro. Desenvolve um trabalho incível no longa de Tim Burton e muito do que se falou quando o "Alice" chegou aos cinemas, além do 3D, foi seu figurino, o que é algo diferente, pois nunca ninguém repara tanto nos figurinos, e até os mais leigos acabam se surpreendendo pela qualidade e criatividade também das roupas vestidas pelos personagens. "O Discurso do Rei" e "Bravura Indômita" também mereciam, mas foi bem justo a premiação para Colleen.


Fotografia

A Origem

Wally Pfister é um diretor de fotografia que dedicou grande parte de sua carreira nos filmes de Christopher Nolan, desde "Amnésia", Wally compõe a fotografia para seus longa-metragens e enfim ganhou seu Oscar por "A Origem". Acreditava que filmes como "Bravura Indômita" ou "A Rede Social" levariam este, acredito que foram filmes que usaram mais da realidade para compor o que vimos na tela, apesar de ser bela as imagens de "A Origem", era um prêmio que talvez teria sido mais justo se fosse para os outros indicados.


Edição

A Rede Social

Foram ótimos indicados nesta categoria, "127 Horas", "O Vencedor", "Cisne Negro" e "O Discurso do Rei", qualquer um que ganhasse seria justo, mas ao meu ver, "A Rede Social" merecia este Oscar, a edição do longa é um dos pontos altos da produção diferente dos outros indicados. "A Rede Social" se torna melhor devido sua edição, é um grande complemento ao filme de David Fincher, o roteiro granha força pela maneira como as cenas vão sendo mostradas. Merecido.


Trilha Sonora

Trent Reznor e Atticus Ross (A Rede Social)

Os vencedores foram Trent Reznor, vocalista da banda "Nine Inch Nails", ao lado de Atticus Ross, ambos fizeram a trilha sonora para o longa de David Fincher, que apesar de muito boa, não acrescenta tanto ao filme como, por exemplo, a trilha de Hans Zimmer por "A Origem", em composições brilhantes que parecem alterar o desenvolver da trama e faz do longa de Christopher Nolan algo superior. Um dos prêmios injustos do evento.


Edição de Som / Mixagem de Som

A Origem

Mais dois Oscars para "A Origem", mais do que merecidos. O som do filme é algo surpreendente, se visto nos cinemas a sensação é incrível, é interessante a preocupação da equipe técnica do filme no som, que eleva o nível da produção. Desde o trem atravessando um transito parado, passando pela van que sentimos cada segundo de seu mergulho no mar, as paredes se movendo no planejamento dos sonhos, enfim, cada passo, cada acontecimento do filme, está lá o som, muito bem inseridos em cada cena.

Efeitos Visuais

A Origem

Não poderia ser outro, efeitos são só efeitos quando inseridos numa trama fraca, mas quando colocados num filme tão inovador como "A Origem" acaba fazendo muito mais sentido. Efeitos visuais de qualidade, que enriquecem as cenas, fazendo deste filme o blockbuster de 2010. "Harry Potter" é outro que soube utilzar os efeitos para uma boa intenção, mas os efeitos de "A Origem" aparecem em número maior e são mais impactantes.


Maquiagem

O Lobisomem

Rick Baker mais uma vez ganha pela maquiagem de um lobisomem, logo que em 1981 venceu por "Um Lobisomem Americano em Londres", que até hoje é referência e com certeza serviu de inspiração para o longa de 2010, onde a tecnologia é mais aprimorada, mas Baker ainda assim se mostrou um profissional talentoso, que evoluiu e soube utilizar desta tecnolgia para um trabalho de qualidade. Este é seu sétimo Oscar, já havia ganho por filmes como "Ed Wood" e "O Grinch".


Canção Original

We Belong Together (Toy Story 3)

Mereceu o prêmio, só tinha um concorrente de peso que era a canção "If I Rise", música de A.R.Rahman ao lado de Dido, que por sua vez, foi cantada por Florence Welch no palco do Oscar. "I See the Light" e "Coming Home", não só tiveram apresentações fracas no evento como são canções inferiores ao de Dido e Randy Newman, que saiu vencedor pela segunda vez, a outra venceu por "Monstros S.A" em 2002, o artista agradeceu a Academia por indicá-lo várias vezes e agradeceu é claro, a Pixar.


