terça-feira, 26 de julho de 2011

Cinema: Meia Noite em Paris (Midnight in Paris, 2011)

Abertura oficial no Festival de Cannes este ano, "Meia Noite em Paris" mostra o retorno de um dos diretores mais aclamados do cinema atual, Woody Allen à Paris, onde filmou parte de "Todos Dizem eu Te Amo" de 1996. Pelos olhos do diretor, a cidade se transforma num palco mágico, onde ele brinca com a realidade e faz um de seus trabalhos mais interessantes dos últimos anos.

por Fernando Labanca


Para quem acompanha a carreira do diretor, sabe que a cada novo trabalho o cenário é um ponto muito importante para suas histórias, funcionam quase como um novo personagem, assim foi com Barcelona em "Vicky Cristina Barcelona", Londres em "Match Point" ou Nova York em "Annie Hall". O palco desta vez é Paris, a cidade das luzes, o lugar dos apaixonados, onde o diretor e roteirista parece ter encontrado uma fonte rica de inspirações.

O escolhido para viver o Woody Allen da vez foi Owen Wilson, que interpreta Gil Pender, um escritor que trabalha para Hollywood, o que lhe causa uma certa frustração pois acredita não colaborar muito para a arte e a verdadeira literatura, com isso, passa por um certo bloqueio criativo para criar seu mais novo projeto, até que para aliviar a tensão viaja ao lado de sua noiva, Inez (Rachel McAdams) e os pais dela (Kurt Fuller e Mimi Kennedy) para Paris, a cidade na qual ele tem uma grande admiração, não para de falar o quanto ele admira os autores da década de 20 de Paris, a época e local que ele adoraria ter vivido, a cidade sob a chuva, as luzes da noite e toda aquela vida cercada por cultura e cercado pelos gênios que hoje só se conhece nos livros de história.

Até que certa noite, convidado por estranhos a entrar num carro antigo, Gil se vê rodiado por figurinos de outra época, é quando chega em uma grande festa e se dá conta que o carro o levou para realizar seu grande sonho, viver a década de 20. Lá, ele conhece seus ídolos, Ernest Hemingway (Corey Stoll) que lhe apresenta a mulher que colabora com sua obras, Gertrude Stein (Kathy Bates) que também passa a auxiliá-lo no seu projeto, além de ter contato com F.Scott Fritzgerald (Tom Hiddleston) e ver de perto a conturbada relação com sua mulher, Zelda (Alison Pill). É onde também conhece Adriana (Marion Cotillard), uma estudante de moda e musa inspiradora de artistas como Picasso e Georges Braque, que logo se apaixona por ela, o que acaba complicando sua vida, e se vê dividido entre viver o presente ou o passado, além de todo este ambiente nostálgico lhe fazer refletir sobre suas escolhas, sobre sua vida e seu trabalho.


Assim como Gil certa vez comenta em sua viagem, que a arte é o antídoto para a realidade, é aquilo que as pessoas usam como forma de escape, Woody Allen leva essa teoria ao pé da letra, ao colocar um personagem tão insatisfeito com sua vida, numa época onde ele sempre acreditou encontrar seu verdadeiro "eu", no caso, na Paris da década de 20. A cidade, então, se torna palco de uma fantasia, nada menos que deliciosa e criativa, e assim como em outros trabalhos de Woody, ele consegue mais uma vez inserir fantasia na realidade de forma natural, sem parecer forçada, e o resultado é mais do que positivo, o roteiro nos teletransporta para a época junto com Gil, e o cinema de Woody Allen em "Meia Noite em Paris" cumpre sua mais importante e crucial função, nos fazer viajar, fantasiar, nos fazer esquecer durante alguns minutos, por completo, da nossa realidade, nos faz querer estar ali, presenciar aquilo.

A história me surpreendeu, nunca havia lido muito sobre a obra, o que foi ótimo, pois a literal viagem de Gil Pender me fez viajar junto e admirar cada detalhe mostrado na tela. Ver Picasso como um ser humano normal, Salvador Dali na impecável atuação de Adrien Brody, exatamente como o lunático como o conhecia nos livros, além de outros que conhecia somente por obras como Henri Matisse, Scott Fritzgerald e Luis Buñuel como se fossem pessoas normais passeando em Paris. É divertido, original e querendo ou não, hipnotizador. É interessante alisar toda essa idéia e ver que hoje muitos pensam da mesma forma, quantas pessoas já me disseram "queria ter nascido em outra época", este tipo de comentário é muito comum, é exatamente isso que Woody Allen questiona em seu trabalho, o porquê da realidade nunca ser o suficiente, por que as pessoas sempre acreditam que seriam mais felizes se estivessem em outro tempo.

Como todo trabalho de Woody Allen, não espere uma grande reviravolta no final, ou um final surpreendente, a história mais uma vez é linear, com a presença de alguns pontos que vão alterando o caminhar dos acontecimentos, mas sem um clímax. É de se esperar um clímax em qualquer filme, mas vindo de Allen, já é de se esperar que não tenha, então meio que este fato não decepciona tanto. Dessa vez, o diretor caprichou em outros elementos, como locações e figurinos, consegue com perfeição mostrar cada época ali retratada, o que faz dessa "viagem" ser mais prazerosa. A trilha sonora é a mesma de sempre.

Ver Owen Wilson como protagonista havia muito tempo que não era tão bom. O ator se mostra bastante habilidoso no texto de Allen, devido a sua ótima performance a comédia acontece, ele nos mostra através de suas expressões toda sua admiração, loucura, felicidade e paixão por presenciar tudo aquilo e graçás a isso, a brincadeira funciona. Marion Cotillard é sempre fantástica, está linda e bastante a vontade no papel. Rachel McAdams domina bem o texto também, tem presença marcante, mas numa personagem um tanto quanto incompreendida, é chata, e passa o filme inteiro reclamando, assim fica fácil demais imaginarmos o porquê de Gil ter se apaixonado por outra. Coadjuvantes de peso aparecem em participações como Adrien Brody, fantástico em apenas uma cena, Kathy Bates mais uma vez ótima, Michael Sheen sempre versátil, sempre mostrando uma nova faceta e sempre surpreendendo. Ainda há Tom Hiddleston, o Loki do recente "Thor", se mostrando uma ator promissor, contracenando com uma jovem atriz que vem chamando bastante a atenção, Alison Pill. E ninguém mais que Carla Bruni fazendo uma guia de um museu, pequena participação e que não altera o resultado.

"Meia Noite em Paris" marca sem sombra de dúvida, um bom momento da carreira de Woody Allen, é um filme fantástico que mostra o cinema em ótima forma, mostrando que ainda há espaço para obras de qualidade e que o talento deste diretor e roteirista não ficou no passado, é um gênio que consegue se reinventar a cada trabaho. Uma obra que não é feita somente de referências, há conteúdo, há uma história bem contada que prende a atenção, além de contar com a presença de um grandioso elenco. Recomendo.

NOTA: 9






+ Woody Allen
[Annie Hall, Todos Dizem Eu Te Amo, O Escorpião de Jade, Tudo Pode Dar Certo]
[Manhattan, Melinda e Melinda]

segunda-feira, 25 de julho de 2011

DVD: Além da Vida (Hareafter, 2010)

Clint Eastwood é um dos grandes diretores ainda ativos, e nesta última década conseguiu manter uma ótima média de quase um filme por ano, entre eles, obras marcantes como "Menina de Ouro" e "Sobre Meninos e Lobos", entre outros nem tão marcantes mas ainda assim dignos de admiração. Eis que ano passado ele surge com "Além da Vida", lançado aqui no Brasil no começo do ano, uma das apostas ao Oscar, o longa só conseguiu uma indicação à "Melhores Efeitos Especiais" e marca um dos momentos mais fracos do diretor.

por Fernando Labanca

Na trama, conhecemos três histórias paralelas, todas elas com algo em comum, a vida de três pessoas que por alguma razão tiveram uma conexão maior com a morte. George Lonegan (Matt Damon) é médium, tem o dom de ouvir os mortos além de ser vidente, mas encara isso como uma maldição em sua vida e tenta a todo custo levar uma rotina normal, fugindo daqueles que o procuram, em uma dessas tentativas entra numa classe de culinária, é onde conhece Melanie (Bryce Dallas Howard) que logo rola uma boa química entre os dois. Marie (Cécile de France) é uma jornalista francesa que numa viagem acaba se deparando com um tsunami, um acidente natural que destrói toda uma região e mata milhões de pessoas, e quando ela é salva e acorda, acredita ter tido contato com a morte, acredita ter "morrido" e por algum instante ter presenciado a vida após a morte.

Em Londres, Marcus (George/Frank McLaren) perde seu irmão gêmeo ao ser atropelado, e que por ter uma mãe com problemas de bebida, vai para uma casa de adoção e nisso se vê completamente sózinho no mundo, e tenta de diversas maneiras "reencontrar" seu irmão. E assim, essas histórias se seguem, pessoas que de certa forma tentam se reeguer, encontrar uma nova forma de vida, mas sempre em conexão com a morte.


O roteiro é do elogiado Peter Morgan, o mesmo de "O Último Rei da Escócia" e "Frost/Nixon", e ao meu ver, tem um desempenho inferior a seus outros trabalhos. Há uma premissa boa, mas que infelizmente não consegue se manter ao decorrer das duas horas de filme, tudo parece ser arrastado, não pelo fato de ter um ritmo lento, mas por falta de conteúdo mesmo para preencher todo esse tempo. A impressão que tive, é que a história termina na primeira meia hora e até seu final, o roteiro se arrasta de forma cansativa. Nenhum personagem ali em cena prende a atenção e nenhum deles possui uma trama tão interessante que nos faça querer ver o final. Final, aliás, fraco, o filme nos faz entender que haverá uma ligação muito forte entre essas pessoas, de fato, até há, mas acontece de forma morna e longe de ser impactante e surpreendente. O formato até lembra um pouco aqueles do mexicano Guillermo Arriaga dos ótimos "21 Gramas" e "Babel", mas Peter Morgan esteve longe de conseguir o mesmo feito do roteirista.

Analisando "Além da Vida" se percebe que aqueles que o criaram pouco acreditavam naquilo que reproduziam na tela, no caso, na vida após a morte, tudo acontece de forma fria, George parece achar super natural "conversar" com mortos e Matt Damon não parece acreditar naquilo que fala e em nenhum momento expressa algum tipo de rancor pelo seu dom ao mesmo tempo em que diz sentir. O mesmo ocorre com Cécile de France que não nos faz acreditar em seus diálogos, não expressa dor por ter passado por um tsunami, não expressa pesar por estar perdendo sua carreira e não demonstra acreditar naquilo que a personagem acredita, não há garra da mesma forma que a personagem deveria ter. Os jovens atores Frank e George McLaren, até que se esforçam, mas o roteiro é tão frágil que não há espaço para eles emocionarem o público, o mesmo ocorre com todos os outros personagens. Dentre os atores destaco somente Bryce Dallas Howard, que faz uma participação mais do que adorável e consegue transmitir em apenas duas cenas, emoção, que nem Matt Damon nem Cécile de France conseguiram até o final do filme.