Filme Estrangeiro

Em Um Mundo Melhor (Dinamarca)

O filme que conta a trejetória de um garoto que vai morar com o pai após a morte da mãe, introvertido, ele prefere se isolar em seu quarto, eis que na escola conhece um jovem que sofre de bullying e com tanto rancor que guardava dentro de si, começa a jogar essa raiva para fora bancando o justiceiro, tentando salvar o amigo. Era bem provável que este ganharia, pelo fato de ter ganho o "Globo de Ouro" e por ser uma trama mais leve que os demais indicados, mais ousados e com temáticas mais pesadas, e a politicagem do Oscar não permite isso!


Documentário

Trabalho Interno

Mais uma vez o Brasil sai de mãos vazias, e o documentário brasileiro "Lixo Extraordiário" perdeu para o bastante comentado "Trabalho Interno" que fala sobre a crise econômica nos Estados Unidos, um tema importante que lida muito mais com a realidade dos norte-americanos do que o trabalho de um artista plástico num dos maiores aterros sanitários do mundo, que se localiza no Rio de Janeiro.


Curta- Documentário

Strangers no More


Curta

God of Love

5 indicados, 1 deles é norte-americano, qual iria vencer? Sim, o curta norte-americano, "God of Love"


Curta - Animação

The Lost Thing


Resumindo...

O Discurso do Rei - 4 Oscars
A Origem - 4 Oscars
A Rede Social - 3 Oscars
O Vencedor - 2 Oscars
Toy Story 3 - 2 Oscars
Alice no País das Maravilhas - 2 Oscars
Cisne Negro - 1 Oscar
O Lobisomem - 1 Oscar
Em Um Mundo Melhor - 1 Oscar


[Lista completa dos Indicados]

Críticas completas dos vencedores:

[O Discurso do Rei]
[A Origem]
[A Rede Social]
[Toy Story 3]
[Alice no País das Maravilhas]
[O Lobisomem]


sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Crítica: O Discurso do Rei (The King's Speech, 2010)

O favorito ao Oscar deste ano, trás grandiosas atuações e uma história interessante, pouco para 12 indicações, mas ainda assim...um filme poderoso!

por Fernando Labanca

Colin Firth interpreta George que desde os quatro anos de idade enfrenta um grande problema, a gagueira. Passou sua vida inteira tentando enfrentar este obstáculo, que não só afetava sua fala, como afetava sua relação com as outras pessoas e principalmente sua auto-estima. O pior de tudo é que ele faz parte de uma família da realeza britânica, seu pai é Rei George V e ele atua como Duque de York e faz discursos devido a isso, para sua total humilhação.

Depois de várias tentativas frustrantes com médicos para tentar curar seu problema, sua adorável esposa, Elizabeth (Helena Bonham Carter) o leva para conversar com um terapeuta, desconhecido e fora da lista de profissionais indicados pela realeza, Lionel Logue (Geoffrey Rush). Este excêntrico homem tem a difícil missão de salvá-lo da gagueira e para isso, o trata de igual para igual, numa conversa franca, testando-o de diversas formas, agindo como seu psicólogo. De início, George acha uma tremenda besteira dar ouvidos para um estranho, eis que seu pai falece e a coroa é dada para seu irmão David (Guy Pearce), o problema é que ele mantém uma vida fora dos padrões da época e a qualquer momento a coroa poderia ir para George, o que o faz entrar numa crise de nervos, nisso procura novamente Lionel, decidido a melhorar e a seguir os conselhos do terapeuta.

Quando enfim, David abdica da coroa, George se torna George VI, num momento tenso na sociedade britânica, numa época de guerra, onde o que o povo mais queria era de um homem que lhes representassem, que falasse por eles. E Lionel passa a ser de papel fundamental neste momento, lhe dá coragem para falar, lhe dá auto-estima, e muito mais do que isso, se torna um verdadeiro e leal amigo.


"O Discurso do Rei" começa lento, a história vai se desenvolvendo aos poucos, e que muitas vezes perde o ritmo, acontecendo sem nos permitir entrar na história. Da metade para o final, o longa ganha mais vida, e quando termina, nos sentimos gratos, satisfeitos por estarmos diante de um filme de qualidade, ainda mais no final, quando estamos realmente emocionados, uma história que nos pega de surpresa, acreditamos desde o início que não daria em nada, mas quando menos esperamos, estamos intensamente envolvidos, no problema de George e na bela amizade que surge entre ele e Lionel. Pelo menos, foi assim que eu me senti.