Entretanto "Além da Vida" não é um filme descartável, ainda há as boas mãos de Eastwood, logo, cenas muito bem feitas, faltou ritmo, mas em nenhum momento me fez querer desistir de vê-lo. mas não há nem comparação com seus trabalhos anteriores. A cena do tsunami foi incrível, a participação de Bryce Dallas, marcante, entre outros pequenos momentos que de certa forma chamam a atenção, há qualidade. A sequência de Marcus e George consegue emocionar de forma bem sutil, não vai muito além, mas marca um outro bom momento do longa. A trilha sonora é fraca é por vezes de gosto duvidoso, destaque para as boas locações, fazendo deste projeto um pouco maior do que ele realmente é. Em certo momento, o personagem de Matt Damon nos diz algo como "Viver uma vida centrada na morte, não é vida", tentei me prender nesta frase para compreender melhor o filme, e acredito que "Além da Vida" não seja um filme de espiritismo como muitos apontaram, é justamente sobre isso, sobre a mania que as pessoas tem de tentar encontrar respostas na morte, usar ela como desculpa para tantas coisas, se prender nela, sendo que é na vida que encontramos as respostas que precisamos, sendo que é em vida que encontramos os motivos para permanecer aqui.

NOTA: 6



sexta-feira, 22 de julho de 2011

Cinema: Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte II


11 anos. Me lembro quando, aos meus 10 anos de idade, fui ao cinema ver "Harry Potter e a Pedra Filosofal", não fazia idéia do que aquilo significava ou muito menos o que aquilo significaria para a história do cinema. Não conhecia o livro e ia mesmo para ver os efeitos especiais, a partir de então, ver Harry Potter nos cinemas virou quase que um ritual, vi exatamente todos na tela grande, sou um daqueles que cresceu junto com Harry e seus amigos e hoje vejo que valeu muito a pena, me dedicar a esta obra que somente quando tive mais idade para discernir o que é ou não é de qualidade é que consegui enxergar que a franquia não só era uma das mais longas de todos os tempos, como também fora uma das melhores, um filme que definitivamente entrou para a história, uma saga que respeitou tanto a obra original, quanto seus fãs, uma obra que resgatou o que houve de melhor na fantasia e na aventura, uma saga que há anos não se via igual, que recolheu fãs de todas as idades e que os prendeu até seu fim, um fim, digamos, épico, um fim antológico que deixa sua marca. Dizer adeus a uma franquia nunca foi tão difícil.

por Fernando Labanca


Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte II (Harry Potter and the Deathly Hallows: Part II, 2011)

Para começar, foi o primeiro "Harry Potter" que vejo já tendo lido o livro antes, logo que este semestre me dediquei, além dos estudos da faculdade, em ler do primeiro ao último livro de JK Rowling e só posso dizer que é uma obra fantástica, superior a todos os filmes feitos. Também não pude deixar de analisar o fato de Chris Columbus, o diretor responsável pelos dois primeiros, ter feito um excelente trabalho, conseguiu transpor para a tela o universo de JK, sem sua criatividade e o excelente trabalho de sua equipe, esta franquia não alcançaria seu sucesso com tanto primor. Passando pelos corredores de Hogwarts, a construção dos conflitos e o desenvolvimento das personagens, tudo foi perfeitamente planejado e por isso, apesar de nunca ter alcançado o nível da narração de JK, pode-se dizer, todos, foram grandiosas adaptações.

Alfonso Cuarón com seu "Prisioneiro de Azkaban" e Mike Newell com "O Cálice de Fogo" atingiram um dos pontos mais altos da franquia, onde a aventura ganhou mais força. Logo depois David Yates foi o responsável pelos próximos, e foi ele quem deu um tom mais dark para a saga, aliás, estética muito necessária, logo que a partir de "A Ordem da Fênix" a jornada do "Menino que Sobreviveu" realmente evolui, amadurece, o público de "A Pedra Filosofal" também havia crescido e acredito que este foi o maior mérito de "Harry Potter" nos cinemas, ter feito a franquia crescer junto com aqueles que assistiam, sem deixar de conquistar novos fãs. Mas foi em "Relíquias da Morte" que a saga chegou a seu auge, felizmente, tanto a primeira parte quanto a segunda foram adaptações riquíssimas além de terem sido filmes de grandiosa qualidade. Aliás, a divisão em dois longas foi uma escolha sábia, na primeira parte, há os conflitos entre as personagens principais, há mais texto, mais diálogo e mais explicação sobre o que aconteceria no futuro. Já na segunda, a ação ganha mais força, o filme encara de vez seu final, com mais aventura, mais batalhas, ou seja, tudo aquilo que não teve em nenhum outro filme e fecha com maestria, capaz de emocionar os menos aficionados.

Em "Relíquias da Morte- Parte II", vemos Harry (Daniel Radcliffe), Hermione (Emma Watson) e Rony (Rupert Grint) partindo numa jornada sem volta, em busca das últimas horcruxes, ou seja, os últimos pedaços de alma que restavam de Lord Voldemort (Ralph Fiennes) que após encontrar a "Varinha das Varinhas" no túmulo de Dumbledore, passa a verificar suas horcruxes logo que percebe que Harry está atrás delas. Juntos, eles vão atrás da "Taça de Hafflepuff" que estava no cofre de Belatriz Lastrange (Helena Bonham Carter) no Banco de Gringotes, depois tentam chegar a Hogwarts, pois Potter sabia que Voldemort havia guardado alguma na escola, justamente a que faltava, o "Diadema de Ravenclaw". Para chegar em Hogwarts, os amigos contam com a ajuda do irmão de Dumbledore, Aberforth. Na escola, reencontram com todos os amigos, inclusive com Neville (Mathew Lewis) e Luna (Evanna Lynch) que junto com outros alunos aguardam o sinal de Potter para lutarem, o problema que Harry não tinha um plano muito bem planejado, mas ele não estava sozinho, estava junto de seus fiéis companheiros e até mesmo dos professores que se aliam para dar um fim em Lord.

Até que Voldemort chega em Hogwarts e dá seu ultimato, um duelo marcado com seu grande inimigo, Harry Potter, que por sua vez, percebe que este é seu fim e compreende toda sua jornada, os porquês de estar ali, a verdade sobre Dumbledore e principalmente, a verdade sobre Severo Snape, que guarda as lembranças que definiram toda sua vida.


Um belo final, e que final! É realmente muito bom criar expectativas sobre um filme e perceber ao seu término que ele não decepciona em nenhum ponto. Um filme que mereceu ser aguardado, ser esperado por 11 anos, um final não menos que muito marcante, uma batalha final tão aguardada quanto o término de Star Wars na década de 80 ou até mesmo "A Vingança dos Sith" em 2005 que fazia a ligação da trilogia recente com a antiga. Em outras palavras, fazia muito tempo em que o cinema e o público não celebrava um fim tão épico, que o público não se apegava a uma história e torcia para seu gran finale. É então que refletimos, quando sentiremos isso mais uma vez? Quando é que uma fantasia e a aventura chegará ao nível das produções de Harry Potter? Por isso, ver um final nunca foi tão difícil, termina aqui uma era.

Este é o melhor de todos, fato! O que é ótimo, pois é exatamente o que esperamos de uma saga, que o último seja o melhor. "As Relíquias da Morte-Parte II" não desaponta, tem tudo que um grande filme de aventura tem, mais do que isso, tem tudo que o final de uma franquia necessita para ser memorável. Os bons efeitos especiais se superam e criam ótimas cenas, destaque para a fuga dos jovens amigos de Gringotes com a ajuda de um dragão, excelente sequência, sem deixar de citar as incríveis batalhas que se seguem da metade para o final, finalmente elas existem em "Harry Potter" e em dose certa, capaz de empolgar e nos prender na trama. Batalhas, aliás, ignoradas no livro de JK Rowling, que termina a saga de forma morna, para minha felicidade, no filme, o final é mais digno, há mais emoção nas lutas e Voldemort se torna um vilão mais interessante nas mãos de David Yates.

Como adaptação, o filme é incrível, há sim muitas mudanças, mas nenhuma que comprometa o resultado final, muito pelo contrário, como já disse, há sequências superiores aos do livro. E por isso tem tudo para agradar os fãs e tem tudo para agradar aqueles que só acompanharam Harry nos cinemas, responde todas as perguntas e não deixa nenhuma ponta solta, é realmente o fim. Uma obra acima de tudo, que emociona, sim, emociona! Para quem curte muito a saga, se prepare para as lágrimas! Onde cada detalhe parece emocionar, pois temos a sensação de "esta é a última vez que veremos isto", cada personagem que aparece e são muitos, surgem na tela com um ar de adeus. Personagens, talvez tanto os livros quanto os filmes deram certo devido a eles, em grande parte, a obra não seria a mesma sem Hermione e Rony, não há como não amar esses dois. O que falar de Gina (Bonnie Wright) e todos os Weasley? Lupin (David Thewlis) e Tonks (Natalie Tena) ? E o retorno de Dumbledore e Sirius (Gary Oldman)? A força de personagens que surpreendem como Neville, Luna e a professora Minerva (Maggie Smith) e enfim, o que falar de Severo Snape (Alan Rickman)? Está nele a grande surpresa do filme em um dos momentos mais emocionantes de toda a saga.

Um filme que fala sobre amizade, é claro. Parece bobo e uma moral batida, mas lendo os livros e vendo o filme, percebemos o quanto isto é diferente e muito mais intenso aqui. Nos afeiçoamos a eles, conhecemos eles perfeitamente bem, aliás foram 8 filmes! É realmente bonito ver Harry Potter se entregar e ver que ele era o alvo, ao mesmo tempo em que ele se depara com todos lhe ajudando, colocando suas vidas em risco, perceber que ele definitivamente não estava sozinho! É interessante ver Neville crescendo como pessoa e perder sua baixa-estima quando todos passam a apostar em seu potencial, ou quando Aberforth compreende que nem tudo está perdido e que vale a pena lutar quando se tem esperança de um mundo melhor. É bonito ver Potter e sua preocupação não só em lutar, mas se preocupando que no final de tudo pudesse encontrar seus amigos para contar como foi, eles eram seu apoio, seu suporte, sua maior fonte de inspiração para querer entrar nesta batalha. E este amor que existe entre as pessoas, nas relações do dia-a-dia vale muitos sacrifícios e como Dumbledore diz em certo momento: "Não tenha piedade dos mortos, tenha piedade dos vivos, principalmente aqueles que vivem sem amor".

Os atores também estão incríveis, o trio principal cresceu a cada filme e neste marca um grande momento de cada um, ainda que na primeira parte tiveram uma chance melhor de provar algum talento. Entre os coadjuvantes vemos atores britânicos de alto nível, como Helena Bonham Carter, Ralph Fiennes e Maggie Smith, simplesmente fantásticos. Destaque também para Alan Rickman que nos emociona mostrando finalmente sua fragilidade como Snape. Além das participações de Gary Oldman, Jason Isaacs, Jim Broadbent, Emma Thompson, John Hurt, Michael Gambon como Dumbledore e Robie Coltrane como nosso querido Hagrid.

Este foi o fim! É triste até pensar nisso. Quando o filme acaba o que se sente além de uma grande emoção, é um vazio. Vazio de uma história que não mais retorna, é como um triste adeus a um amigo querido. Vale a espera, um filme muito bem feito, fiel a obra de JK Rowling, com bons efeitos especiais, figurinos, fotografia e a bela trilha sonora de Alexandre Desplat, além das atuações convincentes. "Harry Potter" com este último capítulo entra para a história do cinema, como uma das mais longas franquias já feita, onde toda a equipe e os atores se comprometeram a seguir até o fim e este é seu outro grande mérito, foram fiéis e respeitaram o público, coisa rara quando se fala de blockbusters e este é um dos melhores já feito. A aventura perde este ano uma grande obra, uma grande idéia. Um filme que marcou não só a história, mas como toda uma geração! Uma obra que será lembrada daqui muitos e muitos anos.