12 Indicações realmente é forçar a barra, favoritismo no Oscar é um problema. Ter 12 indicações acaba elevando as expectativas, fazendo todos esperarem muita coisa e o filme pode não preencher aquilo que o público espera. Felizmente não ligo muito para o número de indicações, "Bravura Indômita" e "A Rede Social" também tiveram várias e não são filmes tão intessantes assim, logo esperava pouco de "O Discurso do Rei", o que foi bom, pois no meu caso, foi além das minhas expectativas, mas mesmo assim, não merece toda essa badalação.

Tom Hooper não seria um Oscar desperdiçado como Melhor Diretor, um profissional competante e isto é nítido pela extrema qualidade do filme. Fotografia muito boa, cenários bem construídos, tudo muito bem captado pela câmera, além dos ótimos figurinos e uma trilha sonora encantadora feita pelo sempre incrível Alexandre Desplat.

Mas o melhor de "O Discurso do Rei" são as atuações. Colin Firth me surpreendeu, até ano passado quando o ator fez "Direito de Amar" o achava só mais um ator britânico, mas despois de vê-lo no filme de Tom Fordy fazendo um homossexual e convensendo numa performance digna de prêmios, não tive dúvida de seu talento e neste de Tom Hooper, é confirmado sua versatilidade como ator, seu profissionalismo, simplesmente arregaça como protagonista, construindo uma personagem muito interessante. Mas personagem mesmo é Lionel Logue, interpretado magistralmente por Geoffrey Rush, que declaro aqui minha torcida no Oscar por ele como Ator Coadjuvante, um personagem de ouro, com diálogos inteligentes e uma performance incrível. Helena Bonham Carter tira seus trejeitos de "filmes Tim Burton" e encara uma personagem mais séria e convense, sua indicação acho que foi um pouco exagerada, Amy Adams por "O Vencedor" merece mais. Guy Pearce, correto e Timothy Spall totalmente perdido na trama, numa atuação estranha e assustadora.

Um belo filme, correto, que consegue emocionar através da simplicidade, sutilmente nos comove, e sentimos que valeu a pena, não foi um tempo perdido nem dinheiro jogado fora, muito pelo contrário. Vale também pelas boas cenas mais humoradas que funcionam muito bem. "O Discurso do Rei" é muito mais do que um homem tentando se salvar da gagueira, que aliás, em nenhum momento é tratada como uma piada, mas sim como um problema que pode sim afetar a auto estima de uma pessoa. É uma história inteligente, sobre superação, sobre tentar lutar contra a baixa estima, reconhecer seus valores, ter coragem mesmo reconhecendo seus medos e suas fraquezas, de como uma sociedade precisa sim de uma voz e isso acontece até hoje, além de claro, uma sincera história de amizade. Bravo!

NOTA: 8,5


quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

O Mágico (L'Illusionniste, 2011)

Do diretor Sylvain Chomet, o mesmo do aclamado "As Bicicletas de Belleville". A animação francesa que ganhou notoriedade após sua indicação ao Globo de Ouro de Melhor Animação este ano, o que posteriormente voltou a acontecer no Oscar.

por Fernando Labanca

O filme é baseado numa história de um elogiado diretor francês, que morreu na década de 80, Jacques Tati. Aproveitando isso, Chomet realizou uma espécie de homenagem a seu cinema, seu estilo, relembrando elementos que constantemente estavam em seus filmes. "O Mágico" além de ser um filme praticamente mudo, nos trás um cinema nostálgico, antigo, e conta a trajetória de um mágico em decadência e sua busca infinita em apresentar seus shows mesmo quando percebe que ninguém mais dá valor para seu trabalho.

Disputando com bandas de rock adoradas pela juventude, sua derrota é certa, não havia mais platéia para ver ele tirando um coelho de seu chapéu, e devido a isso, passa a realizar diversas viagens a procura de espaço, mas cada vez mais, se depara com lugares que ninguém compreende seu talento, num mundo onde não há mais olhos para ele. Em uma das viagens acaba conhecendo Alice, uma jovem arrumadeira de um hotel, que logo desperta curiosidade no trabalho do senhor, e sem mais a perder decide acompanhá-lo de perto, e ela passa a ser sua única companhia. Alice passa a cozinhar para ele e arrumar sua coisas, sendo de grande ajuda.