NOTA: 10






[Crítica: Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 1]
[Crítica: Harry Potter e o Enígma do Príncipe]

domingo, 17 de julho de 2011

Crítica: O Nevoeiro (The Mist, 2007)

Baseado na obra de Stephen King, "O Nevoeiro" conta com a direção de Frank Darabont, o mesmo que já havia trabalhado com adaptações de King como "Um Sonho de Liberdade" e "A Espera de Um Milagre", mas agora fugindo um pouco do drama e encarando um terror bem elaborado que digo sem a menor dúvida, uma das melhores adaptações do autor para os cinemas.

por Fernando Labanca



No filme, conhecemos uma pequena cidade que acaba de passar por uma terrível tempestade, preocupado, David (Thomas Jane) vai para um mercado junto com seu filho de 8 anos, Billy (Nathan Gamble), logo que os mantimentos poderiam se esgotar rapidamente devido aos acidentes causados. Local cheio, paredes de vidro, os moradores logo se deparam com um nevoeiro que cobre a cidade, não muito tempo depois, um indivíduo entra correndo pelas portas com o nariz sangrando e dizendo para todos não saírem mais do lugar e que algo muito estranho estaria acontecendo além daquelas paredes.

No depósito, David e outros homens acabam se deparando com uma espécie de monstro e que era dele que estavam se escondendo, algo gigantesco e com tentáculos, extremamente assustador e difícil para todos acreditarem que era real. Contam para todos o que estava acontecendo, uns não acreditam, outros acham que é uma piada sem graça e inconveniente e outros como a Sra. Carmody (Marcia Gay Harden) acreditam que assim como dizia a Bíblia, este era o fim de tudo. Até que estranhos acontecimentos passam a assustar os moradores, os fazendo refletir sobre o inacreditável, os fazendo pensar em sua vidas, e até que ponto poderiam suportar aquela nova realidade, até que ponto vai a civilização de um ser humano, os fazendo questionar sobre a bondade e se realmente o perigo estava fora daquele mercado.


O que faz de um filme de terror um bom filme de terror? Uma boa história, bons atores, cenas que assustam, que nos faz sentir medo, agonia ou algum sentimento muito forte. "O Nevoeiro" trás todos os elementos que um bom filme do gênero, somado a outros aspectos que fazem desta obra não só uma das melhores adaptações para o cinema de Stephen King, mas um dos melhores de terror dos últimos anos. O longa consegue nos amedrontar com cenas simples, mas choca pela maneira realista como trata os acontecimentos, nos faz realmente acreditar. Frank Darabont é um excelente diretor, nos mostra esta história um tanto quanto "fantasiosa" de maneira magestral, poderia muito bem nas mãos dos roteiristas e diretor errado parecer uma obra patética de monstro e mortes grotescas, mas aqui tudo é bem planejado e bem filmado, acreditamos, entramos facilmente na "brincadeira" e nos deixamos levar por esta trama bem criada, que nos prende no início ao fim.

"O Nevoeiro" vai muito além de um filme de terror, é um drama complexo repleto de bons diálogos e idéias inteligentes, que não subestima seu público mal acostumado com histórias baratas que inundam o cinema de porcarias com muito sangue e pouco nos faz pensar. Neste, aquele que assiste passa por momentos de tensão, agonia, medo e aflição, mas que também se emociona com a sensibilidade dos personagens, tão reais e tão humanos, além do fato do filme nos fazer pensar e refletir sobre inúmeros assuntos. O longa questiona de maneira impecável esta condição vulnerável do ser humano, até que ponto praticamos nossa civilização, o homem é capaz de perder o controle quando elementos que constituem sua rotina se perdem, como a alimentação, família, segurança e como o próprio filme questiona o limite da civilização é quando o 190 e máquinas ainda funcionam. Podemos não ser tão racionais quanto os livros indicam, há um limite para a civilização, dignidade e bondade.

Em relação aos atores, ninguém desaponta. Thomas Jane surpreendentemente bom e o pequeno Nathan Gamble se mostra mais uma vez um ator promissor. Destaque para a incrível coadjuvante, Marcia Gay Harden que rouba as cenas e constrói cenas memoráveis. O elenco ainda conta com o sempre ótimo Toby Jones. Os personagens é o que move este longa, são bem desenvolvidos, o roteiro respeitou cada ator ali em cena, são bem complexos e acabam, para minha grande e grata surpresa, assustando mais que os próprios "monstros".

Frank Darabont é simplesmente um diretor fantástico, realiza cenas incríveis, sua movimentação de câmera tem um diferencial. O que dizer das sequência dos insetos assassinos ou quando um dos moradores sai para fora do mercado com uma corda amarrado na cintura, simplesmente assustador, entre outras cenas ótimas que Darabont capta de forma admirável. Mas o que faz de "O Nevoeiro" um filme marcante é definitivamente seu final, conhecia este longa como "aquele com um final surpreendente", mas realmente não esperava o que vi, foi muito além de um filme convencional, foi muito além que qualquer outro filme de terror tenha ido nos últimos anos, é chocante, de deixar sem palavras, de emocionar de forma muito profunda. Enfim, não há como ficar indiferente ao desfecho, surpreendente, magnífico e porque não, muito corajoso da parte de Darabont. Uma obra que traz reflexões interessantes sobre a sociedade, representada pelos moradores trancados no mercado, uma obra por vezes melancólica, pessimista e bem realista diante deste cenário apocalíptico. Intrigante e inteligente, "O Nevoeiro" ficará na mente por muito tempo...recomendo, não sou muito fã de terror, mas este, entrou para minha lista de melhores!

NOTA: 10

terça-feira, 5 de julho de 2011

Especial: De Volta Para O Futuro


Existem alguns filmes que são lançados e poucos segundos depois são esquecidos, existem também aqueles que entram para a história, não há como prever, não há como deduzir, não há como saber se tal projeto fará sucesso ou não. A questão é que filmes que entram para a história são atemporais, aqueles que resistem ao tempo e mesmo depois de anos de seu lançamento ainda fazem sentido para um público mais atual, um destes raros projetos é "De Volta Para o Futuro" que ano passado comemorou 25 anos desde sua estréia. Dirigido por Robert Zemeckis e produzido por ninguém mais que Steven Spielberg, o filme marcou e até hoje é visto como referência. Eu sempre soube de tudo isso, mas nunca parei para assistí-lo, até que tive tempo e oportunidade para vê-lo e aqui estou para escrever um pouco sobre o que achei deste universo criado por Zemeckis!

por Fernando Labanca



De Volta Para o Futuro (Back to The Future, 1985)

O início de tudo, o primeiro passo do grande sucesso. Mesmo sabendo que o filme foi um marco nunca consegui vê-lo além de um filme de "sessão da tarde", confesso que tive esse preconceito e por isso nunca me interessei, até que resolvi dar uma chance, nos primeiros minutos o via com olho torto, mas não demorou muito para a obra me convencer de que eu estava diante, mesmo depois de 26 anos, de algo muito novo e extremamente criativo!

Conhecemos Marty McFly (Michael J.Fox) um jovem bem anos 80, com aquelas roupas descoladas, tem uma banda de garagem e uma namorada (Claudia Wells), não faz o tipo do bom aluno e por isso sempre consegue enlouquecer o diretor de sua escola e em casa, não há nada que lhe dê muito orgulho, família conservadora, sua mãe (Lea Thompson) que não aceita seus erros e seu pai "loser", George McFly (Crispin Glover) que é motivo de piada e é um verdadeiro fracasso como pai e como esposo, além de ser alvo de chacota de um antigo rival, Biff Tannen (Thomas F.Wilson). Para aliviar sua rotina, McFly é uma espécie de assistente de um ciêntista, o Dr.Emmett (Christopher Lloyd), também conhecido com Doc, que sempre tem idéias mirabolantes, eis que depois de anos em fase de experimento ele consegue realizar sua grande obra, a máquina do tempo.

Outubro de 1985. Instalada em um De Lorean, o automóvel precisaria correr 88mph para se transportar para uma determinada data, o problema é que Doc roubara plutônio de um grupo terrorista que para revidar a ofensa dão início a um tiroteio, assim, Doc leva um tiro e McFly é obrigado a fugir usando o automóvel e assim, acaba viajando no tempo e parando na data programada por Emmet, 5 de Novembro de 1955. Outro universo, outros costumes, o jovem se vê perdido nesta vida que ele desconhece e tenta reecontrar o Doc mais jovem para tentar voltar para casa e impedir que seu amigo morra, o problema é que ele salva um jovem de ser atropelado, este jovem era George, seu futuro pai, que aliás, conhecera sua mãe justamente por ter sido atropelado pelo pai dela. Assim, Marty altera a história e por ele ter sido atropelado, é lavado para casa do motorista, seu avô. Lá conhece sua futura mãe, a jovem Lorraine, que logo que se apaixona pelo desconhecido.

Até que ele encontra Doc e prova que 30 anos depois ele criaria uma máquina do tempo, e os dois passam a trabalhar para fazer a retorno, ao mesmo tempo em que Marty precisa dar um jeito de impedir que sua existência seja anulada, logo que impediu o jovem George conhecer Lorraine, então passa a fazer com que os dois se encontrem, mas para isso, teria que alterar outro fato, fazer com que seu pai acreditasse um pouco mais em si mesmo.

Como eu disse, não demorei muito para compreender de que se tratava de um filme criativo e muito novo. "De Volta Para o Futuro" tem um excelente roteiro, consegue com perfeição seguir aquelas regrinhas básicas para prender a atenção do público, nos primeiros minutos, as personagens. Cada um é apresentado aos poucos, sem pressa, onde cada fala é essencial para suas caracterizações. A história já prende nos primeiros minutos, desde os cenários cheios de detalhes interessantes, à trama em si, onde as personagens muito carismáticas nos guiam para um mar de criatividade, numa obra nada previsível, onde cada próximo passo é incerto e o resultado 100% das vezes, agrada.

A história é fantástica, fato. Viagem no tempo sempre foi o fascínio de muitos cineastas e "De Volta Para o Futuro" sem sombra de dúvida figura entre as melhores obras sobre o tema. É tudo muito interessante, Marty McFly não presencia fatos históricos e tenta mudar a história mundial, ele se depara em sua pequena cidade, onde suas atitudes interferem em seu próprio futuro, em sua existência. Ele ao lado de seus pais jovens é realmente genial e este inusitado evento abre portas para boas sacadas, como por exemplo, sua mãe se apaixonar por ele, inovador para uma aventura quase que infantil. Tudo isso ajudado pela ótima trilha sonora de Alan Silvestre e os ótimos efeitos visuais e sonoros, bem avançados para a época. Não posso deixar de citar a ótima caracterização dos anos 50, desde os cenários aos ótimos figurinos.

Michael J.Fox é extremamente carismático, é um ótimo ator e chega até ser triste vê-lo e saber que ele se afastou do cinema. Lea Thompson está fantástica também, vive Lorraine mais velha e mais jovem e convense nas duas épocas, assim como Crispin Glover que diverte com seu George e manda muito bem como ator. Christopher Lloyd e seu Doc transborda carisma, e ele consegue com perfeição transmitir sua insanidade e a alegria deste cientista antológico na história do cinema.