É quando ele decide retribuir seus favores através daquilo que ela tanto sonhava, roupas de marca. E conforme os dias vão passando, ele descobre que ir atrás de seus sonhos já não adiantava mais, era tarde demais, não havia mais espaço, então passa a alimentar o sonho de Alice, fazendo bicos e tentando provar para ela que ele ainda é capaz e que está tudo bem, nisso a personalidade da jovem se altera, e mostra intenções bem diferentes que no ínicio desta relação.

"O Mágico" é uma obra bem pessimista, nos mostra aquela idéia de que não há mais espaço para os mais velhos, seus talentos são ignorados, e faz uma forte crítica em relação a isso, principalmente quando no desenvolver do longa, o roteiro nos apresenta outros artistas velhos que no ápice do desespero chegam até tentar suicídio. Além de uma crítica a sociedade do consumo.

É interessante assistí-lo, e ver um filme bem diferente das animações que chagam, daquelas que temos maior acesso, feitas por grandes estúdios. Aqui, tudo é mais sutil e a técnica é aquela 2D, com traçõs simples, mas ainda assim, uma animação aprimorada, com técnicas fantásticas e com um visual excepcional.

Como homenagem a Tati, pode até funcionar, como muitos que acompanharam a carreira do diretor afirmam, no meu caso, nunca assisti a nenhuma obra de Jacques e sinceramente me senti perdido na trama, onde nenhuma referência me fez algum sentido. Ignorância minha, admito, pois há beleza e isto é fato. Por outro lado, analisando-o, retirando as referências, não lhe sobra nada, um filme vazio, que tem uma idéia sólida mas não consegue em nenhum momento transmitir algum tipo de sentimento. Um filme linear, que simplesmente acontece, sem nenhuma surpresa ou reviravolta, começa e termina no mesmo lugar. O que é uma pena, pois com esta técnica de animação e este diretor competente, poderia ter saído uma obra bem mais completa, mas infelizmente, "O Mágico" tenta, mas não chega a lugar algum. De longe, muito inferior a seus concorrentes no Oscar, e filmes melhores como "Meu Malvado Favorito" e "Enrolados" ficaram de fora, perdendo para um filme que só apresenta técnica, mas visual não é tudo.

NOTA: 4


Crítica: 127 Horas (127 Hours, 2010)


Depois de um tempinho fora, voltei ao Cinemateca, e de cara já com um bom filme para comentar.


Por Bárbara

127 Horas, de Danny Boyle, na minha humilde opinião, não é bom o suficiente para ser indicado ao Oscar, porém é um belo filme, que te fazer pensar horas a fio depois de tê - lo assistido.
O longa conta a história real de Aron Ralston (James Franco), um jovem aventureiro de 28 anos, que em 2003, ficou com o braço preso em uma rocha numa fenda conhecida como Blue John, em Utah. Costumado a sair para as suas expedições quando lhe dava na telha, Aron não disse a ninguém onde ia e saiu sem atender as ligações de sua mãe.

Chegando no local, antes de ficar preso, conheceu duas garotas, Megan (Amber Tamblyn) e Kristi (Kate Mara), que ajudou a chegar no local onde elas queriam explorar. Depois disso, quando Aron ia passar por uma fenda, uma rocha rolou e prendeu seu braço.

Imediatamente, ele tenta se soltar e pedir socorro, mas ele estava completamente sozinho naquele lugar.As horas foram passando, a exaustão, o frio, a fome e principalmente a sede estavam acabando com Aron. Chegou um momento, em que ele não tinha nada para beber e teve que tomar a própria urina, se lembrando com tristeza que trouxe duas garrafas de bebida isotônica, e que uma delas ainda estava no carro. Ainda que estivesse desesperado, Aron conseguiu manter o bom humor, mostrado em uma das melhores cenas do filme: ele entrevistando a si próprio, se lembrando que se tivesse atendido a ligação da mãe ou ao menos tivesse avisado alguém para onde iria, era somente uma questão de tempo para ele ser resgatado.