"De Volta Para o Futuro" é uma mistrura hamoniosa de ficção Ciêntífica, com direito a efeitos especiais e idéias inovadoras, de comédia, e das boas, com boas sacadas e um humor contagiante, de aventura em cenas que empolgam e uma pitada de romance para conseguir enfim agradar todos os públicos. O filme ainda está recheado de cenas memoráveis em diálogos incríveis, como quando McFly se empolga tocando o rock de Chuck Berry no baile dos estudantes em 55, as citações de Lorraine ao identificar Marty como "Calvin Klein" e o eterno "Great Scott" de Doc. Citações, falas, cenas e atuações, um conjunto de elementos que fizeram deste filme um marco! Recomendo, ainda é um filme novo mesmo em 2011, há nele o que há de melhor em Robert Zemeckis, que criou obras-primas como "Forrest Gump", "Náufrago" e "Contato" e o que há de melhor em Spielberg que sabe como ninguém fazer aquela aventura no ponto certo, com um toque de ingenuidade capaz de agradar qualquer público, daqueles que esperam um simples blockbuster ou até mesmo os mais exigentes que esperam mais conteúdo, e de bom conteúdo, "De Volta Para o Futuro" tem de sobra.

obs: O filme venceu o Oscar de Melhor Efeitos Sonoros, além de ter sido indicado a vários prêmios importantes, como o Oscar de Melhor Roteiro Original e o Globo de Ouro e Bafta de Melhor Filme e Melhor Roteiro.


NOTA: 9,2




De Volta Para o Futuro 2 (Back To The Future Part II, 1989)

4 anos depois do lançamento do primeiro, o estúdio não demorou muito para perceber que esta idéia daria uma grande franquia, por isso é considerado como a primeira grande franquia da história, o filme que motivou os grandes estúdios a fazerem continuações, logo que o resultado foi tão positivo quanto o original, mas ter continuações tão boas quanto o primeiro é uma raridade e "De Volta Para o Futuro" possui mais esta característica.

O filme começa exatamente do ponto em que o primeiro termina, fazendo algumas pequenas alterações como a personagem Jennifer Parker, namorada de Marty, que passa a ser interpretada pela jovem na época Elizabeth Shue (lembra?). Dr.Emmett vai atrás de seu assistente dizer que conseguiu outra façanha, viajar para o futuro e que eles precisam urgentemente serem transportados para lá, logo que o futuro filho de Marty passa por alguns problemas. Em 2015, onde carros voam e a tecnologia tomou conta do mundo, inclusive da fábrica têxtil, McFly percebe que a família Tannen ainda persegue a sua e ainda são grandes rivais e graçás a eles seu "filho" está a um passo de ser preso, mas devido a alguns incidentes ele consegue alterar o futuro dele, era para ser tranquilo, até que Marty descobre um "Almanaque de Esportes" sobre as principais vitórias ao decorrer da história e percebe como se dar bem na vida, o problema é que surge novamente o velho Biff Tannen que rouba sua idéia, consegue viajar no tempo e entrega o almanaque para si mesmo no passado.

Uma pequena idéia, mas que altera todas as vidas. Quando McFly e Doc retornam para 1985 se deparam com grandes alterações, seu pai morreu e sua mãe é casada com Biff Tannen, logo seu novo padrasto, que aliás iniciou um grande regime na socidede, ele a domina e é capaz de matar qualquer um. É quando que Marty e Emmett chegam a conclusão de que Biff criou uma realidade paralela e o único meio de alterá-la novamente era voltar ao início de tudo, no caso em 1955. Nisso, McFly se depara com os mesmos acontecimentos de sua última viagem a época, mas com um novo foco, impedir que o Biff do futuro entregue ao jovem Biff o Almanaque, ao mesmo tempo impedir que acontecimentos passados, como o encontro de George e Lorraine não sejam alterados.


Quando eu acreditava que era impossível construir uma trama tão criativa e interessante quanto a primeira me surpreendi, pois "De Volta Para o Futuro 2" retoma o que houve de melhor no primeiro, ou seja, a aventura empolgante aliada ao humor afiado e personagens bem construídos com uma nova e surpreendente história tão criativa e original quanto a primeira. A idéia de realidade paralela é fantástica e flui muito bem, os roteiristas pensaram em cada detalhe, cada pequeno detalhe, não há sequer um pequeno furo, tudo muito bem pensado, planejado e o resultado é uma obra bem arquitetada que mais uma vez não decepciona o público mais exigente sem deixar de excluir aqueles que veem somente pela divertida aventura. Quando McFly retorna em 1955 o filme alcança a genialidade, onde uma cena acontece ao mesmo tempo em que no fundo outra (ocorrida no primeiro filme) está sendo exucutada. Não consigo pensar em outra palavra para descrever estes acontecimentos a não ser: GENIAL!.

Os atores continuam incríveis, Michael J.Fox parece se divertir até mais, tem a oportunidade de interpretar McFly, McFly mais velho e seus filhos e convense e diverte am todas as partes, além de brilhar a tela com seu extremo carisma. Christopher Lloyd também muito versátil e Doc contagia o público quando entra em cena. Lea Thompson mais uma vez reprisando sua adorável personagem e Thomas F.Wilson como Biff Tannen faz um vilão caricato, mas no ponto certo para divertir.