Enquanto passava as horas preso, gravava mensagens a família, falando como ele estava e de certa forma, se despedindo. Entre lembranças, delírios e alucinações, o que fez Aron lutar pela sua vida foram a visão de ser pai, a lembrança de ser criança e a saudade da família. Então, Aron teve que tomar uma atitude drástica...

Um dos melhores filmes do ano, na minha opinião..mas volto a ressaltar que pra mim, não era um filme de Oscar.É um belo filme, mas quando acaba o espectador fica com aquela cara de "tá, e daí?" e nunca sabemos o por que de Aron ser tão distante da família e tão individualista. Nunca fica claro por que ele terminou o relacionamento com Rana (Clemence Poesy) e pra mim, não tem como simpatizar ou torcer por um personagem tão raso. Já a Academia pensa diferente, né?? Fazer o quê...histórias de superação são as preferidas deles...basta prestar atenção até mesmo em alguns concorrentes de 127 Horas, como por exemplo O Discurso do Rei - superação da gagueira do rei George VI e O Vencedor - superação do boxeador contra os seus adversários e contra a própria família...

Se conhecendo um pouco do trabalho de Danny Boyle eu tinha quase certeza de que viria algo bom, com James Franco não foi a mesma coisa. Eu simplesmente queimei a minha língua feio com esse cara aí. Depois de muitos filmecos "teen" (Ela é Demais, por exemplo) e de dar vida ao mala sem alça Harry Osborn na primeira trilogia do Homem-Aranha, finalmente ele mostrou que não está em Hollywood a passeio...Se bem que a minha admiração por ele já vinha se aflorando desde Milk - A Voz da Igualdade, mas agora ela se consolidou! O cara está fantástico!
Eu sei que o Oscar vai para Colin Firth ou Jeff Bridges (quando a Academia gosta de um ator, chega a irritar), mas justiça seja feita, bem que poderia ir para James esse ano. Ele não interpretou Aron Ralston, ele FOI. A presença do Aron Ralston real no final do filme prova isso.


Sem mais delongas, é um filme que merece ser visto e lembrado. E a música-tema, If I Rise é simplesmente maravilhosa. Recomendo!

Nota: 8

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Crítica: Biutiful (Biutiful, 2010)

Depois de seus elogiados mosaicos (Amores Brutos, 21 Gramas e Babel), Alejandro González Iñárritu retorna no drama pesado e intenso "Biutiful", indicado ao Oscar 2011 de melhor Filme Estrangeiro e tembém favorito para vencer na premiação. O filme venceu o Goya de Melhor Ator (Javier Bardem), o mesmo ocorreu no último Festival de Cannes.

por Fernando Labanca

Nos filmes em que Iñárritu se consagrou, ele contava com as mãos de Guillermo Arriaga na criação de seus brilhantes roteiros. Pela primeira vez sem o roteirista, o direitor volta a exibir nas telas sua forma densa e suja de mostrar o mundo, mas agora com um novo roteiro, sem os mosaicos e as histórias entrelaçadas, o filme segue um caminho linear, com um protagonista e o mundo que acontece em seu redor, mas tudo por um só ponto de vista.

Conhecemos Uxbal (Javier Bardem), casado com uma mulher de múltiplas faces, uma mulher descontrolada, uma mãe desnaturada e devido ao seu temperamento difícil, os dois vivem praticamente separados, o que o obriga a cuidar de seus dois filmes, a razão de seu viver. Para sustentar sua família, mantêm um trabalho ilegal, gerencia africanos como camelôs e chineses numa fábrica têxtil, tudo sob uma péssima condição de trabalho e sem garantia nenhuma de que consiguirão viver no país, no caso, na Espanha. Se isso não fosse o bastante, Uxbal ainda tem que lidar com seu dom, ele é uma espécie de médium, que enxerga os mortos e devido a isso sempre teve uma ligação muito forte com a morte. E esta ligação aumenta quando ele descobre através de exames que tem apenas alguns meses de vida.


É quando ele passa a refletir sobre sua existência, e não vai atrás de rendenção, mas sim de tentar encontrar um equílibrio em sua vida, tentar deixar o melhor caminho para seus filhos e ter certeza que seu mundo viverá bem sem ele, mesmo ele sendo o manipulador de tudo o que acontece ao seu redor. Até que uma série de acontecimentos inesperados surgem, lhe trazendo angústia, medo, preocupação, e fazendo ele perceber que nada está a seu controle, e que a vida nem sempre é uma bela jornada.


Até certo ponto, "Biutiful" nos apresenta uma idéia bastante nova, a história daquele que vê seus dias numa contagem regressiva, e até hoje o que estamos acostumados a ver é aquela velha história de redenção, onde os dias passam a ser lindos e tudo passa a ser mais belo pelos olhos daquele que está diante da morte. Aqui, Iñárritu nos apresenta um outro lado, estamos diante de um mundo sujo, cruel, difícil, a beleza está nos olhos de quem vê, mas é difícil enxergar beleza quando toda sua volta está desabendo e tudo indo para o caos, no case de Uxbal, a morte é seu próximo passo e ele nada mais pode fazer para trazer beleza a este mundo.

Toda esta visão caótica da vida é mostrada através de cenas que há todo momento nos remete a algo ruim, desconforto, mal estar. Lugares sujos, cenários mal organizados em sequências onde o que menos se vê é beleza. Devido a isto também seja um filme difícil de acompanhar, se prender, pois tudo nos transmite algo pessimista, cenas em que contamos os segundos para terminar. Claro que tudo faz parte da intenção do diretor de passar sua idéia, mas mesmo sabendo disso, "Biutiful" está longe de ser algo adorável, para se ver uma vez na vida e nunca mais, um filme feito para se admirar no momento e não levar para vida.

O grande problema do longa, porém, é o excesso de informação e pouco foco. Pirataria, exploração de pessoas, a vida difícil dos estrangeiros que vivem ilegalmente no país, homossexualismo, prostituição e até mesmo contato com os mortos. E nada é bem aproveitado pelo roteiro, que segue milhões de caminhos, nos apresenta vários assuntos e tudo não passa de uma pano de fundo, onde não há nenhum foco, nenhum propósito para estarem ali. Parece que Alejandro se preocupou tanto em fazer um filme completo que esqueceu de formar uma meta e concluir uma idéia, onde tudo está perdido na trama.

O que salva "Biutiful" definitivamente é a brilhante atuação de Javier Bardem, excelente em seu papel e um fortíssimo candidato ao Oscar, toda sua seriedade e empenho, fazem do filme algo muito melhor do que realmente é. Todo o elenco, por sua vez, não desapontam e todos acabam surpreendendo, devido ao fato do roteiro, apesar de falta de foco, ter diálogos e cenas bastante intensas e que necessitam de atuações seguras e nisso o elenco faz sua parte.

Tem seus momentos, algumas cenas belas, como o relacionamento de Uxbal com seus filhos, tudo muito convincente, mas os bons momentos se limitam a estes, onde nada é mais interessante e que nos faça querer vê-lo até o final. Destaque também para a trilha sonora muito bem utilizada. Não ganhou o Globo de Ouro e tem grandes chances de não levar o Oscar, o que para mim não será muita surpresa. Se comparado com os últimos trabalhos de Alejandro Gonzáles, "Biutiful", com certeza, é sua obra mais fraca.

NOTA: 4


domingo, 20 de fevereiro de 2011

Crítica: Amor & Outras Drogas (Love & Other Drugs, 2010)

Comédia romântica para maiores!

por Fernando Labanca

No final de janeiro estreou aqui no Brasil "Amor e Outras Drogas", filme que conta com atuações de Jake Gyllenhaal e Anne Hathaway e com a direção do veterano, mas novato no gênero, Edward Zwick (O Último Samurai, Diamante de Sangue).

A história inicia no final da década de 90, e vemos a trajetória de Jamie Randall (Gyllenhaal), um vendedor promissor de uma loja de eletro eletrônicos e um conquistador barato, capaz de conquistar as mais belas mulheres com apenas algumas palavras. Eis que é demitido e por viver numa família de médicos acaba seguindo o mesmo rumo, e passa a ser estagiário como representante de vendas numa das maiores empresas farmacêuticas, a Pfizer. Para isso, começa a ter contato com médicos, passa a ter alguns rivais e ter a chance de sair com várias mulheres. Até que conhece Maggie (Hathaway), num consultório médico, uma artista e com apenas 26 anos sofre do mal de Parkinson.