"De Volta Para o Futuro 2" é sim tão bom quanto o original, o que é uma grata surpresa. O filme ainda consegue arrancar boas risadas e surpreender com suas idéias mirabolantes e criativas. Ainda há cenas marcantes e diálogos memoráveis, ainda há aqueles pequenos detalhes bem pensados que fizeram diferença, "Calvin Klein" e "Great Scott" ainda permanecem, o De Lorean agora voa, e algumas cenas onde foram inseridas tecnologia surpreendem pois hoje em dia realmente fazem parte da nossas vidas, como conversas através de um vídeo, assim como as "webcams" ou a tecnologia 3D que invadiu o cinema, aqui o filme em questão é a 19º parte de "Tubarão" sucesso de Steven Spielberg que, vai além da tela, enfim, um filme que pensou muito além de seu tempo e hoje vemos que ele acertou em muitos aspectos. Uma obra correta, bem pensada, inteligente, que não perde tempo com cenas descartáveis, tudo o que vemos em cena fará diferença no decorrer do filme, cada fala, cada atitude terá algum resultado maior. Uma aventura como poucas que surgiram na história, numa época onde o conteúdo era mais relevante que o visual.

NOTA: 9,2




De Volta Para o Futuro 3 (Back To The Future Part III, 1990)

Quando me falaram que a terceira parte era uma espécie de faroeste fiquei com o pé atrás, estava indo muito bem para eles estragarem tudo na última parte, estava lá eu mais uma vez subestimando a série e mais uma vez queimei minha língua, a terceira parte ainda é ótima e faz um grandioso desfecho para esta grandiosa aventura.

Mais uma vez, a sequência começa do ponto em que a anterior terminara, com a diferença de que foram filmadas simultaneamente e esta fora lançada apenas seis meses depois da segunda parte. Algo parecido ocorreu com "Piratas do Caribe- No Fim do Mundo" e "Matrix Revolution". Por um acidente, Dr.Emmett é lavado para um passado muito distante, 1885, mas consegue enviar uma carta para McFly para que não tente voltar no tempo para buscá-lo, seria muito arriscado. Doc conta que vivia como ferreiro na época do Velho Oeste para tentar consertar sua máquina, que aliás, a havia enterrado numa mina, é quando Marty vai atrás desta mina e reecontra o De Lorean, mas também encontra algo a mais, a sepultura de Doc dizendo que ele morrera num duelo contra Bufford Tannen, o fora-da-lei mais perigoso. E com a ajuda de Emmett de 1985, McFly consegue se transportar para o Velho Oeste com o intuito de salvar a pele do amigo, consegue algumas roupas antigas e se auto denomina de "Clint Eastwood".

Lá, ele se depara com seus ancestrais e com Doc, que leva uma vida pacata na cidadizinha e juntos eles tentam bolar um plano para fazer com que eles atinjam a velocidade necessária para viajarem no tempo, enquanto isso, Marty acaba que criando confusão com Bufford que marca data e local para um duelo. Porém, na sepultura de Emmett constava uma outra informação muito importante, o nome de sua amada, uma tal de Clara Clayton (Mary Steenburgen), mas ele nunca conhecera esta mulher antes, o que não tarda a acontecer, quando a professora vai até a pequena cidade e eles se conhecem e logo percebem o quanto de coisas que possuem em comum, é quando que Doc passa a refletir sobre voltar para casa, e se 1885 fosse realmente seu novo lar?


A "Parte 3" me surpreendeu bastante, achei mesmo que uma hora ou outra o filme derrapasse, mas isso não aconteceu. De fato, este é o mais fraco de todos, mas isto jamais quer dizer que seje um filme ruim, muito pelo contrário. Ainda é um interessante projeto e Robert Zemeckis o guia com muita segurança e competência, sua história ainda é ótima, entretanto não possui aquelas idéias tão inovadoras que marcaram os dois primeiros, a trama é bem original mas não no mesmo nível das outras partes, é mais convencional.

Por outro lado, acredito que este seje o mais engraçado de todos, pelo menos foi o que mais dei risadas, seu humor flui melhor, o ambiente parece mais propício para um grande filme de comédia e todas as inusitadas situações permitem brilhantes diálogos bem humorados e ótimas sacadas. Não me esqueço de "Isto é um assalto? Não, isto é um experimento ciêntífico", assim dizia Doc antes de por seu grande plano em prática, entre outras sacadas bem engraçadas e porque não, bem inteligentes, mais uma vez, a obra não subestima seu público, criando uma aventura não muito óbvia e cheia de bons conflitos e boas ideías. O que dizer de "Clint Eastwood" e as citações de Jules Verne, mostrando mais uma vez as grandes referências e provando que Spielberg e Zemeckis beberam na fonte certa para criar esta grandiosa aventura, com bom humor e um pouco de romance.

Os atores mais uma vez acertam na composição de seus personagens. Michael J.Fox e Christopher Lloyd conseguiram o feito de construirem personagens históricos. Destaque também para Thomas F.Wilson como Bufford Tannen, mais uma vez o vilão da história, mostrando mais versatilidade como fora-da-lei, tendo a chance assim como Lea Thompson e J.Fox em mostrar em um só filme várias faces. Além das atuações, outro ponto positivo é composição da época, desde os figurinos e maquiagem, passando pelos ótimos cenários, e mesmo se tratando de uma comédia, mesmo que não fosse para ser levado a sério, a equipe não poupou esforços para fazer algo de qualidade.

Em suma, "De Volta Para o Futuro 3" é divertido, dinâmico, inteligente, original, que possui uma trama interessante e bem guiada pelo roteiro que não perde tempo, só colocando nas cenas elementos necessários para a compreensão da mesma. Não é tão bom quanto os dois primeiros, mas ainda assim é fantástico. Um filme sobre aceitar o tempo, não ter pressa para realizar planos, afinal, não existe predestinação, destino é feito por nós mesmos, só cabe a nós decidir como será nossa vida no futuro e o melhor futuro é aquele que não se planeja, é aquele tempo que nos permitirá sermos surpreendidos. Recomendo toda a franquia, uma obra que me surpreendeu e acredito que irá surpreender aqueles que ainda não viram, é muito fácil assistí-lo e compreender o porquê de ser um marco na história do cinema, o porquê de seu sucesso. Enfim, uma obra de altíssima qualidade.

NOTA: 9,0