Por alguns mal entendidos, eles se conhecem, e sem muitos rodeios vão para os finalmente. Para a sorte de Jamie, ela também não queria nada sério, nada a mais do que sexo, e entre os lençóis, os dois vão compartilhando confidências, e quando menos esperavam, estavam apaixonados. Para melhorar ainda mais sua vida, surge um remédio no mercado que influencia e muito no seu crescimento profissional, o Viagra, e graças ao seu talento em vendas a pílula passa a se popularizar, e ele, promovido. Mas um agravante impede de ambos terem um relacionamento normal, a doença de Maggie avança, é quando Jamie percebe o porquê dela querer ele sempre tão distante e o porquê dela nunca conseguir se entregar a alguém mesmo sendo tão incrível. E enquanto ele se vê crescendo no trabalho, também assisti a degradação de sua amada, é quando percebe que há coisas na vida que valem mais a pena lutar e nisso passa a apoiá-la, indo muito mais além do que ele imaginava de um relacionamento.




"Amor e Outras Drogas" vai muito além do que apenas uma comédia romântica, além de conseguir inserir o drama, o filme aborda temas interessantes como o mal de Parkinson, muito bem trabalhado na trama, sem ser apenas um pano de fundo e consegue emocionar com a sensibilidade e realismo. E todo o universo farmacêutico, os conflitos existentes nesta área, a ética de trabalho, até mesmo críticas a indústria que lucra com a desgraça alheia. O romance e humor também estão presente, mas o longa não se permite ser taxado nem limitado, atravessa fronteiras e vai muito além do óbvio.

O porquê de ser uma comédia para maiores, está nas cenas quentes que o filme nos proporciona. Anne Hathaway e Jake Gyllenhaal literalmente se despem para compor seus personagens, poucas roupas e cenas de sexo, bastante sensuais e muito raras no gênero, e que por incrível que pareça, eleva o nível da produção, por se arriscar, ir além do que o público está acostumado a ver em comédias românticas. E tudo isso é mostrado com bastante seriedade, com cuidado, sem parecer vulgar ou obsceno, tudo soa natural, nada forçado, de forma bela e muito corajosa.

Os atores principais fazem do filme ainda melhor. Jake Gyllenhaal está ótimo, não é a primeira vez que o ator surpreende na tela, mas este é um de seus melhores, versátil, convincente, divertido e carismático, mas também faz bonito nas cenas mais dramáticas. Mas o drama fica mesmo por conta de Anne Hathaway que tem uma atuação brilhante, convense tanto no humor, que sempre foi seu forte, quanto no drama, que nos transmite com fidelidade sua dor, sua insegurança. Dentre os coadjuvantes, Oliver Platt, se supera, com um personagem interessante e infelizmente pouco aproveitado pelo roteiro, diferente de Josh Gad, que interpreta o irmão de Jamie, com muito destaque na trama, ele faz as piores sequências do filme, em parte pela atuação forçada e copiada de outros papéis, em outra pelo roteiro que lhe entregou as piores falas e as piores piadas, infelizmente destruindo várias cenas que poderiam ter ficado melhores. Ainda há Hank Azaria, Judy Greer e Gabriel Match, corretos.

A época é bem retratada pelos figurinos, pelos cenários, a falta de tecnologia e principalmente pela trilha sonora. Alguns hits interessantes que nos remetem aquele tempo como "Two Princes" do Spin Doctors, por outro lado, a trilha sonora também comete seus erros, como a repetição de uma faixa instrumental todas as vezes que o casal enfrenta algum dilema ou alguma discussão importante, perdendo um pouco do clima e ficando muito repetitivo.

Enfim, palmas para Edward Zwick, um dos últimos diretores que poderiam ser escalados para uma comédia romântica, surpreende pela versatilidade, não é seu melhor trabalho, mas ainda assim é uma obra interessante que vale a pena ser conferida. "Amor e Outras Drogas" por muitas vezes perde o ritmo, existem sequências que poderiam ser deletadas, por outro lado há cenas incríveis que valem o ingresso e o final é bem satisfatório, mas por fim, o melhor de tudo mesmo, é ver Jake Gyllenhaal e Anne Hathaway, atores incríveis em cena, carismáticos e com uma bela química entre eles. Recomendo.

NOTA: 8.0